Confiram as fotos e, ao final, leiam as palavras da autora, em seus agradecimentos.
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terça-feira, 10 de dezembro de 2013
NIRVANDA MEDEIROS LANÇA LIVRO
A Presidente da AJEB-CE, Nirvanda Medeiros, lançou seu segundo livro, Vivenciando Passos: Um caminho construído com amor, dia 27 de novembro de 2013, no Náutico Atlético Cearense, em evento dos mais prestigiados, com apresentação do jornalista Vicente Alencar.
Confiram as fotos e, ao final, leiam as palavras da autora, em seus agradecimentos.
Confirmamos as
palavras de José Saramago:
Agradeço a gentileza
do nosso amigo, escritor e jornalista
Vicente Alencar, que, com sua
brilhante fala, fez
a apresentação do livro.
Confiram as fotos e, ao final, leiam as palavras da autora, em seus agradecimentos.
VIVENCIANDO PASSOS –
Um caminho construído com amor.
Boa Noite, prezadas autoridades que
compõem a mesa principal, que
saúdo em nome do Presidente da Academia de Retórica, Dr. Mauricio Benevides, meu
dileto amigo e compadre; autoridades de outras arcádias presentes; confrades,
confreiras, meu companheiros, companheiras do Lions Clubes, amigos, amigas e
familiares.
Cada manhã
que chega traz a
explosão de grandes
projetos dentro de
cada um de nós,
com promessas a
cumprir o que
planejamos.
Procure dar o mais que puder... Uma boa palavra; Um
sorriso, um pensamento generoso... E você há de sentir em seu coração a grande verdade: é muito
melhor dar que receber! Confiemos nessa força que habita dentro de cada um de nós,
dando-nos vida e coragem.
Lembro Clarice Lispector:
“DIZEM QUE A VIDA
É PARA QUEM
SABE VIVER, MAS NINGUÉM
NASCE PRONTO.
A VIDA É PARA QUEM
É CORAJOSO O SUFICIENTE
PARA ARRISCAR E HUMILDE
O BASTANTE PARA APRENDER”.
Daí, a nossa razão de ter coragem e de
ter humildade em pensar, refletir e de criar coisas
novas, de ser sábia, portanto, somos
dotados de inteligência, de raciocínio, além de sermos capazes de
fazer cultura.
A vida é um encanto de beleza!
Tenho certeza de que, assim, a vida se transformará num hino de ação
de graças ao PAI TODO PODEROSO. Fiquemos atentos!
“Somos todos
escritores, só que alguns escrevem e
outros não”.
Repito, há necessidade de ter coragem e de
ter humildade, para podermos
parar, pensar e escrever
algo que está dentro de cada
um de nós. Nossos sonhos, pensamentos!
O pensamento é a maior força criadora que existe sobre a
terra.
Não é difícil,
é só começar e resolver: escreva,
escreva , rabisque, pesquise, torne o imaginário quase realidade.
Plante semente de otimismo e de amor para colher frutos
doces da alegria e da felicidade.
Palavras de Rubem Alves;
“Um livro é
um brinquedo feito
com letras. LER
É BRINCAR!”
Há necessidade de ter
coragem de começar a escrever e
humildade para ouvir as
críticas construtivas ou
destrutivas. Ter certeza de que
somos seres únicos. Cada um com sua liberdade.
Acredito que seja felicidade, quando se sabe
que o outro
leu e comentou.
Assim, como os
universos foram criados pela palavra de Deus, assim, também, nossos pequenos mundos foram criados pelas
nossas palavras.
Tudo é
aprendizagem!
Sinto – me feliz, nesta
noite de profunda significação, ao lado
de meus amigos, amigas e familiares.
Para mim é motivo
de alegria de ter tido
a coragem de lançar
mais um livro escrito
com muito amor, que representa uma
vida saudável, cheia de
harmonia e muita
paz.
Escrevo e falo com simplicidade; aprendi com meus pais e
continuei como professora de crianças.
Escrevi VIVENCIANDO PASSOS: Um
caminho construído com
amor! Foram felizes dias
escrevendo.
Registramos, aqui, com satisfação, e ao
mesmo tempo, agradecemos
a nossa escritora
e Presidente de Honra
da AJEB ( Associação de
Jornalistas e Escritoras
do Brasil) Giselda Medeiros,
que, com
presteza e sabedoria,
fez a revisão
dos textos, e, para completar escreveu
a apresentação.
Agradeço ao nosso arquiteto Claudemir Sousa, que
carinhosamente criou
a capa de nosso livro.
À Editora Premius,
na pessoa do CL do Lions Clube Fortaleza Jangada
e Confrade Francisco de
Assis de Almeida Filho, pelo projeto gráfico. E, para completar, fez uma sábia mensagem.
Ao Náutico Atlético
Cearense, na pessoa de seu Presidente Pedro Jorge Medeiros,
que nos acolhe com muita delicadeza e presteza de seus funcionários.
Destaco a alegria de
contar com as presenças dos
Companheiros, companheira e domadoras do
Lions Clube Fortaleza Fátima e dos companheiros, companheiras dos outros clubes que fazem parte do Distrito
LA4; a todos o meu reconhecimento pelas presenças.
Aos confrades e
confreiras das Academias a que pertenço:
Academia Leonística de Cultura do Ceará; como presidente Antônio Nogueira
Filho; Academia
Metropolitana de Fortaleza - presidente Júnior Bomfim; Academia Feminina
de Letras - presidente Argentina Andrade; nosso grupo especial de AJEB ( Associação de Jornalistas e
Escritoras do Brasil). Obrigada,
ajebianas e sócios colaboradores.
Participamos, também, de um
grupo peculiar, A ALFE
(Associação das Lojistas Femininas). Obrigada, amigas, pelo comparecimento.
Aos meus amigos e
amigas da Escola de Pais, grupo que colaborou e nos enriqueceu para educação de nossos filhos.
Ao nosso grupo do cafezinho, a turma do almoço da Esmeralda...
Quero reverenciar a memória de meu inesquecível esposo Raimundo Medeiros Sobrinho, que
há cinco anos está ao lado do PAI
CELESTE, e agora tenho
certeza de que ele está aqui presente
ao meu lado, ao nosso lado.
Sinto falta dos meus estimados pais Francisco das Chagas
Medeiros e Joaquina Teixeira Medeiros, de meus irmãos Maria Alice e José Nilson Medeiros,
que também já se foram.
Meus filhos, genro, noras
e netos, estes guerreiros que
sempre estão ao meu lado, me dando coragem e sabedoria, para que eu
continue na jornada da vida:
Pedro Jorge Medeiros
e EVELINE,
Adda Ch ristiane Medeiros
Moreira e Daniel;
Jorge André Medeiros
e Maria do Céu;
Raimundo Medeiros Filho e Juliana;
Amável, neto, Pedro Jorge
Medeiros Filho;
Queridas netas; Natasha, Sarah Christiane,
Marina, Maria Clara,
Mirela e Júlia;
Meus irmãos, irmãs, cunhados, cunhadas, sobrinhos e
primos presentes.
Vocês são importantes para mim!
Ao PAI CELESTIAL, NOSSA MÃE SANTÍSSIMA, razão de nossa existência. Que nos deem luz, Paz e muita saúde!
Enfim, desejo a todos vocês
um Feliz Natal, que brilhe uma nova luz! O Natal é a proposta de
Deus para todos nós.
OBRIGADA!
Maria Nirvanda
Medeiros
27/11/2013
terça-feira, 9 de julho de 2013
AJEBIANA REGINA BARROS LEAL APRESENTA SÁVIA FERRAZ E SEU LIVRO "RASCUNHOS DE UM TEMPO"
EM PRINCÍPIO EXPRESSO
MINHA ALEGRIA EM PARTICIPAR DESSE EVENTO TÃO ESPECIAL EM QUE SÁVIA FERRAZ APRESENTA A OBRA
LITERÁRIA RASCUNHOS DE UM TEMPO
NUMA CIRCUNSTANCIA PARTICULAR DE REGOZIJO.
MEUS DIZERES SÃO DIRIGIDOS
Á MULHER, Á ESCRITORA, A MÃE, ENFIM, Á AMANTE DA VIDA.
PARA ELA O BRILHO, OS APLAUSOS, OS SORRISOS,
AS REVERÊNCIAS!
INICIO MINHA FALA
AFIRMANDO: SAVIA É UMA CRONISTA E COMO TAL, SE INSPIRA NOS ACONTECERES DO
COTIDIANO, NOS CENARIOS PARTICULARES, OS QUAIS NÃO
ESCAPAM Á SUA CURIOSIDADE FEMININA.
SÁVIA CONTA EXPERIÊNCIAS INUSITADAS, LEMBRANÇAS AVIGORADAS PELA EMOÇAO, REVELANDO INTELIGÊNCIA, ARGUMENTAÇÃO E SENSIBILIDADE.
TRANSBORDA DE
AMOR AO ESCREVER SOBRE OS AMORES DE SUA VIDA
RASCUNHOS DE
UM TEMPO- PERCORRE O
ITINERÁRIO DA MULHER QUE NARRA FATOS CORRIQUEIROS, CENÁRIOS IRREVERENTES, AS INCONTIDAS
EMOÇÕES, O PRIMEIRO BEIJO, A SENSUALIDADE FEMININA, OS MEDOS, AS ANGÚSTIAS, AS PRINCIPAIS
DESCOBERTAS E OS SOBRESSALTOS DIANTE DO INEXORÁVEL.
A CRONISTA
RASCUNHA A VIDA INSERINDO TEMPOS DIFERENTES, TEMAS DÍSPARES, ARTICULANDO
EXPERIÊNCIAS, ESTÓRIAS DE VIDA, TESTEMUNHOS E ESPERANÇA NO DEVIR.
SÁVIA ATRAVESSA
AS EMOÇÕES COM UM OLHAR FUNDANTE.
NA APRESENTAÇÃO
DE SEU LIVRO ELA DESPONTA SUA AUTENTICIDADE AO EXPRESSAR:
SEI QUE O QUE ESCREVO REPRESENTA MUITO
DE MINHA VIVÊNCIA,
ASSIM, INTRODUZ O
LEITOR ÀS SUAS VIVÊNCIAS, QUESTIONA, CRIA, RECRIA, REINVENTA A VIDA,
SURPREENDE, AGUÇANDO A CURIOSIDADE DO LEITOR.
É UMA ESCRITA
PERMEADA DE TRAVESSURAS, CONJECTURAS, REFLEXÕES E QUESTIONAMENTOS.
NA CRÔNICA REPENSANDO REGISTRA;
IMPOSSÍVEL AFASTAR-SE DA REALIDADE DO COTIDIANO. DEIXAR
DE VER, DE ESCUTAR, DE PERCEBER ATRAVÉS DOS SORRISOS E DOS OLHARES, DAS
EXPRESSÕES DE ENFADO, DAS GARGALHADAS RUIDOSAS A VIDA ACONTECENDO A NOSSA
VOLTA.
CORAJOSAMENTE
DESCREVE, Á SUA MANEIRA, SITUAÇÕES VIVENCIADAS DE FORMA ATRAENTE, COMPARTILHA
OS MOMENTOS DE SOLIDÃO, EXPRESSA SUAS DORES, SUAS ANGUSTIAS, ALEGRIAS E DESEJOS
SINGULARES.
SE A MORTE ME PEGAR DESPREVINIDA NÃO QUERO QUE FAÇAM
GRANDES CENAS DE DOR
SÁVIA, EM SUAS
NARRATIVAS REVELA UM OLHAR EMPÁTICO AO ACOLHER OS AMIGOS, AS PESSOAS PRESENTES
EM SUA EXISTENCIA.
SUAS CRÔNICAS
DESTACAM REMINISCÊNCIAS, ABRE FENDAS NO TEMPO E VISUALIZA MOMENTOS DE AMOR, DE
GARGALHADAS E SAUDADES DE OCASIÕES PECULIARES.
RASCUNHANDO O TEMPO - É A OBRA DE UMA MULHER RUIDOSA, PERTINENTE E
IMPERTINENTE. AO HISTORIAR SITUAÇÕES DO COTIDIANO, ELA MANIFESTA A AGONIA DA
SOLIDÃO, O INUSITADO DO INDISCRITIVEL, BEM COMO ESTÓRIAS IMPREGNADAS DE
SENTIMENTOS PARADOXAIS E INSTIGANTES.
AS IDAS E VINDAS
DA MENINA DO INTERIOR QUE AGARRA A VIDA COM TENACIDADE E ENFRENTA A CIDADE, O
NOVO, DE UMA FORMA CORAJOSA.
MÃE, PROFISSIONAL, COM VASTA EXPERIÊNCIA NA ÁREA SOCIAL, CRAVA RAIZES
POR ONDE PASSA,
ENFIM, UMA MULHER QUE TRANSCENDE O TEMPO.
A ESCRITORA
PERCORRE O TRAJETO DA OUSADIA, DA CORAGEM AO DESNUDAR SEGREDOS E EMOÇÕES PARTICULARES.
CONTA, DE FORMA
SINGULAR O SEU MERGULHO LITERÁRIO, OS SEUS PRECIOSOS LIVROS, A SUA FOME PELAS
LETRAS. DESCREVE QUE ATÉ BULAS DE REMÉDIO NÃO ESCAPARAM À SUA GULA.
ESCREVE E DEDICA SUA
OBRA ÁS MULHERES, Á SIMONE DE BEAUVOIR EM PARTICULAR, DESTACANDO PERPLEXIDADE AO
DESCOBRIR SUA PRÓPRIA FEMINILIDADE, SUA SENSUALIDADE E AO CRIAR SUAS FANTASIAS.
AS CRÔNICAS FAZEM
UMA VARREDURA NO COTIDIANO QUE A ESCRITORA OBSERVOU E VIVENCIOU AO LONGO DE SUA
HISTORIA E, DE FORMA PESSOAL, PARTICULARIZA SITUAÇÕES FAMILIARES, AMORES, O SENTIMENTO
MATERNAL, OS ACERTOS E DESACERTOS EXISTENCIAIS, AS EXPERIÊNCIAS PARADOXAIS,
EFÊMERAS, ETERNAS E DENSAS NA CIRCUNSTANCIA VIVIDA. DIANTE DA INEXORÁVEL
FINITUDE HUMANA.
EU PODERIA
ESCREVER MAIS SOBRE A ESCRITORA E SUA OBRA RASCUNHOS
DE UM TEMPO, ENTRETANTO, VAMOS ESTENDER UM TAPETE VERMELHO E DAR
PASSAGEM A ESCRITORA, A CRONISTA QUE TERÁ MUITO QUE DIZER, E, COM CERTEZA,
SORVEREMOS SUAS PALAVRAS COMO UMA BELA TAÇA DE VINHO.
É A SUA NOITE!
PARABÉNS, SAVIA.
REGINA
BARROS LEAL
terça-feira, 4 de junho de 2013
LANÇAMENTO DE "UM CONTO EM CADA CANTO" - DE TEREZA PORTO
ENTREVISTA COM MÔNICA SILVEIRA
Senhoras e Senhores,
Começo
agradecendo a presença de todos os que se dispuseram a compartilhar comigo esse
momento tão importante pra mim. É com muita satisfação que hoje, nessa
atmosfera festiva, reencontro amigos que há tempos não via, além de pessoas com
vasta contribuição no meio literário e no meio musical, parentes queridos e
todos os demais presentes que apreciam a literatura, que não só fazem da
leitura um instrumento especial de deleite, como também valorizam e apoiam a
produção literária cearense.
O
livro “Um conto em cada canto” que hoje
trago a público representa minha primeira incursão na seara da prosa, eu que sempre,
desde a adolescência, gostava de passar meu tempo mergulhada nas águas revoltas
da poesia. Confesso que a experiência é bem diversa. Enquanto o fazer poético
exige um olhar para dentro, um revirar de registros mentais plenos de emoção, um
caminhar no tempo pretérito, em que se ressuscitam fantasmas, a construção da
prosa tem o foco direcionado ao processo criativo de uma realidade paralela,
que de repente envolve o autor numa trama com personagens que, embora a
princípio pouco delineados, à medida que o
enredo se desenvolve ganham força, impõem os rumos e conduzem toda ação,
quase sempre independentemente da
vontade de seu criador.
Considero
a melhor e mais profunda definição de
literatura a que foi feita pela grande
poeta Cecília Meireles, na tese “O Espírito Vitorioso” que apresentou quando
concorreu à cátedra de Literatura na Escola Normal do Rio de Janeiro, à época
Distrito Federal. Ela muito bem define a relação entre a literatura e o homem,
quando diz que “A literatura nos mostra o homem com uma veracidade que as
ciências talvez não têm. Ela é o documento espontâneo da vida em trânsito. É o
depoimento vivo, natural, autêntico”.
E é
esse ser e essa vida em trânsito que tento retratar em cada conto. Um ente com
suas peculiaridades, seus anseios, suas rotinas e dramas pessoais, apresentados
em histórias curtas que permeiam o real e o imaginário, o cômico e o trágico, a
vida e a morte.
Por
fim, quero mais uma vez agradecer e agradecer e agradecer. Ao Ideal Clube, na
pessoa de seu Diretor Cultural, Dr. José Telles, pela acolhida; ao amigo
Vicente Alencar, pelas palavras; ao grande professor e acadêmico Juarez Leitão,
pelo prefácio; à Editora Premius pelo excelente trabalho de editoração; ao
Carlos Alberto Dantas, pelo projeto gráfico; à Elisa Pontes, pela capa; às
minhas amigas das academias literárias que aqui me pretigiam. Enfim, mais uma
vez, a todos que aqui vieram compartilhar comigo esse dia tão especial. Só
posso dizer MUITO OBRIGADA!
terça-feira, 30 de abril de 2013
APRESENTAÇÃO DE POLICROMIAS VOLUME 7 - HERMÍNIA LIMA
POLICROMIAS
Inicio as minhas palavras, como não poderia deixar de ser,
agradecendo à escritora e amiga Giselda Medeiros pelo convite para estar aqui
com vocês e, especialmente agradeço, pela confiança de me delegar tarefa tão
importante como esta. Espero fazer jus ao crédito de Giselda.
Dou continuidade à minha fala, tomando
por empréstimo as palavras do dramaturgo e poeta russo Bertold Brecht, que, em
versos, cantou assim:
Nos demais,
todo mundo sabe,
o coração tem moradia certa,
fica bem aqui no meio do peito,
mas comigo a anatomia ficou louca,
sou todo coração.
todo mundo sabe,
o coração tem moradia certa,
fica bem aqui no meio do peito,
mas comigo a anatomia ficou louca,
sou todo coração.
É
exatamente assim que vos falo agora, sentindo-me toda coração. Esta afirmação
vale também para definir o modo como eu li este número de Policromias. Diante da riqueza e diversidade dos textos contidos no
volume, optei por me dar o prazer de fazer uma leitura movida pela emoção, li,
portanto, com o coração, desnudei-me das armas da crítica técnica, deixei de
lado a racionalidade própria do julgamento acadêmico e lancei-me prazerosamente
no embalo dos textos, como leitora comum que se delicia com as surpresas ofertadas em cada página.
Ao pensar
no que escreveria sobre este volume de Policromias,
deparei-me com algumas dificuldades, entre elas, destaco as seguintes: como
escrever sobre coletânea tão diversificada? Como ordenar o meu discurso de modo
a não comprometer a clareza diante de tantos gêneros e temas? Como não ser
injusta nos destaques e citações? Confesso que, a princípio, a vontade primeira
foi comentar cada um, um por um, os textos da coletânea. Mas, jamais poderia
fazê-lo para um discurso de apresentação, com certeza, se assim o fizesse,
neste momento, eu os estaria submetendo a um texto muito longo e de leitura
enfadonha. Assim sendo, optei por agrupar os textos em dois blocos, pelos
gêneros: poesia e prosa. Facilitando assim a minha abordagem e citando
rapidamente os nomes em destaque em cada um dos gêneros.
Antes de comentá-los, porém, é
indispensável que aqui se faça uma referência às figuras de Mundinha
Negreiros e Aluísio Matias de Paula, homenageados na folha de rosto deste
volume. Ela professora e sócia efetiva da AJEB-CE. Autora de várias
obras, entre elas, os romances: Eudora, Trilhas da Saudade, Manoela e Amanhã Será Outro Dia,
este último, em parceria com a escritora Nilze Costa e Silva. Ele, Aluísio Matias de Paula, Membro
da Associação Cearense de Imprensa e da União Brasileira de Trovadores –
Fortaleza. Sócio Colaborador da AJEB. Sócio Benemérito da ALMECE. Autor dos
livros: Mensagens para a vida e Memórias
em Poesias, dentre outras publicações em coletâneas locais e
nacionais. Aos dois homenageados, deixo aqui o registro da minha referência.
|
Também não
poderia deixar de destacar, antes de mergulhar no corpus desta coletânea, as palavras de Cecília Meireles que
epigrafam a obra:
Adormece
o teu corpo com a música da vida.
Encanta-te.
Esquece-te.
Tem por volúpia a dispersão.
Não queiras ser tu.
Queira ser a alma infinita de tudo.
Troca o teu curto sonho humano
Pelo sonho imortal.
Encanta-te.
Esquece-te.
Tem por volúpia a dispersão.
Não queiras ser tu.
Queira ser a alma infinita de tudo.
Troca o teu curto sonho humano
Pelo sonho imortal.
Parece-me que este
fragmento, muito bem escolhido, além de adequar-se a várias circunstâncias de
vida, adequa-se também à tarefa do escritor. Tarefa à qual se dedicam todos os que
publicam nesta Policromias. Escrever,
como diz Cecília, tem a ver com entregar-se à música da vida, escrever é encantar-se,
é esquecer-se de si mesmo e deixar-se levar pela volúpia da dispersão, escrever
é deixar a pequenez de ser apenas humano e buscar a imortalidade pelas
palavras. Os versos de Cecília aqui destacados, caem bem a todos os
participantes deste volume. E com estes versos, por meio da voz dessa grande
poetisa brasileira, eu homenageio e saúdo nesta noite a todas as jornalistas
escritoras, parabenizando-as por fazerem parte desta associação, AJEB, nos seus
43 anos de existência. Sem esquecer a participação masculina neste volume, mas
lembrando que estou a referir-me a uma instituição composta predominantemente por
mulheres, cabe aqui também, para homenagear esta maioria, invocar as palavras
de Cora Coralina, quando ela nos diz: Eu
sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e
plantando flores.
Penso que é isso também que vocês fazem quando escrevem, vão escalando a
montanha da vida, removendo as pedras que aparecem em seus caminhos, como
aquela pedra no caminho de Drummond, pedras que aparecem em suas rotinas de profissionais,
de mães, de donas de casa, de escritoras; mas, ao mesmo tempo, vocês vão
plantando flores, enquanto escrevem e semeiam, com os vossos textos, a beleza,
a vida, o viço, o perfume que ameniza a dureza das pedras do dia-a-dia. Neste
sentido, posso afirmar que os seus textos, metaforicamente, são flores, porque
eles enfeitam, perfumam e anunciam as sementes para a boa vida. Digo isto simplesmente
por não acreditar em vida de qualidade, no sentido maior da palavra, sem a
presença da arte, da literatura em geral e da poesia, em especial, porque elas
nos conduzem à reflexão e ao engrandecimento humano.
Voltemos, pois, ao
essencial: os textos que compõem a Policromias.
Neste volume temos um total de cem textos, em autorias femininas e masculinas. Como
já anunciei antes, para abordá-los, agrupei-os por gênero, em dois grandes
blocos: poesia e prosa. Inicio, pois, pelos textos em versos. Começo
mencionando o lirismo romântico de Giselda
Medeiros, com seus poemas de amor e de amor à poesia. Em seguida,
deparamo-nos com as palavras de Maria
Nirvanda Medeiros que usa o verso para fazer homenagens fraternas a entes
queridos. Rejane Costa Barros oferta-nos
um poema no qual revela um canto amoroso em forma de chamado na voz de um eu
lírico feminino que se metaforiza em estrada a ser percorrida. Tereza Porto, em um lirismo ora calmo,
ora ofegante, oferece-nos poemas de
entrega e de vigília nos lençóis. Enquanto Maria
Helena do Amaral Macedo fala de silêncios e saudades na casa vazia e no
piano mudo. Maria Ilnah Soares e Silva,
em suas poesia e prosa poéticas, reflete sobre um amor, uma prece, um rio, uma
noite e sobre a paz. Em prosa e verso também, temos os textos de Ana Paula Medeiros, a cantar o amor
erótico no qual a carne espera e entra em erupção. E, embora não sendo poesia,
mas, já que citei a autora, merece aqui destacar também e recomendar a leitura
do conto “O casamento”. Margarida
Alencar nos fala de volta, de retorno, de reencontro com um lugar que é
aconchego e afago, num outro poema eleva um canto de saudação ao vento. Regine Limaverde, no texto aqui
publicado, optou pela reflexão filosófica, em versos que falam de grandes
silêncios e do maior de todos eles: a morte. Rosinha Medeiros, em três poemas, derrama declarações intensas ao
amado. A poesia de Mary Ann Leitão Karam
revela um eu lírico que assume sofrer por amor e por saudades. Nos versos de Nadya Gurgel, há uma reflexão
metalinguística que faz reverência à própria poesia. Em seguida aos versos de
Nadya, acompanhamos a visita noturna de uma coruja que se fez mote para o poema
de Nilze Costa e Silva. São de Rosa Firmo Bezerra Gomes os poemas que fazem exaltação alusiva ao Natal e ao sertão.
Em um gesto poético fraterno, Sabrina Melo
homenageia à mãe e filha. Seguindo a vertente da reflexão existencial, Viviane Fernandes nos fala de vida, do amor
e da morte. Enquanto Regina Barros Leal,
em suas introspecções, apresenta-nos uma mulher a desnudar-se diante de si
mesma. O lirismo amoroso de Rejane Costa
Barros, em O Jogo, aclama a
excentricidade de um time composto por apenas dois participantes, que, na
verdade, são amantes. Temos ainda Sabrina
Melo que, no poema A pipa, evoca
uma reminiscência de infância. Por fim, para encerrar esta seção de mulheres
poetas, lembro os versos de Clara Lêda
de Andrade Ferreira que se fazem protesto ecológico a favor do sofrido e
aviltado Rio Cocó.
Ainda nesta seara poética,
surgem as autorias masculinas: Eduardo
Fontes que filosofa sobre a vida e a morte por meio da personificação de
uma árvore. A relembrar os nossos cordelistas, embora não seja um cordel, temos
as quadras de Humberto Ferreira Oriá,
a nos falarem de lua, de vida, de fé e de virtudes. Nos versos de Manuel César revela-se um canto ao amor
fraterno e a denúncia contra o desmatamento. Vicente Alencar faz uso do verbo para louvar a natureza e a antiga
Fortaleza. Sérgio Macedo invoca
Epicuro e desenvolve a vertente da reflexão filosófica nos quatro poemas que
publicou.
Nesta produção poética masculina
ainda destacam-se como sonetistas, em temas variados: João de Deus Pereira da Silva, Vital Arruda de Figueiredo, J. Udine e
Moacir Gadelha. Aplausos aos
sonetistas, pois sabemos o que é exigido do poeta que se dedica a escrever um
bom soneto. E assim bem o diz Udine em sua Carpintaria
poética.
Deixemos agora os poetas e
poetisas e falemos dos prosadores. O texto inaugural da obra é uma crônica de Beatriz Alcântara, um texto de
memórias, a recordar o Grupo Seara,
Amizade e Literatura. Nele, a autora nos conta a história da criação da
Revista do Grupo Seara. No gênero ensaio, Ebe
Braga contribuiu para a publicação com o texto sobre Francis Bacon que vem
seguido de duas crônicas sobre a criação da mulher e o Natal, ambas da autoria
de Maria Luísa Bomfim. Zenaide Braga Marçal faz denúncia
ecológica e reflexão sobre a guerra a partir de visão poética da Esquadrilha da
Fumaça em Fortaleza. Ma. do Carmo
Carvalho Fontenelle nos oferta a crônica-conto do chinês, o notívago
cancioneiro que sensibilizou as minhas memórias de infância com cheiros de
candeeiros e canções antigas. Maria Evan
Gomes Bessa exalta a prática da fé e a alvissareira chegada das chuvas de
abril, presença que desejamos tanto nesta Fortaleza quente dos dias presentes.
Passeamos pela beleza da serra de Baturité em busca do casarão da família
Magalhães Bezerra no texto de Ma.
Argentina Austragésilo de Andrade. Ednilo
Soárez, por meio da intertextualidade, leva-nos também à reflexão
filosófica sobre a felicidade. Marcelo
Gurgel Carlos da Silva brinca jocosamente, numa crônica bem humorada, com o
episódio de instalação do estaleiro na praia do Titanzinho. Abordando um tema
bem atual Celina Côrte Pinheiro
versa sobre redes sociais numa analogia com as redes de pesca e trata também dos
temas: prostituição e violência urbana. Zinah
Alexandrino toma uma ocorrência cotidiana como mote da sua crônica: a
renovação da carteira de motorista. Por sua vez, Heloisa Barros Leal elege a noite por confidente, personificando-a
e fazendo com ela uma reflexão existencial. A liberdade metaforizada em forma
de borboleta revela reflexão sobre o cotidiano das mulheres na crônica de Rafaela de Medeiros Ribeiro. Em sua
crônica Cláudio Queiroz
declarando-se neófilo do sertão e saboreando o balanço de uma rede, reflete
sobre a vida em geral e sobre a vida sertaneja. José Pereira de Albuquerque, pesaroso, em um texto comovente, narra
o trágico acidente que vitimou um vizinho quase amigo, o Cavalheiro do Ar,
major Lindemberg. Rosa Virgínia Carneiro
de Castro, em seu ensaio biográfico, por meio da citação de grandes
filósofos, homenageia o escritor, geólogo e sanitarista Bernivaldo Carneiro. Sílvio dos Santos Filho versa, em tom
filosófico, distinguindo os valores das coisas e das pessoas. Ma. Ida Francisco de Carvalho transporta-nos
a uma noite de réveillon e põe em cena um jogo de xadrez que é metáfora da própria
vida. Por fim, lembremo-nos do discurso de José
Augusto Bezerra cujo texto foi escrito para comemorar o 118º. aniversário desta
Academia. Neste texto, José Augusto não só retoma a história da Academia, mas a
complementa com o registro dos acontecimentos do ano de 2012. E lamenta,
pesarosamente, duas perdas irreparáveis para esta Casa: Barros Pinho e José
Alves Fernandes. Aos dois deixo aqui também a minha homenagem.
Concluo dizendo que esta
breve síntese que fiz agora não expressa a totalidade nem a riqueza de todos os
textos publicados; entretanto, como já disse antes, seria inadequado estender o
meu comentário para além deste limite. Assim, mais uma vez, parabenizo a todos
e a todas que participaram deste sétimo volume de Policromias e, novamente, agradeço à oportunidade de poder
partilhar com vocês este momento.
Hermínia
Lima
23/4/2013
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
DIRCURSO DE POSSE NA PRESIDÊNCIA DA Academia Cearense de Letras - 2013/2014
Digníssimos membros da mesa diretora dos trabalhos desta solenidade, os quais saúdo na figura do atual Presidente desta casa, imortal e amigo Pedro Henrique Saraiva Leão, que meritoriamente encerra a sua missão.
Na antiguidade, os membros das comunidades se reuniam nos portos para desejar boa sorte à tripulação e aos passageiros das naus que iniciavam importantes viagens. Era um instante sagrado em que se pedia aos Deuses que orientassem, principalmente, os que iam comandar por entre mares e perigos desconhecidos.
Contrariamente, quando os navios voltavam, era o momento da alegria. Agradecia-se às divindades que permitiram, e aos homens que souberam, vencer desafios e voltar ao porto seguro da sua gente.
Cremos que hoje devemos, primeiramente, agradecer à administração anterior, capitaneada pelo ilustre Acadêmico Pedro Henrique, por haver trazido, após longa viagem de quatro anos, por entre dificuldades de toda ordem, a nau Academia Cearense de Letras, ao nosso porto de origem, sem nenhuma avaria e pronta para nova viagem e nova aventura. Em seu nome, portanto, Pedro, reverenciamos todas as Diretorias passadas, que comandaram tão bem cada viagem desta gloriosa embarcação, a mais antiga do gênero no Brasil, pelos últimos cento e dezoito anos. Dentre estes comandantes anteriores ressalte-se que está aqui presente o nosso querido e admirado confrade Murilo Martins, o qual cuidará do memorial da entidade, por ele concebido e implantado, ao lado desse genial estudioso da literatura cearense, Sânzio de Azevedo. Pedimos ainda ao Pedro que estenda nosso reconhecimento a sua esposa Mana, pelo empenho e entusiasmo com que o apoiou durante esta sua jornada.
Prezados acadêmicos deste Silogeu, os quais deram à chapa Barros Pinho, aquele meu irmão espiritual, por nós encabeçada, trinta e quatro dos trinta e cinco votos possíveis. Recebemos esta demonstração de confiança, praticamente unânime, com humildade e como se fora um recado de que poderemos contar com todos na tarefa de, na medida do possível, decidirmos em conjunto, com transparência, unidos e tendo como objetivo irrecusável a evolução da Academia e da inteligência da nossa terra.
Estimados parceiros, públicos e privados, que de certa forma, ao nos dar suporte e apoio, também adentram neste barco e para esta viagem. Nomeamos, primeiramente, os empreendedores privados, esses poetas que escrevem no grande livro da vida, representados pela Fundação Edson Queiroz, pela Fundação Beto Studart, pelo Grupo Ivens Dias Branco e pela FIEC. Simbolizando também o espírito e a visão dos homens públicos, nos honram como companheiros nesta jornada, a nossa Câmara Municipal, a Prefeitura de Fortaleza e a Secretaria de Cultura do Estado Ceará.
Saudamos os demais presentes, que aqui representam a sociedade. A sociedade é a razão de ser de uma Academia e vocês emolduram glamorosamente esta solenidade, com as expressões dos seus rostos e a dignidade das suas figuras.
Reverencio os familiares e amigos na imagem de uma menina que conheci aos quinze anos de idade, numa festa de São João. Na realidade éramos dois meninos. Casamo-nos aos dezoito, e hoje, cinquenta anos após, ainda continuamos unidos, pela vida e pelos sonhos: a minha esposa Bernadete.
Senhoras e senhores, observe-se que, fisicamente, o ser humano quase não mudou desde a idade da pedra. É o único animal que evoluiu por dentro, na mente, invisivelmente, e, não por acaso, os países que mais cresceram foram e ainda são, os que mais têm investido em educação e cultura.
As Academias, por mais de dois mil anos, tem sido centros propagadores desta evolução interior, coerentes com o pensamento de Sócrates que pregava existir apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância.
Na origem da primeira academia houve também o surgimento do alfabeto e com ele o grande debate. Insignes filósofos acreditavam que só a palavra oral, viva e contundente, continuaria a desenvolver plenamente a memória. Temiam que as facilidades da escrita e da leitura enfraquecessem o raciocínio, o diálogo e a capacidade de questionamento.
Os temores não se justificaram. As linguagens oral e escrita delimitaram suas áreas de atuação e se somaram numa verdadeira revolução intelectual. As Academias acompanharam o namoro do homem com a sabedoria, preconizado por Platão, e esse relacionamento com o conhecimento, ampliado pela invenção da imprensa, impulsionou a humanidade ao estágio atual.
O homem contemporâneo, acreditando, como imaginava Nietzsche, que não há fatos eternos, nem verdades absolutas, penetra em um novo e misterioso universo, por ele criado, o mundo virtual.
A geração pós-papel já nasceu, conforme podemos observar em nossos filhos e netos, os quais ainda crianças têm mais afinidades com o computador e suas sutilezas do que nós adultos. Os textos de papiros, de pergaminho ou de papel, transformaram-se em telas reluzentes que interagem diretamente com a nossa consciência, sem contato tátil. Grandes jornais do mundo transformaram-se em virtuais. Muitas cadeias de livrarias fecharam. A Amazon, líder nas vendas do varejo on-line, já vende mais livros eletrônicos que livros físicos nos mercados americano e europeu, e as importantes bibliotecas estão reestudando seus investimentos, seu formato e o seu futuro.
Essa transição para a era digital talvez seja a maior das revoluções humanas e precisamos descobrir também o novo papel das Academias dentro desse contexto.
Emerge novamente, após 2.500 anos da criação do alfabeto, o debate sobre qual será o impacto dessas novas e profundas mudanças na leitura, na escrita e, por decorrência, nos cérebros humanos. Alguns argumentam que os jovens estão limitando rapidamente o seu vocabulário e que há uma assustadora tendência a se ler apenas e-mails e blogs, desprezando-se as leituras em profundidade. Outros acreditam que a comunicação virtual, tal qual foi a escrita, é uma maravilhosa conquista e poderá ser a ponte para o Olimpo do conhecimento humano.
Mas não importa o que acontecerá. Deveremos estar atentos e adaptarmo-nos, pois, parodiando Fernando Pessoa, poder-se-ia dizer: É o tempo da travessia e, se não ousarmos fazê-la, ficaremos, para sempre, à margem de nós mesmos.
Para esta nossa travessia contamos com quarenta experientes membros na tripulação, denominados acadêmicos. O lema desta Academia é Forti Nihil Difficile, ou seja, para o forte nada é difícil.
É uma grande honra poder trabalhar com o grupo de confrades deste Sodalício, o qual representa a inteligência literária da nossa terra. A jornada não será fácil, mas pela votação que nos foi dada, estamos unidos. Unidos somos fortes e para o forte nada é difícil.
Registre-se nosso reconhecimento e gratidão ao dedicado trabalho do grupo de apoio logístico e administrativo, formado por nossos funcionários: Madalena Figueiredo, Bibliotecária; Cláudia Queiroz, Secretária; Nunes Veríssimo, Valter Soares e José Arteiro, nos serviços gerais, internos e externos, sob a liderança da Diretora-Administrativa desta Academia, há vinte anos, Regina Pamplona Fiuza.
Preliminarmente, declaramos que trataremos com carinho os seguintes temas: Organização das finanças da instituição; esforço para recuperação da Praça dos Leões, incluindo o coreto; Melhoramento da segurança no entorno da entidade. Restauração do Prédio e da biblioteca da ACL; Interiorização da nossa atividade, com visita da ACL a cidades do interior; Reforma do Estatuto; Exposições temáticas; Continuidade dos Ciclos de Conferências; Cursos específicos para estudiosos, em convênio com o estado e a Prefeitura; Empenho para edição de livros de autoria dos sócios e reedição de livros raros.
Trabalharemos com paciência, ouviremos a todos e tomaremos decisões baseadas nos interesses maiores da entidade. Nestes noventa dias iniciais, ainda estarei também como Presidente do Instituto do Ceará, concluindo a missão que me foi confiada por aquela veneranda e querida instituição.
Feitas tais considerações, concluo dizendo que temos consciência da nobre missão de ser Presidente da mais antiga Academia de letras do Brasil, bem como das dificuldades e desafios que isto representa.
Entendemos que cada administração é apenas o elo de uma grande corrente que se estende, infinitamente, no tempo e no espaço.
Machado de Assis no lançamento da primeira pedra da estátua de José de Alencar, inaugurada em 1º de maio de 1897, no RJ, lembrou que Alencar terminara o livro Iracema, dizendo que a jandaia ainda cantava no olho do coqueiro, mas já não repetia o mavioso nome de Iracema, pois, tudo passava sobre a terra. Machado de Assis, entrementes, concluiu dizendo que a posteridade é aquela jandaia que não deixa o coqueiro e que, ao contrário da que emudeceu, repete e repetirá sempre o nome da linda tabajara e do seu imortal autor, pois, nem tudo passa sobre a terra.
Os séculos tem-nos mostrado que assim são as Academias. Os confrades e as administrações passam, mas não as entidades. São elas aquelas jandaias que jamais deixam de cantar, porque estão comprometidas com a posteridade.
Assim, senhoras e senhoras, levantemos as âncoras e deixemos o barco fluir lentamente, iniciando esta viagem. Peçamos aos céus, como os antigos Gregos já o faziam à época da primeira Academia, que os ventos nos sejam favoráveis e que saibamos honrar os que nos antecederam durante os cento e dezoito anos anteriores.
Muito Grato,
José Augusto Bezerra – Jan. 2013
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Discurso de entrega do cargo de Presidente da AJEB - CE
Bom Dia a todos
Ilustre escritora e poetisa Zenaide Marçal, nossa vice-presidente, meu sincero reconhecimento por seu amor e trabalho à Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil. Em seu nome cumprimento os demais membros da mesa.
Caríssima escritora e poetisa Evan Bessa, em seu nome cumprimento as demais colegas ajebianas. Caríssimo escritor e poeta Vicente Alencar, presidente da Academia Cearense da Língua Portuguesa e da União Brasileira de Trovadores, em seu nome cumprimento os nossos sócios colaboradores. Caríssima Escritora e Educadora Nirvanda Medeiros, nossa presidente eleita, meus sinceros cumprimentos.
Senhoras e Senhores
É tempo de agradecimento e gratidão, sentimentos que devo externar em meu nome e em nome de minha diretoria. Ao decorrer desses dois anos, enfrentei com muito carinho e dedicação o cargo de presidente da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, a nossa valorosa AJEB, coordenadoria CE.
Quando somos responsáveis, procuramos fazer o melhor ao dirigir uma entidade, em nosso caso a AJEB, ou seja, o que consideramos "o melhor". Precisamos ser guerreiras e ter disposição para o trabalho, procurando encontrar soluções para imprevistos surgidos. Mas com solidariedade e compreensão, em um passo de mágica percorremos caminhos ensolarados.
O acadêmico José Augusto Bezerra, presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Ceará, em um de seus pronunciamentos, nos diz:" Nosso Estado muito tem colaborado com a inteligência nacional. Fundou a primeira Academia de Letras do Brasil, antes da Academia Brasileira de Letras, criou um dos primeiros Institutos Históricos do país, implantou a primeira Secretaria de Cultura em um estado, é sede da Associação Brasileira de Bibliófilos , também a mais antiga em atividade no espaço cultural brasileiro ". Esta terra generosa e rica em valores culturais possui também, uma das mais expressivas coordenadorias da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil. Tal atribuição, deve-se ao empenho e trabalho de nossa presidente de Honra, a acadêmica Giselda Medeiros, que sempre batalhou para que isso fosse possível, e a tenacidade constante das sócias efetivas e sócios colaboradores. Por dez anos Giselda, esteve na presidência estadual e por quatro anos acumulou as duas funções, assumindo também a presidência nacional. Jamais poderia esquecer de citar a garra da escritora e poetisa Zenaide Marçal minha antecessora, que aparentemente frágil e delicada é uma ajebiana das mais experientes e batalhadoras, sempre pronta a contribuir com seu trabalho e dedicação.
Mas, meus amigos, acreditem, eu sou uma pessoa de sorte, e muita sorte... Todas as minhas companheiras de diretoria tiveram um comportamento exemplar, cumprindo suas funções com brilhantismo e amizade, deixando-me assim eternamente grata. E as companheiras ajebianas, esquecendo os seus outros vários compromissos, marcavam presença em nossas reuniões mensais, juntamente com nossos sócios colaboradores, em uma demonstração de amor e fidelidade à AJEB e ao movimento cultural cearense. Quando temos o propósito de colocar nosso pensamento e nossas ações disponíveis a cooperar com a sociedade, nos tornamos úteis à humanidade e assim podemos contornar com clareza e sabedoria as procelas que por ventura nos surpreendam. Costumo exaltar com muito orgulho o desempenho da AJEB e de como conseguimos realizar nossas propostas: reuniões, palestras, antologias, informativo, blog na internet, comemorações, comparecimento aos diversos lançamentos e solenidades, enfim obrigações prazerosas e enriquecedoras em todos os sentidos. Evidentemente surgem opiniões contraditórias, o que é salutar para continuarmos a crescer e atingir novos horizontes. Aparar arestas com tolerância e respeito é sinal de maturidade e sabedoria, e tendo como base esses conceitos, ultrapassamos dificuldades e pelejas. Sempre procurei conhecer meus sonhos e limitações, tentando não me intimidar com os desafios surgidos ao longo da caminhada. Consciente da responsabilidade assumida ao presidir essa Associação que tem por lema "A perenidade do pensamento pela palavra", espero ter correspondido à confiança das companheiras ajebianas durante o período de minha gestão. Posso afirmar, em público, que alegrias e conquistas foram bem maiores que tristezas e decepções. Confesso-me sinceramente penhorada pela honra desse mandato e, nesse momento, entregando o cargo da presidência da AJEB à colega escritora e educadora Nirvanda Medeiros, sinto-me plenamente confiante, pois conheço sua capacidade administrativa e intelectual há bastante tempo, quando juntas fazíamos parte do Lions Clube. Continuarei meu trabalho, seguindo com a nova diretoria em seus ideais e projetos para o futuro promissor que nos aguarda, desejando lançar aqui, minha mensagem de otimismo e fé, a toda família ajebiana que mantém essa corrente de esperança e dedicação em benefício da cultura cearense. Senhoras e Senhores
Pressinto que já é hora de encerrar e costuma-se dizer que entre amigos não há necessidade de fazermos agradecimentos, pois amizade significa partilha. Mesmo assim, não poderia deixar de agradecer a Deus, este momento especial de missão cumprida, a todos os palestrantes que gentilmente aceitaram nosso convite e nos presentearam com a riqueza de seus pronunciamentos, e também às presenças de todos os amigos que vieram nos prestigiar nesta ensolarada manhã de abril. Meu especial carinho a todos vocês.
Maria Luisa Bomfim (Fortaleza, 15 de Abril de 2012)
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Posse na AJEB-CE como Presidente (2012 - 2014)
Fortaleza, 17 de abril de 2012Insigne presidente Maria Luisa Bomfim, em nome da qual saúdo as autoridades componentes da Mesa,
Prezados diretores da AJEB,
Ilustres Presidentes de Academias presentes, autoridades, dignos convidados, familiares e amigos.
Escreveu Cervantes: “ O louvor vale pela pessoa que dá’. E é assim que recebo os louvores feitos pelas presidentes Giselda Medeiros, Zenaide Marçal e Maria Luisa Bomfim.
Lembramos que O Oráculo de Delfos foi consultado para saber se existia algum homem que fosse mais sábio que Sócrates, ao que respondeu que não existia.
Sócrates declara que ficou inteiramente intrigado, uma vez que sempre afirmava que nada sabia e, no entanto, um deus não podia mentir. Procurou o convívio dos homens, reputados sábios, para ver se podia convencer o deus, de seu erro.
Dirigiu-se, primeiro a um político, que era considerado sábio, por muitos, e ainda mais sábio por ele próprio.
Verificou, logo, que o homem não era sábio, e disse-lhe isso delicada, mas firmemente; “ e o resultado foi que ele passou a odiar-me”.
Dirigiu-se , então, aos poetas, e pediu-lhes que lhe explicassem trechos de seus escritos, mas eles não foram capazes de o fazer.
“Fiquei, então, sabendo que não é por sabedoria que os poetas
escrevem, mas por espécie de gênio, de inspiração”.
Depois , foi aos
artesões, mas os achou decepcionantes. Enquanto isso diz ele: “ Fiz muitos inimigos perigosos”.Concluiu, finalmente, que somente Deus, o Criador é sábio; com essa resposta, pretende mostrar que a sabedoria dos homens vale pouco ou nada; não está falando de Sócrates; usa-lhe apenas o nome à guisa de ilustração, como se dissesse; OH, VERDADE NADA VALE.
A tarefa de educar os pretendentes à sabedoria tornou-lhe todo o tempo, deixando-o em extrema pobreza, mas achava que seu dever era vindicar o Oráculo.
Ajebianas, somos líderes, sim; somos intelectuais, sim; somos poetisas, sim; somos escritoras, sim.
Vem a pergunta:
Quem é mais sábia?
Se Sócrates diz: “Que nada sabe”. Nós responderemos que nada sabemos.
A cada momento, procuramos nos aprimorar.
Cora Coralina, escreveu seu primeiro livro aos 75 anos.
Uma das maneiras mais
ricas de experimentar a felicidade é a possibilidade de pôr em prática um
sonho.
Para o verdadeiro líder, o maior prêmio é proporcionar essa
dádiva à equipe.
Sabemos que liderança é a arte de inspirar as pessoas em
direção aos seus objetivos.
O verdadeiro líder promove a
autonomia e a cooperação das pessoas.
A liderança diz respeito à criação, dia- a - dia, de um
domínio no qual nós e os que se encontram ao nosso redor, continuamente, aprofundamos nossa compreensão, realidade e
sejamos capazes de formar uma força para
a nossa AJEB.
A AJEB é uma entidade atuante que caminha em sintonia
constante com o lema: “A PERENIDADE DO PENSAMENTO PELA PALAVRA”.É hoje uma das mais importantes agremiações femininas do Brasil.
No Ceará, contamos com sete antologias, e com o Informativo “ O AJEBIANO”, já em seu 40º número. Congrega mais de 50 sócias efetivas, 28 sócios colaboradores, 16 sócios beneméritos e sete sócios honorários.
Que responsabilidade!
Concluo, transcrevendo as palavras de nossa presidente de honra, a poetiza Giselda Medeiros:
“ É motivo de muito júbilo comemorarmos, neste 2012, 42 anos
de fundação de nossa valorosa AJEB, como importante testemunho de nossa
força, na certeza de que “o importante” em qualquer projeto é aquilo em que
acreditamos. Sem convicção não poderá
haver bom resultado. E nós acreditamos na força da AJEB.”
Para reforçar o valor das mulheres, repito as palavras da
Madre Tereza de Calcutá:“Em um mundo no qual se vive a crise moral, a mulher contribui com valores, com decisão, valentia e coragem, com paixão e esforço, com fé e otimismo, com alegria, com amor e com entrega generosa do seu próprio ser.”
Registramos, com satisfação, os nossos agradecimentos a todos os que aqui compareceram: escritores, escritoras, intelectuais, acadêmicos, confreiras e presidentes de Academias.
Destaco, também, a alegria de contar com a presença do presidente da Academia Metropolitana de Letras, Seridião Montenegro, amigas alfeanas, representante da Academia Leonistica de Cultura do Ceará, professor Reinaldo Teixeira, e a presidente da Academia Feminina de Letras, Argentina Andrade.
Aos meus filhos: Pedro Jorge e Eveline, Adda Christiane e Daniel, Jorge André e Maria do Céu, Medeiros Junior e Juliana.
Aos meus amáveis netos: Natasha, Pedrinho , Marina, Sarah Christiane, Maria Clara, Mirela e Júlia.
Aos meus pais, razão da minha existência: Francisco das Chagas Medeiros e Joaquina Teixeira Medeiros ( in memoriam).
Obrigada, ao meu querido e amado
Medeiros, com a certeza de que ele está
aqui conosco. E, no Céu, está rogando
por todos nós.
Aos meus irmãos, irmãs, cunhados e
cunhadas.
Obrigada ao Pai Celestial!
Que Deus nos dê saúde, força e nos ilumine para que
possamos todas, unidas, cumprir nossa missão neste biênio 2012/2014,
com entusiasmo, sabedoria, inteligência e muito amor à nossa AJEB.Obrigada.
Maria Nirvanda Medeiros
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
POLICROMIAS - um collorarium de peças literárias

Boa noite a todos, senhores e senhoras presentes, a quem saúdo na pessoa da presidente da AJEB, Maria Luísa Bonfim.
Foi com satisfação que recebi e aceitei o convite da poeta Giselda Medeiros, presidente de honra e diretora de publicação da Associação de Jornalistas e Escritoras Brasileiras – AJEB – para apresentar este 6º volume da Coletânea Policromias, uma edição comemorativa do 40º aniversário da Associação.
Não poderia haver nome mais adequado do que Policromias para traduzir a multiplicidade de textos que compõem o volume. São variadas nuanças, numa diversidade de gêneros e estilos, como a compor um quadro de tonalidades e matizes, não de cores, mas de palavras que analisam, perquirem, contam, recontam, bordam histórias, falam de glórias e tecem sentimentos, encantos e desencantos, segredos e esperas.
O cronista angolano Carmo Neto diz que criar é um exercício de liberdade. De fato, quando se juntam experiências diversas desse exercício, tem-se o texto como fruição, como projeto estético ou como apenas catarse. Pouco importam intenções ou rótulos, a necessidade de quem escreve é também a de quem lê.
Nesse mesmo raciocínio sobre a criação, Walter Benjamim, ao referir-se a textos narrativos, disse: “O narrador conta o que ele extrai da experiência – sua própria ou aquela contada por outros. E, de volta, ele a torna experiência daqueles que ouvem a sua história”. O filósofo parece ter proferido essas palavras pensando na crônica; ou, talvez, pensasse na epístola, gênero praticamente desaparecido, que, não despretenciosamente, abre essa miscelânea literária. Falo da Carta de Beatriz Alcântara, cuja emoção nos arrebata e faz seguirmos com a narradora o tempestuoso percurso para enterrar os ossos dos avôs. Com ela, enfrentamos a procela e respiramos gratificados quando a missão é cumprida e resta a trivial realidade de um computador deixado ligado na tomada. Heloísa Barros Leal também incursiona pelo mesmo gênero, como Haroldo Lyra, com outras proposições.
A crônica, o mais simples e sublime exercício de partilha de experiências e observações, possibilita rápidas viagens aos universos criados pelos dedos de Evan Bessa, Zenaide Marçal, Nirvanda Medeiros, Ione Arruda, Ilnah Soares, Germano Muniz, Margarida Alencar, Rosa Firmo, Stella Furtado, Zinah Alexandrino, João de Deus, Vicente Alencar e Rosa Virgínia Carneiro, muitas vezes se confundindo com prosa poética. Talvez seja essa a forma de composição mais praticada na atualidade, “porque nós temos consciência da extraordinária violência com que o tempo vai levando as coisas e as gentes, daí a necessidade de registrar, de alguma forma, o que se passou e passa no âmbito pessoal e intransferível”, como afirma Ivan Lessa. Vou além: a crônica satisfaz nossa ânsia de comunicação com o outro, não requer recursos estéticos, não enseja belicosos trabalhos de linguagem, constrói-se na simplicidade da nossa própria visão de mundo e nos dá a oportunidade de ser pessoais, sem sermos piegas, de celebrar o instante que passa, sem deixá-lo ir completamente.
O conto é outro exercício ficcional praticado pelos ajebianos e, nesta coletânea, vem representado pela criação de Regina Barros Leal, Evan Bessa, Ednilo Soárez e Celina Côrte Pinheiro. O ensaio também ocupa espaço nestas páginas; poetas e contistas saem da sua condição de criadores do texto literário para analisá-los ou discorrerem sobre a realidade circundante. Ebe Braga Frota fala sobre a educação como fator de progresso social; Giselda discorre sobre a trova; Maria Luisa Bonfim escreve sobre os poemas de Pablo Neruda; Francisco Carvalho analisa a poesia de Neide Azevedo; Maria Amélia Barros Leal investiga o universo ficcional de Moreira Campos e Claudio Queiroz percorre a ficção de Dostoiévski. O discurso, gênero essencialmente oratório, tem registro com peças de autoria de José Augusto Bezerra, João de Deus, Maria do Carmo Fontenelle e Eduardo Fontes.
Já a poesia, a composição escrita que mais se comunica com a alma, domina as páginas da coletânea, em versos de muitos contistas, cronistas e ensaístas já citados, bem como na inspiração de Rejane Costa Barros, Nilze Costa e Silva, Argentina Andrade, Lúcia Helena Pereira, Ana Paula de Medeiros, Manoel César, Regine Limaverde, Salete Passos Urano, Tereza Porto, Bernadete Sampaio, Clara Leda, Mary Ann Leitão Karan, Sabrina Melo, Viviane Fernandes, Maria Helena Macedo, Pereira de Albuquerque, Vital Arruda, J. Udine, Moacir Gadelha, Sérgio Macedo, Sílvio dos Santos Filho e Waldir Rodrigues. A eles se agregam os Poemas vencedores do IV Concurso Literário Professora Edith Braga, realizado pela AJEB-CE, em 2009, especialmente os três primeiros lugares conquistados por Sabrina Melo, Arleni Portelada e Francisco Bento Leitão Filho. Todos sabem, como Valtaire, que “O esplendor da relva só pode mesmo ser percebido pelo poeta. Os outros pisam nela”, ou seja, sabem da missão de descortinar o mundo que não se mostra a qualquer um, somente àqueles que trazem nos olhos a poesia que dorme nos seres e nas coisas.
Nesse corollarium de peças literárias, não há hierarquia nem juízo de valor. A moeda é a criação advinda da necessidade de confirmar a própria existência. Escrever sempre será um ato de liberdade e afinação com a vida; sempre será a projeção de um grito de dor ou prazer... ou apenas um grito que se quer ouvido. Parabéns à poeta Giselda pela organização da coletânea e a todos os participantes que, não tenho dúvida, entendem a vida pelo diálogo entre as palavras e os silêncios.
Obrigada!
Aíla Sampaio
Foi com satisfação que recebi e aceitei o convite da poeta Giselda Medeiros, presidente de honra e diretora de publicação da Associação de Jornalistas e Escritoras Brasileiras – AJEB – para apresentar este 6º volume da Coletânea Policromias, uma edição comemorativa do 40º aniversário da Associação.
Não poderia haver nome mais adequado do que Policromias para traduzir a multiplicidade de textos que compõem o volume. São variadas nuanças, numa diversidade de gêneros e estilos, como a compor um quadro de tonalidades e matizes, não de cores, mas de palavras que analisam, perquirem, contam, recontam, bordam histórias, falam de glórias e tecem sentimentos, encantos e desencantos, segredos e esperas.
O cronista angolano Carmo Neto diz que criar é um exercício de liberdade. De fato, quando se juntam experiências diversas desse exercício, tem-se o texto como fruição, como projeto estético ou como apenas catarse. Pouco importam intenções ou rótulos, a necessidade de quem escreve é também a de quem lê.
Nesse mesmo raciocínio sobre a criação, Walter Benjamim, ao referir-se a textos narrativos, disse: “O narrador conta o que ele extrai da experiência – sua própria ou aquela contada por outros. E, de volta, ele a torna experiência daqueles que ouvem a sua história”. O filósofo parece ter proferido essas palavras pensando na crônica; ou, talvez, pensasse na epístola, gênero praticamente desaparecido, que, não despretenciosamente, abre essa miscelânea literária. Falo da Carta de Beatriz Alcântara, cuja emoção nos arrebata e faz seguirmos com a narradora o tempestuoso percurso para enterrar os ossos dos avôs. Com ela, enfrentamos a procela e respiramos gratificados quando a missão é cumprida e resta a trivial realidade de um computador deixado ligado na tomada. Heloísa Barros Leal também incursiona pelo mesmo gênero, como Haroldo Lyra, com outras proposições.
A crônica, o mais simples e sublime exercício de partilha de experiências e observações, possibilita rápidas viagens aos universos criados pelos dedos de Evan Bessa, Zenaide Marçal, Nirvanda Medeiros, Ione Arruda, Ilnah Soares, Germano Muniz, Margarida Alencar, Rosa Firmo, Stella Furtado, Zinah Alexandrino, João de Deus, Vicente Alencar e Rosa Virgínia Carneiro, muitas vezes se confundindo com prosa poética. Talvez seja essa a forma de composição mais praticada na atualidade, “porque nós temos consciência da extraordinária violência com que o tempo vai levando as coisas e as gentes, daí a necessidade de registrar, de alguma forma, o que se passou e passa no âmbito pessoal e intransferível”, como afirma Ivan Lessa. Vou além: a crônica satisfaz nossa ânsia de comunicação com o outro, não requer recursos estéticos, não enseja belicosos trabalhos de linguagem, constrói-se na simplicidade da nossa própria visão de mundo e nos dá a oportunidade de ser pessoais, sem sermos piegas, de celebrar o instante que passa, sem deixá-lo ir completamente.
O conto é outro exercício ficcional praticado pelos ajebianos e, nesta coletânea, vem representado pela criação de Regina Barros Leal, Evan Bessa, Ednilo Soárez e Celina Côrte Pinheiro. O ensaio também ocupa espaço nestas páginas; poetas e contistas saem da sua condição de criadores do texto literário para analisá-los ou discorrerem sobre a realidade circundante. Ebe Braga Frota fala sobre a educação como fator de progresso social; Giselda discorre sobre a trova; Maria Luisa Bonfim escreve sobre os poemas de Pablo Neruda; Francisco Carvalho analisa a poesia de Neide Azevedo; Maria Amélia Barros Leal investiga o universo ficcional de Moreira Campos e Claudio Queiroz percorre a ficção de Dostoiévski. O discurso, gênero essencialmente oratório, tem registro com peças de autoria de José Augusto Bezerra, João de Deus, Maria do Carmo Fontenelle e Eduardo Fontes.
Já a poesia, a composição escrita que mais se comunica com a alma, domina as páginas da coletânea, em versos de muitos contistas, cronistas e ensaístas já citados, bem como na inspiração de Rejane Costa Barros, Nilze Costa e Silva, Argentina Andrade, Lúcia Helena Pereira, Ana Paula de Medeiros, Manoel César, Regine Limaverde, Salete Passos Urano, Tereza Porto, Bernadete Sampaio, Clara Leda, Mary Ann Leitão Karan, Sabrina Melo, Viviane Fernandes, Maria Helena Macedo, Pereira de Albuquerque, Vital Arruda, J. Udine, Moacir Gadelha, Sérgio Macedo, Sílvio dos Santos Filho e Waldir Rodrigues. A eles se agregam os Poemas vencedores do IV Concurso Literário Professora Edith Braga, realizado pela AJEB-CE, em 2009, especialmente os três primeiros lugares conquistados por Sabrina Melo, Arleni Portelada e Francisco Bento Leitão Filho. Todos sabem, como Valtaire, que “O esplendor da relva só pode mesmo ser percebido pelo poeta. Os outros pisam nela”, ou seja, sabem da missão de descortinar o mundo que não se mostra a qualquer um, somente àqueles que trazem nos olhos a poesia que dorme nos seres e nas coisas.
Nesse corollarium de peças literárias, não há hierarquia nem juízo de valor. A moeda é a criação advinda da necessidade de confirmar a própria existência. Escrever sempre será um ato de liberdade e afinação com a vida; sempre será a projeção de um grito de dor ou prazer... ou apenas um grito que se quer ouvido. Parabéns à poeta Giselda pela organização da coletânea e a todos os participantes que, não tenho dúvida, entendem a vida pelo diálogo entre as palavras e os silêncios.
Obrigada!
Aíla Sampaio
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Discurso de Posse – Maria Luísa Bomfim

Bom dia a todos
Ilustre escritora e poetisa Zenaide Marçal, presidente da AJEB no biênio 2008-2010 a minha saudação, meu apreço e reconhecimento por seu excelente trabalho à frente de nossa Entidade; em seu nome cumprimento os demais membros da Mesa.
Caríssima escritora Ione Arruda, em seu nome cumprimento as demais colegas ajebianas.
Caríssimo poeta e escritor Pereira de Albuquerque, em seu nome cumprimento os nossos sócios colaboradores.
Ilustre escritora e poetisa, acadêmica Regine Limaverde, minha querida prima-irmã, em seu nome cumprimento os demais convidados e convidadas.
Caríssima jornalista e escritora, acadêmica Lúcia Lustosa Martins, presidente do Clube de Leitura “As Traças”, em seu nome cumprimento as demais sócias que aqui se encontram.
Caríssima Profa. Rose Espíndola Benevides, fundadora dos Grupos Músicais, Terça Nobre e Encontro das Quartas, em seu nome cumprimento aos demais sócios que aqui se encontram.
Caríssimo Dr. Romeu Cysne Prado, presidente do Rotary Clube Centenário, em seu nome cumprimento os demais colegas Rotaryanos.
Minha querida filha Profa. Ana Paula Bomfim Soares em seu nome cumprimento os demais familiares.
Senhoras e Senhores:
Está escrito no Eclesiastes:
“Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo para nascer e tempo para morrer; tempo para chorar e tempo para rir; tempo para abraçar e tempo para afastar-se, tempo para amar e tempo para aborrecer-se; tempo de guerra e tempo de paz.”
Por considerar-me uma novata entre as ilustres colegas Ajebianas, fiquei surpresa e profundamente grata ao receber o convite das escritoras Zenaide Marçal, presidente do biênio 2008-2010 e Giselda Medeiros, nossa presidente de honra, para compor a chapa Prof. Costa Matos, no cargo de Presidente do biênio 2010-2012 da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil – AJEB - coordenadoria-Ce. Conheço minhas limitações, mas a vontade de servir e ajudar foi maior que o medo de errar. Palmilhando a estrada de nossas vidas, nos deparamos muitas vezes com situações contraditórias, nas quais o coração diz “sim” e o cérebro diz “não”. Isto não significa loucura, pelo contrário, é a sabedoria da consciência de nossas obrigações e a pujança de nossos sonhos que nos impulsiona a correr riscos, em busca de vitórias. Assim vejo, agora, chegou o Meu Tempo. É a minha hora de empunhar a bandeira da AJEB em uma das fileiras de vanguarda, o que muito me honra e envaidece. E já que o destino aqui me colocou, procurarei fazer jus à confiança em mim depositada. Os obstáculos existem, as procelas também, o importante é mirar-se no exemplo de um hábil navegador e encontrar o caminho para alcançar o porto seguro.
O poeta é feito de sonhos e emoções. Ele encanta-se perdidamente e transporta-se em sentimentos. Sentimentos de alegria, dor, saudade, nostalgia, enfim, o poeta é um mago da linguagem e um apaixonado por tudo que é belo. É assim, com a alma de poeta, que recebo neste momento a missão que me foi designada. Bem sei que a responsabilidade de substituir a escritora Zenaide Marçal é muito grande, uma vez que durante todo o seu período na presidência, as manhãs das terceiras terças-feiras do mês, aqui na Academia Cearense de Letras, palco das reuniões da AJEB, foram plenas de cultura, alegria e bem querer. A competência de nossa querida Zenaide, sempre acompanhada de muito carinho e dedicação, foi uma constante entre nós. Os momentos prazerosos nos envolviam tal qual os raios do sol envolvem as flores nas manhãs de primavera. Tudo era trabalho, harmonia e muito calor humano. Nossas produções literárias pareciam estar sempre debaixo da “poeira das estrelas” e nossa imaginação voava célere em busca da perfeição. Mas, ao sofrer o acidente que nos impossibilitou de sua presença, a grande preocupação de Zenaide eram suas pupilas ajebianas. Foi nesse período, que sendo a segunda vice presidente, ocupei o cargo da presidência, uma vez que a escritora Neide Azevedo, primeira vice, estava impossibilitada de faze-lo. Ficar à frente da AJEB, naqueles três meses, foi um desafio prazeroso, no qual recebi total apoio, carinho e solidariedade da diretoria, nas pessoas das escritoras: Giselda Medeiros, presidente de honra, Rejane Costa Barros e Francinete Azevedo, primeira e segunda secretárias, Evan Bessa e Ilnah Soares, primeira e segunda tesoureiras. Com muito amor, dedicação e elegância essas amigas queridas auxiliaram-me em todos os momentos necessários. Quero em público dizer-lhes do meu sincero agradecimento nos meus tropeços de iniciante.
Porém todos nós, amantes da cultura e do saber, somos responsáveis pelo crescimento desta nossa valorosa Associação, que tem por lema “A perenidade do pensamento pela palavra”. A nossa AJEB que está completando 40 anos de existência traz para o mundo literário uma história rica de conquistas e realizações.
Meus amigos e amigas,
Giselda Medeiros, nossa Presidente de Honra, que por 10 anos comandou com maestria esta Entidade, aqui no Ceará, tendo sido também presidente nacional por 4 anos, nos relata com muito orgulho: “O mérito dessa fundação deve-se à escritora paranaense Hellê Vellozo, que em 8 de abril de 1970, desvinculava-a de sua filiação junto à AMMPE (Asociación de Mujeres Periodistas y Escritoras), no México, passando a ter autonomia, no Brasil, como AJEB (Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil), espalhando-se através de coordenadorias por muitos estados brasileiros”.
Pertencer à AJEB é nossa escolha, sem dúvida uma escolha inteligente, uma vez que nossa associação fomenta cultura, e cultura é coisa séria. Afinal é através dos padrões de comportamento e dos valores exercidos na sociedade que podemos sonhar com um mundo melhor e mais fraterno. Na AJEB, encontramos reuniões literárias enriquecedoras, publicações educativas, concursos literários e recentemente um “blog” formatado com muito esmero e tecnologia informática por nossa incansável Giselda Medeiros.
Sempre fui otimista, e agora no outono de minha existência, sou mais ainda. É assim que nesta manhã do dia 20 de Abril de 2010, com o coração feliz e a firme convicção de acertar, farei o melhor que puder, procurando dentro de minhas possibilidades continuar o trabalho edificante de minhas antecessoras, valorizando os ideais de cada ajebiana.
Meus amigos, neste dia tão especial para mim, quero fazer alguns agradecimentos:
Às diretorias anteriores pelo exemplo de competência administrativa: às companheiras que prontamente aceitaram meu convite para compor a chapa Prof. Costa Matos; ao escritor e poeta Vicente Alencar por ter me apresentado à AJEB; a todas as sócias e sócios colaboradores por estarem presentes; aos amigos e amigas que estão aqui comigo; à querida amiga, jornalista e escritora Arleni Portelada que gentilmente atendeu meu pedido para dirigir a cerimônia; à minha família e principalmente a Deus, que, com certeza, sempre caminha ao meu lado.
Com grande admiração e carinho, externo a mais pura gratidão a todos vocês.
Muito Obrigada.
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