ATUAL DIRETORIA AJEB-CE - 2018/2020

PRESIDENTE DE HONRA: Giselda de Medeiros Albuquerque

PRESIDENTE: Elinalva Alves de Oliveira

1ª VICE-PRESIDENTE: Gizela Nunes da Costa

2ª VICE-PRESIDENTE: Maria Argentina Austregésilo de Andrade

1ª SECRETÁRIA: Rejane Costa Barros

2ª SECRETÁRIA: Nirvanda Medeiros

1ª DIRETORA DE FINANÇAS: Gilda Maria Oliveira Freitas

2ª DIRETORA DE FINANÇAS: Rita Guedes

DIRETORA DE EVENTOS: Maria Stella Frota Salles

DIRETORA DE PUBLICAÇÃO: Giselda de Medeiros Albuquerque

CERIMONIALISTA: Francinete de Azevedo Ferreira

CONSELHO

Evan Gomes Bessa

Maria Helena do Amaral Macedo

Zenaide Marçal

DIRETORIA AJEB-CE - 2018-2020

DIRETORIA AJEB-CE - 2018-2020
DIRETORIA ELEITA POR UNANIMIDADE

sábado, 20 de fevereiro de 2010

LASTRO DE PRIMORES - José Moacir Gadelha


Planta que vibras plena de elegância,
és realmente um lastro de primores...
Em cada ramo há multidões de flores
E, em cada flor, sorrisos e fragrância!

Tremula ao vento, em leve balançar,
espessa fronde, amiga e hospitaleira!
Louvada seja a fauna brasileira
Quanto nos agrada esta planta do pomar!...

Quão majestosos galhos verdejantes!
Em cada galho, há ninhos palpitantes.
E flui de cada ninho o VERBO AMAR!

Deslumbram, no teu peito, a cada dia,
acordes de sublimes melodias
das aves que não cessam de cantar!

Ausência - Neide Freire




Onde estavas?
Manhã radiante
Enfeitada de flores
Chilreio de pássaros
Pulsar de vida
Alegria!
Onde estavas?
Hora cálida do dia
Encolhem-se as sombras
Vagueia no ar uma canção
Recolhimento e paz!
Onde estavas?
Palmas acenam a brisa leve
Desabrocham boninas
Hora devota da prece
Brilha uma estrela
Anoitece!
Onde estavas?
No espaço vazio
Deixei-me ficar
Prisioneira de tua ausência
E dei por mim, sozinha,
A segurar perplexa
Fanado ramo de esperanças mortas
E uma vontade imensa de chorar!

CÓSMICA - Leda Costa Lima


Conto estrelas, me confundo
na reflexão divergente:
se há tanta gente no mundo,
haverá mundo sem gente?...

Se existir, como serão
os seus meios de transporte,
os deuses, a religião
e os vários tipos de esporte?

Existirão novas cores,
vários graus de inteligência?
Quantas raças, formas flores,
e um Deus com onisciência?

É uma certeza que eu tenho.
Com gente, é certo que há
e nessa busca eu me empenho:
Minha alma gêmea, onde está?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

PREAMAR - WALDIR RODRIGUES



Tal qual a flor que a correnteza arrasta
Para lugar ou praia indefinida
Com o doce amargo que a ilusão contrasta
Deixando a existência dolorida;

Tal qual o sol do amor de luz escassa
A penumbrar os sonhos desta vida
Embora a vida passe, nunca passa
A amargura da senda percorrida;

Assim também passou minha ilusão
Levada na corrente da paixão
Para as praias de um mar que não tem fim...

Que se alteia na angústia em pleno fluxo
Espraiando-se em mágoas no refluxo
Da maré que deixou dentro de mim!...

NEBLINA - IONE ARRUDA


Esta neblina ao entardecer
Dá-me o desejo de rever alguém.
E esse alguém só pode ser você
Que há algum tempo anda muito além.

Nesse momento pode acontecer
Que o sonho venha e deslize a sonhar,
E que meu sonho possa se estender,
Entre a neblina e o vibrante mar.

Mas fico à espera do anoitecer
Quando as estrelas vão no céu brilhar,
E nessa espera pode acontecer
Que venhas nos meus braços mergulhar.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

VIDAS - Silvio dos Santos Filho


Há vidas que vêm,
Há vidas que vão...
Há vidas que nos chegam
Sem nenhuma previsão...
Há vidas que nos deixam
E nos partem o coração.

Há vidas afloradas
Que nem foram desejadas...
Há vidas que se apagam
Quando mais são festejadas.

Há vidas reluzentes,
Há vidas desbotadas...
Há vidas descobertas,
Mas nem foram desfrutadas...
Há vidas que se perdem
Pelas curvas dessa estrada.

Há vidas cujas vidas
Nunca foram desvendadas...
Há vidas que só vivem
Numa noite bem sonhada.

Há vidas passageiras,
Há vidas prolongadas.
Há vidas disfarçadas,
Mal vividas, lamentadas...
Há vidas esquecidas,
Sem memórias registradas.

Há vidas que abdicam
Do calor da nossa mão.
Há vidas naufragadas
Sem nenhuma explicação.

(Menção Honrosa/5º Lugar no IV Concurso Literário Professora Edith Braga, promovido pela Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, Edição 2009)

QUERO... - THEREZA LEITE


Quero de volta passos de criança subindo escadas
O raio que me divisa o farol distante
O peso da bengala ferindo as calçadas
Pinturas vistas escorregando no trem que parte.


Constrange-me a pressa do momento que me toca
Passa veloz no espanto, quero retê-lo e não posso.
A multidão me apaga, os ruídos me emudecem...

sábado, 13 de fevereiro de 2010

VOAR - Evan Bessa



Sempre pensei em voar como pássaro,
nas fantasias e sonhos de criança,
para ter a sensação de estar contigo
Nos lugares imprevisíveis e distantes.

Nas brincadeiras inocentes do passado
onde estavas a me proteger, a me olhar...
Com a delicadeza do amor paternal
e a envolver-me numa aura diáfana.

Sentia-me, princesa no castelo
encantado pela ilusão e quimera.
Admirada pelo meu rei e súditos
que alimentavam minha alma pueril.

Hoje, ainda, me perco a recordar
e voo longe pensando em te encontrar,
no balanço do quintal da minha mente

E a criança que agora, volta no tempo
Plena de alegria revive os momentos
Que jamais sairão do pensamento.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O SILÊNCIO DA CASA - Yolanda Montenegro


A casa está silenciosa.
Todos dormem.
Somente o gemido do vento
açoita as coisas vivas,
envivece os corações
despertando pensamentos
de passadas alegrias;
Festas - amigos todos chegando,
presenças de prazer e emoção.
Os vestidos de renda, colares e anéis
e os olhares dos jovens moços
e a música daqueles tempos idos,
imprevisíveis aos que despertam seus acordes;
e a casa silenciosa dorme
deixando em mim a nostalgia,
mas também a certeza de ter vivido
um passado feliz e não estar morta
ou esquecida dos momentos que se foram...
Agora a casa dorme e espalha silêncios...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

EUFÓRICO - PEREIRA DE ALBUQUERQUE


Estou feliz!... A luz morna do dia
Banha os canteiros do jardim em frente;
Além, onde a avenida principia,
As acácias balouçam docemente!

Estou feliz!... Adeus melancolia!
Não; não é ledo engano, estou contente:
Vai pelo ar uma doce melodia
que eche de festa o coração da gente!

Tendo um livro na mão, chego à janela
E, exsudando alegria e confiança,
Leio, sorrindo, uns versos de Varela...

Só tu, poesia, tens esse poder
De avivar em meus olhos a esperança
E, em minha alma, a vontade de viver!

(Policromias. Vol. 3)

MÃOS - REGINA BARROS LEAL


Mãos!
Desventuradas mãos que desprezam,
Severas, duras, frias.
Não acolhem o sofrimento de outrem.
Mãos causticantes, rígidas, rudes, sem amor.
Solitárias mãos entre tantas,
fugidias, soltas e amargamente desengonçadas.
Mãos que apontam, acusam.
Arrastam, machucam, denunciam.
Mãos feias entre tantas!
Mãos acolhedoras, quentes de afeto que acalmam, adoçam,
Que ninam, enobrecem um gesto de amor.
Mãos duras, calosas, rudes, grossas do trabalho da enxada,
Mas ternas no gesto que afaga o cabelo da criança faminta.
Mãos que batem, ferem, magoam, gélidas, enrijecidas entre tantas,
Mãos que amaciam, massageiam, acariciam o rosto enrugado da velha senhora.
Mãos plenas de vida, jovens, cinzentas, brancas, negras, novas,
Que amparam crianças, velhos e doentes.
Mãos... Como gosto de minhas mãos macias e acolhedoras!
(Policromias. Vol. 3)

AMOR EFÊMERO - ZINAH ALEXANDRINO



Bebi do teu mel,
Embeveida fui à vinha,
Não te encontrei.
Trouxe o meu fardo
Mas não te entreguei!

Ainda saciada,
Embriaguei-me e adormeci...
Acordei com a boca amarga de fel.

Tua vinha era ingrata.
O que me deste?
Um amor efêmero,
E... não me disseste.

(Policromias vol. 2)


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

SE EU PUDESSE... GISELDA MEDEIROS





Ah! se eu pudesse ir além das estrelas,
atravessar a nado o oceano inteiro,
sorver os néctares abundantemente
e me tornar a rosa mais viçosa...

Se eu pudesse entrar no teu enigma,
vasculhar teus horizontes submersos,
cantar tua canção e me inspirar nas rimas do teu coração,
se eu pudesse...

Ah! se eu pudesse arrancar e mim estes tédios longos,
beber as fantasias que dos teus olhos fluem...
Ah! Seria eu a eterna voz dos ventos,
o frescor deliciante das campinas verdes,
o brilho incomunal dos etéreos astros,
a mais romântica canção de amor.

Assim, então, eu poderia te alcançar um dia,
e tu saberias do porquê destes meus versos,
da minha ansiedade, das minhas inquietudes,
das minhas fruições, dos meus desejos reprimidos
e, em explosões de notas místicas, dir-te-ia meu coração:
Como eu te amo! Ah! Como eu te amo ainda!

(Alma Liberta)

DIVINO POEMA - ELIANE ARRUDA


Viver no mundo sem aplaudir a natureza,
Sem preservar a sua fauna e a sua flora,
É a negação de ser "humano", com certeza,
Nem sempre ao homem concedamos loas, glórias!

Amar a Deus é amar também a sua obra,
E a Natureza é um poema da criação,
Se para ela o cuidado nunca sobra,
Algum lugar verá a sua exaltação.

E haja chuvas, temporais, ondas gigantes...
Lavas dispersas pela fúria de um vulcão!
Na hora certa, bem que entoa graves cantos.

Dela o homem seja amigo, seja amante,
Revidar sabe quando sofre u'a agressão!
Não poluamos mares, rios, lagos... tanto!

SAUDADES... MARIA HELENA MACÊDO


SAUDADES...

São como véus que se embalam no recôndito da memória alongando-se como se quisessem
assenhorear-se de todo o nosso ser, na ausência indelével de nossos entes amados.
São como os incensos queimando a alma, queimando nossos sonhos em sombras de visões fugidias, ninhos desfeitos no cume da montanha de nossas vidas, pelo fragor da ventania adversa.
O travo forte da dor da saudade é o nunca mais! E o pranto corre no desfolhar das
lágrimas semelhante ao orvalho que se condensa ao cair da noite e enregela nosso coração.
O labirinto crepuscular da saudade nos enleia numa teia da qual é muito penoso sair.
Ficamos acorrentados à dor que nos sufoca, nos arrebenta o peito, pois toda saudade é irremediavelmente dorida.
O destino com seu determinismo nos rouba da vida o sabor da convivência, do sorriso, do falar, do abraço, do carinho, do conforto do amor, tudo o que conquistamos, como a essência de ser feliz. Assim, Tristão de Ataide disse que "Nada supre a ausência nem conforta a solidão".
O marinheiro sente saudades de seu mar, do horizonte que divisava, do fragor das ondas,
ao conduzir o seu barco do qual foi o timoneiro.
Casimiro de Abreu já dizia em seus versos:
"Ai, que saudades que tenho
da aurora da minha vida,"
Tudo são saudades: da infância, da adolescência, do colégio, dos amigos ausentes, mas elas são figurativas em nossa visão distante... Também são ocasionais, fagueiras, muitas ocorrem com risos os até gargalhadas de momentos hilários.
Um nosso querido amigo, Cel Noé Rebello de Araújo, ensinou-me a sublimar a saudade com esta máxima: "Face à visão cristã do sentido da vida, o que completa e enriquece a saudade é a Fé, regida pela Esperança e alicerçada pela Caridade. Não basta querer que volte, mas permaneça".
Quando o destino, o acaso, a infelicidade, o imponderável nos subtai um ente querido, nada nos resta senão verter muitas lágrimas, lutar para superar muitas dores, lentas e irreparáveis, difíceis. E como são difíceis!!!
Imagino quão sofrido foi o sentimento dos lusitanos ante o afastamento da sua amada terra portuguesa, saudade que lhe fez nascer o fado, com o qual procuravam aliviar suas tristezas pela privacidade que lhes foi imposta, fazendo-os ausentar-se de seu torrão.
Como é lamentável que a beleza da palavra SAUDADE, a mais bela palavra de todas as línguas, adormeça tantos corações nas desilusões da vida!!!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

DESABAFO EM LOUVOR - FRANCINETE AZEVEDO

Hosana aos peregrinos
Da redenção!
A ti, irmão, Francisco José do Nascimento,
O Dragão do Mar da liberdade,
Cantaremos glórias sem fim!
Livre, hoje, das senzalas e dos grilhões,
Porém encarcerado ao descaso
E à indiferença
De uma sociedade preconceituosa,
Pregoeira de uma falsa
igualdade de direitos
Para todos os filhos dessa terra,
A que ajudamos a construir.
Justiça! Conclamamos, apenas, por Justiça!

sábado, 30 de janeiro de 2010

VISITAÇÃO - ILNAH SOARES


E a tarde chegou em minha vida,
devagarinho.
Aproximou-se, doce e langue,
e se espreguiçou dolentemente,
trazendo sombras
mas também encantos.
E eu, sonolenta,
quis adormecer,
mas os olhos entreabri...
E vislumbrei
o mais belo crepúsculo
que já vi...

INTERAÇÃO - VIVIANE MONTEIRO

Eu faço parte da Mãe Natureza:
sou ar, sou fogo, sou terra e sou água.

Como folha que cai e se amolda no movimento,
sinto-me sempre bem, pois estou sempre em meu lugar.

Como águia em cativeiro,
Vaguei curva por certo tempo
- inúmeras as amarras...
Retomo, no infinito, meus limites...
Minhas fadinhas do Sonho e do Amor
sempre comigo...
Sinto o ambiente, e ele também fala
e sabe dizer exatamente o que preciso
e o que mais me agrada ouvir.

Sou meio bruxa, meio médium e devota.
Colho de todas as doutrinas
o que sinto ser mais certo:
alma em Rosa Mística, Samsara,
sou miscelânea de todos os credos...

E quando a mente esvazia,
o peito se enche de sentimentos,
e minha natureza inflama:
cerro e abro meus luzeiros,
descalça, renasço cigana,
e cultivo no vento, o meu maior timoneiro...

DIA INTERNACIONAL DA MULHER - SABRINA MELO

Mulher
Abrigas em teu teu corpo
A capacidade de gerar
Uma pétala de ti mesma
E para quem de seiva e calor
Irás para sempre alimentar
Mulher
A beleza será eterna companheira
Presente na ternura do sorriso
No olhar que tudo transmite
Na profundidade de tu'alma
Na doçura do teu ser

Mulher
Trarás na canção da vida
A melodia em teu coração
E na busca constante de teus dias
Encontrarás o néctar dos sonhos
Mesmo no despertar de outono

MORTE DAS PAIXÕES - SÉRGIO MACEDO

As nossas paixões morreram.
Adormeceram nossas crenças.
Os meus e os teus caminhos continuam abertos,
réus de si mesmos.
Procuramos as rosas negras no céu,
não as vemos, não as temos.
A tua imagem se desvanece à medida que o tempo passa.
Dissolve-se em mim, eu mesmo, lido como pessoa.
Não tenho, não temos mais procuras nem esperas.
As rosas negras no céu desapareceram,
dentro de garagens fétidas.

Não creio em tua crença nem tu no em que acredito.
Temo não vê-la mais,
escondida que estarás, sempre, atrás de barris de pólvora e outros pensamentos.
Temo não tê-la mais,
nas mãos de quem estás, na emoção sob a qual estás.
Mas isso é apenas um simplório sinal dos tempos.
Tenho por perdido o diamante louco e belo.
Temo sermos, nós dois, o diamante que perdemos.
Temo estar, sem saber, hibernando qual um urso, à espera do próximo
inevitável inverno da alma.
Temo não alcançá-la nem ver a ventania e a nevasca da manhã, tal qual
o velho e cansado e perecível urso, perdido
dentro da brancura perdida de seus tempos...

AS NOITES - VICENTE ALENCAR


As noites foram feitas de sonhos,
por isso são noites.
As noites foram feitas para o amor,
por isso são noites.
As noites foram feitas para falar a dois,
por isso são noites.
As noites foram feitas para os encontros,
por isso são noites.
As noites foram feitas para rir baixinho,
por isso são noites.
As noites foram feitas para cantar com a alma,
por isso são noites.
As noites foram feitas para quem tem coração,
por isso são noites.
As noites foram feitas para dedicar um ao outro,
por isso são noites.
As noites foram feitas para sentir o cheiro,
por isso são noites.
As noites foram feitas para sentir a pele,
por isso são noites.
As noites foram feitas para acarinhar,
por isso são noites.
As noites foram feitas para beijar amando,
por isso são noites.
As noites foram feitas para serem diferentes,
por isso são noites.

GRAFITES - NILZE COSTA E SILVA


O meu caderno de infância
tinha uma casinha feliz
um cacto mal desenhado
do lado esquerdo um sol
ao fundo uma bananeira
com um coração flechado
que eu nem sabia de quem

O caminho traçado a lápis
ia dar bem no jardim
de onde um gato espreitava
entre os cheiros de jasmins

Por trás da casinha feliz
subia um coqueiro alto
ia bater lá no céu
juntava-se às nuvens
que ameaçavam chover

Chovia quando eu queria
nos desenhos que eu fazia
sol e lua se encontravam
e tudo se harmonizava
num contorno de alegria

Do meu grafite saía
tanta coisinha bonita
que me dá saudade agora
meu pai, minha mãe eu fazia
todos de pernas finas
e eu ficava no meio
ao redor os meus irmãos
ninguém tinha ido embora

Meu caderno de infância...
dobrei todas as páginas
que é pra ninguém fugir
metade do eu ser no mundo
ficou naqueles grafites
de onde eu nunca saí...

OS AMANTES - MARIA LUÍSA BOMFIM

Corpos suados
beijos apaixonados,
marcas de batom
no papel.
Palavras sussurradas,
juras de amor,
na suíte do motel.
Encontros marcados,
minutos contados,
perfume de jasmim.
Música "blue",
abajour lilás,
saudade doída,
dúvida sem fim.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

SEIS DA TARDE - NEIDE AZEVEDO

As mãos uniram-se em prece
A lágrima furtou-se aflita
O verde se fez fadiga
O anjo cantou tristesse
a nuvem afastou o vento
O trigo se fez farinha
A mãe desfia uma história
O padre uma ladainha.
O pai pagou uma dívida
O filho foi à quermesse
O galo cantou seu canto
O dia quase amanhece
O sino bateu seis horas,
Anunciando; anoitece...
(2º lugar no Prêmio Costa Matos de Poesia)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

ROSAS DA MANHÃ - GISELDA MEDEIROS


Quando vieres
vem de leve
assim como a primeira estrela
que paciente desponta
jogando sua luz
por entre as brumas
consciente da importância
de sua chegada.

Vem com dedos de carícias
silenciosas
com mãos de artista
leves
para que não me doa
o poema que fizeres.
Ou melhor
vem como quiseres.
Estarei aqui
em mim
dentre outras mulheres,
mas a única que te sabe
florir em versos.

domingo, 24 de janeiro de 2010

VEM! - ZENAIDE MARÇAL


Vem!
Vem de mansinho
como a brisa cálida
que acaricia o verde da colina!
Faze meus olhos brilharem
como olhos de menina...

Vem!
Vem como o vento forte e insistente
que tange as folhas pelos campos
e, insensato e inconsequente,
atiça o fogo das queimadas...

Vem!
Mesmo que seja como o redemoinho
que gira feito louco e tudo envolve
num abraço passageiro...

Vem!
Não importa como chegues,
feito brisa ou vento alísio,
mas vem!

Vem,
sacode e desperta
meu dormente coração!

sábado, 23 de janeiro de 2010

POSSIBILIDADES - REJANE COSTA BARROS




Sou pedaço de carne
cravada na faca fria do nada porta entreaberta mirando as paisagens molhadas. Um porto esperando os navios que chegam e partem, sou metade da lenda que já está quase escrita, com letras vermelhas, pulsantes, vivo sangue que derrama desejos, cores, ardores. Sou a cantiga e a calmaria,
um bule cheirando a vida e esperança
e a alma a lavar-e em todos os segredos. O Auto de Suassuna e o som da sanfona do Rei migrando acordes; sou humor, gritaria, a sonoridade do canto do Uirapuru. O DNA que precisa de códigos sem regras, a luz que espera um brilho que te segue. Posso viver e te amar arrastando as correntes pela escada, subindo as árvores e sacudindo as folhas pelo vento, ser um quadro com pintura azul e cheirando a mar. Voar nas asas de um astro, do pássaro mais veloz, carregando as mágoas do mundo e dando a ti muitas cores, vários aromas, as malícias deste querer que não tem pressa. A espada cortando o fogo e o fel, a única certeza de se remediar o medo o espaço vago da plantação do sonho mais antigo. Agora é hora de debulhar o tempo e esperar a colheita campo limpo de todas as esferas, verdes promessas de todos amores, leitura acesa do meu tempo que se reflete em todos os espelhos.
(poema classificado no XII Prêmio Ideal Clube de Literatura)

Nossa homenagem póstuma ao poeta Costa Matos


Há de Brilhar um Sol Quando eu Passar

José Costa Matos


Quando estiver de volta o dono das searas
para os ritos finais da bênção das colheitas,
a lama em que eu pisei há de elevar-se em araonde oficiarão benditas mãos eleitas.

Frondes vastas, fulgindo à luz das manhãs claras,
contemplarão de perto as grandes mãos perfeitas
multiplicando o pão das multidões ignaras,
tornando em vinho louro as águas mais suspeitas.
E um sol de hóstia, sol de ouro, um grande sol de festa,
há de irromper, fundindo a pedra dos altares,
no incêndio deste ideal, o maior que me resta!

E os que me amaram sempre, os corações de escol,
hão de sentir-me ali, já livre de pesares,
e hão de buscar, chorando, a glória deste Sol!
(Estações de Sonetos)