domingo, 25 de novembro de 2012
ELIANE BRUM - 12/11/2012 - ÉPOCA
ELIANE BRUM - 12/11/2012 - ÉPOCA
Em um belo filme sobre a condição humana, um velho
descobre-se diante de um dilema que dirá quem ele é e como ama. A escolha que o
desafia é também a que nos provoca a cada dia de nossa vida.
Na primeira vez em que assisti à E se vivêssemos todos juntos?,
pensei, ao sair do cinema com os olhos mareados e a alma apertada no corpo como
uma calça jeans dois números menor: queria tanto escrever sobre esse filme, mas
o melhor que posso escrever é só um verbo, conjugado no imperativo, seguido de
um ponto de exclamação: “Assistam!”. E escrevi exatamente isso no twitter. Em
geral, é o melhor que podemos dizer sobre os filmes de que gostamos, assim como
“leiam!” para os livros que nos tornaram outros depois da última página. Mas
continuei desassossegada e vi o filme uma segunda vez. Percebi que precisava
escrever um pouco mais.
E se vivêssemos todos juntos? (Stéphane Robelin –
França/Alemanha) é um filme sobre os últimos anos de quem, graças ao aumento da
expectativa de vida, passou dos 70 e poucos. Como disse Jeanne, a personagem de
Jane Fonda, ao seguir a ambulância que carregava seu marido para o hospital
depois de uma queda: “A gente planeja tudo, mas nunca pensa no que fazer nos
últimos anos da vida”. É disso que se trata. O filme fala de algo que precisamos
falar mais: sobre envelhecer neste mundo, nesta época. Precisamos falar mais
porque a maioria de nós vai viver esse momento. Não é fácil vivê-lo – é uma
sorte vivê-lo.
Começamos a nos preparar, como invoca Jeanne, quando nos
arriscamos a pensar sobre aquilo que nos inquieta ou inquietará – ou inquieta
ou inquietará aqueles que amamos. O cinema já descobriu essa necessidade e, só
neste ano, chegaram ao Brasil pelo menos dois filmes que falam explicitamente
sobre envelhecer: O exótico Hotel Marigold (John Madden, Reino Unido), que
poderia ser bem melhor do que é, e “E se vivêssemos todos juntos?”.
Neste, um grupo de velhos decide viver na mesma casa para
enfrentar aquilo que os inquieta – e seguidamente os ameaça. A iniciativa é de
um deles, Jean (Guy Bedos), um homem que passou a vida engajado em causas
coletivas contra as injustiças sofridas pelos mais fracos. Impedido de seguir
para a próxima missão em algum país pobre e distante, porque o seguro se recusa
a cobrir gente da sua idade, ele aos poucos descobre que tem uma causa bem
perto dele pela qual lutar, que é também uma causa de desamparo.
E se vivêssemos todos juntos? não é um filme para velhos –
mas para todos que se interessam pela condição humana. No roteiro, aliás,
aqueles que aparecem no lugar de “filhos”, ora perplexos, às vezes distantes,
em outras arrogantes na sua certeza sobre o que é melhor para os pais –
perdidos sempre – parecem precisar muito assistir a um filme como este.
O filme, que já é muito, muito bonito mesmo, fica ainda melhor
com a interpretação impecável de grandes atores, todos eles velhos e, portanto,
mais experientes do que nunca. Todos menos um: o único jovem protagonista é o
ótimo Daniel Brühl, por quem nos apaixonamos em “Adeus, Lenin”, e que tem no
enredo um lugar muito particular. Ele é um estrangeiro não só por ser um alemão
na França, mas por ser um jovem em território de velhos: estrangeiro porque só
estranhando é possível enxergar. Vale a pena alertar ainda que, ao contrário do
que anuncia a classificação, “E se vivêssemos todos juntos?” não é uma
comédia.
(Como já escrevi aqui, eu não chamo velhos de idosos nem
velhice de terceira idade ou – argh – melhor idade. Assisti ao filme pela
primeira vez na companhia de parte de um grupo de amigos com os quais tenho um
pacto desde os 30 e poucos anos: ao envelhecer, moraremos todos juntos em um
condomínio que um de nós já batizou, ironicamente, de “O Ocaso Feliz”. Já
acertamos mais ou menos a arquitetura, na qual cada casa terá entradas
independentes e fundos para um espaço coletivo, de maneira que, se quisermos
ficar sozinhos, basta simplesmente passar a chave na porta dos fundos e botar
uma placa de “não perturbe”. Mas não conseguimos nos acertar sobre qual cidade
– pequena, perto de uma grande – escolheremos para nossos últimos anos. Ao
deixar a sala de cinema, tomamos um espumante antes de nos separarmos. Na
segunda vez, assisti ao filme com o homem que eu amo e em quem pretendo abotoar
casacos de lã na velhice. Quero muito um velho companheiro com casacos de lã abotoados.
E espero viver para isso. Quando o filme terminou, choramos abraçados.)
Feita essa antessala, preciso dizer o seguinte: se você não
viu o filme e pretende vê-lo, pare por aqui. Embora o que quero dizer use o
filme apenas como ponto de partida, não é possível escrever sem contar bastante
sobre ele, mais do que qualquer comentário educado permitiria. Há quem não se
importe. Pessoalmente, acho que é sempre (muito) melhor ir ao cinema no escuro.
Se quiser, volte ao texto depois – e, como estímulo a uma visita à tela grande,
coloco o trailer aqui.
Para quem continua comigo: entre as tantas possibilidades de
reflexão propostas por esse filme, há uma que me comove mais. Ela fala de
memória – e de algo muito importante: memória não é apenas lembrar, é também
esquecer.
No filme, Albert (Pierre Richard) luta contra a perda da
memória. Ele não sabe se já levou o cachorro para passear ou não. “Se eu não o
tivesse levado, ele estaria reclamando, não?”, indaga-se. Para lembrar os
acontecimentos recentes, que o cérebro já não registra, Albert usa a palavra
escrita. Escreve um diário sentado na poltrona do apartamento que divide com a
mulher, estrategicamente postado ao lado de uma janela que dá para os fundos de
uma escola infantil. É com um olho no caderno e o outro na janela, na qual
espera, com evidente alegria, as crianças saírem para brincar, que ele relata o
sabor do vinho que tomou com os amigos, o cardápio do jantar e aquilo que
precisa lembrar quando já tiver esquecido no dia seguinte. O diário, a
narrativa da vida pela palavra escrita, é o fio que orienta Albert pelos
labirintos de um cotidiano no qual o cérebro falha em lembrar do ontem e até
mesmo de alguns minutos antes.
A velhice, para Albert, se manifesta primeiro por esses
lapsos de memória. Mas logo ele terá de lidar com um dilema mais profundo: o
que lembrar, o que esquecer. Sua mulher, Jeanne (Jane Fonda), de quem já
falamos lá no início, teve câncer. No começo do filme, testemunhamos quando ela
abre os exames na cozinha e descobre que a doença segue com ela e que não terá
muito mais tempo de vida. Quanto tempo, nem ela nem ninguém pode saber.
Jeanne toma uma decisão ao rasgar os exames e enfiar os
pedaços na lata de lixo. Escolhe, por amor, não contar a Albert da sua
condição. Diz a ele que está curada. Quer viver seus últimos dias, semanas,
meses sem que ele seja assombrado por sua morte. Sente-se assim menos
assombrada por ela – e mais livre para planejar seu enterro, por exemplo, mais
livre para escolher o pouco que pode escolher.
Mas, num dia em que Albert está sozinho em casa, o médico
bate na porta à procura de Jeanne, que tinha se recusado a fazer a cirurgia
proposta e sumido do consultório. Albert descobre naquele momento: 1) que a
mulher vai morrer de câncer; 2) que ela decidiu não compartilhar essa
informação com ele. É isso que ele registra em seu diário. E mais um pouco: “É
um direito dela (viver sem lhe contar que em breve morrerá de câncer)”. No dia
seguinte, enquanto espia ansioso pela janela se as crianças já estão vindo para
o recreio, ele lê esse trecho no diário e tem um sobressalto.
Mais adiante, Albert e Jeanne já estão vivendo em comunidade
quando ele abre – por engano? – o baú que pertence ao seu amigo Claude (Claude
Rich). Já não há mais uma janela por onde espiar crianças brincando, mas há
outras paisagens humanas e sentimentais. Albert sente-se desterrado, agora não
apenas de sua memória, mas também de sua geografia física, na nova casa. Mas o
que relembra todos os dias ao ler o diário faz com que compreenda que é preciso
encontrar outros parceiros para encerrar a vida. Não os desconhecidos de um asilo
de velhos, mas amigos de uma vida inteira. Gente capaz de reconhecer a
geografia que é ele.
Claude é um fotógrafo solteirão e sedutor, o número ímpar da
pequena comunidade. E Albert lê cartas destinadas a Claude, nas quais descobre
que tanto Annie (Geraldine Chaplin) quanto Jeanne tiveram tórridos casos
extraconjugais com o melhor amigo, 40 anos atrás. Albert registra sua
descoberta na carta ininterrupta que escreve para si mesmo. E, ao reler o
diário a cada manhã, relembra a traição que pode colocar em risco o delicado
equilíbrio daquela comunidade construída sobre afeto, solidariedade e a
necessidade de unir forças contra um mundo hostil à velhice.
Albert depara-se com uma questão muito mais profunda do que
os esquecimentos involuntários causados pela velhice. Ele precisa agora
enfrentar a memória como escolha. A cada manhã, ele sobressalta-se primeiro com
a notícia de que a mulher tem um câncer que a levará à morte próxima. Em
seguida, com a descoberta de que ela o traiu com o melhor amigo 40 anos atrás.
O que fazer agora que a velhice lhe deu a possibilidade de escolher o que
lembrar e o que esquecer?
A escolha de Albert é um ato completo de amor. Ele decide
sofrer a cada dia – e dia após dia – o impacto da notícia de que Jeanne tem um
câncer e que vai morrer em breve. Apesar de ser talvez a notícia mais brutal de
uma existência inteira, é a forma que ele encontra de estar com ela, de não
deixá-la sozinha nesse momento, de viver essa dor junto com a mulher que ama,
mesmo que ela nunca saiba disso. Escolher lembrar quando podia simplesmente
esquecer é a forma que Albert encontra de amar Jeanne mais e melhor – até o
fim.
Se escolhe lembrar a doença e a morte de Jeanne, Albert
escolhe esquecer a traição de Jeanne. Depois de dar muitas voltas na casa e em
si mesmo, ele rasga a página do diário na qual relata a descoberta, a amassa e
a guarda no bolso. Antes, porém, conta a Jean que ele também tinha sido traído
pela própria mulher e pelo melhor amigo. Assim, Albert lega a Jean uma memória
que o amigo pode superar, mas não esquecer. Albert pode ter feito isso tanto
por sentimento de lealdade quanto pelo sentimento de vingança, na medida em que
o temperamento explosivo de Jean é bem conhecido. Ou ainda por acreditar que
Jean tem o direito de decidir por si mesmo como quer lidar com essa memória.
Mas ele, Albert, escolhe esquecer. E este, ainda que de uma forma mais
tortuosa, é um ato de amor tanto pela mulher quanto pelo amigo.
Viver, não apenas para os velhos, é uma constante escolha
entre o que lembrar e o que esquecer. Ainda que para isso a maioria de nós
tenha de travar um embate feroz com seus fantasmas antes de conseguir arrancar
uma página espinhosa. Alguns envenenam a própria vida ao fixar-se numa
lembrança mais letal que cianureto, condenando-se a um eterno presente
congelado, o que é um tipo de morte. E outros perdem essa mesma vida ao
transformá-la na fuga incessante de algo que só poderão esquecer se primeiro
tiverem lembrado e enfrentado como lembrança.
Ainda que nossas escolhas em torno da memória sejam não mais
difíceis do que a de Albert, mas seguramente mais demoradas, nossa existência é
determinada por elas. Tanto na esfera pessoal quanto na pública. É uma escolha
na esfera pública a decisão de o que fazer com a memória que está em jogo na
Comissão Nacional da Verdade, por exemplo, ao apurar os crimes da ditadura. E
nesta, em minha opinião, é preciso lembrar – com todas as consequências
implicadas nesse gesto – para que o país possa seguir adiante.
Assim como é uma escolha na esfera pessoal o lugar e o
tamanho que cada um dá a uma determinada experiência nos muitos mal entendidos
entre pais e filhos. É por preferir seguir lembrando uma ausência, uma
humilhação ou um equívoco, dia após dia como se fosse o primeiro, em vez de
lidar, transformar em marca e então esquecer – ou pelo menos dar à experiência
um lugar e um tamanho mais compatíveis com o movimento da vida – que muitos
chegam ao amanhã apenas no calendário, mas morrem com as unhas cravadas no
ontem.
Como nos mostra Albert, escolher o que lembrar e o que
esquecer é também um ato de amor. E nunca é um ato fácil, como não é fácil o
amor.
É também um ato de amor a magistral cena final desse filme.
E esta eu não vou contar mesmo para quem já viu. Nela, Albert faz, mais uma
vez, uma escolha profunda em torno da memória. E são os amigos que provam saber
amar ao não apenas acolherem, mas embarcarem na sua escolha. Fazem isso porque
compreendem que a vida contém proporções talvez equivalentes de realidade e de
delírio, mesmo quando a gente finge não saber disso. E que amar é, às vezes,
lembrar de esquecer.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
EVAN BESSA LANÇA LIVRO NA BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO
Dia 12 de novembro, no stand da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, A AJEB se fez presente, no espaço "NATÉRCIA CAMPOS", para prestigiar o lançamento do livro de Evan Bessa.
Giselda Medeiros fez a apresentação do livro "Estação Outonal". Tereza Porto, Zenaide Marçal, dentre outras ajebianas leram poemas do livro. Maria Luísa Bomfim leu a apreciação que havia feito sobre a poesia de Evan Bessa.
Foi um final de tarde muito prazeroso, regadp à amizade e à poesia.
A Família de Evan fez-se presente e, juntamente com os amigos, favoreceu um clima de descontração e de muita alegria.
Parabéns, Evan, por mais uma obra lançada. A AJEB orgulha-se de ter você como parte ativa, viva e trabalhadora em prol da "perenidade do pensamento pela palavra".
Giselda Medeiros fez a apresentação do livro "Estação Outonal". Tereza Porto, Zenaide Marçal, dentre outras ajebianas leram poemas do livro. Maria Luísa Bomfim leu a apreciação que havia feito sobre a poesia de Evan Bessa.
Foi um final de tarde muito prazeroso, regadp à amizade e à poesia.
A Família de Evan fez-se presente e, juntamente com os amigos, favoreceu um clima de descontração e de muita alegria.
Parabéns, Evan, por mais uma obra lançada. A AJEB orgulha-se de ter você como parte ativa, viva e trabalhadora em prol da "perenidade do pensamento pela palavra".
EIS ALGUNS REGISTROS DESSE MOMENTO
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Apresentação do livro – ASAS AO VENTO - Do Escritor SILVIO DOS SANTOS
Embora o nosso estimado Escritor Silvio dos Santos seja bastante
conhecido pela maioria dos presentes, faço aqui a leitura do seu Currículo,
resumido porque cresce a cada instante, à medida de sua participação ativa no
nosso meio literário. Além do mais, trata-se de Artista Plástico laureado,
inclusive, com Medalha de Ouro em Salão Nacional.
Silvio
dos Santos Filho é natural de Manaus-AM e está radicado no Ceará desde
1989. É
Jornalista – formado pela Universidade Federal do Amazonas – e licenciado em
Língua Portuguesa pela Univ. Estadual do Ceará. Membro da Almece – Academia de Letras dos Municípios do Estado do Ceará;
Sócio Colaborador da AJEB – Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil –
Coord. do Ceará; integrante do Movimento
Cultural Terça-Feira em Prosa e Verso. Publicou: Pelos Caminhos da Memória –
Crônicas; Pedaços de Vida – Romance; Limite Extremo – também romance; Chão e
Pegadas – Crônicas; tem textos publicados em diversas coletâneas. Premiado em vários concursos na
categoria - Prosa – a saber: 2° Lugar no
Café Literário/ Terça Feira em Prosa e Verso – 2001 - e 1° Lugar em 2004; 1°
Lugar no III° Concurso Literário Professora Edith Braga e 9° Lugar no Prêmio de
Literatura Unifor – Crônica – em 2009.
No prefácio do livro – Cadeira de Balanço
– de Carlos Drummond de Andrade, a Professora e ensaísta Ângela Vaz Leão diz
ser ele “ um tímido e que talvez por isto sinta a necessidade de dar explicação
ao leitor na Introdução de cada obra de sua autoria”.
Verifico que o nosso Escritor Silvio dos Santos também justifica cada
título
de seus livros quando são publicados e poderíamos dizer que ele também sente essa
timidez. Mas , se isso é ser tímido, demos vivas à timidez!
Assim, vejamos: Silvio dos Santos , no seu
livro de estréia – Pelos Caminhos da
Memória, 2004 – Em Nota Explicativa diz: “Nossa obra reflete o que temos
dentro de nós. O produto do nosso trabalho, independentemente da linguagem e da
natureza, é nosso retrato interno. (...)
É
um passeio pela minha mente, pelo meu coração e pela minha imaginação”.
Em - Pedaços
de Vida – 2005 – Também em - Nota Explicativa - justifica o título e
termina com estas palavras: “Pedaços de Vida é, portanto, o resultado do
casamento das próprias
experiências sociais desse observador, associadas a esses dramas individuais
vividos por várias pessoas que circularam à sua volta, etc.”
Em Limite
Extremo – 2008 - Diz na Introdução:
“ Sou apenas um velho sonhador, com sua mania, quase doentia, de querer ver o
que está “ por trás do muro”. Aliás,
este pensamento é confirmado nesta trova constante do livro hoje lançado:
“ Muito cedo eu comecei
a pensar no meu futuro.
Foi assim que desvendei
o que estava atrás do muro”.
Passemos agora ao seu 4° livro – Chão e Pegadas – 2010 – A título de
introdução, usa a expressão - Simples
Curiosidade – Diz: “Pode acreditar: em busca da originalidade, os pés que
produziram as marcas, ou pegadas, que aparecem na capa desta obra foram
produzidas pelos meus próprios
pés”.
O escritor, professor e filósofo - Rubem Alves -
afirma que “ Só podem se entregar
às delícias da contemplação aqueles que fizeram as pazes com a vida e não se esqueceram dos seus próprios desejos”.
Silvio
dos santos é um ser contemplativo e deixa-nos ver, ao longo de seus
escritos, que dedica muito do seu tempo a pensar e a repensar o presente e o
futuro, transmitindo aos seus leitores as conclusões obtidas no seu meditar. Além do mais, como é sabido, todo pintor tem um olhar diferenciado sobre as coisas que
vê, e nelas sempre encontra algo a mais, fruto de sua aguçada percepção.
Hoje temos a felicidade de ter em mãos
este seu 5° livro - Asas ao Vento – que também traz uma Introdução. Segundo o Autor, Asas ao
Vento é a expressão da liberdade que gosta de sentir no exercício
literário, por ser meio avesso a modelos. Desculpa-se por, segundo ele, “projetar estas
maluquices que me vêm à mente de vez em quando. Os verdadeiros escritores que
me desculpem pela ousadia”. Não se preocupe o nosso Escritor, pois Rubem Braga,
reconhecidamente um dos maiores cronistas brasileiros, já no seu tempo,
dizia: “Cuida o leitor que estou escrevendo bobagens, e é certo. Mas eu sei das
bobagens minhas, elas têm enredo íntimo”. Continuando a falar sobre Asas ao Vento , Silvio dos Santos diz:
“ Chegou-me qual um pássaro vadio circulando-me a cabeça”; diz ainda: “Este
livro é só uma gostosa brincadeira”. Certo! Mas, o que podemos pensar de uma
brincadeira que, conforme nos declara o próprio Autor, foi “concebida ao longo
de dois anos”?
Editado
pela Gráfica Encaixe – este livro é
dividido em três partes: Crônicas,
(onde constam também pequenos contos), Poemas
e Trovas. Nele encontramos o Autor
filosofando, como sempre; refletindo sobre vida; a vida que é, aliás, um dos
temas recorrentes no conteúdo
deste livro. Nele vamos do rio ao mar, do Norte ao Nordeste, em prosa e em
versos; em temas sérios ou humorísticos. A infância é outro tema que surge
muitas vezes, como nesta trova:
Eu Jamais vou esquecer
o meu tempo de criança
Quanto mais envelhecer,
mais me
apego a essa lembrança.
A
Amazônia, a bela região onde nasceu, é presente nos temas: rios , nau, canoas ,
canoeiros, e até barquinhos de ilusão
quando
diz: “ E lá se vão e lá se vêm os nossos barquinhos de ilusão” - E mais adiante: “Fica-nos a lição de que
nada é para sempre: - nem a subida nem a descida se eternizam; e precisamos
estar preparados para as duas”.
Não posso deixar de comentar a crônica –
Saudades Antecipadas– em que Silvio dos
Santos revela toda a sua sensibilidade ao falar do Amor que dedica ao
pequeno cajueiro da Praça da Sé. Nessa
crônica fica evidente sua ternura pelas
coisas da Natureza. - Nem todas as pessoas
conseguem ver a alma dos inanimados. Felizes aqueles que a vêem! - E, como se não
bastasse a beleza que aí vai expressa, o
Autor nos dá uma visão geral dos fatos referentes às situações político-sociais,
da parcela do nosso povo que se condensa naquele logradouro, e que são presenciadas pelo Cajueiro, tais como: As artimanhas do comércio
alternativo na concorrência com o Mercado Central; protestos político-partidários;
manifestações estudantís; contravenções noturnas e, até mesmo, pregações em
altos brados de líderes religiosos ao microfone, etc.” Em tudo, como acontece
em outras passagens do livro, as opiniões abalizadas do Autor.
O Poeta Paul Valéry afirma: “é preciso ser
leve como o pássaro e não como a pluma”. Silvio
dos Santos , ao dar título ao seu livro, não pensa na pluma que é apenas
levada, sem rumo , sem meta; pensa em
pássaros, em asas. Pensa em Asas ao
Vento, que têm uma direção, um
destino definido que, neste caso, é espargir a Beleza!
Por tudo o que foi aqui exposto, os
leitores de – Asas ao Vento - podem calcular quão proveitosos e agradáveis serão os momentos que dedicarem à
sua leitura. Parabéns ao Autor e aos
seus leitores! Obrigada!
Zenaide Braga Marçal – AJEB – CE.
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
SILVIO DOS SANTOS LANÇA "ASAS AO VENTO"
PRONUNCIAMENTO DE SILVIO DOS SANTOS FILHO, NO AUDITÓRIO DA
ENGEXATA, POR OCASIÃO DO LANÇAMENTO DE SEU LIVRO "ASAS AO VENTO", COM
A PRESENÇA DE MUITOS AMIGOS E CONVIDADOS.
Senhoras, senhores, mais uma vez boa noite...!
Bom... Diante de tamanha gentileza, de tanto carinho e de
tanta ajuda, minhas palavras não poderiam ser outras, senão de agradecimentos.
Cabe-me agradecer, portanto, mais uma vez...
- Ao irmão e amigo jornalista Vicente Alencar – dirigente de
várias entidades culturais em Fortaleza - por ter acreditado em mim desde o
começo... E por continuar me impulsionando na direção de um distante
reconhecimento que só Deus sabe se virá! Mas o trabalho está sendo feito nessa
direção. Cada evento literário que assisto, é como se num banco escolar
esteja... Cada linha que escrevo é como se fosse para ganhar um concurso; e
como se fosse a minha última ideia a ser grafada...!
- À amiga - professora, escritora, revisora, ex-presidente
nacional da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil e acadêmica da
nossa casa de expressão literária maior – a Academia Cearense de Letras -
Giselda Medeiros... Pelo carinho com que tem burilado os meus escritos,
proporcionando-me condições de melhorar cada vez mais... Ainda estou longe do
ideal, reconheço, mas o cajado está muito bem apoiado... Sua participação na
minha obra, para quem não sabe, vai muito além de uma simples revisão. Todos os
meus livros levam a sua chancela...
- À amiga - escritora e ex-presidente da Associação de
Jornalistas e Escritoras do Brasil, secção do Ceará - Maria Luísa Bomfim que,
gentilmente, disponibilizou-me seu conceituado nome, emitindo gentil parecer
acerca da presente obra em uma das abas...
- À amiga – escritora, trovadora de ponta das letras
alencarinas e, também, ex-presidente da Associação de Jornalistas e Escritoras
do Brasil – secção do Ceará - Zenaide Braga Marçal... Esta lady que nos honrou
com a belíssima apresentação da obra, e que conhece, tanto quanto os demais
nominados, tudo o que até hoje publiquei, motivo pelo qual sente-se tão à
vontade para falar o que falou, há pouco...
- Ao irmão e amigo Raimundo Ferreira - proprietário da
Gráfica Encaixe, responsável direto pela expressão estética deste volume que
ornamentam as vossas mãos – pela liberdade nas suas instalações e pela boa
vontade “financeira”, para que a obra fosse produzida.
A essas pessoas, neste momento, eu gostaria de manifestar os
meus sinceros agradecimentos...!
Senhores... Tenho dito, àqueles que comigo convivem, que sou
um sujeito dotado de muita sorte e que Deus tem sido muito bom para comigo.
Claras oportunidades de crescimento num clã instalado numa comunidade tão
carente, de onde vim... Percepção apurada para extrair ensinamentos e evoluir,
ante as dificuldades que tenho enfrentado, desde os meus longínquos tempos de
criança... Uma família maravilhosa - constituída por duas filhas, dois genros e
dois netos - que tanto orgulho me dá... Acima dela, uma mulher linda e
especial– minha esposa Olga Suely, aqui presente – que me apoia nesses saltos
ousados que tento realizar e muitas outras coisas que nem haveria tempo para
enumerar...
Se Ele não me agraciou com aquele berço de ouro no qual a
esmagadora maioria de nós gostaria de ter nascido, reservou-me uma grandiosa
riqueza a ser degustada ao longo dos meus anos de vida, aqui representada por
tantas pessoas especiais.
Os que já tiveram a honra de saborear momentos como os de
agora, sabem, muito bem, do que falo.
Mas Suas coisas são fantásticas...! Quando me falta
dinheiro, para concretizar um sonho desses, sobram-me amigos e simpatizantes
para compensar tal deficiência – cerca de um terço do embora pequeno, mas para
mim, significativo capital investido, já foi compensado através de aquisições
antecipadas e os nomes desses amigos aparecem na página de número 121 do livro
(com algumas exceções, por motivos administrativos). Quando me falta mais
competência, nessa minha predestinação de escrever coisas capazes de
sensibilizar os corações daqueles que me leem, daqueles que anseiam por uma
simples palavra que fale dos seus ais, das profundezas dos seus corações,
borbulham, no meu caminho, pessoas como as anteriormente citadas, para me
ajudarem nessa missão...
Dessa vez Ele me jogou à frente pessoas como muitos dos
senhores que aqui estão... Os mantenedores desta tão conceituada construtora –
a Engexata Engenharia - que, através do seu gerente de vendas – ilustríssimo sr
José Rosemberg Feitosa Pires, aqui presente – mas, certamente, com a
aquiescência da sua direção administrativa maior, na pessoa do Dr. Ananias
Pinheiro Granja, sinalizou-me positiva e gentilmente, para que este evento
fosse aqui realizado, sem nenhum centavo me cobrar. Provavelmente, coisas
simples para os senhores, mas determinante para mim. Hoje – nesse momento - eu
me sinto numa verdadeira reunião de amigos. Quantas vezes na vida, nós
desfrutamos de tais privilégios em tais condições... Quantas pessoas, no dia a
dia, tem a honra de desfrutar de momentos tão agradáveis...?
O que mais, um sujeito como eu poderia querer?
Nada...!
Como disse, cabe-me, apenas, agradecer a Ele e a todos os
senhores - nominados e os ocasionalmente esquecidos – por tais gestos. E
ratificar o meu compromisso de dar o meu melhor, cada vez mais.
Do fundo do meu coração, muito obrigado...! Espero não
decepcioná-los, com o conteúdo da obra.
Fortaleza-CE, 08 de novembro de 2012
Silvio dos Santos
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
NIRVANDA MEDEIROS E SEU INESQUECÍVEL DR. MEDEIROS
PÔR – DO – SOL

O crepúsculo ao
entardecer...
Quantas
recordações nos surpreendem
Alegria... Tristeza...
Renascer...
Também, momentos de
orações.
Ah! Que beleza
estonteante...
Pôr – do – sol! Seis da tarde, arrebol.
Fim de tarde, o sol ainda irradiante...
Brilhando sempre na
constelação.
Que saudades!
Lembranças e paz.
Amores à vista! E
começando...
Que afeição, agora me
traz
Os dias surpreendentes
da vida.
Despertando grande
admiração...
Rezando sempre, para
estar contigo.
Maria Nirvanda
Medeiros
15/08/2012
domingo, 4 de novembro de 2012
sábado, 20 de outubro de 2012
Blanchard Girão: Uma Canção Invisível
Mário
Quintana nos apresenta em seu poema O Mapa os seguintes versos:
“ Quando eu for, um dia desses,
Poeira
ou folha levada
No
vento da madrugada,
Serei
um pouco do nada
Invisível,
delicioso
Que
faz com que o teu ar
Pareça
mais um olhar,
Suave
mistério amoroso,
Cidade
de meu andar
(Deste
já tão longo andar!)
E
talvez de meu repouso...”
Hoje é um dia diferente, especialmente
diferente dos demais, porque temos diante de nós a grande responsabilidade de
reverenciar este que foi e continuará sendo a grande expressão do nosso
jornalismo, a matéria viva a discorrer os fatos com leveza, a voz plácida e
mansa revelando caminhos e abrindo fronteiras.
Blanchard Girão foi, sem dúvida, um
homem marcante. Sua presença se fazia extremamente necessária em qualquer
ambiente. Sempre foi um homem paciente e soube respeitar todas as opiniões que
lhe cercavam.
Num primeiro momento, poderia parecer
uma pessoa séria demais, mas a convivência com ele nos fazia perceber que era
além de profundamente inteligente, um formador de opinião incondicional, sua
arma maior, a comunicação, era seu escudo e a palavra sua espada, a conduzir as
atitudes e a empreender a imagem de um homem plácido e positivo.
Em 1964 teve o seu mandato de Deputado
Estadual cassado.
Diz-nos o Poeta Juarez Leitão: “E,
como não tivesse um dispositivo legal para lhe enquadrar e lhe tomar a
delegação do povo, a genuflexa e apavorada Assembleia Legislativa alegou que o
nosso elegante e gentil Blanchard Girão era um praticante contumaz da falta de
decoro parlamentar, talvez um desbocado, um arauto do baixo calão ou, quem
sabe, um menestrel das obscenidades. Nessa mesma lista de acusados de praticar
a inconveniência vocabular e moral figuraram outros ilustres deputados que a
sociedade conhecia como verdadeiros “varões de Plutarco”. Seus nomes, faço
questão de ressaltar nesta apresentação, estão entre os que enchem de dignidade
e orgulho a história de nossa terra: Pontes Neto, Aníbal Bonavides, Raimundo
Ivan Barroso, Amadeu Arrais, José Fiúza Gomes e Blanchard Girão.
Em dias do mês de junho, do ano de,
2001, a Assembleia Legislativa do Ceará, por iniciativa extremamente lúcida de
seu Presidente, Deputado Wellington Landim, reparou esta grande injustiça, este
inominável disparate histórico. Ali, de cabelos grisalhos, na seara da
maturidade, três daqueles deputados (Blanchard, Amadeu e Fiúza) eram acolhidos
para receber as desculpas da Casa do Povo pelo equívoco vergonhoso. Pontes
Neto, Aníbal e Raimundo Ivan, infelizmente, só através do remorso das rezas
podem ser alcançadas para o pedido de desculpas.”
O Senador Inácio Arruda lembra que
Blanchard Girão foi testemunha dos principais acontecimentos da história
recente do país, tendo sido protagonista de episódios marcantes na luta pela
democratização. Por isso, é que vemos nesse grande escritor uma figura marcante
e cheia de encantamento.
Era um homem honrado, que não atacava a
honra alheia e mesmo quando os momentos eram acirrados ele se desviava dos
infortúnios possíveis que isso pudesse lhe causar. Sua honestidade nunca foi
posta em dúvida porque sempre teve a identidade de um ser humano respeitado e
íntegro.
José Blanchard Girão Ribeiro, famoso
nas lides jornalísticas cearenses, fez vir a lume um livro que intitulou “Dr.Waldemar,
O Médico, O Político”, publicado em Fortaleza em abril de 1992, em que
traça uma análise sobre a vida e a obra daquele importante homem público
cearense, um dos fundadores da Faculdade de Medicina e um político de sucesso,
que alcançou o Senado Federal e o Governo do Estado.
O nobre jornalista Blanchard militou na
imprensa desde os 14 anos. Iniciou sua carreira na revisão da desaparecida
“Gazeta de Notícias” e percorreu as principais redações de jornais cearenses, praticando
também Publicidade e atividades no Rádio.
Dirigiu a Rádio Dragão do Mar, a partir
da sua fundação, em 1958, até se eleger Deputado Estadual no ano de 1962.
Blanchard era advogado, e quando perdeu seu mandato de Deputado passou a
praticar a advocacia, muito embora nunca tenha se afastado do jornalismo,
escrevendo sem assinar, quando a repressão lhe marcou cerradamente.
Ocupou várias funções junto ao
jornalismo: foi revisor, repórter, redator e exerceu função de chefia de
setores e o cargo de Editor-Chefe do Jornal O Povo. O imenso jornalista também
era formado em Letras, e, com essa sua formação, exerceu por um período, curto
diríamos, o magistério. Ocupou o cargo de Superintendente da Televisão
Educativa (TVE) e foi Subsecretário de Cultura e Desporto.
Blanchard Girão produziu muitas obras,
dentre elas uma muito importante, intitulada: Passageiros do Ontem e do
Sempre, livro que nos permite conhecer muitos fatos importantes de resgate
de uma história alimentada de recordações.
O poeta Juarez Leitão em noite de
prefácio e apresentação da referida obra assim fala sobre Blanchard: “Esta
noite estamos mais uma vez diante de BLANCHARD GIRÃO, um homem que tem o tempo
como a matéria-prima de sua escritura. O tempo, que outro poeta, Augusto dos
Anjos, chamou de ‘este operário da ruína’, nas mãos de Blanchard ganha fulgor e
vida, ilumina-se de paixão, solfeja saudades e ardentes emoções, chora e ri,
faz-se manhã e noite, canta pesaroso ou frenético com as coisas vivas
movimentando-se nas estações da sorte.
... Por isso é imensamente
compensador quando percorremos um livro como o que saudamos nesta noite, um
livro de relembranças, e nele encontramos o tempo sem mágoas e sem rancores,
cheio de luz intensa e altruísmo, das alegrias da infância, do calor da
família, da paz serena e doce que as velhas cantigas murmuravam em franco
enternecimento”.
A obra de Blanchard resgata cearenses
ilustres que “não estão devidamente lembrados pelo povo”, segundo o
autor. Esse homem que fala sobre saudade e nos leva a um passeio no céu,
despe-nos de todas as vaidades, de todos os absurdos, nos eleva a planos sem
limites de imaginação. Semeou benquerenças e se fez grande sem ser soberbo,
descortinou-se em vários segmentos da realidade artística, foi muitos em um e
percorreu outras estradas ao encontro do amor, achando a sua Cleide, que, como
ele mesmo dizia: “Era sua companheira leal e solidária”. Tiveram quatro
filhos: Luís Carlos, Ana Veruska, Marta Vanessa e Blanchard Filho, os frutos
bem produzidos desse amor que foi seu sustentáculo.
Foi ao longo de sua vida recompondo
seus pedaços e nos permitindo essa convivência saudável e amiga. Sua
inteligência nos provocava admirações e agradáveis devaneios. Suas histórias
nos permitiam viagens fantásticas. Só a mão encantada de um jornalista de seu
porte poderia mesmo nos emprestar ao longo da vida, outras vidas para que nelas
pudéssemos frutificar as nossas histórias, revisar nossa saudade, construir
nossos edifícios e restaurar as pontes destruídas.
O Livro, Passageiros do Ontem e do
Sempre é uma obra de arte criada por seu escultor que foi ao longo de um
tempo guardando boa argamassa para o preparo dessa que seria sua grande
construção.
Este livro é um documento vivo de fatos
marcantes de nossa história, sobre essa cidade encantada que ele viu se
transformar e conseguir cores novas, sobre essa Fortaleza mágica, Noiva do
Sol, brava e de filhos valentes, essa cidade esplendidamente poetizada pela
admiração do nosso Blanchard Girão.
Dividiu os capítulos deste livro com as
lembranças e suas saudades. Relembrou amigos e episódios em destaque vivo em
sua memória.
Muitas vezes deve ter regado seus
relatos com as lágrimas que o acompanharam nesses saudosos golpes. O próprio
autor explicando o livro em certa altura nos esclarece: “O livro é, pois,
uma viagem através desse roteiro na companhia de fulgurantes personalidades, a
quem procuro louvar e enaltecer, trazendo-as de volta à cena por meio de
episódios de que fui testemunha e, em alguns casos, participante. Trabalho que
debito às folhas da memória desgastada e à carência de um arquivo que pudesse
ter preservado tudo o quanto, por mais de meio século, pude acompanhar mais ou
menos de perto. Vale, contudo, como um projeto inicial, que fica no aguardo de
conclusão de minha parte ou de alguém mais capacitado a registrar os fatos e os
atores deste Século XX de tantas transformações e conquistas”.
Esta obra de Blanchard Girão poderia
ter sido um escrito amargo, lacrimoso, de sofrimento moral, de remorsos. Por
certo, não lhe faltariam razões, mas ele com sua inteligência peculiar resolveu
fazer deste depoimento um ato de gratidão, e conosco repartir suas emoções,
suas tristezas e suas alegrias. Tinha um ar melancólico, mas era um ser humano
extremamente doce e cauteloso; traduzia sentimentos de alegria, paciência, uma
pessoa dessas bem raras de se encontrar.
Li um fato interessante sobre ele, o
relato de um acontecimento de 1964, na Faculdade de Direito, que bem reflete a
bravura desse jornalista. “Por ocasião da formatura da turma de direito, o
único que não poderia estar na solenidade era Blanchard, porque era procurado
pela Polícia por causa de seus ideais de liberdade e se opor ao regime que se
instalava. Todos os alunos saíram do evento e foram a casa da vizinha em que
Blanchard estava escondido e exigiram que ele fosse a solenidade ou a Polícia teria
de prender a todos. Blanchard acabou indo à solenidade”.
Dentre os muitos contos infantis que
conheço há um que fala de um andarilho que tinha duas mochilas. Numa, ele
guardava as pedras que tropeçava e na outra ele guardava as flores que lhe
ofereciam perfume.
Quando lhe perguntavam por que as
pedras, ele dizia que os tropeços aceleravam a caminhada. Quando lhe
perguntavam por que as flores, ele dizia que o perfume atraía para os caminhos
mais prazerosos.
No fim da estrada ele se livrou da
mochila que pesava e continuou com aquela que tornava mais leve o seu caminhar.
Imaginamos que o nosso grande jornalista também carregava suas duas mochilas e
nesse seu trajeto, foi se livrando de muitas pedras e guardando muitas flores
que lhe perfumaram a vida. Teve por perto aqueles que estavam presentes nas
horas em que precisava de um sinal para dar mais um passo.
Lembro-me dele na festa de sessenta
anos da Sociedade de Assistência aos Cegos, onde naquela noite lançava o livro
“Ensinando a Ver o Mundo” e lembro-me principalmente, de como estava
feliz por poder escrever a história daquela Casa. Passara meses pesquisando e
nos apresentou àquela noite, um livro maravilhoso, em que minuciosamente
relatou episódios marcantes. E com que satisfação desfilou por aqueles jardins
exibindo sua cria e dividindo-a com todos os presentes.
Em uma carta de 11 de fevereiro de
1959, escreveu para, a então noiva, Cleide: “Talvez veja o mundo com que
sonhei sempre. Mas, meus filhos ou meus netos, tenho certeza, jogarão rosas
vermelhas sobre meu túmulo e dirão orgulhosos: Ele sempre pensou num mundo bom para todos”.
Perdemos em 25 de março do ano de 2007 o
talento imenso de Blanchard Girão, sua admirável convivência, sua inteligência
plena de lucidez e de leveza. Sua partida entristeceu o mundo jornalístico e
intelectual. A cidade ficou órfã e caiu sobre nós um vazio profundo, uma
angústia que veio sem aviso. Aquela notícia triste parecia não fazer sentido:
mas era a dura face da realidade irreparável. Numa hora ele estava ali, vivo, a
sorrir e conversar, a fazer planos de vida e de futuro. Num outro momento,
estava morto, tombado sem vida, desmanchado em total sossego e calma.
Ousadia é o que melhor define a atitude
histórica do povo cearense. Somos uma gente destemida, uma raça de audazes,
pois, como mostra a História, o Ceará não possui a reticência dos parvos, não
contorna os desafios nem teme os confrontos.
Sempre achamos um caminho para a meta
do horizonte desejado e, se o caminho não existe, nós o inventamos e pelo novo
rumo pomos em marcha a nossa criatividade, o nosso talento e essa garra
indômita de conquistadores. As fronteiras de nossa ousadia são, sem dúvida,
infinitas.
Edmilson Caminha assim falou sobre
Blanchard Girão: “Com a morte de Blanchard Girão, desaparecem não apenas o
jornalista brilhante, o político sério, o escritor de talento, mas também o ser
humano que, pela nobreza espiritual e pela generosidade dos sentimentos, fazia
o mundo melhor e a vida mais bela. Homem de imprensa, honrou o jornalismo
brasileiro, pela coragem pessoal e pela bravura cívica que o levaram a defender
a liberdade e a justiça a que todos os povos têm direito. Mais do que uma
simples lembrança, Blanchard nos deixou um legado e um exemplo. Legado de
sabedoria, de lucidez e de retidão intelectual, exemplo de cordialidade humana,
de solidariedade fraterna e de amor ao próximo. Morto, continuará, por isso, a
viver na saudade dos amigos e na memória de seu povo”.
Blanchard Girão se foi. Nada, porém,
conseguirá substituir essa grande ausência. A dor exerce sem pudor a sua
soberania. Porque, quando um escritor morre, todos ficamos mais pobres. Pobres
de vida, pobres de cor e som, pobres de símbolos, pobres de luz. Pobres de
tudo.
Quem o conheceu sabe que era portador
da sublimidade. Os amigos não se negam em proclamar suas altaneiras qualidades
humanas. Há neste mundo os que lutam pelo sucesso pessoal e se esforçam para
atingir um patamar de conforto e dignidade para si e para a sua família, o que
é justo, compreensível e natural. E Blanchard era assim. A morte de um homem
que fez tanto por nossa cultura deve ser lastimada pelo Ceará. Ele foi um
exemplo incentivador para os jovens, para os que têm vocação e se doam por
inteiro no ofício do aprendizado, do conhecimento.
Quando as novas gerações perguntarem
quem foi esse homem, a História terá a oportunidade de responder: Blanchard
Girão foi um grande jornalista, um excelente escritor, um imenso amigo, um
benfeitor do povo!
A história de vida desse homem nos
servirá sempre de exemplo, pois este mestre nos ensinou que ser bom e íntegro é
essencial. Sua mansuetude e serenidade nos davam lições a cada dia e nos
ensinava que saber esperar as transformações do tempo, melhora o ser humano em
todos os aspectos.
Blanchard passou a vida semeando o bem.
Talentoso e ativamente produtivo merecia ter se assentado numa cadeira da
Academia Cearense de Letras. Mas agora, é Patrono da cadeira 40 na Academia
Cearense de Literatura e Jornalismo, ocupada pelo jornalista Marcos André
Borges e por certo muito honra a Academia e aos acadêmicos, pois esse grande
homem além de excelente profissional foi um ser humano altaneiro que pôs sua
inteligência a serviço da honra, da dignidade e da cidadania.
MUITO OBRIGADA!!!!!
16.10.2012
domingo, 14 de outubro de 2012
A TI, PROFESSOR!
Professor, você faz a história
Professor
Em cada projeto arquitetônico,
vejo o primeiro traço impresso no coração do arquiteto.
O arquiteto é obra sua, professor!
Em cada casa construída,
vejo o alicerce que está por trás do engenheiro.
O engenheiro é obra sua, professor!
Em cada correto julgamento,
vejo o senso de justiça implantado na consciência do juiz.
O juiz é obra sua, professor!
Em cada causa defendida
vejo a tramitação do processo
e todo caminho percorrido para tornar esse defensor
um verdadeiro advogado.
O advogado, é obra sua, professor!
Em cada paciente bem atendido,
vejo na face do médico,
a abnegação e a doação de vida a ele dedicado.
O médico é obra sua, professor !
Em cada animal que recebe cuidados especiais,
vejo nas mãos do veterinário
a marca do afeto recebido de você um dia.
O veterinário é obra sua, professor!
Em cada aula ministrada,
vejo, no semblante do mestre,
o reflexo da sua imagem
com toda bagagem e experiência doada.
O mestre é obra sua, professor !
Portanto hoje,
não se comemora apenas o dia de um profissional,
mas comemora-se a esperança, o desenvolvimento.
Porque se trata da célula que emana vida
e origina toda e qualquer profissão.
Parabéns, professor!
Você pode não ser reconhecido.
Mas por você,
passam todo o progresso e grandeza cultural do país.
OBRIGADA, PROFESSOR!!!
vejo o primeiro traço impresso no coração do arquiteto.
O arquiteto é obra sua, professor!
Em cada casa construída,
vejo o alicerce que está por trás do engenheiro.
O engenheiro é obra sua, professor!
Em cada correto julgamento,
vejo o senso de justiça implantado na consciência do juiz.
O juiz é obra sua, professor!
Em cada causa defendida
vejo a tramitação do processo
e todo caminho percorrido para tornar esse defensor
um verdadeiro advogado.
O advogado, é obra sua, professor!
Em cada paciente bem atendido,
vejo na face do médico,
a abnegação e a doação de vida a ele dedicado.
O médico é obra sua, professor !
Em cada animal que recebe cuidados especiais,
vejo nas mãos do veterinário
a marca do afeto recebido de você um dia.
O veterinário é obra sua, professor!
Em cada aula ministrada,
vejo, no semblante do mestre,
o reflexo da sua imagem
com toda bagagem e experiência doada.
O mestre é obra sua, professor !
Portanto hoje,
não se comemora apenas o dia de um profissional,
mas comemora-se a esperança, o desenvolvimento.
Porque se trata da célula que emana vida
e origina toda e qualquer profissão.
Parabéns, professor!
Você pode não ser reconhecido.
Mas por você,
passam todo o progresso e grandeza cultural do país.
OBRIGADA, PROFESSOR!!!
Elimary Matias Rodrigues
terça-feira, 2 de outubro de 2012
POEMA DE GISELDA MEDEIROS
Trago junto a mim
o doce lamento
do vento
nas palmas da minha infância.
E o som lúgubre
das cantigas silenciosas
das baladas
junto às rosas.
Trago um mafuá
de sonhos. Mais nada...
e nestes teu nome
a despertar-me em auroras.
o doce lamento
do vento
nas palmas da minha infância.
E o som lúgubre
das cantigas silenciosas
das baladas
junto às rosas.
Trago um mafuá
de sonhos. Mais nada...
e nestes teu nome
a despertar-me em auroras.
domingo, 23 de setembro de 2012
SONETO ALEXANDRINO PARA ZINAH ALEXANDRINO (AUTORA DE SUTILEZAS)
Ó nobre poetisa de mil Sutilezas,
De versos delicados, versos cristalinos,
Que possuem a cor e o sabor das framboesas
Por serem gustativos em seus dons divinos...
Teu Livro nos encerra múltiplas riquezas.
Em cada poema, o amor nos leva a mil caminhos...
Desde o Ágape Amor aos de menor realeza;
Mas, em tudo há calor para embalar os ninhos...
Longo o percurso desse filho temporão,
Que te nasceu por força do Pai da Criação,
E, que hoje, brilha aos olhos de ávidos leitores...
E, para assim dizer sobre os teus dons divinos,
Quis tecer para ti versos alexandrinos,
Em prol desse teu Livro que fala de amores...
Autor: J. Udine – 23-09-2012.
De versos delicados, versos cristalinos,
Que possuem a cor e o sabor das framboesas
Por serem gustativos em seus dons divinos...
Teu Livro nos encerra múltiplas riquezas.
Em cada poema, o amor nos leva a mil caminhos...
Desde o Ágape Amor aos de menor realeza;
Mas, em tudo há calor para embalar os ninhos...
Longo o percurso desse filho temporão,
Que te nasceu por força do Pai da Criação,
E, que hoje, brilha aos olhos de ávidos leitores...
E, para assim dizer sobre os teus dons divinos,
Quis tecer para ti versos alexandrinos,
Em prol desse teu Livro que fala de amores...
Autor: J. Udine – 23-09-2012.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
domingo, 16 de setembro de 2012
VICENTE ALENCAR HOMENAGEIA A POETISA ZÊNITH FEITOSA
A MORTE DE SANTA RITA (AS ABELHAS)
Zênith Feitosa
Zênith Feitosa
Sussurro de asas. Réquiem toca o sino.
São anjos na capela do Convento...
Rita morre! Belíssimo destino
que se eterniza em Deus, nesse momento!
E as suas "amiguinhas"? - Ah, ferino
é o ferrão da saudade e desalento!
Abelhas , cujo dorso pequenino
não tem ferrão.. que irônico tormento!
Sofrem as abelinhas. Dói a falta
de Rita, amiga desde tenra infância,
e como que enlutadas ficam. Sim!
Brancas, tornam-se negras... Tanto exalta
seu dorso o luto que hão de, em fiel constância,
negras viver nos muros do jardim!
Zênith Feitosa nasceu na cidade de JARDIM, na região do Cariri, em 02 de novembro de 1932.
Se viva estivesse completaria dentro de poucos dias 80 anos.
Fez sua última viagem em 05 de março de 2001.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
CLEUDENE ARAGÃO ENCANTA PLATEIA AJEBIANA
Com sua simpatia, sempre com um sorriso nos lábios, a Escritora Cleudene Aragão deixou sua marca registrada no universo da AJEB, momento no qual, em palestra agradabilíssima, enriqueceu-nos, cantando e decantando "as terras contadas e encantadas de Mia Couto". Foi um passeio pelo mundo subjetivo da obra desse genial homem de letras.
Além do mais, a exposição, uma verdadeira aula de literatura, despertou, na plateia, principalmente, naqueles que ainda não conheciam a obra de Mia Couto, a vontade de lê-lo e peregrinar através das suas bem construídas metáforas, desvendando-lhe os mistérios e sorvendo páginas inteiras de real beleza.
Agradecemos, jubilosamente, à Cleudene Aragão, por esse momento tão rico, proporcionado pela competência, pelos conhecimentos, enfim, pela inteligência da professora, mestre, doutora, ensaísta e escritora e, para nosso gáudio, amiga, Cleudene Aragão.
A seguir, exibiremos o registro desse momento.
Além do mais, a exposição, uma verdadeira aula de literatura, despertou, na plateia, principalmente, naqueles que ainda não conheciam a obra de Mia Couto, a vontade de lê-lo e peregrinar através das suas bem construídas metáforas, desvendando-lhe os mistérios e sorvendo páginas inteiras de real beleza.
Agradecemos, jubilosamente, à Cleudene Aragão, por esse momento tão rico, proporcionado pela competência, pelos conhecimentos, enfim, pela inteligência da professora, mestre, doutora, ensaísta e escritora e, para nosso gáudio, amiga, Cleudene Aragão.
A seguir, exibiremos o registro desse momento.
sábado, 4 de agosto de 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
CURIOSIDADES LITERÁRIAS
O escritor Wolfgang Von Goethe escrevia em pé. Ele mantinha em sua casa uma escrivaninha alta.
O escritor Wolfgang Von Goethe escrevia em pé. Ele mantinha em sua casa uma escrivaninha alta.
O escritor Pedro Nava parafusava os móveis de sua casa a fim
de que ninguém os tirasse do lugar.
Gilberto Freyre nunca manuseou aparelhos eletrônicos. Não
sabia ligar sequer uma televisão. Todas as obras foram escritas a bico de pena,
como o mais extenso de seus livros, Ordem e Progresso, de 703 páginas.
Euclides da Cunha, Superintendente de Obras Públicas de São
Paulo, foi engenheiro responsável pela construção de uma ponte em São José do
Rio Pardo (SP). A obra demorou três anos para ficar pronta e, alguns meses
depois de inaugurada, a ponte simplesmente ruiu. Ele não se deu por vencido e a
reconstruiu. Mas, por via das dúvidas, abandonou a carreira de engenheiro.
Machado de Assis, nosso grande escritor, ultrapassou tanto
as barreiras sociais bem como físicas. Machado teve uma infância sofrida pela
pobreza e ainda era míope, gago e sofria de epilepsia. Enquanto escrevia
Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado foi acometido por uma de suas piores
crises intestinais, com complicações
para sua frágil visão. Os médicos recomendaram três meses de descanso em
Petrópolis. Sem poder ler nem redigir, ditou grande parte do romance para a
esposa, Carolina.
Graciliano Ramos era ateu convicto, mas tinha uma Bíblia na
cabeceira só para apreciar os ensinamentos e os elementos de retórica. Por
insistência da sogra, casou na igreja com Maria Augusta, católica fervorosa,
mas exigiu que a cerimônia ficasse restrita aos pais do casal. No segundo
casamento, com Heloísa, evitou transtornos: casou logo no religioso.
Aluísio de Azevedo
tinha o hábito de, antes de escrever seus romances, desenhar e pintar, sobre
papelão, as personagens principais mantendo-as em sua mesa de trabalho, enquanto
escrevia.
José Lins do Rego era fanático por futebol. Foi diretor do
Flamengo, do Rio, e chegou a chefiar a delegação brasileira no Campeonato
Sul-Americano, em 1953.
Aos dezessete anos, Carlos Drummond de Andrade foi expulso
do Colégio Anchieta, em Nova Friburgo (RJ), depois de um desentendimento com o
professor de português. Imitava com perfeição a assinatura dos outros.
Falsificou a do chefe durante anos para lhe poupar trabalho. Ninguém notou.
Tinha a mania de picotar papel e tecidos. "Se não fizer isso, saio matando
gente pela rua". Estraçalhou uma camisa nova em folha do neto.
"Experimentei, ficou apertada, achei que tinha comprado o número errado.
Mas não se impressione, amanhã lhe dou outra igualzinha."
Numa das viagens a Portugal, Cecília Meireles marcou um
encontro com o poeta Fernando Pessoa no café A Brasileira, em Lisboa. Sentou-se
ao meio-dia e esperou em
vão até as duas horas da tarde. Decepcionada, voltou para o hotel, onde recebeu
um livro autografado pelo autor lusitano. Junto com o exemplar, a explicação
para o "furo": Fernando Pessoa tinha lido seu horóscopo pela manhã e
concluído que não era um bom dia para o encontro.
Érico Veríssimo era quase tão taciturno quanto o filho Luís
Fernando, também escritor. Numa viagem de trem a Cruz Alta, Érico fez uma
pergunta que o filho respondeu quatro horas depois, quando chegavam à estação
final.
Clarice Lispector era solitária e tinha crises de insônia.
Ligava para os amigos e dizia coisas perturbadoras. Imprevisível, era comum ser
convidada para jantar e ir embora antes de a comida ser servida.
Monteiro Lobato adorava café com farinha de milho, rapadura
e içá torrado (a bolinha traseira da formiga tanajura), além de Biotônico
Fontoura. "Para ele, era licor", diverte-se Joyce, a neta do
escritor.
Também tinha mania de consertar tudo. "Mas para arrumar
uma coisa, sempre quebrava outra."
Manuel Bandeira sempre se gabou de um encontro com Machado
de Assis, aos dez anos, numa viagem de trem. Puxou conversa: "O senhor
gosta de Camões?" Bandeira recitou uma oitava de Os Lusíadas que o mestre
não lembrava. Na velhice, confessou: era mentira. Tinha inventado a história
para impressionar os amigos. Foi escoteiro dos nove aos treze anos. Nadador do
Minas Tênis Clube, ganhou o título de campeão mineiro em 1939, no estilo
costas.
Guimarães Rosa, médico recém-formado, trabalhou em lugarejos
que não constavam no mapa. Cavalgava a noite inteira para atender a pacientes
que viviam em longínquas fazendas. As consultas eram pagas com bolo, pudim,
galinha e ovos. Sentia-se culpado quando os pacientes morriam.
Acabou abandonando a profissão. "Não tinha vocação.
Quase desmaiava ao ver sangue", conta Agnes, a filha mais nova.
Mário de Andrade
provocava ciúmes no antropólogo Lévi-Strauss porque era muito amigo da mulher
dele, Dina. Só depois da morte de Mário, o francês descobriu que se preocupava
em vão. O escritor era homossexual.
Vinicius de Moraes, casado com Lila Bosco, no início dos
anos 50, morava num minúsculo apartamento em Copacabana. Não tinha geladeira.
Para agüentar o calor, chupava uma bala de hortelã e, em
seguida, bebia um copo de água para ter sensação refrescante na boca.
José Lins do Rego foi o primeiro a quebrar as regras na ABL,
em 1955.
Em vez de elogiar o antecessor, como de costume, disse que
Ataulfo de Paiva não poderia ter ocupado a cadeira por faltar-lhe vocação.
Jorge Amado para autorizar a adaptação de Gabriela para a
tevê, impôs que o papel principal fosse dado a Sônia Braga. "Por
quê?", perguntavam os jornalistas, Jorge respondeu: "O motivo é
simples: nós somos amantes." Ficou todo mundo de boca aberta. O clima
ficou mais pesado quando Sônia apareceu. Mas ele se levantou e, muito formal
disse: "Muito prazer, encantado." Era piada. Os dois nem se conheciam
até então.
O poeta Pablo Neruda colecionava de quase tudo: conchas,
navios em miniatura, garrafas e bebidas, máscaras, cachimbos, insetos, quase
tudo que lhe dava na cabeça.
Vladimir Maiakóvski tinha o que atualmente chamamos de
Transtorno Obsessivo-compulsivo (TOC). O poeta russo tinha mania de limpeza e
costumava lavar as mãos diversas vezes ao dia, numa espécie de ritual
repetitivo e obsessivo.
A preocupação excessiva com doenças fazia com que o escritor
de origem tcheca Franz Kafka usasse roupas leves e só dormisse de janelas
abertas – para que o ar circulasse -, mesmo no rigoroso inverno de Praga.
O escritor norte-americano Ernest Hemingway passou boa parte
de sua vida tratando de problemas de depressão. Apesar da ajuda especializada,
o escritor foi vencido pela tristeza e amargura crônicas. Hemingway deu fim à
própria vida com um tiro na cabeça.
Assinar:
Postagens (Atom)


























