
terça-feira, 10 de agosto de 2010
sábado, 7 de agosto de 2010
SER PAI - José Wagner de Paiva Queiroz Lima

Ser Pai traz em si toda uma Simbologia...
Imagem consciente e inconsciente que trazemos conosco...
Arquétipo que as gerações cuidam em transmitir,
Do amigo que inspira proteção e confiança,
Modelo de exemplo a ser, paradoxalmente,
seguido e questionado,
Amparo compreensivo, amoroso e forte
nos momentos precisos,
Símbolo varão do trabalho honesto e da integridade interior,
Da experiência, da sabedoria, da poesia da Vida,
Da dedicação e persistência, da fé e da esperança...
Dos sonhos acalentados e da luta cotidiana...
Das mãos calejadas e dos cabelos grisalhos...
Do olhar e da mão amiga, do abraço acolhedor...
A Homenagem dos Filhos que hoje também são Pais.
(Psicólogo/Jornalista/escritor)
sexta-feira, 30 de julho de 2010
sexta-feira, 16 de julho de 2010
ANIVERSÁRIO DE GISELDA

Coube a Ex-Presidente e, agora, 2ª Vice-Presidente Zenaide Marçal proferir a oração de júbilo pela data auspiciosa, a qual vai aqui transcrita.
Muito me honra haver sido uma das indicadas pela Presidente Maria Luisa Bomfim, para dirigir algumas palavras à nossa Presidente de Honra Giselda Medeiros, pelo seu aniversário, hoje, 14 de julho.
Giselda, disse Saramago que “nenhum dia é festivo por já ter nascido assim: seria igualzinho aos outros se não fôssemos nós a fazê-lo diferente”.
Nesse intuito é que estamos aqui reunidos, a fazer deste dia um dia diferente, festivo, pois, assim queremos que seja o dia em que aniversarias e comemoras o dom da Vida; desta vida na qual fazes tão bela e sábia caminhada, embora te digas aprendiz, quando, à pág. 25 do teu livro – Tempo das Esperas – assim te expressas: “ Sou aprendiz da vida / e na minha travessia / busco as estrelas / como guia”. Com essa afirmativa, nos fazes lembrar o saudoso poeta ajebiano José Costa Matos, segundo o qual “a vida não dará presentes. / A plenitude humana / é trabalho de mineração / com galerias cavadas no infinito”.
Assim, querida amiga, acredito que, tendo por guia as estrelas, deves ter feito um excelente trabalho dessa mineração de que nos fala o poeta, porque tens, acumulados, inestimáveis tesouros de conhecimentos e de sabedoria, através dos quais te entregas com devoção a tudo o que fazes e a todos aqueles que amas: a tua família, os que que fazem parte do teu círculo de amizades, e os que têm em comum contigo o gosto pela literatura.
Muitas vezes me pergunto de que forma encontras tempo suficiente para atenderes a tantas solicitações que te são feitas, como correções, prefácios, julgamento de concursos, etc. e para compareceres às reuniões e festas literárias. E, depois de tudo isso, ainda tens o espaço necessário para a criação de teus inspirados poemas e trabalhos em prosa, tudo irrepreensivelmente correto. Assim, nos dás mostras da sensibilidade que abrigas na tua alma e que partilhas conosco, pois, segundo o escritor Newton Gonçalves, no seu livro póstumo – Prosa Dispersa – “A literatura purifica a linguagem para revelar os estados íntimos do espírito, para fazer que os outros participem do que temos dentro de nós”.
Daí vem, por certo, a beleza que pões em tudo o que escreves. Por isso, louvando essa tua virtude de bem saber escrever, não deixo passar a oportunidade de citar Fernando Pessoa, que assim se expressa: “Dizer! Saber dizer! Saber existir pela voz escrita e a imagem intelectual. Tudo isto é quanto a vida vale”.
Que mais direi? Eu que, para falar-te neste momento, tive que recorrer ao que disseram vários escritores? – Decido pelo simples e deixo falar o coração...
Giselda querida, olha em volta de ti e vê, em cada um de nós, aqui presentes, o apreço, o respeito e a benquerença que te dedicamos.
Peço desculpas, mas, como já fiz, anteriomente, em uma das festas comemorativas do teu aniversário, refiro-me, novamente, à forma pela qual um de meus parentes antepassados, do alto da sua sabedoria, costumava abençoar-nos dizendo: Deus te cubra de fortuna! Fortuna, palavra variável e abrangente, cujo significado depende dos sonhos de cada um, valendo ventura, sucesso, boa-sorte, felicidade, sendo que esta última engloba todas as formas do Amor. São estes dons, Giselda, inerentes à fortuna, que , neste teu aniversário, em meu nome e em nome da AJEB, auguro para a tua vida, sob as bênçãos de Deus, nosso Pai.
Parabéns!
Zenaide Marçal
14 de julho de 2010
quinta-feira, 15 de julho de 2010
"O LADO OBSCURO DO AMOR" - ROMANCE DE PEREIRA DE ALBUQUERQUE
Dia 13 de julho, Pereira de Albuquerque lançou seu romance "O Lado Obscuro do Amor".


Januário Bezerra - o apresentador da obra
O autor Pereira de Albuquerque ladeado por Haroldo Lyra e Vicente Alencar
Pereira de Albuquerque
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Declaração de Amor à Fortaleza - José Wagner de Paiva Queiroz Lima, 52, psicólogo/jornalista & escritor

quarta-feira, 7 de julho de 2010
ACADEMIA PEDRALVA LETRAS E ARTES - Concurso de Crônicas e Trovas

NÍVEL – Nacional.
PRAZO – 15 de outubro de 2010, valendo a data da postagem.
Máximo – 2 trabalhos inéditos por autor.
Premiação: 10 Vencedores
FORMA DE ENVIO – Papel A-4, em duas vias, Times New Roman corpo 14, com pseudônimo.
Junto, pequeno envelope, tendo por fora, o título do trabalho, pseudônimo, e, por dentro, o nome do autor, endereço, e-mail (se tiver), assinatura.
Endereço: Concurso de Crônicas - Academia Pedralva Letras e Artes
A/C Sueli Petrucci
Rua Benedito Queiroz, nº 20 – Bairro Turf-Club
Campos dos Goytacazes – RJ
CEP: 28.024-040
Sueli Petrucci
Rua Benedito Queiroz, nº 20 – Bairro Turf-Club
Campos dos Goytacazes – RJ
Em caso de dúvidas enviem correios eletrônicos para academiapedralva@yahoo.com.br ou academiapedralva@gmail.com ou rpacruche@gmail.com.
II Concurso de Trovas Poeta Antônio Roberto Fernandes
ACADEMIA PEDRALVA LETRAS E ARTES
II Concurso de Trovas Poeta Antônio Roberto Fernandes
(trovas líricas e/ou filosóficas)
TEMA – NOEL ROSA. (centenário de nascimento)
NÍVEL – Nacional.
PRAZO – 30 de novembro de 2010, valendo a data da postagem.
Máximo – três trovas inéditas, por autor.
FORMA DE ENVIO – Sistema de envelopes.
Endereço: II Concurso de Trovas Poeta Antônio Roberto Fernandes
A/C Roberto Pinheiro Acruche
Caixa Postal 123.192
São Francisco de Itabapoana – RJ
CEP: 28.230-000
Luiz Otávio
Caixa Postal 123.192
São Francisco de Itabapoana – RJ
CEP: 28.230-000
O ENEM NO CEARÁ - Marcelo Gurgel

Diferentemente da UFC e da UVA, que, no começo de 2010, decidiram adotar o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), conduzido pelo INEP/MEC, como a forma única de admissão nessas universidades, e para a qual disponibilizaram todas as suas vagas, extensivas a todo o país, abolindo o tradicional vestibular, por elas aplicados, a UECE resistiu ao assédio federal, mantendo o seu próprio vestibular.
O canto de sedução entoado por dirigentes do MEC, acompanhado de promissoras e tentadoras compensações, não foi suficiente para justificar a adesão ueceana ao ENEM, dobrando-se, assim, aos afagos brasilienses.
A decisão da UECE não foi condicionada a qualquer tipo de barganha ou intento de vender mais caro a sua aderência ao processo seletivo de abrangência nacional. Em que pese fulminar componentes da cultura regional e local, o ENEM ostenta algumas vantagens pedagógicas, do ponto de vista da avaliação, porquanto favorece mais a capacidade de raciocínio do candidato, minimizando os efeitos da memorização, e, com isso, privilegia a competência na interpretação e na solução de problemas reais, resultando em maior poder discriminatório dos testes.
A UECE, tal como a URCA, que também não aderiu ao ENEM, agiram, com absoluta prudência, ao rechaçar uma empreitada de elevado risco, cuja logística, de alta complexidade, pela extensão territorial do Brasil e suas particularidades, revela elos de extrema vulnerabilidade, bastando que um deles se rompa, para quebrar toda a corrente, em cadeia, como aconteceu, no ano pretérito, quando o sigilo da prova foi violado no centro de produção, causando um avultante prejuízo material, financeiro e, sobretudo, moral. Em suma: basta uma canoa, portando provas, virar em um igarapé da Amazônia, para toda a Armada naufragar.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva - Professor titular da UECE
* Publicado In: Jornal O Povo. Fortaleza, 01de julho de 2010. Caderno A (Opinião). p.8.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
JOSÉ SARAMAGO, PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA, MORREU HOJE. E AGORA JOSÉ ?!
O escritor português José Saramago, Prémio Nobel de Literatura /1998, morreu, hoje, aos 87 anos, em sua casa da ilha espanhola de Lanzarote, nas Canárias, pela manhã, na companhia de sua esposa espanhola, jornalista e tradutora, Pilar Del Rio.
E AGORA JOSÉ ?!... orfãos da tuas tuas novas palavras ficaremos, mas não orfãos da tua imorredoira obra e posições humanistas, cívicas, combativas - qual bravo cavaleiro da Lezíria da Golegã - sempre justas mas cáusticas para os que, na sua "cegueira", não foram capazes de distinguir a mensagem das tuas palavras sábias, dos seus preconceitos (e dogmas) que lhes toldaram a razão de entender o Bem, o Belo e o Justo da vida humana.
José de Sousa Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga (Golegã, Ribatejo) no dia 16 de Novembro de 1922. Além de jornalista e escritor, foi desenhador, funcionário da Saúde e da Previdência Social, editor e tradutor.
Publicou o seu primeiro livro, "Terra do Pecado", em 1947, mas a segunda obra só chegou em 1966. A partir de 1976, dedica-se exclusivamente à literatura. Lança, em 1980, "Levantados do Chão" e tem o seu primeiro maior sucesso com "O Memorial do Convento" (1982), que o consagra como um dos maiores autores portugueses, posição confirmada com o lançamento do inventivo "O ano da morte de Ricardo Reis", em que narra os dias finais do heterónimo de um dos pilares da literatura do país, Fernando Pessoa, numa criativa mescla de fatos reais e imaginados.
Saramago era um autor prolífico. Além de romances, publicou diários, contos, peças, crónicas e poemas. Ainda em 2009, lançou mais um livro, "Caim", obra que retoma um personagem bíblico, subvertendo a versão oficial da Igreja Católica, como já fizera em 1991, com o seu "Evangelho segundo Jesus Cristo", causando polémica.
Em 1983, Saramago foi agraciado com o Prémio Camões, o mais importante prémio da literatura de língua portuguesa.
Considerado um dos maiores nomes da literatura contemporânea, Saramago criou um dos universos literários mais pessoais e sólidos do século XX , unindo a actividade de escritor com a de crítico social, pronunciando-se sobre os grandes confrontos políticos da nossa época e denunciando injustiças sociais.
Saramago recebeu o Prémio Nobel de Literatura, em 1998.
Podemos considerar que José Saramago foi um escritor verdadeiramente LOCAL E CÍVICO, porque através das suas obras e posições públicas não só exprimia a problemática regional e nacional, como mergulhava nas grandes inquietações que o mundo do seu tempo atravessa, projectando na sua escrita e intervenções públicas, sempre uma posição cívica de Cidadania Universal, sem deixar de exprimir, por vezes, a sua caústica crítica, para defender uma visão humanista de um futuro que, idealizava, viesse salvar a humanidade. As suas parábolas, às vezes cruas, objectivas e amargas, deixavam, todavia, entrever a solidez dos seus valores e a crença de que é possível um mundo melhor.
Texto e pesquisa de internet
Carlos Morais dos Santos
Cônsul (Lisboa) M.I. Poetas Del Mundo
Escritor-ensaísta, poeta, fotógrafo
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Estaleiro versus Titanzinho - Francisco Pessoa

Uma folha de jornal quase desfeita se abraça a um coral vigilante que veio tomar fôlego na superfície. Eis a chave do mistério para tanta tristeza.
A cada momento seguinte numa suave nuança, a abóbada celeste também lacrimeja piscando estrelas, ao ouvir atentamente os soluços do mar que, desesperado, roga aos deuses do Olimpo pela sobrevivência daquela praia, criatório de talentosos equilibristas de pranchas que hoje surfam na crista da onda em competições internacionais. E não é só disso de que se alimenta a Titanzinho, pois, viveiro de variadas espécimes de peixe, faz-se cardápio para os praianos que vivem em seu derredor.
Nem tudo são flores, no dizer do poeta, na praia do Titanzinho. A nossa sociedade míope enxerga-a como uma zona franca da prostituição, paraíso para os marinheiros sedentos e famintos que arriam âncora em nossos mares. Relegada ao esquecimento, ela tornou-se lembrada por jovens que se aventuram no trágico mundo do tráfico. Existem titãs, paradoxalmente, sem fôrças, que procuram maiusculizar a Titanzinho. São nativos de pele crestada que cheiram a maresia, cujos vagidos se confundem com o roçar do peito das ondas no dorso da praia, ou que nasceram no meio do mar e foram atraídos pelo canto das sereias com a missão de diminuir a dor daquele povo sofrido.
Quão bom é ver e sentir o lado bom da comunidade Serviluz, que busca servir a luz para nossos irmãos que portam óculos escuros em noites trevosas.
1
Sob o teto de um azul já escurecido e o gotear de lágrimas vindo de estrelas chorosas e refulgentes, pois que a lua ausente se fazia, pus-me a meditar naquela noite fria, fitando quase às cegas o lúgubre horizonte.
Eis que me envolve os pés, já desbotada, aquela folha de jornal liberta dos corais, indecisa no seu ir e vir por tantas vezes no alcançar da praia, sem saber que trazia a chave do mistério, do porquê de tanta tristeza naquela praia condenada a desaparecer.
- MORTE ÀS PRANCHAS! VIVA O ESTALEIRO!... Lia-se com dificuldade as letras garrafais embaralhadas na página molhada.
360, Tubo, Cabuloso, Casca grossa, Kaô, Maroleiro, são gritos de guerra que tendem a perder eco naquela praia pequena que se fez grande aos olhos da Transpetro, empresa gerenciada por um cearense que na sua juventude, desfrutou dos distintos sabores que aquele pedaço de chão e mar lhe ofertou.
“ É doce morrer no mar ”... Que esta idéia de estaleiro na Titanzinho pereça sob as ondas que carregam no dorso nossos surfistas campeões. E os paquetes domados por homens de pele crestada e braços fortes sorrirão onda após onda, num duelo saudável entre o jangadeiro e aquele mundão d’água que lhe garante a sobrevivência.
Por um momento submergiu a folha de jornal. Cá, na superfície, flutua a decisão dos nossos governantes: um sim, um não, conforme a maré...
Titanzinho, se morreres, morro contigo!
(Crônica classificada em 10° lugar no Concurso de Literatura UNIFOR 2010)
quarta-feira, 9 de junho de 2010
História de bem-te-vi - Cecília Meireles

Os velhos cronistas desta terra encantaram-se com canindés e araras, tuins e sabiás, maracanãs e "querejuás todos azuis de cor finíssima...". Nós esquecemos tudo: quando um poeta fala num pássaro, o leitor pensa que é leitura...
Mas há um passarinho chamado bem-te-vi. Creio que ele está para acabar.
E é pena, pois com esse nome que tem — e que é a sua própria voz — devia estar em todas as repartições e outros lugares, numa elegante gaiola, para no momento oportuno anunciar a sua presença. Seria um sobressalto providencial e sob forma tão inocente e agradável que ninguém se aborreceria.
O que me leva a crer no desaparecimento do bem-te-vi são as mudanças que começo a observar na sua voz. O ano passado, aqui nas mangueiras dos meus simpáticos vizinhos, apareceu um bem-te-vi caprichoso, muito moderno, que se recusava a articular as três sílabas tradicionais do seu nome, limitando-se a gritar: "...te-vi! ...te-vi", com a maior irreverência gramatical. Como dizem que as últimas gerações andam muito rebeldes e novidadeiras achei natural que também os passarinhos estivessem contagiados pelo novo estilo humano.
Logo a seguir, o mesmo passarinho, ou seu filho ou seu irmão — como posso saber, com a folhagem cerrada da mangueira? — animou-se a uma audácia maior Não quis saber das duas sílabas, e começou a gritar apenas daqui, dali, invisível e brincalhão: "...vi! ...vi! ...vi! ..." o que me pareceu divertido, nesta era do twist.
O tempo passou, o bem-te-vi deve ter viajado, talvez seja cosmonauta, talvez tenha voado com o seu team de futebol — que se não há de pensar de bem-te-vis assim progressistas, que rompem com o canto da família e mudam os lemas dos seus brasões? Talvez tenha sido atacado por esses homens que agora saem do mato de repente e disparam sem razão nenhuma no primeiro indivíduo que encontram.
Mas hoje ouvi um bem-te-vi cantar E cantava assim: "Bem-bem-bem...te-vi!" Pensei: "É uma nova escola poética que se eleva da mangueira!..." Depois, o passarinho mudou. E fez: "Bem-te-te-te... vi!" Tornei a refletir: "Deve estar estudando a sua cartilha... Estará soletrando..." E o passarinho: "Bem-bem-bem...te-te-te...vi-vi-vi!"
Os ornitólogos devem saber se isso é caso comum ou raro. Eu jamais tinha ouvido uma coisa assim! Mas as crianças, que sabem mais do que eu, e vão diretas aos assuntos, ouviram, pensaram e disseram: "Que engraçado! Um bem-te-vi gago!"
(É: talvez não seja mesmo exotismo, mas apenas gagueira...)
Texto extraído do livro Escolha o seu sonho;Rio de Janeiro:Record, 2002, pág. 53.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
FAZENDA ALMAS - Argentina Andrade

Ávidos por emoções que nos entremeassem o espírito, flutuando nas asas da satisfação, numa manhã incendiada pelo sol, tomamos nosso carro rumo a Boa Viagem, com destino à fazenda, de nome “Almas”.
Sonhos azuis, plenos de beleza, povoavam nossa mente. As folhas murchas das lembranças tristes pareciam cair para que nós pudéssemos somente colher as flores dos momentos felizes por que iríamos passar.
Pelo percurso, a paisagem descortinava-se diante de nossos olhos. O verde das árvores e do capim tranqüilizava nossas mentes. A jornada, apesar do sol causticante, era amenizada pela aragem que penetrava pela janela do carro. Dentro do nosso ser, algo de estranho apoderava-se invencivelmente... Não sei se pelo nome da fazenda, “Almas”. Mas nós não queríamos nos privar de uns dias alegres, nem perder parte alguma de um desejo legítimo, de desfrutarmos um fim de semana no campo. E o que fizemos foi constatar que a força inquebrantável do saber querer, aliado ao prazer de saborear aquilo que é conseguido quando é legítimo desejo, mostra na mais cristalina forma o inenarrável sabor da vitória.
O sol sorria no horizonte e parecia que zombava de nossa expectativa.
As paisagens um pouco crestadas pelo sol ainda reverdeciam formando, aqui e acolá, tapete de relva por onde a fauna corria livremente, vibrando na faixa de júbilo da natureza. Tudo parecia sonho e encanto. O sol brilhava em êxtase de felicidade, distante das dores do nosso mundo.
O céu azul, os arbustos, as árvores, o campo, nenhuma nuance, nada escapava à visão detalhista, à sensibilidade, como se fôssemos jovens artistas.
Já se aproximava a nossa chegada. A estrada adornava-se de uma vegetação maravilhosa. Ultrapassamos o pórtico de entrada da fazenda. Uma alameda larga cortava a verdura da paisagem, ambas plantadas a espaços regulares; árvores frondosas ofereciam sombra amiga, à maneira de pouso delicioso, na claridade do sol confortador.
Avistamos o casarão imponente e, na fachada, inscrições datadas de 1636. Descemos do carro e, após nos abraçarmos com os anfitriões, breves minutos passaram para que penetrássemos, por vez, o recinto radioso. Flores perfumosas, ornamentando o ambiente, embalsamavam a ampla sala; vagavam no ar suaves melodias.
Após nos alojarmos no quarto e nos refrescarmos com um revigorante banho, deliciamo-nos com uma farta refeição.
Logo que tomamos o saboroso cafezinho, recolhemo-nos à sesta. Ao chegarmos ao quarto e abrir a janela, o perfume dos frutos do pomar e das flores invadiu o aposento. A brisa penetrou pela janela aberta e acariciou-me o rosto. Senti sonolência e logo adormeci em profunda paz.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
ROSAS DA MANHÃ - Giselda Medeiros

Quando vieres
vem de leve
assim como a primeira estrela
que paciente desponta
jogando sua luz
por entre as brumas
consciente da importância
de sua chegada.
Vem com dedos de carícias
silenciosas
com mãos de artista
leves
para que não me doa
o poema que fizeres.
Ou melhor
vem como quiseres.
Estarei aqui
em mim
dentre outras mulheres,
mas a única que te sabe
florir em versos.
Mas vem como a primavera,
sem pressa para voltar,
consciente da beleza das cores
que em mim deixarás
em aveludados olores.
Vem como a tarde
que espera a noite para adormecer.
Quero ver-nos florir
em rosas de alvorada
quando despertarmos manhã.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
FRANCISCO CARVALHO FALA, COM PROPRIEDADE, SOBRE LIVRO DE NEIDE AZEVEDO LOPES

Francisco Carvalho
Tenho a impressão de que todos os poetas, com raríssimas exceções, têm semelhanças estilísticas com outros escritores do universo da poesia. Principalmente os que lêem os grandes autores da poesia erudita, dificilmente escapam às influências dessas leituras. Sabido que elas podem ocorrer por mera casualidade, independentemente do conhecimento direto dos autores. No caso específico de Neide Azevedo Lopes, além da influência machadiana referida pelo prefaciador F.S. Nascimento, é lícito supor que ela se haja nutrido, também, de cancioneiros populares e eruditos, como, por exemplo, o do português Antônio Nobre, conhecido pelo seu gênio de autor de canções imortais.
Simples leitor de poesia, quero referir-me ao livro de Neide Azevedo Lopes (Teoria dos Afetos. Expressão Gráfica, 2010, 120p.), o qual vem a público sob os melhores auspícios.
Fiz uma coleta de textos onde a expressão poética se caracteriza pela intensidade. O final do poema da p. 13 é exemplo de boa poesia: “E na encantada escuridão / Do imenso mar do tempo / Dorme tua face plena de mistérios”.
Na página 15, a poesia volta com a mesma força: “E a saudade passeia por cima das horas / Impaciente, a pena salta da gaveta / E o livro tomba em desalento”.
Na página 18, estes versos chamam a atenção do leitor: “Tens nos olhos estrelas esquecidas / Da cor solar do fruto sazonado”.
O poema da página 52 repete, no final de cada estrofe, o verso: “Para escrever meu verso”. Essa repetição é uma forma bastante usada pelos cancioneiros populares para fortalecer uma idéia no contexto do poema.
Na página 53, a autora demonstra certo misticismo neste breve terceto: “Cobre-se tudo / De silêncio e paz / cantam os anjos”.
Na página 60, Neide Azevedo nos brinda com um grande verso, digno das melhores antologias: “Pesa-me o domingo sobre os ombros”. O leitor esteja à vontade para tirar as suas conclusões.
Na página 63, ela nos transmite esta mensagem: “Tua palavra acorda à tua messe / Ao teu som, ao teu sol / à tua prece”.
No poema da página 67, não se repete o verso, mas a rima em “ar”. Essas repetições caracterizam o estilo da autora. Na referida página, a vocação para o cancioneiro volta a surgir: “Marina tem cheiro de menta / Tem boca que inventa / Canções de ninar”.
Num excelente poema da página 75, ela nos comunica uma de suas preferências literárias. Isso acontece numa quadra da melhor invenção poética: “Estou farta de léxico / Ardil redundante / Prefiro a divina / Comédia de Dante”.
Na página 78, dois versos inesquecíveis: “Sou limo, raiz e hera / Porque sou poeta”. Com toda a certeza, limo, raiz e hera são três coisas indispensáveis a um poeta que se preza.
Os leitores de Neide Azevedo precisam ler e decorar o belo poema da página 89. Não vou citar nenhum verso para obrigá-los a ler esta oitava maravilhosa.
Vou encerrar com o poema A Noite (p.100), com a primeira estrofe: “Tenho medo da noite / Usando o pesado manto / Ela traz o vento de açoite / Não quer ouvir o meu pranto”.
Os versos por mim mencionados são os que me tocaram mais profundamente. Muitos outros poderiam ter vindo à cena, pois não lhes falta merecimento para tanto. Neide Azevedo nos oferece seu testemunho poético do que a vida e os fatos lhe têm proporcionado. Seus poemas são documentos fundamentais de uma existência que se enriquece pela palavra. A palavra que traduz o mistério poético. A palavra que se oferta ao leitor como um sinal de protesto ou de esperança. A palavra que se organiza para compreender o significado da interioridade, que aos poucos desmorona. A poesia pode não ser a salvação do homem pela palavra, mas pode ser a palavra que semeia a esperança num mundo melhor. Não esquecer que no terceiro poema do livro (p.15), estão escritos estes versos: “E a denúncia de uma longa espera / Cai sobre todas as coisas”.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
LEIAM E BEBAM A BELEZA DE TEXTO DO PROFESSOR E ACADÊMICO VIANNEY MESQUITA

Em pleno domingo quasímodo (11.04.2010), experimentei o encanto de ler um mimo do Criador, obsequiado à imensa poetisa Neide Azevedo Lopes, logo a mim por ela substabelecido.
A quadra pascal é espiritualmente propícia para se apreciar arte tão edificante, a fim de se teorizar e, jamais, praticar metros e afetos, como procede a autora de Teoria dos Afetos desde o uso da razão, quando sua vida passou a coincidir com uma rima rica.
Neide fez-me lembrar de Sônia Leal Freitas, no Cedro do Éden, monumental obra acerca da qual comentei nas guarnições há uns oito anos.
Na Teoria (e na prática) dos afetos, também quedo pasmado, como a reler o Metal Rosicler, de Cecília Meireles, menos por identidade estilística e mais pelo esplendor vocabular e elevação ideativa, fluência e estro desdobrados, centuplicados a cada elaboração. Nalgumas passagens, Neide, também, mostra similitude com Gabriela Mistral, Nobel de Literatura (1945), no seu Ternura, enquanto noutras estâncias aparece, ainda, com a elevação comovente da Marquesa de Alorna.
Pelo fato de bem o saber, ela emprega, com propriedade e exatidão, os expedientes figurais admissíveis na poesia, aformoseando redundantemente a estesia de suas composições. E assim, tomada por um enlevo anímico, veemência dos escolhidos, achega-se ao Ressuscitado, para o Qual também solicita o leitor a rezar, ao decodificar suas primorosas composições.
Tal como sucede com Sônia, sua originalidade e inspiração multíplice de elaborar representações, conformando-as extraordinariamente à dvlcisonam et canoram lingvam cano, parecem acercá-la de Florbela (de Alma da Conceição) Espanca (Juvenália; Livro das Mágoas).
Também os efeitos imprimidos nas expressões de musicalidade do seu metro fazem-me evocar os botticellis, rafaéis e michellangelos da Capela Sistina, bem assim a expressão da alma nacional galega de Rosalía de Castro, em O Cavaleiro das Botas Azuis.
Neide Azevedo Lopes é um verso de sete ictos do sonetilho a exornar a poética tematicamente múltipla, de formosura inimitável, beleza desigual, diretamente proporcional à magnificência de sua adorável pessoa.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
REUNIÃO MENSAL DA AJEB - MÊS DE MAIO/2010

Correspondeu a todas as expectativas a sessão deste mês de maio da AJEB-CE.
Sob a presidência de Maria Luísa Bomfim, a sessão transcorreu num ambiente de alegria, descontração e muita poesia, com a excepcional palestra de Mary Ann Karam, que discorreu, em interação com o auditório, sobre o poder e magia da palavra.
Mary Ann Karam e os filhos
terça-feira, 18 de maio de 2010
CANINDÉ - Vicente Alencar

aos pés de tua abençoada Basílica
repousam as esperanças
dos desafortunados
também filhos de Deus.
Dos esquecidos pelos Governantes,
das vitimas da seca inclemente,
dos que nasceram em hora errada,
dos que vivem sem saber por quê.
Aqueles não sabem
que os problemas seus
são também meus,
são também nossos.
Canindé,
aos pés de tua abençoada Basílica,
soam lamentos,
soam gemidos,
soam preces
dos não lembrados pela sorte.
A reza, a fé, o terço,
a mensagem,
os lábios secos em oração.
Os olhos já doentes
que pedem atenção,
o corpo, coitado, martirizado,
que pede perdão,
sem saber por quê.
Em toda a vastidão da fé,
em todo momento de oração,
São Francisco
faz o que pode e,
com suas bençãos e sua força,
pede a Deus por todos.
domingo, 16 de maio de 2010
Rachel de Queiroz e sua Consciência Político-Social - EVAN BESSA

Cumprimento a Mesa na pessoa do Sr. Presidente da ALMECE, Lima Freitas, e os demais presentes através da colega Francinete Azevedo, acadêmica abnegada e pró-ativa na dinâmica de atividades desta Academia. Quero expressar meus sinceros agradecimentos pelo convite formulado para conversar um pouco sobre a escritora Rachel de Queiroz, da qual teríamos muito a dizer, a respeito de sua extraordinária obra, se não houvesse limite de tempo.
Sabemos que a ALMECE, durante todo o ano de 2010, alusivo ao centenário de nascimento da autora, renderá homenagens nas reuniões ordinárias a essa cearense que tanto nos enche de orgulho. Assim sendo, escolhi apenas um aspecto relevante de sua vida para falar aos amigos almeceanos. O tema a ser discorrido é: Rachel de Queiroz e sua Consciência Político-Social.
Inicio com um pensamento da autora que diz: “Sou pela liberdade. Pelas concessões ideológicas. Eu acho que o voto do analfabeto foi um dos maiores erros políticos, um instrumento de demagogia, de rebaixamento político, o voto dos analfabetos”.
Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza em 17 de novembro de 1910. Pertencia ao ramo dos Alencar, outro orgulho dessa terra. A família tinha raízes fincadas em Quixadá e Beberibe, entrelaçadas com outras tantas famílias que fazem parte de sua árvore genealógica, tais como: Lopes, Queiroz, Bessa, dentre outras.
Desde a adolescência, apresentava-se rebelde e ousada para os padrões da época. Nesse sentido, escreveu uma carta ao jornal “O Ceará”, ironizando o concurso de Rainha do Estudante, utilizando o pseudônimo Rita Queluz. Seu poema “Telha de Vidro” foi publicado no mesmo jornal. O destino, porém, lhe prega uma peça. Por conta da carta, é convidada para ser colaboradora do citado periódico e passa a trabalhar no folhetim “História de um Nome”. Inicia-se assim na carreira de jornalista. Foi uma das fundadoras do jornal “O Povo” em janeiro de 1928, fazendo parte de um grupo seleto de colaboradores.
Nos anos 1928 e 1929, Rachel começa a se interessar pela política social do país. Tinha simpatia especial pelo Bloco Operário Camponês de Fortaleza. A partir daí, participa ativamente dos grupos esquerdistas que estavam se reunindo para formar o primeiro núcleo do Partido Comunista ficando como aliada até 1933.
Em 1930, com essa consciência político-social e, em face das leituras constantes a que se dedicava o que lhe proporcionou uma relativa bagagem cultural, escreve o primeiro livro: “O Quinze”, publicado no Ceará, financiado por seu pai, Daniel de Queiroz, com uma tiragem de 1000 exemplares. O livro foi muito bem aceito pela crítica literária da época, o qual atravessou fronteiras do nosso Estado, chegando às mãos dos escritores Augusto Frederico Schmidt e Mário de Andrade.
“O Quinze” faz parte da literatura do ciclo nordestino brasileiro em que se encontravam escritores como José Américo, José Lins do Rego, Jorge Amado, Graciliano Ramos, intelectuais que tinham perfis e visões semelhantes, transferindo para os livros a realidade que vivenciavam. Não escondiam as dificuldades e preocupações que seu povo vivia. Romance de fundo social, bastante realista que mostra o sofrimento da gente do interior, diante da luta secular da miséria, privação do homem e da fome. A grande seca de 1915 era fato real e concreto, que levou a retratar com maestria o drama dos personagens Vicente Conceição, e por outro lado, os retirantes da família de Chico Bento, na travessia para a busca de dias melhores. Rachel descreve o amor, o conflito social e todos os desdobramentos, costumes da época, tornando-se, assim, uma ficção autêntica do drama explicitado.
Segundo Adonias Filho, “com esse romance o ciclo nordestino alarga-se para interferir na ficção brasileira – amplia-se sobretudo na linguagem e estrutura para converter em ficção o homem, a terra, no drama regional.”
Gilberto Amado acrescenta: ”Uma produção tão perfeita e tão pura que continua sozinha, inigualada, tempo afora.”
Com os estímulos recebidos de autores ilustres continua sua atividade de escritora produzindo em 1932 o romance “João Miguel” e, em 1937 lança “Caminhos de Pedras”. Somente mais tarde escreveu “As Três Marias”. Todos eles de cunho social e político revelando injustiças sociais e a miséria social e política do seu povo.
Esta mulher de infindáveis talentos se destacou na crônica (Diário de Notícias, Revista O Cruzeiro – no Rio de Janeiro); no romance; no teatro, com a peça “Lampião” que foi montada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e no Teatro Leopoldo Fróes em São Paulo. Foi tradutora de vários idiomas: francês, inglês, italiano e espanhol. Traduziu cerca de 40 obras. Escreveu literatura infanto-juvenil: “O Menino Mágico”. Como se observa em Rachel, a sensibilidade exacerbada a fez múltipla na criação e nas artes, Seus livros foram lançados no Japão, Alemanha, Israel e França. Recebeu vários prêmios e títulos por sua produção literária. Foi a primeira mulher a adentrar na Academia Brasileira de Letras (ABL).
Rachel, sempre corajosa e brava, não negava o sangue de sertaneja da gema. A única contradição aparece no tocante à tradição nordestina das mulheres do seu tempo em termos de religiosidade. Ela não tinha religião. Dizia-se agnóstica. Em entrevista ao jornal “Folha de São Paulo”, em 1968, afirmou: “É muito ruim não ter crença, porque nas fases ruins você não tem a que se apegar. Tem que se encolher em si mesma e aguentar a pancadaria. Invejo profundamente quem tem boa fé. O Helder (D. Helder Câmara) ainda tem esperança de me converter, diz que quer morrer um dia depois de mim só para rezar a extrema-unção junto comigo.” Noutra ocasião, falou o seguinte: “na minha infância, todas as velhas só viviam na igreja (...) velha sem religião, quem inaugurou foi minha geração.” Tinha plena consciência da opção religiosa frente ao mundo. Não se sentia culpada, mas encarava a sociedade cristã com espírito forte e sem se penitenciar por essa atitude. Mesmo afastada da Igreja, tinha amigos padres, contando no seu círculo de amizades com D. Helder Câmara, seu conterrâneo, Padre Cícero, Irmãs Simas e Elisabeth (ambas do Colégio da Imaculada Conceição).
Mostrando sempre que estava à frente de seu tempo, foi a primeira jovem a frequentar os cafés da Praça do Ferreira onde se reuniam intelectuais da terra com destaque para Antônio Sales, seu padrinho literário.
Em entrevista concedida a Vitor Casimiro, em 18/8/2000 (exclusiva para o Educacional), fala o seguinte: “Eu sou professora. É o único curso que fiz no Colégio da Imaculada Conceição, de Fortaleza. No resto, eu sou franco-atiradora, fui aprendendo com a vida e comigo mesma.”
Ela não gostava de ser considerada famosa. Tinha verdadeira aversão à participação em eventos sociais. Mulher moderna, não se iludia com títulos ou outras bajulações que alguns lhe faziam. Sem vaidades, avaliava sua obra assim: “Nunca releio um livro meu. Tenho um pouco de vergonha de todos os meus livros, de “O Quinze” tenho uma antipatia mortal, esse livro me persegue há sessenta anos. Detesto todos eles.” É interessante ouvir com tamanha espontaneidade uma avaliação dessa natureza. Achava que era mais falada que famosa.
Muito cedo, a escritora Rachel de Queiroz, com senso de observação aguçado, começou a perceber as dificuldades de seu povo, as mazelas sociais e os ditames da política em seu país.
Sempre se rebelou diante das injustiças sociais. Nos seus romances retrata com fidedignidade a luta secular do povo contra a miséria e a seca, bem como a do operário que labuta para receber o pequeno salário.
Em 1931, conhece integrantes do Partido Comunista. E inicia seu entrosamento com ele. Por essa razão, é perseguida pelo regime ditatorial. Depois se desentendeu com o Partido em face de discordância sobre o enredo do romance “João Miguel.” Acharam que o enredo era preconceituoso frente à classe operária. Rachel, então, virou trotskista militante, tendo sido presa em Pernambuco como agitadora comunista.
Getúlio Vargas, quando ainda delineava o Estado Novo, já se preocupava com seus opositores. Rachel, considerada agitadora, logo vai presa, em 1937, em face das divergências de caráter político, no quartel do Comando Geral do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará. Com a chegada do Estado Novo, seus livros foram queimados em Salvador-BA, com os de escritores perseguidos: Jorge Amado, Graciliano Ramos e outros, porque eram tidos como subversivos.
Em entrevista a O Jornal afirmou: “...eu fui presa várias vezes. A mais demorada, passei seis dias na cadeia; foi quando Getúlio Vargas estava preparando o golpe para se apossar do poder. Ele botou todos os jornalistas em cana e deu o golpe”. Mandou prender tudo quanto era de intelectual esquerdista, trotskista, stalinista, anarquista, todo mundo foi preso em 1937. Para Rachel, o Estado Novo foi pior que a ditadura de 1964, porque ele tinha processos fascistas já codificados. Tinha o modelo alemão, polaco, italiano e Getúlio Vargas se associou a esses governos criminosos, terríveis, monstruosos, esclarecia a escritora.
Falando do apoio que recebeu de seus familiares, em entrevista a O Jornal afirmou: “...o jornal católico de Fortaleza se escandalizou porque papai e mamãe foram me visitar na prisão. E quando me viram toda heróica, toda Joana D’Arc, eles começaram a rir”.
E prossegue, dizendo para o mesmo jornal: “...tive uma formação política comunista. Foi o único período em que estive na militância, depois eu fiquei somente como observadora, sem atuação direta. Mas eu sempre fui espírito de porco, sempre do contra. Sou da família daquele cara que disse: “Há governo, sou contra.”
Quando lembrava os dias em que esteve presa por motivos políticos, ela evitava o tom de mártir e recordava com bom humor que sempre foi bem tratada na cadeia e até fazia amizade com os carcereiros.
Por essas posições e compreensão do fato político, foi fundadora do movimento esquerdista do Ceará. O seu registro no Partido Comunista consta na Delegacia de Ordem Política e Social de Pernambuco, com o nº 883, considerada pelo regime “perigosa agitadora”.
Com inteligência e perspicácia, aproveitava-se de sua escritura para nas crônicas dizer o que pensava. Numa delas, da revista “O Cruzeiro” de 12 de setembro de 1959, Rachel externou sua opinião sobre o Estado Novo: “Com o Estado Novo, todo o mundo amordaçado, sem ninguém para estrilar, o hábito de regalia universalizou. Os homens públicos deixaram de separar o que era do Estado e o que era deles, ou antes, o uso e abuso dos bens públicos passaram a ser privilégio dos cargos”.
Ainda se referindo aos políticos, no seu livro “Um Alpendre, Uma Rede e Um Açude”, coloca mais uma vez sua visão crítica, acerca dos representantes do povo no Congresso Nacional: “... sou leitora contumaz do “Diário do Congresso” e escuto as irradiações das atividades parlamentares sempre que a censura governamental me permite esse entretenimento cívico – eu já me acostumei a conhecê-los todos: há os que sabem, há os que pensam que sabem, há os que entendem de qualquer coisa, mas é mister garimpar essa qualquer coisa sobre o cascalho das bobagens e dos lugares-comuns; há os sérios entendidos, há os sérios bobos, há os ocos e há os que têm recheio dentro, havendo ainda a enorme variedade na qualidade desse conteúdo. E há, naturalmente, o contingente dos que não têm nada em todos os sentidos, que não servem nem na hora de votar, porque sempre votam com o pior.”
Essa observação da escritora é tão pertinente que se poderia enumerar e até nomear as categorias declinadas no texto acima. Não é ficção, mas realidade palpável e concreta, nos dias de hoje, mesmo, em pleno século XXI.
O Partido Socialista Brasileiro lançou sua candidatura a Deputada Estadual, em Fortaleza, defronte à Coluna da Hora.
Em 1964, embora não mais comunista, mas apenas socialista, participa da conspiração para a derrubada de João Goulart e realiza reuniões, visando ao golpe do estadista. Segundo a escritora, aderiu ao golpe também porque era amiga de Castelo Branco, um dos generais conspiradores, que veio em pouco tempo a assumir a Presidência de nosso país.
Mais tarde é nomeada pelo Presidente Castelo Branco como delegada do Brasil na 21ª sessão da Assembléia Geral da ONU, agregada à Comissão de Direitos Humanos e, em 1967, integra o Conselho Federal de Cultura.
Jânio Quadros, quando Presidente da República, a convidou para o cargo de Ministra da Educação, o qual foi devidamente recusado, com a seguinte justificativa: “... sou apenas jornalista e gostaria de continuar sendo apenas jornalista”.
Criticava os colegas pela postura política. Dizia que eles liam apenas apostilas doutrinárias que tinham trechos dúbios. O único integrante do Partido que havia lido “O Capital” na íntegra era o crítico Mario Pedrosa, afirmava ela. Ela era contra a qualquer posição sectária. Para ela o sectarismo é um estigma. A questão de ideologias é para almas estreitas, dizia. Você pode manter comunicação permanente se tiver idéias abertas e aceitar todos os caminhos.
No livro “Tantos Anos” dedicou um capítulo ao Padre Cícero, que ela, ainda jovem, conheceu. No livro, coloca suas impressões sobre os intelectuais brasileiros: “Eles não refletem quando vão apoiar esta ou aquela corrente ideológica, guiando-se mais por amizades e panelinhas do que por convicções. Vigora na vida cultural o mesmo princípio coronelista da política partidária”.
No quartel do Comando Geral do Corpo de Bombeiros (local onde esteve presa) existe uma placa em sua homenagem, mandada afixar, após sua morte, por Lúcio Alcântara, que na época governava o Ceará. Ele participou do evento, juntamente com seus familiares. Registre-se, também, a iniciativa do gestor público mencionado: a assinatura do decreto, dando o nome de Rachel de Queiroz ao Colégio Militar do Corpo de Bombeiros. O político ressaltou na ocasião, a luta da escritora pela Democracia e a Liberdade de ideias e convicções, fato esse que permeou toda a sua vida.
Cônscia de sua responsabilidade, aproveitou a literatura para chamar atenção da seca do Nordeste e dos problemas sociais, políticos e econômicos do país. Nas suas crônicas aproveitava para denunciar, esclarecer e trazer os leitores informados do dia-a-dia que influenciavam de perto, a vida cotidiana do homem brasileiro.
Quando foi chamada para habitar no plano superior, os cearenses ficaram perplexos diante da notícia. Ela saiu de cena de forma silenciosa, sem alarde, demonstrando dignidade, como boa cearense, no dia 4 de novembro de 2003, na cidade do Rio de Janeiro.
O Ceará perdeu sua maior Estrela da Literatura e o Brasil ficou órfão da escritora, da intelectual ímpar, que todos conheciam e admiravam.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
CONVOCAÇÃO PARA A REUNIÃO DE MAIO

Prezada(o) Ajebiana(o)
Ao aproximar-se a data de nossa reunião, que acontecerá no dia 18 deste mês de Maio, às 9h30min, no auditório da Academia Cearense de Letras, estamos enviando-lhe esta carta-convite, por sabermos que sua presença nos é sempre muito cara.
Estamos dando início a mais uma etapa em nossa Associação, agora sob o comando da nova Diretoria eleita para o biênio, 2010-2012. Contamos com você para que nossas reuniões possam continuar sendo proveitosas e agradáveis como de costume.
Teremos a oportunidade de assistir, neste mês, à palestra da Professora Mary Ann Leitão Karam, que ministra cursos de Desinibição e Oratória em nossa capital, sendo também poetisa e contista. Ela falará sobre “O Poder da Palavra”.
Reafirmando que aguardamos o prestígio de sua presença, subscrevemo-nos,
atenciosamente,
Maria Luisa Bomfim
Presidente
sábado, 8 de maio de 2010
PARA A MINHA MÃE, IRENE - Nilze Costa e Silva

Irene, muda para as revelações escandalosas, pudica, escondendo a menarca precoce à filha inocente, coisa feia, para quem mergulhada em preconceitos ancestrais.
O chinelo na mão, o mistério descoberto, a boca escancarada, imprecando, gritando, ralhando. O ciúme doentio, a fera a defender os filhotes do sol, da chuva, do mal...
(Irene me dá a chave do mundo, que eu sei caminhar sozinha. Enxuga a lágrima que brilha. Tu sempre tiveste vergonha de chorar... Me dá liberdade que eu quero voar!)
Irene chorando por eu sangrar, atropelada. Irene rezando, brigando, cansada, suada. No avental a marca dos dez dedos. Na palma da mão a impressão da testa fatigada.
Irene o longo quintal a varrer, as folhas se amontoando, o velho fogão de barro. O sono leve ao mais silencioso ressonar dos filhos. As narinas dilatadas farejando o perigo... Irene, a redoma. As barrigas anuais: paristes todos os filhos do mundo!
Exangue, a comadre aparando o menino, os ais dolentes espalhados na casa toda.
O beijo da primeira comunhão. O único, entre tantos que guardaste e não me deste por pejo.
Irene, o retrato jovem de luto da mãe. Aquele, na moldura em tripé, que não gostavas, mas que exibíamos às visitas por acharmos bonito o sorriso inefável de Mona Lisa órfã e triste. Que mistério fotografaram em teu rosto, Irene?
As cartas que me pilhaste lendo escondida. Como ousava eu descobrir aquelas frases apaixonadas, escritas por teu marido nos primeiros tempos de casamento? Coisa horrível, não é, Irene? A lágrima que correu no teu rosto no dia em que eu fui embora...
Até os versos, Irene, que eu iria escrever em tua homenagem, me foram roubados pelo poeta Manuel Bandeira:
"...Imagino Irene entrando no céu:
- Licença, meu branco?
E São Pedro bonachão:
- Entra, Irene! Você não precisa pedir licença!"
sexta-feira, 7 de maio de 2010
HOMENAGEM A TODAS AS MÃES

Ser Mãe é concentrar em si a essência do Amor!
É doar-se ao filho até a última conseqüência;
Ser Mãe é ser estrela de grande fulgor
Para brilhar no mundo em Luz e Providência!
Ser Mãe é ter a suavidade de uma flor!
É ser perfume do amor e da benquerença;´
É ser um sol de beneficente calor;
É ser Paz, é ser ternura, e é ser clemência!
Ser Mãe é ser eterna e sublime Poesia!
É trazer n'alma e face um traço de Maria,
A Mãe das mães, de divina maternidade...
Ser Mãe é ser em Deus um vulto extraordinário;
Mãe é ser missão: cruz que se leva ao Calvário,
A doar-se em amor, para sonhar a Eternidade!
sábado, 1 de maio de 2010
As Marcas do Discurso Poético de Neide Azevedo Lopes - F.S. Nascimento

Com essa vocação poética, ver-se-iam crescidos enlevos nesssa sua linguagem drummondiana,
firmando-se definitivamente como um marco nesse gênero, em que avultam tantos intelectuais
na terra alencarina.
Em sua atraente produção, nos versos de “Seis da tarde”, Neide Azevedo avançaria com seus enlevos, narrando artisticamente “A valsa e o vestido”, “Perplexidade”, “Último canto” e “Teoria dos afetos” – este, assim expresso: “Sinto-te o repetido gesto / Tomo-te a mão que não vejo. / Teus olhos seguem-me os passos / Qual flecha, adelgada e nua...”
Na fonologia poética, a tonância só assinalada no final de cada poema representa uma propensão da maior relevância.
Esse fino labor poético se verá maravilhosamente praticado pela intelectual Neide Azevedo, mencionando-se os poemas “Canção do ano que finda”, “Elegia alvissareira”, “Memória do dia” e “Ritual”.
da escritora. Com essa dupla propensão, sua linguagem poética se mostraria cada vez mais alicerçada, crescendo em nossa terra alencarina o número de seus admiradores. No poema “Sinos”, a notável Neide Azevedo Lopes se mostraria enlevada com as tendências naturais e encantatórias desse natural e simbólico instrumento universal, expondo doze de suas atribuições sonoras e relevantes. Quanto ao poema “Velas”, já nos seus primeiros quatro versos ficaria ressaltada a projeção natural de “Sete montanhas...” Lindas, lúcidas e fugidias, em seus três versos finais, assim defindos: “Múltiplos brilhos / Pontilhando em clarões / Nossos caminhos”. Transferindo esses enfoques para o “Mapa dos afetos”, em suas linhas expressivas ver-se-ia exposta mais uma expressividade poética da autora, somente o seu último verso ganhando o sinal gráfico da reticência. Já, no poema seguinte, “Menina Glória”, em seus quatro duplos contextos expressivos somente ver-se-ia um ponto final e uma conclusiva reticência. E, em mais este poema “Silêncios e atalhos”, em suas duas últimas estrofes é que eram impostas duas vírgulas internas, predominando o marcante olhar da criatividade.
Com a leitura dos demais poemas dessa “Teoria dos afetos”, ver-se-ia crescida a modernidade da poetisa Neide Azevedo. Sem nenhuma esnobação artística, com a editoração deste atual acervo, sua jornada acadêmica se mostrará plenificada. Historicamente, este será um grande marco da glorificação intelectual.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
A LETRA POÉTICA DE SILVIO, BENDITO PELOS SANTOS

Lendo a mensagem a Garcia, ficamos cheios de entusiasmo, e acabamos dizendo a nós mesmos que nada nos impedirá de conquistar o mundo. Ao nos depararmos com mais uma obra de Silvio dos Santos Filho, temos a certeza de sua evolução literária e de sua construção na prosa poética, de sua persistência em levar sua mensagem aos leitores e a eles permitir ter esperança. A cada tijolo colocado, sua obra se engrandece e se descortina diante de nossos olhos num deslumbramento pulsante.
Há neste livro um sopro de energia que nos passeia à alma, nos envolve o semblante, nos traz alegrias, nos permite muitos momentos de emoções. Os textos produzidos em linguagem simples nos mostram um autor de espírito grande e a conduta sublime dos bons, auferindo das coisas e do tempo motivações e arrebatamentos, mostrados em sua obra, os quais se tornam para nós, retratos de um dia-a-dia de expressões cristalinas e o doce perigo da aventura a rondar nossas pegadas.
Silvio dos Santos Filho mostra-se maduro, aprimorado pela experiência, vivido em suas leituras, cujo exercício maior é a imaginação. Consciente de que muitos se perdem em outros lugares, ele trabalha com a paciência de um artesão, fazendo e refazendo as rendas de um bordado demorado, cuidadoso. Vai cortando arestas e plantando raízes que, sabe muito bem, darão planta boa, forte, fluente.
Pela frente, sabe que tem o horizonte perpétuo dos filhos de Orfeu e sabe, também, que traz nesta obra um recado: que viver é o mais importante e necessário. Mesmo passando por agruras, devemos pensar no amanhã, que será sempre melhor que o hoje. As perdas, as decepções, as lamúrias devem ser deixadas de lado, e o sorriso leve e morno de um amigo pode nos redimir de todo e qualquer mal.
Seu livro é rico em detalhes, em verbos conjugados, em veredas a serem desvendadas, e cada leitor que nele ponha as mãos vai se enxergar em algumas das histórias nele contidas. Há nesta publicação uma riqueza de temas, com os quais o autor constrói sua escritura e nos cristaliza as sensações.
Imaginamos vários lugares em um só, várias pessoas numa só, muitos momentos em nenhum especial. O comum dá lugar ao vertical, ao poético jeito do autor nos apresentar sua prosa. Essa verdade estética é experiência amorosa, é maneira simples de edificar o crescimento literário deste homem que desvenda sua alma e fala de amor e morte como se esses sentimentos fizessem parte de um só itinerário.
As palavras se ampliam e criam asas, voando entre figuras de linguagem e o esboçar de um distinto ato de doação: o amor.
Em seus passos de andarilho, vem açoitando as mulas mancas que teimam em estacionar em seu trajeto, tirando lições e criando alguns truques de como enganar o destino, riscando um traço a cada esquina e fazendo curvas em toda a extensão de seus afetos.
A literatura é sua senhora e dona, amada e amante de quase todas as horas. A terra de Iracema e Alencar o acolheu de braços abertos e não se arrepende de ter registrado em seu cartório maior, o coração, esse filho bondoso, vindo de longe para ser o mais fiel intérprete da alma nordestina, dando o tom certo às canções que vem compondo por esse caminhar poético.
Retire as pedras, sopre a poeira e acalente suas serenas lembranças de menino sonhador, de ilustre caminhador, de condutor maior do seu passeio em busca desta que é a única construção à qual o homem se permite, sem medos e sem moléstias, que é a busca para a felicidade e a certeza de todas as conquistas!
O que justifica viver é a busca da felicidade.
Este é um livro para ser delicadamente folheado e lido sem pressa!
Rejane Costa Barros
Da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil
quarta-feira, 28 de abril de 2010
A BIENAL COM O OLHAR VOLTADO ÀS NOVAS GERAÇÕES - Evan Bessa
Acompanho a Bienal Internacional do Livro desde o início de sua instalação em nossa capital. Tenho observado que a cada evento está havendo maior receptividade por parte do público. Adultos, jovens, adolescentes, crianças lotam os pavilhões do Centro de Convenções atentos, curiosos e sempre querendo se informar e participar da programação oferecida.Este ano o tema é bem sugestivo: “O livro e a leitura dos sentimentos do mundo”. Uma homenagem está sendo feita à escritora Rachel de Queiroz, na passagem de seus 100 anos. A motivação torna-se ainda mais atraente, uma vez que além da autora ser cearense, sua obra é rica e múltipla, voltada sempre às raízes, ao seu povo e à sua gente.
O que reputo de uma importância fundamental nas bienais é que o fluxo de crianças e jovens das escolas vem aumentando significativamente. Há um incentivo por parte das autoridades e gestores escolares, no sentido de que cada aluno adquira livros a seu gosto para, de fato e de direito, tornarem-se verdadeiros cidadãos e leitores. Fomentar o hábito da leitura desde cedo é uma necessidade primordial; pais e professores devem propiciar essa aventura deliciosa aos filhos e alunos. E o que vemos a todo instante na Bienal são escolas com alunos de todos os níveis de ensino, visitando os stands e participando das atividades. Olhinhos buliçosos percorrem os vários painéis e balcões de livros coloridos espalhados ao longo da feira. A animação e a curiosidade dos pequenos leitores que estão despontando sugerem que as gerações futuras terão uma maior predisposição para fazer do livro o companheiro dileto - o amigo de todas as horas, o objeto de desejo.
O ato de ler com compreensão, sabendo interpretar um texto, é, ainda, uma das maiores dificuldades encontradas em sala de aula. A dificuldade na leitura compromete as demais habilidades e competências no ensino e na aprendizagem cotidiana.
Vejo com bastante entusiasmo e otimismo o caminhar desses novos leitores na busca da cidadania e do poder de informação. O livro como investimento para uma população, onde o acesso a esse material ainda se constitui objeto muito caro, não deve ser privilégio de alguns, mas estar disponível a todos. Poucas famílias podem proporcionar aos seus filhos uma pequena biblioteca em casa; a maioria dos alunos só conta com o acervo que existe nas escolas. Hoje, tenta-se modificar essa realidade.
Mesmo no mundo em que vivemos de grandes avanços e inovações tecnológicas, nada substituirá o prazer de ter um livro em mãos, viajar nas suas histórias, conhecer lugares, descobrir o desconhecido, enfim, fazer da leitura uma forma de lazer e, ao mesmo tempo, uma atividade prazerosa.
A IX Bienal Internacional do Livro no Ceará vem, mais uma vez, estimular leitores, ilustradores, escritores nas suas produções literárias, e o grande público em geral, a se tornarem fiéis e verdadeiros amantes da boa leitura.


























