sábado, 20 de outubro de 2012
Blanchard Girão: Uma Canção Invisível
Mário
Quintana nos apresenta em seu poema O Mapa os seguintes versos:
“ Quando eu for, um dia desses,
Poeira
ou folha levada
No
vento da madrugada,
Serei
um pouco do nada
Invisível,
delicioso
Que
faz com que o teu ar
Pareça
mais um olhar,
Suave
mistério amoroso,
Cidade
de meu andar
(Deste
já tão longo andar!)
E
talvez de meu repouso...”
Hoje é um dia diferente, especialmente
diferente dos demais, porque temos diante de nós a grande responsabilidade de
reverenciar este que foi e continuará sendo a grande expressão do nosso
jornalismo, a matéria viva a discorrer os fatos com leveza, a voz plácida e
mansa revelando caminhos e abrindo fronteiras.
Blanchard Girão foi, sem dúvida, um
homem marcante. Sua presença se fazia extremamente necessária em qualquer
ambiente. Sempre foi um homem paciente e soube respeitar todas as opiniões que
lhe cercavam.
Num primeiro momento, poderia parecer
uma pessoa séria demais, mas a convivência com ele nos fazia perceber que era
além de profundamente inteligente, um formador de opinião incondicional, sua
arma maior, a comunicação, era seu escudo e a palavra sua espada, a conduzir as
atitudes e a empreender a imagem de um homem plácido e positivo.
Em 1964 teve o seu mandato de Deputado
Estadual cassado.
Diz-nos o Poeta Juarez Leitão: “E,
como não tivesse um dispositivo legal para lhe enquadrar e lhe tomar a
delegação do povo, a genuflexa e apavorada Assembleia Legislativa alegou que o
nosso elegante e gentil Blanchard Girão era um praticante contumaz da falta de
decoro parlamentar, talvez um desbocado, um arauto do baixo calão ou, quem
sabe, um menestrel das obscenidades. Nessa mesma lista de acusados de praticar
a inconveniência vocabular e moral figuraram outros ilustres deputados que a
sociedade conhecia como verdadeiros “varões de Plutarco”. Seus nomes, faço
questão de ressaltar nesta apresentação, estão entre os que enchem de dignidade
e orgulho a história de nossa terra: Pontes Neto, Aníbal Bonavides, Raimundo
Ivan Barroso, Amadeu Arrais, José Fiúza Gomes e Blanchard Girão.
Em dias do mês de junho, do ano de,
2001, a Assembleia Legislativa do Ceará, por iniciativa extremamente lúcida de
seu Presidente, Deputado Wellington Landim, reparou esta grande injustiça, este
inominável disparate histórico. Ali, de cabelos grisalhos, na seara da
maturidade, três daqueles deputados (Blanchard, Amadeu e Fiúza) eram acolhidos
para receber as desculpas da Casa do Povo pelo equívoco vergonhoso. Pontes
Neto, Aníbal e Raimundo Ivan, infelizmente, só através do remorso das rezas
podem ser alcançadas para o pedido de desculpas.”
O Senador Inácio Arruda lembra que
Blanchard Girão foi testemunha dos principais acontecimentos da história
recente do país, tendo sido protagonista de episódios marcantes na luta pela
democratização. Por isso, é que vemos nesse grande escritor uma figura marcante
e cheia de encantamento.
Era um homem honrado, que não atacava a
honra alheia e mesmo quando os momentos eram acirrados ele se desviava dos
infortúnios possíveis que isso pudesse lhe causar. Sua honestidade nunca foi
posta em dúvida porque sempre teve a identidade de um ser humano respeitado e
íntegro.
José Blanchard Girão Ribeiro, famoso
nas lides jornalísticas cearenses, fez vir a lume um livro que intitulou “Dr.Waldemar,
O Médico, O Político”, publicado em Fortaleza em abril de 1992, em que
traça uma análise sobre a vida e a obra daquele importante homem público
cearense, um dos fundadores da Faculdade de Medicina e um político de sucesso,
que alcançou o Senado Federal e o Governo do Estado.
O nobre jornalista Blanchard militou na
imprensa desde os 14 anos. Iniciou sua carreira na revisão da desaparecida
“Gazeta de Notícias” e percorreu as principais redações de jornais cearenses, praticando
também Publicidade e atividades no Rádio.
Dirigiu a Rádio Dragão do Mar, a partir
da sua fundação, em 1958, até se eleger Deputado Estadual no ano de 1962.
Blanchard era advogado, e quando perdeu seu mandato de Deputado passou a
praticar a advocacia, muito embora nunca tenha se afastado do jornalismo,
escrevendo sem assinar, quando a repressão lhe marcou cerradamente.
Ocupou várias funções junto ao
jornalismo: foi revisor, repórter, redator e exerceu função de chefia de
setores e o cargo de Editor-Chefe do Jornal O Povo. O imenso jornalista também
era formado em Letras, e, com essa sua formação, exerceu por um período, curto
diríamos, o magistério. Ocupou o cargo de Superintendente da Televisão
Educativa (TVE) e foi Subsecretário de Cultura e Desporto.
Blanchard Girão produziu muitas obras,
dentre elas uma muito importante, intitulada: Passageiros do Ontem e do
Sempre, livro que nos permite conhecer muitos fatos importantes de resgate
de uma história alimentada de recordações.
O poeta Juarez Leitão em noite de
prefácio e apresentação da referida obra assim fala sobre Blanchard: “Esta
noite estamos mais uma vez diante de BLANCHARD GIRÃO, um homem que tem o tempo
como a matéria-prima de sua escritura. O tempo, que outro poeta, Augusto dos
Anjos, chamou de ‘este operário da ruína’, nas mãos de Blanchard ganha fulgor e
vida, ilumina-se de paixão, solfeja saudades e ardentes emoções, chora e ri,
faz-se manhã e noite, canta pesaroso ou frenético com as coisas vivas
movimentando-se nas estações da sorte.
... Por isso é imensamente
compensador quando percorremos um livro como o que saudamos nesta noite, um
livro de relembranças, e nele encontramos o tempo sem mágoas e sem rancores,
cheio de luz intensa e altruísmo, das alegrias da infância, do calor da
família, da paz serena e doce que as velhas cantigas murmuravam em franco
enternecimento”.
A obra de Blanchard resgata cearenses
ilustres que “não estão devidamente lembrados pelo povo”, segundo o
autor. Esse homem que fala sobre saudade e nos leva a um passeio no céu,
despe-nos de todas as vaidades, de todos os absurdos, nos eleva a planos sem
limites de imaginação. Semeou benquerenças e se fez grande sem ser soberbo,
descortinou-se em vários segmentos da realidade artística, foi muitos em um e
percorreu outras estradas ao encontro do amor, achando a sua Cleide, que, como
ele mesmo dizia: “Era sua companheira leal e solidária”. Tiveram quatro
filhos: Luís Carlos, Ana Veruska, Marta Vanessa e Blanchard Filho, os frutos
bem produzidos desse amor que foi seu sustentáculo.
Foi ao longo de sua vida recompondo
seus pedaços e nos permitindo essa convivência saudável e amiga. Sua
inteligência nos provocava admirações e agradáveis devaneios. Suas histórias
nos permitiam viagens fantásticas. Só a mão encantada de um jornalista de seu
porte poderia mesmo nos emprestar ao longo da vida, outras vidas para que nelas
pudéssemos frutificar as nossas histórias, revisar nossa saudade, construir
nossos edifícios e restaurar as pontes destruídas.
O Livro, Passageiros do Ontem e do
Sempre é uma obra de arte criada por seu escultor que foi ao longo de um
tempo guardando boa argamassa para o preparo dessa que seria sua grande
construção.
Este livro é um documento vivo de fatos
marcantes de nossa história, sobre essa cidade encantada que ele viu se
transformar e conseguir cores novas, sobre essa Fortaleza mágica, Noiva do
Sol, brava e de filhos valentes, essa cidade esplendidamente poetizada pela
admiração do nosso Blanchard Girão.
Dividiu os capítulos deste livro com as
lembranças e suas saudades. Relembrou amigos e episódios em destaque vivo em
sua memória.
Muitas vezes deve ter regado seus
relatos com as lágrimas que o acompanharam nesses saudosos golpes. O próprio
autor explicando o livro em certa altura nos esclarece: “O livro é, pois,
uma viagem através desse roteiro na companhia de fulgurantes personalidades, a
quem procuro louvar e enaltecer, trazendo-as de volta à cena por meio de
episódios de que fui testemunha e, em alguns casos, participante. Trabalho que
debito às folhas da memória desgastada e à carência de um arquivo que pudesse
ter preservado tudo o quanto, por mais de meio século, pude acompanhar mais ou
menos de perto. Vale, contudo, como um projeto inicial, que fica no aguardo de
conclusão de minha parte ou de alguém mais capacitado a registrar os fatos e os
atores deste Século XX de tantas transformações e conquistas”.
Esta obra de Blanchard Girão poderia
ter sido um escrito amargo, lacrimoso, de sofrimento moral, de remorsos. Por
certo, não lhe faltariam razões, mas ele com sua inteligência peculiar resolveu
fazer deste depoimento um ato de gratidão, e conosco repartir suas emoções,
suas tristezas e suas alegrias. Tinha um ar melancólico, mas era um ser humano
extremamente doce e cauteloso; traduzia sentimentos de alegria, paciência, uma
pessoa dessas bem raras de se encontrar.
Li um fato interessante sobre ele, o
relato de um acontecimento de 1964, na Faculdade de Direito, que bem reflete a
bravura desse jornalista. “Por ocasião da formatura da turma de direito, o
único que não poderia estar na solenidade era Blanchard, porque era procurado
pela Polícia por causa de seus ideais de liberdade e se opor ao regime que se
instalava. Todos os alunos saíram do evento e foram a casa da vizinha em que
Blanchard estava escondido e exigiram que ele fosse a solenidade ou a Polícia teria
de prender a todos. Blanchard acabou indo à solenidade”.
Dentre os muitos contos infantis que
conheço há um que fala de um andarilho que tinha duas mochilas. Numa, ele
guardava as pedras que tropeçava e na outra ele guardava as flores que lhe
ofereciam perfume.
Quando lhe perguntavam por que as
pedras, ele dizia que os tropeços aceleravam a caminhada. Quando lhe
perguntavam por que as flores, ele dizia que o perfume atraía para os caminhos
mais prazerosos.
No fim da estrada ele se livrou da
mochila que pesava e continuou com aquela que tornava mais leve o seu caminhar.
Imaginamos que o nosso grande jornalista também carregava suas duas mochilas e
nesse seu trajeto, foi se livrando de muitas pedras e guardando muitas flores
que lhe perfumaram a vida. Teve por perto aqueles que estavam presentes nas
horas em que precisava de um sinal para dar mais um passo.
Lembro-me dele na festa de sessenta
anos da Sociedade de Assistência aos Cegos, onde naquela noite lançava o livro
“Ensinando a Ver o Mundo” e lembro-me principalmente, de como estava
feliz por poder escrever a história daquela Casa. Passara meses pesquisando e
nos apresentou àquela noite, um livro maravilhoso, em que minuciosamente
relatou episódios marcantes. E com que satisfação desfilou por aqueles jardins
exibindo sua cria e dividindo-a com todos os presentes.
Em uma carta de 11 de fevereiro de
1959, escreveu para, a então noiva, Cleide: “Talvez veja o mundo com que
sonhei sempre. Mas, meus filhos ou meus netos, tenho certeza, jogarão rosas
vermelhas sobre meu túmulo e dirão orgulhosos: Ele sempre pensou num mundo bom para todos”.
Perdemos em 25 de março do ano de 2007 o
talento imenso de Blanchard Girão, sua admirável convivência, sua inteligência
plena de lucidez e de leveza. Sua partida entristeceu o mundo jornalístico e
intelectual. A cidade ficou órfã e caiu sobre nós um vazio profundo, uma
angústia que veio sem aviso. Aquela notícia triste parecia não fazer sentido:
mas era a dura face da realidade irreparável. Numa hora ele estava ali, vivo, a
sorrir e conversar, a fazer planos de vida e de futuro. Num outro momento,
estava morto, tombado sem vida, desmanchado em total sossego e calma.
Ousadia é o que melhor define a atitude
histórica do povo cearense. Somos uma gente destemida, uma raça de audazes,
pois, como mostra a História, o Ceará não possui a reticência dos parvos, não
contorna os desafios nem teme os confrontos.
Sempre achamos um caminho para a meta
do horizonte desejado e, se o caminho não existe, nós o inventamos e pelo novo
rumo pomos em marcha a nossa criatividade, o nosso talento e essa garra
indômita de conquistadores. As fronteiras de nossa ousadia são, sem dúvida,
infinitas.
Edmilson Caminha assim falou sobre
Blanchard Girão: “Com a morte de Blanchard Girão, desaparecem não apenas o
jornalista brilhante, o político sério, o escritor de talento, mas também o ser
humano que, pela nobreza espiritual e pela generosidade dos sentimentos, fazia
o mundo melhor e a vida mais bela. Homem de imprensa, honrou o jornalismo
brasileiro, pela coragem pessoal e pela bravura cívica que o levaram a defender
a liberdade e a justiça a que todos os povos têm direito. Mais do que uma
simples lembrança, Blanchard nos deixou um legado e um exemplo. Legado de
sabedoria, de lucidez e de retidão intelectual, exemplo de cordialidade humana,
de solidariedade fraterna e de amor ao próximo. Morto, continuará, por isso, a
viver na saudade dos amigos e na memória de seu povo”.
Blanchard Girão se foi. Nada, porém,
conseguirá substituir essa grande ausência. A dor exerce sem pudor a sua
soberania. Porque, quando um escritor morre, todos ficamos mais pobres. Pobres
de vida, pobres de cor e som, pobres de símbolos, pobres de luz. Pobres de
tudo.
Quem o conheceu sabe que era portador
da sublimidade. Os amigos não se negam em proclamar suas altaneiras qualidades
humanas. Há neste mundo os que lutam pelo sucesso pessoal e se esforçam para
atingir um patamar de conforto e dignidade para si e para a sua família, o que
é justo, compreensível e natural. E Blanchard era assim. A morte de um homem
que fez tanto por nossa cultura deve ser lastimada pelo Ceará. Ele foi um
exemplo incentivador para os jovens, para os que têm vocação e se doam por
inteiro no ofício do aprendizado, do conhecimento.
Quando as novas gerações perguntarem
quem foi esse homem, a História terá a oportunidade de responder: Blanchard
Girão foi um grande jornalista, um excelente escritor, um imenso amigo, um
benfeitor do povo!
A história de vida desse homem nos
servirá sempre de exemplo, pois este mestre nos ensinou que ser bom e íntegro é
essencial. Sua mansuetude e serenidade nos davam lições a cada dia e nos
ensinava que saber esperar as transformações do tempo, melhora o ser humano em
todos os aspectos.
Blanchard passou a vida semeando o bem.
Talentoso e ativamente produtivo merecia ter se assentado numa cadeira da
Academia Cearense de Letras. Mas agora, é Patrono da cadeira 40 na Academia
Cearense de Literatura e Jornalismo, ocupada pelo jornalista Marcos André
Borges e por certo muito honra a Academia e aos acadêmicos, pois esse grande
homem além de excelente profissional foi um ser humano altaneiro que pôs sua
inteligência a serviço da honra, da dignidade e da cidadania.
MUITO OBRIGADA!!!!!
16.10.2012
domingo, 14 de outubro de 2012
A TI, PROFESSOR!
Professor, você faz a história
Professor
Em cada projeto arquitetônico,
vejo o primeiro traço impresso no coração do arquiteto.
O arquiteto é obra sua, professor!
Em cada casa construída,
vejo o alicerce que está por trás do engenheiro.
O engenheiro é obra sua, professor!
Em cada correto julgamento,
vejo o senso de justiça implantado na consciência do juiz.
O juiz é obra sua, professor!
Em cada causa defendida
vejo a tramitação do processo
e todo caminho percorrido para tornar esse defensor
um verdadeiro advogado.
O advogado, é obra sua, professor!
Em cada paciente bem atendido,
vejo na face do médico,
a abnegação e a doação de vida a ele dedicado.
O médico é obra sua, professor !
Em cada animal que recebe cuidados especiais,
vejo nas mãos do veterinário
a marca do afeto recebido de você um dia.
O veterinário é obra sua, professor!
Em cada aula ministrada,
vejo, no semblante do mestre,
o reflexo da sua imagem
com toda bagagem e experiência doada.
O mestre é obra sua, professor !
Portanto hoje,
não se comemora apenas o dia de um profissional,
mas comemora-se a esperança, o desenvolvimento.
Porque se trata da célula que emana vida
e origina toda e qualquer profissão.
Parabéns, professor!
Você pode não ser reconhecido.
Mas por você,
passam todo o progresso e grandeza cultural do país.
OBRIGADA, PROFESSOR!!!
vejo o primeiro traço impresso no coração do arquiteto.
O arquiteto é obra sua, professor!
Em cada casa construída,
vejo o alicerce que está por trás do engenheiro.
O engenheiro é obra sua, professor!
Em cada correto julgamento,
vejo o senso de justiça implantado na consciência do juiz.
O juiz é obra sua, professor!
Em cada causa defendida
vejo a tramitação do processo
e todo caminho percorrido para tornar esse defensor
um verdadeiro advogado.
O advogado, é obra sua, professor!
Em cada paciente bem atendido,
vejo na face do médico,
a abnegação e a doação de vida a ele dedicado.
O médico é obra sua, professor !
Em cada animal que recebe cuidados especiais,
vejo nas mãos do veterinário
a marca do afeto recebido de você um dia.
O veterinário é obra sua, professor!
Em cada aula ministrada,
vejo, no semblante do mestre,
o reflexo da sua imagem
com toda bagagem e experiência doada.
O mestre é obra sua, professor !
Portanto hoje,
não se comemora apenas o dia de um profissional,
mas comemora-se a esperança, o desenvolvimento.
Porque se trata da célula que emana vida
e origina toda e qualquer profissão.
Parabéns, professor!
Você pode não ser reconhecido.
Mas por você,
passam todo o progresso e grandeza cultural do país.
OBRIGADA, PROFESSOR!!!
Elimary Matias Rodrigues
terça-feira, 2 de outubro de 2012
POEMA DE GISELDA MEDEIROS
Trago junto a mim
o doce lamento
do vento
nas palmas da minha infância.
E o som lúgubre
das cantigas silenciosas
das baladas
junto às rosas.
Trago um mafuá
de sonhos. Mais nada...
e nestes teu nome
a despertar-me em auroras.
o doce lamento
do vento
nas palmas da minha infância.
E o som lúgubre
das cantigas silenciosas
das baladas
junto às rosas.
Trago um mafuá
de sonhos. Mais nada...
e nestes teu nome
a despertar-me em auroras.
domingo, 23 de setembro de 2012
SONETO ALEXANDRINO PARA ZINAH ALEXANDRINO (AUTORA DE SUTILEZAS)
Ó nobre poetisa de mil Sutilezas,
De versos delicados, versos cristalinos,
Que possuem a cor e o sabor das framboesas
Por serem gustativos em seus dons divinos...
Teu Livro nos encerra múltiplas riquezas.
Em cada poema, o amor nos leva a mil caminhos...
Desde o Ágape Amor aos de menor realeza;
Mas, em tudo há calor para embalar os ninhos...
Longo o percurso desse filho temporão,
Que te nasceu por força do Pai da Criação,
E, que hoje, brilha aos olhos de ávidos leitores...
E, para assim dizer sobre os teus dons divinos,
Quis tecer para ti versos alexandrinos,
Em prol desse teu Livro que fala de amores...
Autor: J. Udine – 23-09-2012.
De versos delicados, versos cristalinos,
Que possuem a cor e o sabor das framboesas
Por serem gustativos em seus dons divinos...
Teu Livro nos encerra múltiplas riquezas.
Em cada poema, o amor nos leva a mil caminhos...
Desde o Ágape Amor aos de menor realeza;
Mas, em tudo há calor para embalar os ninhos...
Longo o percurso desse filho temporão,
Que te nasceu por força do Pai da Criação,
E, que hoje, brilha aos olhos de ávidos leitores...
E, para assim dizer sobre os teus dons divinos,
Quis tecer para ti versos alexandrinos,
Em prol desse teu Livro que fala de amores...
Autor: J. Udine – 23-09-2012.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
domingo, 16 de setembro de 2012
VICENTE ALENCAR HOMENAGEIA A POETISA ZÊNITH FEITOSA
A MORTE DE SANTA RITA (AS ABELHAS)
Zênith Feitosa
Zênith Feitosa
Sussurro de asas. Réquiem toca o sino.
São anjos na capela do Convento...
Rita morre! Belíssimo destino
que se eterniza em Deus, nesse momento!
E as suas "amiguinhas"? - Ah, ferino
é o ferrão da saudade e desalento!
Abelhas , cujo dorso pequenino
não tem ferrão.. que irônico tormento!
Sofrem as abelinhas. Dói a falta
de Rita, amiga desde tenra infância,
e como que enlutadas ficam. Sim!
Brancas, tornam-se negras... Tanto exalta
seu dorso o luto que hão de, em fiel constância,
negras viver nos muros do jardim!
Zênith Feitosa nasceu na cidade de JARDIM, na região do Cariri, em 02 de novembro de 1932.
Se viva estivesse completaria dentro de poucos dias 80 anos.
Fez sua última viagem em 05 de março de 2001.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
CLEUDENE ARAGÃO ENCANTA PLATEIA AJEBIANA
Com sua simpatia, sempre com um sorriso nos lábios, a Escritora Cleudene Aragão deixou sua marca registrada no universo da AJEB, momento no qual, em palestra agradabilíssima, enriqueceu-nos, cantando e decantando "as terras contadas e encantadas de Mia Couto". Foi um passeio pelo mundo subjetivo da obra desse genial homem de letras.
Além do mais, a exposição, uma verdadeira aula de literatura, despertou, na plateia, principalmente, naqueles que ainda não conheciam a obra de Mia Couto, a vontade de lê-lo e peregrinar através das suas bem construídas metáforas, desvendando-lhe os mistérios e sorvendo páginas inteiras de real beleza.
Agradecemos, jubilosamente, à Cleudene Aragão, por esse momento tão rico, proporcionado pela competência, pelos conhecimentos, enfim, pela inteligência da professora, mestre, doutora, ensaísta e escritora e, para nosso gáudio, amiga, Cleudene Aragão.
A seguir, exibiremos o registro desse momento.
Além do mais, a exposição, uma verdadeira aula de literatura, despertou, na plateia, principalmente, naqueles que ainda não conheciam a obra de Mia Couto, a vontade de lê-lo e peregrinar através das suas bem construídas metáforas, desvendando-lhe os mistérios e sorvendo páginas inteiras de real beleza.
Agradecemos, jubilosamente, à Cleudene Aragão, por esse momento tão rico, proporcionado pela competência, pelos conhecimentos, enfim, pela inteligência da professora, mestre, doutora, ensaísta e escritora e, para nosso gáudio, amiga, Cleudene Aragão.
A seguir, exibiremos o registro desse momento.
sábado, 4 de agosto de 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
CURIOSIDADES LITERÁRIAS
O escritor Wolfgang Von Goethe escrevia em pé. Ele mantinha em sua casa uma escrivaninha alta.
O escritor Wolfgang Von Goethe escrevia em pé. Ele mantinha em sua casa uma escrivaninha alta.
O escritor Pedro Nava parafusava os móveis de sua casa a fim
de que ninguém os tirasse do lugar.
Gilberto Freyre nunca manuseou aparelhos eletrônicos. Não
sabia ligar sequer uma televisão. Todas as obras foram escritas a bico de pena,
como o mais extenso de seus livros, Ordem e Progresso, de 703 páginas.
Euclides da Cunha, Superintendente de Obras Públicas de São
Paulo, foi engenheiro responsável pela construção de uma ponte em São José do
Rio Pardo (SP). A obra demorou três anos para ficar pronta e, alguns meses
depois de inaugurada, a ponte simplesmente ruiu. Ele não se deu por vencido e a
reconstruiu. Mas, por via das dúvidas, abandonou a carreira de engenheiro.
Machado de Assis, nosso grande escritor, ultrapassou tanto
as barreiras sociais bem como físicas. Machado teve uma infância sofrida pela
pobreza e ainda era míope, gago e sofria de epilepsia. Enquanto escrevia
Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado foi acometido por uma de suas piores
crises intestinais, com complicações
para sua frágil visão. Os médicos recomendaram três meses de descanso em
Petrópolis. Sem poder ler nem redigir, ditou grande parte do romance para a
esposa, Carolina.
Graciliano Ramos era ateu convicto, mas tinha uma Bíblia na
cabeceira só para apreciar os ensinamentos e os elementos de retórica. Por
insistência da sogra, casou na igreja com Maria Augusta, católica fervorosa,
mas exigiu que a cerimônia ficasse restrita aos pais do casal. No segundo
casamento, com Heloísa, evitou transtornos: casou logo no religioso.
Aluísio de Azevedo
tinha o hábito de, antes de escrever seus romances, desenhar e pintar, sobre
papelão, as personagens principais mantendo-as em sua mesa de trabalho, enquanto
escrevia.
José Lins do Rego era fanático por futebol. Foi diretor do
Flamengo, do Rio, e chegou a chefiar a delegação brasileira no Campeonato
Sul-Americano, em 1953.
Aos dezessete anos, Carlos Drummond de Andrade foi expulso
do Colégio Anchieta, em Nova Friburgo (RJ), depois de um desentendimento com o
professor de português. Imitava com perfeição a assinatura dos outros.
Falsificou a do chefe durante anos para lhe poupar trabalho. Ninguém notou.
Tinha a mania de picotar papel e tecidos. "Se não fizer isso, saio matando
gente pela rua". Estraçalhou uma camisa nova em folha do neto.
"Experimentei, ficou apertada, achei que tinha comprado o número errado.
Mas não se impressione, amanhã lhe dou outra igualzinha."
Numa das viagens a Portugal, Cecília Meireles marcou um
encontro com o poeta Fernando Pessoa no café A Brasileira, em Lisboa. Sentou-se
ao meio-dia e esperou em
vão até as duas horas da tarde. Decepcionada, voltou para o hotel, onde recebeu
um livro autografado pelo autor lusitano. Junto com o exemplar, a explicação
para o "furo": Fernando Pessoa tinha lido seu horóscopo pela manhã e
concluído que não era um bom dia para o encontro.
Érico Veríssimo era quase tão taciturno quanto o filho Luís
Fernando, também escritor. Numa viagem de trem a Cruz Alta, Érico fez uma
pergunta que o filho respondeu quatro horas depois, quando chegavam à estação
final.
Clarice Lispector era solitária e tinha crises de insônia.
Ligava para os amigos e dizia coisas perturbadoras. Imprevisível, era comum ser
convidada para jantar e ir embora antes de a comida ser servida.
Monteiro Lobato adorava café com farinha de milho, rapadura
e içá torrado (a bolinha traseira da formiga tanajura), além de Biotônico
Fontoura. "Para ele, era licor", diverte-se Joyce, a neta do
escritor.
Também tinha mania de consertar tudo. "Mas para arrumar
uma coisa, sempre quebrava outra."
Manuel Bandeira sempre se gabou de um encontro com Machado
de Assis, aos dez anos, numa viagem de trem. Puxou conversa: "O senhor
gosta de Camões?" Bandeira recitou uma oitava de Os Lusíadas que o mestre
não lembrava. Na velhice, confessou: era mentira. Tinha inventado a história
para impressionar os amigos. Foi escoteiro dos nove aos treze anos. Nadador do
Minas Tênis Clube, ganhou o título de campeão mineiro em 1939, no estilo
costas.
Guimarães Rosa, médico recém-formado, trabalhou em lugarejos
que não constavam no mapa. Cavalgava a noite inteira para atender a pacientes
que viviam em longínquas fazendas. As consultas eram pagas com bolo, pudim,
galinha e ovos. Sentia-se culpado quando os pacientes morriam.
Acabou abandonando a profissão. "Não tinha vocação.
Quase desmaiava ao ver sangue", conta Agnes, a filha mais nova.
Mário de Andrade
provocava ciúmes no antropólogo Lévi-Strauss porque era muito amigo da mulher
dele, Dina. Só depois da morte de Mário, o francês descobriu que se preocupava
em vão. O escritor era homossexual.
Vinicius de Moraes, casado com Lila Bosco, no início dos
anos 50, morava num minúsculo apartamento em Copacabana. Não tinha geladeira.
Para agüentar o calor, chupava uma bala de hortelã e, em
seguida, bebia um copo de água para ter sensação refrescante na boca.
José Lins do Rego foi o primeiro a quebrar as regras na ABL,
em 1955.
Em vez de elogiar o antecessor, como de costume, disse que
Ataulfo de Paiva não poderia ter ocupado a cadeira por faltar-lhe vocação.
Jorge Amado para autorizar a adaptação de Gabriela para a
tevê, impôs que o papel principal fosse dado a Sônia Braga. "Por
quê?", perguntavam os jornalistas, Jorge respondeu: "O motivo é
simples: nós somos amantes." Ficou todo mundo de boca aberta. O clima
ficou mais pesado quando Sônia apareceu. Mas ele se levantou e, muito formal
disse: "Muito prazer, encantado." Era piada. Os dois nem se conheciam
até então.
O poeta Pablo Neruda colecionava de quase tudo: conchas,
navios em miniatura, garrafas e bebidas, máscaras, cachimbos, insetos, quase
tudo que lhe dava na cabeça.
Vladimir Maiakóvski tinha o que atualmente chamamos de
Transtorno Obsessivo-compulsivo (TOC). O poeta russo tinha mania de limpeza e
costumava lavar as mãos diversas vezes ao dia, numa espécie de ritual
repetitivo e obsessivo.
A preocupação excessiva com doenças fazia com que o escritor
de origem tcheca Franz Kafka usasse roupas leves e só dormisse de janelas
abertas – para que o ar circulasse -, mesmo no rigoroso inverno de Praga.
O escritor norte-americano Ernest Hemingway passou boa parte
de sua vida tratando de problemas de depressão. Apesar da ajuda especializada,
o escritor foi vencido pela tristeza e amargura crônicas. Hemingway deu fim à
própria vida com um tiro na cabeça.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
PALESTRA NA AJEB-CE
O
SONETO NA OBRA POĖTICA DE COSTA MATOS
Zenaide Braga Marçal – AJEB – CE
Para a nossa reunião ordinária deste mês,
foi-me dada, dentro da programação estabelecida, a grande responsabilidade de
trazer para nossas confreiras e confrades, um trabalho literário sob tema à
minha escolha. Pensei em algo que pudesse ser do agrado dos presentes e resolvi
comentar alguns pontos da Poesia do nosso tão estimado e saudoso José Costa Matos.
Longe de mim está a pretensão de ser
possuidora de fundos conhecimentos da obra poética desse valioso Poeta, sócio
Honorário da AJEB, assíduo frequentador das nossas reuniões mensais, às quais
trazia o prestígio de sua presença e de suas oportunas intervenções.O título que escolhi para este trabalho – O Soneto Na Obra Poética de Costa Matos – tem como razão de ser, o fato de que tendo sido o Soneto deixado um tanto em segundo plano devido ao Movimento Modernista e à consequente valorização do verso livre, muitos poetas não cultivaram o soneto como forma de expressão de suas inspirações poéticas. No entanto, embora criador de inúmeros poemas em versos livres de extraordinária beleza, o nosso poeta jamais deixou de prestigiar o soneto, de valorizá-lo através de suas criações.
Aqui farei apenas algumas referências de ordem biográfica, até porque não poderia, neste curto espaço de tempo, dizer tudo o que ele foi e o que fez, numa vida que sabemos proficiente, cheia de lutas e de vitórias. José Costa Matos nasceu em Ipueiras, onde fez seus primeiros estudos. A seguir, estudou em Sobral, no Colégio Sobralense e depois em Fortaleza, na UFC, onde se formou
Sua produção literária foi muito fértil, tanto em poesia como em prosa, e, pelo valor de sua escrita e de sua inspiração, foi detentor de muitos prêmios. O seu livro “O Povoamento da Solidão” (poesia) mereceu o Grande Prêmio Minas de Cultura; Obteve o 1° lugar , na categoria Contos, no II Prêmio Ceará de Literatura; 1° lugar no Prêmio Osmundo Pontes de Literatura, em 1996, com seu romance “Rio Subterrâneo”; 1° lugar no III Prêmio Ideal Clube de Literatura em 2000, com seu livro de contos “Na Trilha dos Matuiús, para citar apenas as premiações mais importantes.
Sobre ele escreveu Pedro Nava: “Logo me inteirei de sua poesia direta e sem rebuços. Digo isto porque ela é certeira do poeta ao que o lê”. (...)
Impossível descrever na sua totalidade as qualidades que eram parte integrante de seu caráter, de sua imagem pessoal. Seu pequeno porte físico abrigava um grande ser humano. Na simplicidade, manifestava-se o inspirado poeta, o filósofo, o literato, o amigo, que nos levava a sentir o valor daquela amizade, sempre enriquecedora nas palavras repletas de coerência, de sabedoria, e da fé que lhe norteava a vida e se fazia presente em boa parte de seus poemas, como neste verso livre: “Deus tem oficina de salvação depois da última curva da esperança”.
Num pequeno trecho da sua Meditação de Natal, faz considerações sobre passagens do Evangelho, comparando-o aos dias atuais. Uma dessas considerações é que, referindo-se à transmutação da água em vinho nas bodas de Caná, ele diz que, neste século, Maria pede que a água seja transmudada em água, que se restabeleça a pureza dos rios e dos mares, prejudicados pelos interesses econômicos. Podemos ver que a sua obra continha passagens de cunho social.
Diz, ainda, que “habituado a mentiras e meias verdades, o Brasil sofre uma falta de certezas. E que movimentos altamente dinâmicos representam uma busca de Deus como última instância da esperança”.
Além do encanto de seus escritos, faz belas citações poéticas, como ao dizer que André Gide esquece o seu ateísmo e liberta este deslumbramento da fé: “Foi para nós, Senhor, que fizeste a noite tão profunda e tão bela? Foi por mim? O ar está quieto. Pela minha janela aberta, a lua entra. E eu escuto o silêncio imenso dos céus”.
Mas Costa Matos, com seus poemas “carregados de poesia”, e não vai aqui qualquer redundância, embora autor de versos livres belíssimos, era defensor incondicional do Soneto. Seu livro O povoamento da Solidão contém mini-poemas, poemas em verso livre e 20 Sonetos. Publicou Estações de Sonetos, onde constam 132 sonetos, selecionados dos seus livros de poemas: Pirilampos, As viagens, O Sono das Respostas, Na última Curva de Esperança, O povoamento da Solidão, todos com a marca registrada de sua Poesia. Diz o Poeta que alguns desses sonetos inovam a estrutura métrica e que um verso alexandrino pode estar simétrica e intencionalmente no corpo de algumas estrofes. Vale lembrar que os seus sonetos eram, na maior parte, decassílabos. Na introdução deste livro afirma que Guittone d’Arezzo estabeleceu as regras do soneto no século XIII e diz: “ Já lá se vão setecentos anos. Em vinte e oito gerações, no lado ocidental deste planeta, poetas e leitores sustentam a magia desta forma fixa do mistério poético. [...] “ Seriam todos idiotas, no cumprimento dessa aparente vocação para a eternidade”?
Diz ainda que “ao longo destes séculos, muitos tabeliães da crítica literária lavraram certidões de óbito do soneto. Eles é que desapareceram, deixando poucos ou nenhuns rastros de sua literatura”.
O Poeta nos fala também da constatação de que os sonetos socorrem os jovens, na quase mudez das suas emoções.
Transcrevo aqui um parágrafo inteiro dessa mesma introdução:
“Essa deficiência da expressão fez surgir os grafiteiros. São poetas raivosos. Apóstolos? Mas a escola dessa civilização os desterrou do primeiro capítulo do Evangelho de João: “No princípio era o Verbo”. E eles não receberam a palavra, que está no princípio de tudo. Borram signos, por vezes indecifráveis, nos monumentos e arranha-céus. Amansariam as almas na poesia, livres da sedução da fúria predadora, se escrevessem sonetos como outras gerações mais afortunadas do verbo”.
Quando lemos os poemas de Costa Matos, sentimos o desejo de transmiti-los integralmente, tanto somos tocados pela leveza dos sentimentos ali expressos. Temos, porém, que nos contentar em citar alguns versos apenas, que possam traduzir as passagens mais tocantes, reveladoras de seu pensamento e de sua personalidade.
Escolhi somente dois sonetos que deverão ser lidos na íntegra. No mais, são passagens pela sua poesia, em versos reveladores da singularidade deste poeta. Eis o primeiro, intitulado - A Estrangeira - que será lido por__Pereira de Albuquerque.
A ESTRANGEIRA
Ficaste aqui perto de mim, no entanto,
é como se estivesses longa, agora,
com serras, mares, muito tempo e pranto
crescendo entre nós dois, hora por hora.
Amor que acaba ou que prepara o encanto
das volúpias supremas, como outrora?
Tristeza em ti, em mim tristeza e espanto.
Por essas coisas é que a gente chora.
Esmaece um poente no teu rosto,
onde o sorriso, como um rei deposto,
se asila em tua mística bondade.
E a mim, que já te conheci feliz,
pareces estrangeira no paísda minha vida, capital Saudade...
Continuando: O nosso poeta dizia ter o dom de conhecer as pessoas: “Quando as vozes da ciência em mim se calam / em derredor as coisas todas falam, / contando-me o seu íntimo segredo”.
O amor à terra natal é tema constante na sua obra. O que pensar de versos como estes, do poema em verso livre, A Vida? – “Encher o rio da nossa aldeia / com as lágrimas das saudades da infância”; “Como deve estar linda agora a minha terra, / se andou chovendo assim, qual leio nos jornais”; “Onde eu nasci, há córregos queixosos, / chorando, azuis, no verde das encostas,”.
Sobre os poetas ele disse: “Os poetas sentem quando os poemas passam por perto: / ...rezam sob a bênção das Mãos / que acendem pirilampos nas várzeas”; “Os poetas nada ensinam, / mas relembram: / Somos livros. / E basta saber ler o que já somos”.
Sobre a palavra, no mini-poema Ambiguidade:
“ Há palavras que rosnam como cães
e afugentam, indistintamente,
os ladrões e os amigos”.
Sobre a saudade, no soneto – Quem chamou a Saudade?
“Quem chamou a saudade que é presença
do teu olhar caído sobre mim?”
Também em sonetos:
O Homem e seus gritos – “gritos sem voz nos olhos da miséria”.
O Homem e seus medos – “medo das rugas – drenos de utopias”
Sabemos que o poeta permanece sempre vivo através de sua poesia.
Sobre a Morte, no soneto Senectude, ele escreveu, no 1° quarteto:
“A mim, que penso ser ainda um justo,
merecedor do céu, do eterno enleio,
a morte hedionda não me causa susto,
nem pode ser tão má, segundo creio.
E, sobre a Vida:
“Não encontrei motivo, em toda vida,/ para amaldiçoar o meu caminho./ O bem que eu quero ter, sem muita lida,/ cedo ou tarde se integra em meu carinho.
Mais um soneto escolhido para a leitura o qual ele dedica à sua mãe adotiva:
“As Crisálidas”
Eu era pequenino. Ela fumava.
Acendendo o cachimbo noite e dia,
se uma caixa de fósforo esvaziava,
ela me dava e, rápido, eu corria
à cerca do quintal. Lá revirava
trepadeiras floridas e prendia
lagartas em crisálida que achava.
Uma semana após, quanta alegria!
Ao invés de crisálidas, um bando
de borboletas! E eu as libertava,
brancas, azuis, de toda cor, enfim.
E sob a chuva policroma, quando
fechava as mãos, o bando se escapava,
como tudo o que sonho para mim!
Pois bem, preciso terminar este comentário. Confesso, no entanto, que o que aqui foi apresentado é apenas uma ligeira passagem pela obra deste excepcional Poeta cujos versos contêm pérolas também nas entrelinhas.
Antes, quero prestar-lhe minha homenagem, lendo o que para ele escrevi, em 2009, quando de sua partida, um poema simples que me saiu do coração e que intitulei:
Choverá Saudade.
Tu eras a Poesia.
Por que volatilizar-se?
Doravante
nascerão poemas
nos Campos Elíseos;
novos sermões serão compostos
e encantarão santos Poetas!
Para ver-te,
mil flores luminescentes
sutilmente brotarão
nas veredas do Infinito.
As borboletas,
não mais crisálidas,
em chuva policroma
já não escaparão das tuas mãos...
nem os teus sonhos!
E Choverá Saudade
nos corações que conquistaste!
Estimados amigos, necessária se faz uma leitura sem pressa para que possamos aquilatar o valor de tudo o que pensou e escreveu, não somente o poeta, mas o filósofo e excelente amigo que permanece vivo em nossa lembrança: o ajebiano José Costa Matos.
(Palestra proferida na reunião da AJEB-CE, de 19/6/2012)
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Discurso de entrega do cargo de Presidente da AJEB - CE
Bom Dia a todos
Ilustre escritora e poetisa Zenaide Marçal, nossa vice-presidente, meu sincero reconhecimento por seu amor e trabalho à Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil. Em seu nome cumprimento os demais membros da mesa.
Caríssima escritora e poetisa Evan Bessa, em seu nome cumprimento as demais colegas ajebianas. Caríssimo escritor e poeta Vicente Alencar, presidente da Academia Cearense da Língua Portuguesa e da União Brasileira de Trovadores, em seu nome cumprimento os nossos sócios colaboradores. Caríssima Escritora e Educadora Nirvanda Medeiros, nossa presidente eleita, meus sinceros cumprimentos.
Senhoras e Senhores
É tempo de agradecimento e gratidão, sentimentos que devo externar em meu nome e em nome de minha diretoria. Ao decorrer desses dois anos, enfrentei com muito carinho e dedicação o cargo de presidente da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, a nossa valorosa AJEB, coordenadoria CE.
Quando somos responsáveis, procuramos fazer o melhor ao dirigir uma entidade, em nosso caso a AJEB, ou seja, o que consideramos "o melhor". Precisamos ser guerreiras e ter disposição para o trabalho, procurando encontrar soluções para imprevistos surgidos. Mas com solidariedade e compreensão, em um passo de mágica percorremos caminhos ensolarados.
O acadêmico José Augusto Bezerra, presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Ceará, em um de seus pronunciamentos, nos diz:" Nosso Estado muito tem colaborado com a inteligência nacional. Fundou a primeira Academia de Letras do Brasil, antes da Academia Brasileira de Letras, criou um dos primeiros Institutos Históricos do país, implantou a primeira Secretaria de Cultura em um estado, é sede da Associação Brasileira de Bibliófilos , também a mais antiga em atividade no espaço cultural brasileiro ". Esta terra generosa e rica em valores culturais possui também, uma das mais expressivas coordenadorias da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil. Tal atribuição, deve-se ao empenho e trabalho de nossa presidente de Honra, a acadêmica Giselda Medeiros, que sempre batalhou para que isso fosse possível, e a tenacidade constante das sócias efetivas e sócios colaboradores. Por dez anos Giselda, esteve na presidência estadual e por quatro anos acumulou as duas funções, assumindo também a presidência nacional. Jamais poderia esquecer de citar a garra da escritora e poetisa Zenaide Marçal minha antecessora, que aparentemente frágil e delicada é uma ajebiana das mais experientes e batalhadoras, sempre pronta a contribuir com seu trabalho e dedicação.
Mas, meus amigos, acreditem, eu sou uma pessoa de sorte, e muita sorte... Todas as minhas companheiras de diretoria tiveram um comportamento exemplar, cumprindo suas funções com brilhantismo e amizade, deixando-me assim eternamente grata. E as companheiras ajebianas, esquecendo os seus outros vários compromissos, marcavam presença em nossas reuniões mensais, juntamente com nossos sócios colaboradores, em uma demonstração de amor e fidelidade à AJEB e ao movimento cultural cearense. Quando temos o propósito de colocar nosso pensamento e nossas ações disponíveis a cooperar com a sociedade, nos tornamos úteis à humanidade e assim podemos contornar com clareza e sabedoria as procelas que por ventura nos surpreendam. Costumo exaltar com muito orgulho o desempenho da AJEB e de como conseguimos realizar nossas propostas: reuniões, palestras, antologias, informativo, blog na internet, comemorações, comparecimento aos diversos lançamentos e solenidades, enfim obrigações prazerosas e enriquecedoras em todos os sentidos. Evidentemente surgem opiniões contraditórias, o que é salutar para continuarmos a crescer e atingir novos horizontes. Aparar arestas com tolerância e respeito é sinal de maturidade e sabedoria, e tendo como base esses conceitos, ultrapassamos dificuldades e pelejas. Sempre procurei conhecer meus sonhos e limitações, tentando não me intimidar com os desafios surgidos ao longo da caminhada. Consciente da responsabilidade assumida ao presidir essa Associação que tem por lema "A perenidade do pensamento pela palavra", espero ter correspondido à confiança das companheiras ajebianas durante o período de minha gestão. Posso afirmar, em público, que alegrias e conquistas foram bem maiores que tristezas e decepções. Confesso-me sinceramente penhorada pela honra desse mandato e, nesse momento, entregando o cargo da presidência da AJEB à colega escritora e educadora Nirvanda Medeiros, sinto-me plenamente confiante, pois conheço sua capacidade administrativa e intelectual há bastante tempo, quando juntas fazíamos parte do Lions Clube. Continuarei meu trabalho, seguindo com a nova diretoria em seus ideais e projetos para o futuro promissor que nos aguarda, desejando lançar aqui, minha mensagem de otimismo e fé, a toda família ajebiana que mantém essa corrente de esperança e dedicação em benefício da cultura cearense. Senhoras e Senhores
Pressinto que já é hora de encerrar e costuma-se dizer que entre amigos não há necessidade de fazermos agradecimentos, pois amizade significa partilha. Mesmo assim, não poderia deixar de agradecer a Deus, este momento especial de missão cumprida, a todos os palestrantes que gentilmente aceitaram nosso convite e nos presentearam com a riqueza de seus pronunciamentos, e também às presenças de todos os amigos que vieram nos prestigiar nesta ensolarada manhã de abril. Meu especial carinho a todos vocês.
Maria Luisa Bomfim (Fortaleza, 15 de Abril de 2012)
segunda-feira, 4 de junho de 2012
AJEB - Associação de Jornalistas e
Escritoras do Brasil empossa
nova Presidente
Nacional
Em sessão solene realizada em 24 de abril, na sala de eventos do Edifício Chatel, nos Jardins, a escritora e procuradora do Estado aposentada, Daisy Buazar assumiu a presidência da AJEB - NACIONAL - Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, recebendo o cargo de Margarida Cassales, escritora gaúcha. No breve discurso apresentado, a nova presidente discorreu sobre os 42 anos de fundação da Associação, seu engajamento com projetos que propiciem acesso ao livro, afirmando que envidará todos esforços no sentido de estabelecer representação da entidade em todo o território nacional. O evento foi prestigiado por Joyce Cavalccante, presidente da Rebra - Rede Brasileira de Escritoras, por Maria Clara Gozzoli, representando a Associação dos Procuradores do Estado de São Paulo, além das ajebianas paulistas, parentes e amigos. No encerramento da solenidade, o jornalista Carlos Moura, que atuou como mestre de cerimônia, declamou o poema Íris, de sua autoria, em homenagem a Íris Fernandes Tito, responsável pela reativação da Coordenadoria São Paulo da AJEB, em 1998, e falecida em 2000.
Em sessão solene realizada em 24 de abril, na sala de eventos do Edifício Chatel, nos Jardins, a escritora e procuradora do Estado aposentada, Daisy Buazar assumiu a presidência da AJEB - NACIONAL - Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, recebendo o cargo de Margarida Cassales, escritora gaúcha. No breve discurso apresentado, a nova presidente discorreu sobre os 42 anos de fundação da Associação, seu engajamento com projetos que propiciem acesso ao livro, afirmando que envidará todos esforços no sentido de estabelecer representação da entidade em todo o território nacional. O evento foi prestigiado por Joyce Cavalccante, presidente da Rebra - Rede Brasileira de Escritoras, por Maria Clara Gozzoli, representando a Associação dos Procuradores do Estado de São Paulo, além das ajebianas paulistas, parentes e amigos. No encerramento da solenidade, o jornalista Carlos Moura, que atuou como mestre de cerimônia, declamou o poema Íris, de sua autoria, em homenagem a Íris Fernandes Tito, responsável pela reativação da Coordenadoria São Paulo da AJEB, em 1998, e falecida em 2000.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Posse na AJEB-CE como Presidente (2012 - 2014)
Fortaleza, 17 de abril de 2012Insigne presidente Maria Luisa Bomfim, em nome da qual saúdo as autoridades componentes da Mesa,
Prezados diretores da AJEB,
Ilustres Presidentes de Academias presentes, autoridades, dignos convidados, familiares e amigos.
Escreveu Cervantes: “ O louvor vale pela pessoa que dá’. E é assim que recebo os louvores feitos pelas presidentes Giselda Medeiros, Zenaide Marçal e Maria Luisa Bomfim.
Lembramos que O Oráculo de Delfos foi consultado para saber se existia algum homem que fosse mais sábio que Sócrates, ao que respondeu que não existia.
Sócrates declara que ficou inteiramente intrigado, uma vez que sempre afirmava que nada sabia e, no entanto, um deus não podia mentir. Procurou o convívio dos homens, reputados sábios, para ver se podia convencer o deus, de seu erro.
Dirigiu-se, primeiro a um político, que era considerado sábio, por muitos, e ainda mais sábio por ele próprio.
Verificou, logo, que o homem não era sábio, e disse-lhe isso delicada, mas firmemente; “ e o resultado foi que ele passou a odiar-me”.
Dirigiu-se , então, aos poetas, e pediu-lhes que lhe explicassem trechos de seus escritos, mas eles não foram capazes de o fazer.
“Fiquei, então, sabendo que não é por sabedoria que os poetas
escrevem, mas por espécie de gênio, de inspiração”.
Depois , foi aos
artesões, mas os achou decepcionantes. Enquanto isso diz ele: “ Fiz muitos inimigos perigosos”.Concluiu, finalmente, que somente Deus, o Criador é sábio; com essa resposta, pretende mostrar que a sabedoria dos homens vale pouco ou nada; não está falando de Sócrates; usa-lhe apenas o nome à guisa de ilustração, como se dissesse; OH, VERDADE NADA VALE.
A tarefa de educar os pretendentes à sabedoria tornou-lhe todo o tempo, deixando-o em extrema pobreza, mas achava que seu dever era vindicar o Oráculo.
Ajebianas, somos líderes, sim; somos intelectuais, sim; somos poetisas, sim; somos escritoras, sim.
Vem a pergunta:
Quem é mais sábia?
Se Sócrates diz: “Que nada sabe”. Nós responderemos que nada sabemos.
A cada momento, procuramos nos aprimorar.
Cora Coralina, escreveu seu primeiro livro aos 75 anos.
Uma das maneiras mais
ricas de experimentar a felicidade é a possibilidade de pôr em prática um
sonho.
Para o verdadeiro líder, o maior prêmio é proporcionar essa
dádiva à equipe.
Sabemos que liderança é a arte de inspirar as pessoas em
direção aos seus objetivos.
O verdadeiro líder promove a
autonomia e a cooperação das pessoas.
A liderança diz respeito à criação, dia- a - dia, de um
domínio no qual nós e os que se encontram ao nosso redor, continuamente, aprofundamos nossa compreensão, realidade e
sejamos capazes de formar uma força para
a nossa AJEB.
A AJEB é uma entidade atuante que caminha em sintonia
constante com o lema: “A PERENIDADE DO PENSAMENTO PELA PALAVRA”.É hoje uma das mais importantes agremiações femininas do Brasil.
No Ceará, contamos com sete antologias, e com o Informativo “ O AJEBIANO”, já em seu 40º número. Congrega mais de 50 sócias efetivas, 28 sócios colaboradores, 16 sócios beneméritos e sete sócios honorários.
Que responsabilidade!
Concluo, transcrevendo as palavras de nossa presidente de honra, a poetiza Giselda Medeiros:
“ É motivo de muito júbilo comemorarmos, neste 2012, 42 anos
de fundação de nossa valorosa AJEB, como importante testemunho de nossa
força, na certeza de que “o importante” em qualquer projeto é aquilo em que
acreditamos. Sem convicção não poderá
haver bom resultado. E nós acreditamos na força da AJEB.”
Para reforçar o valor das mulheres, repito as palavras da
Madre Tereza de Calcutá:“Em um mundo no qual se vive a crise moral, a mulher contribui com valores, com decisão, valentia e coragem, com paixão e esforço, com fé e otimismo, com alegria, com amor e com entrega generosa do seu próprio ser.”
Registramos, com satisfação, os nossos agradecimentos a todos os que aqui compareceram: escritores, escritoras, intelectuais, acadêmicos, confreiras e presidentes de Academias.
Destaco, também, a alegria de contar com a presença do presidente da Academia Metropolitana de Letras, Seridião Montenegro, amigas alfeanas, representante da Academia Leonistica de Cultura do Ceará, professor Reinaldo Teixeira, e a presidente da Academia Feminina de Letras, Argentina Andrade.
Aos meus filhos: Pedro Jorge e Eveline, Adda Christiane e Daniel, Jorge André e Maria do Céu, Medeiros Junior e Juliana.
Aos meus amáveis netos: Natasha, Pedrinho , Marina, Sarah Christiane, Maria Clara, Mirela e Júlia.
Aos meus pais, razão da minha existência: Francisco das Chagas Medeiros e Joaquina Teixeira Medeiros ( in memoriam).
Obrigada, ao meu querido e amado
Medeiros, com a certeza de que ele está
aqui conosco. E, no Céu, está rogando
por todos nós.
Aos meus irmãos, irmãs, cunhados e
cunhadas.
Obrigada ao Pai Celestial!
Que Deus nos dê saúde, força e nos ilumine para que
possamos todas, unidas, cumprir nossa missão neste biênio 2012/2014,
com entusiasmo, sabedoria, inteligência e muito amor à nossa AJEB.Obrigada.
Maria Nirvanda Medeiros
Assinar:
Postagens (Atom)





















