segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Apresentação do livro – ASAS AO VENTO - Do Escritor SILVIO DOS SANTOS
Embora o nosso estimado Escritor Silvio dos Santos seja bastante
conhecido pela maioria dos presentes, faço aqui a leitura do seu Currículo,
resumido porque cresce a cada instante, à medida de sua participação ativa no
nosso meio literário. Além do mais, trata-se de Artista Plástico laureado,
inclusive, com Medalha de Ouro em Salão Nacional.
Silvio
dos Santos Filho é natural de Manaus-AM e está radicado no Ceará desde
1989. É
Jornalista – formado pela Universidade Federal do Amazonas – e licenciado em
Língua Portuguesa pela Univ. Estadual do Ceará. Membro da Almece – Academia de Letras dos Municípios do Estado do Ceará;
Sócio Colaborador da AJEB – Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil –
Coord. do Ceará; integrante do Movimento
Cultural Terça-Feira em Prosa e Verso. Publicou: Pelos Caminhos da Memória –
Crônicas; Pedaços de Vida – Romance; Limite Extremo – também romance; Chão e
Pegadas – Crônicas; tem textos publicados em diversas coletâneas. Premiado em vários concursos na
categoria - Prosa – a saber: 2° Lugar no
Café Literário/ Terça Feira em Prosa e Verso – 2001 - e 1° Lugar em 2004; 1°
Lugar no III° Concurso Literário Professora Edith Braga e 9° Lugar no Prêmio de
Literatura Unifor – Crônica – em 2009.
No prefácio do livro – Cadeira de Balanço
– de Carlos Drummond de Andrade, a Professora e ensaísta Ângela Vaz Leão diz
ser ele “ um tímido e que talvez por isto sinta a necessidade de dar explicação
ao leitor na Introdução de cada obra de sua autoria”.
Verifico que o nosso Escritor Silvio dos Santos também justifica cada
título
de seus livros quando são publicados e poderíamos dizer que ele também sente essa
timidez. Mas , se isso é ser tímido, demos vivas à timidez!
Assim, vejamos: Silvio dos Santos , no seu
livro de estréia – Pelos Caminhos da
Memória, 2004 – Em Nota Explicativa diz: “Nossa obra reflete o que temos
dentro de nós. O produto do nosso trabalho, independentemente da linguagem e da
natureza, é nosso retrato interno. (...)
É
um passeio pela minha mente, pelo meu coração e pela minha imaginação”.
Em - Pedaços
de Vida – 2005 – Também em - Nota Explicativa - justifica o título e
termina com estas palavras: “Pedaços de Vida é, portanto, o resultado do
casamento das próprias
experiências sociais desse observador, associadas a esses dramas individuais
vividos por várias pessoas que circularam à sua volta, etc.”
Em Limite
Extremo – 2008 - Diz na Introdução:
“ Sou apenas um velho sonhador, com sua mania, quase doentia, de querer ver o
que está “ por trás do muro”. Aliás,
este pensamento é confirmado nesta trova constante do livro hoje lançado:
“ Muito cedo eu comecei
a pensar no meu futuro.
Foi assim que desvendei
o que estava atrás do muro”.
Passemos agora ao seu 4° livro – Chão e Pegadas – 2010 – A título de
introdução, usa a expressão - Simples
Curiosidade – Diz: “Pode acreditar: em busca da originalidade, os pés que
produziram as marcas, ou pegadas, que aparecem na capa desta obra foram
produzidas pelos meus próprios
pés”.
O escritor, professor e filósofo - Rubem Alves -
afirma que “ Só podem se entregar
às delícias da contemplação aqueles que fizeram as pazes com a vida e não se esqueceram dos seus próprios desejos”.
Silvio
dos santos é um ser contemplativo e deixa-nos ver, ao longo de seus
escritos, que dedica muito do seu tempo a pensar e a repensar o presente e o
futuro, transmitindo aos seus leitores as conclusões obtidas no seu meditar. Além do mais, como é sabido, todo pintor tem um olhar diferenciado sobre as coisas que
vê, e nelas sempre encontra algo a mais, fruto de sua aguçada percepção.
Hoje temos a felicidade de ter em mãos
este seu 5° livro - Asas ao Vento – que também traz uma Introdução. Segundo o Autor, Asas ao
Vento é a expressão da liberdade que gosta de sentir no exercício
literário, por ser meio avesso a modelos. Desculpa-se por, segundo ele, “projetar estas
maluquices que me vêm à mente de vez em quando. Os verdadeiros escritores que
me desculpem pela ousadia”. Não se preocupe o nosso Escritor, pois Rubem Braga,
reconhecidamente um dos maiores cronistas brasileiros, já no seu tempo,
dizia: “Cuida o leitor que estou escrevendo bobagens, e é certo. Mas eu sei das
bobagens minhas, elas têm enredo íntimo”. Continuando a falar sobre Asas ao Vento , Silvio dos Santos diz:
“ Chegou-me qual um pássaro vadio circulando-me a cabeça”; diz ainda: “Este
livro é só uma gostosa brincadeira”. Certo! Mas, o que podemos pensar de uma
brincadeira que, conforme nos declara o próprio Autor, foi “concebida ao longo
de dois anos”?
Editado
pela Gráfica Encaixe – este livro é
dividido em três partes: Crônicas,
(onde constam também pequenos contos), Poemas
e Trovas. Nele encontramos o Autor
filosofando, como sempre; refletindo sobre vida; a vida que é, aliás, um dos
temas recorrentes no conteúdo
deste livro. Nele vamos do rio ao mar, do Norte ao Nordeste, em prosa e em
versos; em temas sérios ou humorísticos. A infância é outro tema que surge
muitas vezes, como nesta trova:
Eu Jamais vou esquecer
o meu tempo de criança
Quanto mais envelhecer,
mais me
apego a essa lembrança.
A
Amazônia, a bela região onde nasceu, é presente nos temas: rios , nau, canoas ,
canoeiros, e até barquinhos de ilusão
quando
diz: “ E lá se vão e lá se vêm os nossos barquinhos de ilusão” - E mais adiante: “Fica-nos a lição de que
nada é para sempre: - nem a subida nem a descida se eternizam; e precisamos
estar preparados para as duas”.
Não posso deixar de comentar a crônica –
Saudades Antecipadas– em que Silvio dos
Santos revela toda a sua sensibilidade ao falar do Amor que dedica ao
pequeno cajueiro da Praça da Sé. Nessa
crônica fica evidente sua ternura pelas
coisas da Natureza. - Nem todas as pessoas
conseguem ver a alma dos inanimados. Felizes aqueles que a vêem! - E, como se não
bastasse a beleza que aí vai expressa, o
Autor nos dá uma visão geral dos fatos referentes às situações político-sociais,
da parcela do nosso povo que se condensa naquele logradouro, e que são presenciadas pelo Cajueiro, tais como: As artimanhas do comércio
alternativo na concorrência com o Mercado Central; protestos político-partidários;
manifestações estudantís; contravenções noturnas e, até mesmo, pregações em
altos brados de líderes religiosos ao microfone, etc.” Em tudo, como acontece
em outras passagens do livro, as opiniões abalizadas do Autor.
O Poeta Paul Valéry afirma: “é preciso ser
leve como o pássaro e não como a pluma”. Silvio
dos Santos , ao dar título ao seu livro, não pensa na pluma que é apenas
levada, sem rumo , sem meta; pensa em
pássaros, em asas. Pensa em Asas ao
Vento, que têm uma direção, um
destino definido que, neste caso, é espargir a Beleza!
Por tudo o que foi aqui exposto, os
leitores de – Asas ao Vento - podem calcular quão proveitosos e agradáveis serão os momentos que dedicarem à
sua leitura. Parabéns ao Autor e aos
seus leitores! Obrigada!
Zenaide Braga Marçal – AJEB – CE.
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
SILVIO DOS SANTOS LANÇA "ASAS AO VENTO"
PRONUNCIAMENTO DE SILVIO DOS SANTOS FILHO, NO AUDITÓRIO DA
ENGEXATA, POR OCASIÃO DO LANÇAMENTO DE SEU LIVRO "ASAS AO VENTO", COM
A PRESENÇA DE MUITOS AMIGOS E CONVIDADOS.
Senhoras, senhores, mais uma vez boa noite...!
Bom... Diante de tamanha gentileza, de tanto carinho e de
tanta ajuda, minhas palavras não poderiam ser outras, senão de agradecimentos.
Cabe-me agradecer, portanto, mais uma vez...
- Ao irmão e amigo jornalista Vicente Alencar – dirigente de
várias entidades culturais em Fortaleza - por ter acreditado em mim desde o
começo... E por continuar me impulsionando na direção de um distante
reconhecimento que só Deus sabe se virá! Mas o trabalho está sendo feito nessa
direção. Cada evento literário que assisto, é como se num banco escolar
esteja... Cada linha que escrevo é como se fosse para ganhar um concurso; e
como se fosse a minha última ideia a ser grafada...!
- À amiga - professora, escritora, revisora, ex-presidente
nacional da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil e acadêmica da
nossa casa de expressão literária maior – a Academia Cearense de Letras -
Giselda Medeiros... Pelo carinho com que tem burilado os meus escritos,
proporcionando-me condições de melhorar cada vez mais... Ainda estou longe do
ideal, reconheço, mas o cajado está muito bem apoiado... Sua participação na
minha obra, para quem não sabe, vai muito além de uma simples revisão. Todos os
meus livros levam a sua chancela...
- À amiga - escritora e ex-presidente da Associação de
Jornalistas e Escritoras do Brasil, secção do Ceará - Maria Luísa Bomfim que,
gentilmente, disponibilizou-me seu conceituado nome, emitindo gentil parecer
acerca da presente obra em uma das abas...
- À amiga – escritora, trovadora de ponta das letras
alencarinas e, também, ex-presidente da Associação de Jornalistas e Escritoras
do Brasil – secção do Ceará - Zenaide Braga Marçal... Esta lady que nos honrou
com a belíssima apresentação da obra, e que conhece, tanto quanto os demais
nominados, tudo o que até hoje publiquei, motivo pelo qual sente-se tão à
vontade para falar o que falou, há pouco...
- Ao irmão e amigo Raimundo Ferreira - proprietário da
Gráfica Encaixe, responsável direto pela expressão estética deste volume que
ornamentam as vossas mãos – pela liberdade nas suas instalações e pela boa
vontade “financeira”, para que a obra fosse produzida.
A essas pessoas, neste momento, eu gostaria de manifestar os
meus sinceros agradecimentos...!
Senhores... Tenho dito, àqueles que comigo convivem, que sou
um sujeito dotado de muita sorte e que Deus tem sido muito bom para comigo.
Claras oportunidades de crescimento num clã instalado numa comunidade tão
carente, de onde vim... Percepção apurada para extrair ensinamentos e evoluir,
ante as dificuldades que tenho enfrentado, desde os meus longínquos tempos de
criança... Uma família maravilhosa - constituída por duas filhas, dois genros e
dois netos - que tanto orgulho me dá... Acima dela, uma mulher linda e
especial– minha esposa Olga Suely, aqui presente – que me apoia nesses saltos
ousados que tento realizar e muitas outras coisas que nem haveria tempo para
enumerar...
Se Ele não me agraciou com aquele berço de ouro no qual a
esmagadora maioria de nós gostaria de ter nascido, reservou-me uma grandiosa
riqueza a ser degustada ao longo dos meus anos de vida, aqui representada por
tantas pessoas especiais.
Os que já tiveram a honra de saborear momentos como os de
agora, sabem, muito bem, do que falo.
Mas Suas coisas são fantásticas...! Quando me falta
dinheiro, para concretizar um sonho desses, sobram-me amigos e simpatizantes
para compensar tal deficiência – cerca de um terço do embora pequeno, mas para
mim, significativo capital investido, já foi compensado através de aquisições
antecipadas e os nomes desses amigos aparecem na página de número 121 do livro
(com algumas exceções, por motivos administrativos). Quando me falta mais
competência, nessa minha predestinação de escrever coisas capazes de
sensibilizar os corações daqueles que me leem, daqueles que anseiam por uma
simples palavra que fale dos seus ais, das profundezas dos seus corações,
borbulham, no meu caminho, pessoas como as anteriormente citadas, para me
ajudarem nessa missão...
Dessa vez Ele me jogou à frente pessoas como muitos dos
senhores que aqui estão... Os mantenedores desta tão conceituada construtora –
a Engexata Engenharia - que, através do seu gerente de vendas – ilustríssimo sr
José Rosemberg Feitosa Pires, aqui presente – mas, certamente, com a
aquiescência da sua direção administrativa maior, na pessoa do Dr. Ananias
Pinheiro Granja, sinalizou-me positiva e gentilmente, para que este evento
fosse aqui realizado, sem nenhum centavo me cobrar. Provavelmente, coisas
simples para os senhores, mas determinante para mim. Hoje – nesse momento - eu
me sinto numa verdadeira reunião de amigos. Quantas vezes na vida, nós
desfrutamos de tais privilégios em tais condições... Quantas pessoas, no dia a
dia, tem a honra de desfrutar de momentos tão agradáveis...?
O que mais, um sujeito como eu poderia querer?
Nada...!
Como disse, cabe-me, apenas, agradecer a Ele e a todos os
senhores - nominados e os ocasionalmente esquecidos – por tais gestos. E
ratificar o meu compromisso de dar o meu melhor, cada vez mais.
Do fundo do meu coração, muito obrigado...! Espero não
decepcioná-los, com o conteúdo da obra.
Fortaleza-CE, 08 de novembro de 2012
Silvio dos Santos
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
NIRVANDA MEDEIROS E SEU INESQUECÍVEL DR. MEDEIROS
PÔR – DO – SOL

O crepúsculo ao
entardecer...
Quantas
recordações nos surpreendem
Alegria... Tristeza...
Renascer...
Também, momentos de
orações.
Ah! Que beleza
estonteante...
Pôr – do – sol! Seis da tarde, arrebol.
Fim de tarde, o sol ainda irradiante...
Brilhando sempre na
constelação.
Que saudades!
Lembranças e paz.
Amores à vista! E
começando...
Que afeição, agora me
traz
Os dias surpreendentes
da vida.
Despertando grande
admiração...
Rezando sempre, para
estar contigo.
Maria Nirvanda
Medeiros
15/08/2012
domingo, 4 de novembro de 2012
sábado, 20 de outubro de 2012
Blanchard Girão: Uma Canção Invisível
Mário
Quintana nos apresenta em seu poema O Mapa os seguintes versos:
“ Quando eu for, um dia desses,
Poeira
ou folha levada
No
vento da madrugada,
Serei
um pouco do nada
Invisível,
delicioso
Que
faz com que o teu ar
Pareça
mais um olhar,
Suave
mistério amoroso,
Cidade
de meu andar
(Deste
já tão longo andar!)
E
talvez de meu repouso...”
Hoje é um dia diferente, especialmente
diferente dos demais, porque temos diante de nós a grande responsabilidade de
reverenciar este que foi e continuará sendo a grande expressão do nosso
jornalismo, a matéria viva a discorrer os fatos com leveza, a voz plácida e
mansa revelando caminhos e abrindo fronteiras.
Blanchard Girão foi, sem dúvida, um
homem marcante. Sua presença se fazia extremamente necessária em qualquer
ambiente. Sempre foi um homem paciente e soube respeitar todas as opiniões que
lhe cercavam.
Num primeiro momento, poderia parecer
uma pessoa séria demais, mas a convivência com ele nos fazia perceber que era
além de profundamente inteligente, um formador de opinião incondicional, sua
arma maior, a comunicação, era seu escudo e a palavra sua espada, a conduzir as
atitudes e a empreender a imagem de um homem plácido e positivo.
Em 1964 teve o seu mandato de Deputado
Estadual cassado.
Diz-nos o Poeta Juarez Leitão: “E,
como não tivesse um dispositivo legal para lhe enquadrar e lhe tomar a
delegação do povo, a genuflexa e apavorada Assembleia Legislativa alegou que o
nosso elegante e gentil Blanchard Girão era um praticante contumaz da falta de
decoro parlamentar, talvez um desbocado, um arauto do baixo calão ou, quem
sabe, um menestrel das obscenidades. Nessa mesma lista de acusados de praticar
a inconveniência vocabular e moral figuraram outros ilustres deputados que a
sociedade conhecia como verdadeiros “varões de Plutarco”. Seus nomes, faço
questão de ressaltar nesta apresentação, estão entre os que enchem de dignidade
e orgulho a história de nossa terra: Pontes Neto, Aníbal Bonavides, Raimundo
Ivan Barroso, Amadeu Arrais, José Fiúza Gomes e Blanchard Girão.
Em dias do mês de junho, do ano de,
2001, a Assembleia Legislativa do Ceará, por iniciativa extremamente lúcida de
seu Presidente, Deputado Wellington Landim, reparou esta grande injustiça, este
inominável disparate histórico. Ali, de cabelos grisalhos, na seara da
maturidade, três daqueles deputados (Blanchard, Amadeu e Fiúza) eram acolhidos
para receber as desculpas da Casa do Povo pelo equívoco vergonhoso. Pontes
Neto, Aníbal e Raimundo Ivan, infelizmente, só através do remorso das rezas
podem ser alcançadas para o pedido de desculpas.”
O Senador Inácio Arruda lembra que
Blanchard Girão foi testemunha dos principais acontecimentos da história
recente do país, tendo sido protagonista de episódios marcantes na luta pela
democratização. Por isso, é que vemos nesse grande escritor uma figura marcante
e cheia de encantamento.
Era um homem honrado, que não atacava a
honra alheia e mesmo quando os momentos eram acirrados ele se desviava dos
infortúnios possíveis que isso pudesse lhe causar. Sua honestidade nunca foi
posta em dúvida porque sempre teve a identidade de um ser humano respeitado e
íntegro.
José Blanchard Girão Ribeiro, famoso
nas lides jornalísticas cearenses, fez vir a lume um livro que intitulou “Dr.Waldemar,
O Médico, O Político”, publicado em Fortaleza em abril de 1992, em que
traça uma análise sobre a vida e a obra daquele importante homem público
cearense, um dos fundadores da Faculdade de Medicina e um político de sucesso,
que alcançou o Senado Federal e o Governo do Estado.
O nobre jornalista Blanchard militou na
imprensa desde os 14 anos. Iniciou sua carreira na revisão da desaparecida
“Gazeta de Notícias” e percorreu as principais redações de jornais cearenses, praticando
também Publicidade e atividades no Rádio.
Dirigiu a Rádio Dragão do Mar, a partir
da sua fundação, em 1958, até se eleger Deputado Estadual no ano de 1962.
Blanchard era advogado, e quando perdeu seu mandato de Deputado passou a
praticar a advocacia, muito embora nunca tenha se afastado do jornalismo,
escrevendo sem assinar, quando a repressão lhe marcou cerradamente.
Ocupou várias funções junto ao
jornalismo: foi revisor, repórter, redator e exerceu função de chefia de
setores e o cargo de Editor-Chefe do Jornal O Povo. O imenso jornalista também
era formado em Letras, e, com essa sua formação, exerceu por um período, curto
diríamos, o magistério. Ocupou o cargo de Superintendente da Televisão
Educativa (TVE) e foi Subsecretário de Cultura e Desporto.
Blanchard Girão produziu muitas obras,
dentre elas uma muito importante, intitulada: Passageiros do Ontem e do
Sempre, livro que nos permite conhecer muitos fatos importantes de resgate
de uma história alimentada de recordações.
O poeta Juarez Leitão em noite de
prefácio e apresentação da referida obra assim fala sobre Blanchard: “Esta
noite estamos mais uma vez diante de BLANCHARD GIRÃO, um homem que tem o tempo
como a matéria-prima de sua escritura. O tempo, que outro poeta, Augusto dos
Anjos, chamou de ‘este operário da ruína’, nas mãos de Blanchard ganha fulgor e
vida, ilumina-se de paixão, solfeja saudades e ardentes emoções, chora e ri,
faz-se manhã e noite, canta pesaroso ou frenético com as coisas vivas
movimentando-se nas estações da sorte.
... Por isso é imensamente
compensador quando percorremos um livro como o que saudamos nesta noite, um
livro de relembranças, e nele encontramos o tempo sem mágoas e sem rancores,
cheio de luz intensa e altruísmo, das alegrias da infância, do calor da
família, da paz serena e doce que as velhas cantigas murmuravam em franco
enternecimento”.
A obra de Blanchard resgata cearenses
ilustres que “não estão devidamente lembrados pelo povo”, segundo o
autor. Esse homem que fala sobre saudade e nos leva a um passeio no céu,
despe-nos de todas as vaidades, de todos os absurdos, nos eleva a planos sem
limites de imaginação. Semeou benquerenças e se fez grande sem ser soberbo,
descortinou-se em vários segmentos da realidade artística, foi muitos em um e
percorreu outras estradas ao encontro do amor, achando a sua Cleide, que, como
ele mesmo dizia: “Era sua companheira leal e solidária”. Tiveram quatro
filhos: Luís Carlos, Ana Veruska, Marta Vanessa e Blanchard Filho, os frutos
bem produzidos desse amor que foi seu sustentáculo.
Foi ao longo de sua vida recompondo
seus pedaços e nos permitindo essa convivência saudável e amiga. Sua
inteligência nos provocava admirações e agradáveis devaneios. Suas histórias
nos permitiam viagens fantásticas. Só a mão encantada de um jornalista de seu
porte poderia mesmo nos emprestar ao longo da vida, outras vidas para que nelas
pudéssemos frutificar as nossas histórias, revisar nossa saudade, construir
nossos edifícios e restaurar as pontes destruídas.
O Livro, Passageiros do Ontem e do
Sempre é uma obra de arte criada por seu escultor que foi ao longo de um
tempo guardando boa argamassa para o preparo dessa que seria sua grande
construção.
Este livro é um documento vivo de fatos
marcantes de nossa história, sobre essa cidade encantada que ele viu se
transformar e conseguir cores novas, sobre essa Fortaleza mágica, Noiva do
Sol, brava e de filhos valentes, essa cidade esplendidamente poetizada pela
admiração do nosso Blanchard Girão.
Dividiu os capítulos deste livro com as
lembranças e suas saudades. Relembrou amigos e episódios em destaque vivo em
sua memória.
Muitas vezes deve ter regado seus
relatos com as lágrimas que o acompanharam nesses saudosos golpes. O próprio
autor explicando o livro em certa altura nos esclarece: “O livro é, pois,
uma viagem através desse roteiro na companhia de fulgurantes personalidades, a
quem procuro louvar e enaltecer, trazendo-as de volta à cena por meio de
episódios de que fui testemunha e, em alguns casos, participante. Trabalho que
debito às folhas da memória desgastada e à carência de um arquivo que pudesse
ter preservado tudo o quanto, por mais de meio século, pude acompanhar mais ou
menos de perto. Vale, contudo, como um projeto inicial, que fica no aguardo de
conclusão de minha parte ou de alguém mais capacitado a registrar os fatos e os
atores deste Século XX de tantas transformações e conquistas”.
Esta obra de Blanchard Girão poderia
ter sido um escrito amargo, lacrimoso, de sofrimento moral, de remorsos. Por
certo, não lhe faltariam razões, mas ele com sua inteligência peculiar resolveu
fazer deste depoimento um ato de gratidão, e conosco repartir suas emoções,
suas tristezas e suas alegrias. Tinha um ar melancólico, mas era um ser humano
extremamente doce e cauteloso; traduzia sentimentos de alegria, paciência, uma
pessoa dessas bem raras de se encontrar.
Li um fato interessante sobre ele, o
relato de um acontecimento de 1964, na Faculdade de Direito, que bem reflete a
bravura desse jornalista. “Por ocasião da formatura da turma de direito, o
único que não poderia estar na solenidade era Blanchard, porque era procurado
pela Polícia por causa de seus ideais de liberdade e se opor ao regime que se
instalava. Todos os alunos saíram do evento e foram a casa da vizinha em que
Blanchard estava escondido e exigiram que ele fosse a solenidade ou a Polícia teria
de prender a todos. Blanchard acabou indo à solenidade”.
Dentre os muitos contos infantis que
conheço há um que fala de um andarilho que tinha duas mochilas. Numa, ele
guardava as pedras que tropeçava e na outra ele guardava as flores que lhe
ofereciam perfume.
Quando lhe perguntavam por que as
pedras, ele dizia que os tropeços aceleravam a caminhada. Quando lhe
perguntavam por que as flores, ele dizia que o perfume atraía para os caminhos
mais prazerosos.
No fim da estrada ele se livrou da
mochila que pesava e continuou com aquela que tornava mais leve o seu caminhar.
Imaginamos que o nosso grande jornalista também carregava suas duas mochilas e
nesse seu trajeto, foi se livrando de muitas pedras e guardando muitas flores
que lhe perfumaram a vida. Teve por perto aqueles que estavam presentes nas
horas em que precisava de um sinal para dar mais um passo.
Lembro-me dele na festa de sessenta
anos da Sociedade de Assistência aos Cegos, onde naquela noite lançava o livro
“Ensinando a Ver o Mundo” e lembro-me principalmente, de como estava
feliz por poder escrever a história daquela Casa. Passara meses pesquisando e
nos apresentou àquela noite, um livro maravilhoso, em que minuciosamente
relatou episódios marcantes. E com que satisfação desfilou por aqueles jardins
exibindo sua cria e dividindo-a com todos os presentes.
Em uma carta de 11 de fevereiro de
1959, escreveu para, a então noiva, Cleide: “Talvez veja o mundo com que
sonhei sempre. Mas, meus filhos ou meus netos, tenho certeza, jogarão rosas
vermelhas sobre meu túmulo e dirão orgulhosos: Ele sempre pensou num mundo bom para todos”.
Perdemos em 25 de março do ano de 2007 o
talento imenso de Blanchard Girão, sua admirável convivência, sua inteligência
plena de lucidez e de leveza. Sua partida entristeceu o mundo jornalístico e
intelectual. A cidade ficou órfã e caiu sobre nós um vazio profundo, uma
angústia que veio sem aviso. Aquela notícia triste parecia não fazer sentido:
mas era a dura face da realidade irreparável. Numa hora ele estava ali, vivo, a
sorrir e conversar, a fazer planos de vida e de futuro. Num outro momento,
estava morto, tombado sem vida, desmanchado em total sossego e calma.
Ousadia é o que melhor define a atitude
histórica do povo cearense. Somos uma gente destemida, uma raça de audazes,
pois, como mostra a História, o Ceará não possui a reticência dos parvos, não
contorna os desafios nem teme os confrontos.
Sempre achamos um caminho para a meta
do horizonte desejado e, se o caminho não existe, nós o inventamos e pelo novo
rumo pomos em marcha a nossa criatividade, o nosso talento e essa garra
indômita de conquistadores. As fronteiras de nossa ousadia são, sem dúvida,
infinitas.
Edmilson Caminha assim falou sobre
Blanchard Girão: “Com a morte de Blanchard Girão, desaparecem não apenas o
jornalista brilhante, o político sério, o escritor de talento, mas também o ser
humano que, pela nobreza espiritual e pela generosidade dos sentimentos, fazia
o mundo melhor e a vida mais bela. Homem de imprensa, honrou o jornalismo
brasileiro, pela coragem pessoal e pela bravura cívica que o levaram a defender
a liberdade e a justiça a que todos os povos têm direito. Mais do que uma
simples lembrança, Blanchard nos deixou um legado e um exemplo. Legado de
sabedoria, de lucidez e de retidão intelectual, exemplo de cordialidade humana,
de solidariedade fraterna e de amor ao próximo. Morto, continuará, por isso, a
viver na saudade dos amigos e na memória de seu povo”.
Blanchard Girão se foi. Nada, porém,
conseguirá substituir essa grande ausência. A dor exerce sem pudor a sua
soberania. Porque, quando um escritor morre, todos ficamos mais pobres. Pobres
de vida, pobres de cor e som, pobres de símbolos, pobres de luz. Pobres de
tudo.
Quem o conheceu sabe que era portador
da sublimidade. Os amigos não se negam em proclamar suas altaneiras qualidades
humanas. Há neste mundo os que lutam pelo sucesso pessoal e se esforçam para
atingir um patamar de conforto e dignidade para si e para a sua família, o que
é justo, compreensível e natural. E Blanchard era assim. A morte de um homem
que fez tanto por nossa cultura deve ser lastimada pelo Ceará. Ele foi um
exemplo incentivador para os jovens, para os que têm vocação e se doam por
inteiro no ofício do aprendizado, do conhecimento.
Quando as novas gerações perguntarem
quem foi esse homem, a História terá a oportunidade de responder: Blanchard
Girão foi um grande jornalista, um excelente escritor, um imenso amigo, um
benfeitor do povo!
A história de vida desse homem nos
servirá sempre de exemplo, pois este mestre nos ensinou que ser bom e íntegro é
essencial. Sua mansuetude e serenidade nos davam lições a cada dia e nos
ensinava que saber esperar as transformações do tempo, melhora o ser humano em
todos os aspectos.
Blanchard passou a vida semeando o bem.
Talentoso e ativamente produtivo merecia ter se assentado numa cadeira da
Academia Cearense de Letras. Mas agora, é Patrono da cadeira 40 na Academia
Cearense de Literatura e Jornalismo, ocupada pelo jornalista Marcos André
Borges e por certo muito honra a Academia e aos acadêmicos, pois esse grande
homem além de excelente profissional foi um ser humano altaneiro que pôs sua
inteligência a serviço da honra, da dignidade e da cidadania.
MUITO OBRIGADA!!!!!
16.10.2012
domingo, 14 de outubro de 2012
A TI, PROFESSOR!
Professor, você faz a história
Professor
Em cada projeto arquitetônico,
vejo o primeiro traço impresso no coração do arquiteto.
O arquiteto é obra sua, professor!
Em cada casa construída,
vejo o alicerce que está por trás do engenheiro.
O engenheiro é obra sua, professor!
Em cada correto julgamento,
vejo o senso de justiça implantado na consciência do juiz.
O juiz é obra sua, professor!
Em cada causa defendida
vejo a tramitação do processo
e todo caminho percorrido para tornar esse defensor
um verdadeiro advogado.
O advogado, é obra sua, professor!
Em cada paciente bem atendido,
vejo na face do médico,
a abnegação e a doação de vida a ele dedicado.
O médico é obra sua, professor !
Em cada animal que recebe cuidados especiais,
vejo nas mãos do veterinário
a marca do afeto recebido de você um dia.
O veterinário é obra sua, professor!
Em cada aula ministrada,
vejo, no semblante do mestre,
o reflexo da sua imagem
com toda bagagem e experiência doada.
O mestre é obra sua, professor !
Portanto hoje,
não se comemora apenas o dia de um profissional,
mas comemora-se a esperança, o desenvolvimento.
Porque se trata da célula que emana vida
e origina toda e qualquer profissão.
Parabéns, professor!
Você pode não ser reconhecido.
Mas por você,
passam todo o progresso e grandeza cultural do país.
OBRIGADA, PROFESSOR!!!
vejo o primeiro traço impresso no coração do arquiteto.
O arquiteto é obra sua, professor!
Em cada casa construída,
vejo o alicerce que está por trás do engenheiro.
O engenheiro é obra sua, professor!
Em cada correto julgamento,
vejo o senso de justiça implantado na consciência do juiz.
O juiz é obra sua, professor!
Em cada causa defendida
vejo a tramitação do processo
e todo caminho percorrido para tornar esse defensor
um verdadeiro advogado.
O advogado, é obra sua, professor!
Em cada paciente bem atendido,
vejo na face do médico,
a abnegação e a doação de vida a ele dedicado.
O médico é obra sua, professor !
Em cada animal que recebe cuidados especiais,
vejo nas mãos do veterinário
a marca do afeto recebido de você um dia.
O veterinário é obra sua, professor!
Em cada aula ministrada,
vejo, no semblante do mestre,
o reflexo da sua imagem
com toda bagagem e experiência doada.
O mestre é obra sua, professor !
Portanto hoje,
não se comemora apenas o dia de um profissional,
mas comemora-se a esperança, o desenvolvimento.
Porque se trata da célula que emana vida
e origina toda e qualquer profissão.
Parabéns, professor!
Você pode não ser reconhecido.
Mas por você,
passam todo o progresso e grandeza cultural do país.
OBRIGADA, PROFESSOR!!!
Elimary Matias Rodrigues
terça-feira, 2 de outubro de 2012
POEMA DE GISELDA MEDEIROS
Trago junto a mim
o doce lamento
do vento
nas palmas da minha infância.
E o som lúgubre
das cantigas silenciosas
das baladas
junto às rosas.
Trago um mafuá
de sonhos. Mais nada...
e nestes teu nome
a despertar-me em auroras.
o doce lamento
do vento
nas palmas da minha infância.
E o som lúgubre
das cantigas silenciosas
das baladas
junto às rosas.
Trago um mafuá
de sonhos. Mais nada...
e nestes teu nome
a despertar-me em auroras.
domingo, 23 de setembro de 2012
SONETO ALEXANDRINO PARA ZINAH ALEXANDRINO (AUTORA DE SUTILEZAS)
Ó nobre poetisa de mil Sutilezas,
De versos delicados, versos cristalinos,
Que possuem a cor e o sabor das framboesas
Por serem gustativos em seus dons divinos...
Teu Livro nos encerra múltiplas riquezas.
Em cada poema, o amor nos leva a mil caminhos...
Desde o Ágape Amor aos de menor realeza;
Mas, em tudo há calor para embalar os ninhos...
Longo o percurso desse filho temporão,
Que te nasceu por força do Pai da Criação,
E, que hoje, brilha aos olhos de ávidos leitores...
E, para assim dizer sobre os teus dons divinos,
Quis tecer para ti versos alexandrinos,
Em prol desse teu Livro que fala de amores...
Autor: J. Udine – 23-09-2012.
De versos delicados, versos cristalinos,
Que possuem a cor e o sabor das framboesas
Por serem gustativos em seus dons divinos...
Teu Livro nos encerra múltiplas riquezas.
Em cada poema, o amor nos leva a mil caminhos...
Desde o Ágape Amor aos de menor realeza;
Mas, em tudo há calor para embalar os ninhos...
Longo o percurso desse filho temporão,
Que te nasceu por força do Pai da Criação,
E, que hoje, brilha aos olhos de ávidos leitores...
E, para assim dizer sobre os teus dons divinos,
Quis tecer para ti versos alexandrinos,
Em prol desse teu Livro que fala de amores...
Autor: J. Udine – 23-09-2012.
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
domingo, 16 de setembro de 2012
VICENTE ALENCAR HOMENAGEIA A POETISA ZÊNITH FEITOSA
A MORTE DE SANTA RITA (AS ABELHAS)
Zênith Feitosa
Zênith Feitosa
Sussurro de asas. Réquiem toca o sino.
São anjos na capela do Convento...
Rita morre! Belíssimo destino
que se eterniza em Deus, nesse momento!
E as suas "amiguinhas"? - Ah, ferino
é o ferrão da saudade e desalento!
Abelhas , cujo dorso pequenino
não tem ferrão.. que irônico tormento!
Sofrem as abelinhas. Dói a falta
de Rita, amiga desde tenra infância,
e como que enlutadas ficam. Sim!
Brancas, tornam-se negras... Tanto exalta
seu dorso o luto que hão de, em fiel constância,
negras viver nos muros do jardim!
Zênith Feitosa nasceu na cidade de JARDIM, na região do Cariri, em 02 de novembro de 1932.
Se viva estivesse completaria dentro de poucos dias 80 anos.
Fez sua última viagem em 05 de março de 2001.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
CLEUDENE ARAGÃO ENCANTA PLATEIA AJEBIANA
Com sua simpatia, sempre com um sorriso nos lábios, a Escritora Cleudene Aragão deixou sua marca registrada no universo da AJEB, momento no qual, em palestra agradabilíssima, enriqueceu-nos, cantando e decantando "as terras contadas e encantadas de Mia Couto". Foi um passeio pelo mundo subjetivo da obra desse genial homem de letras.
Além do mais, a exposição, uma verdadeira aula de literatura, despertou, na plateia, principalmente, naqueles que ainda não conheciam a obra de Mia Couto, a vontade de lê-lo e peregrinar através das suas bem construídas metáforas, desvendando-lhe os mistérios e sorvendo páginas inteiras de real beleza.
Agradecemos, jubilosamente, à Cleudene Aragão, por esse momento tão rico, proporcionado pela competência, pelos conhecimentos, enfim, pela inteligência da professora, mestre, doutora, ensaísta e escritora e, para nosso gáudio, amiga, Cleudene Aragão.
A seguir, exibiremos o registro desse momento.
Além do mais, a exposição, uma verdadeira aula de literatura, despertou, na plateia, principalmente, naqueles que ainda não conheciam a obra de Mia Couto, a vontade de lê-lo e peregrinar através das suas bem construídas metáforas, desvendando-lhe os mistérios e sorvendo páginas inteiras de real beleza.
Agradecemos, jubilosamente, à Cleudene Aragão, por esse momento tão rico, proporcionado pela competência, pelos conhecimentos, enfim, pela inteligência da professora, mestre, doutora, ensaísta e escritora e, para nosso gáudio, amiga, Cleudene Aragão.
A seguir, exibiremos o registro desse momento.
sábado, 4 de agosto de 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
CURIOSIDADES LITERÁRIAS
O escritor Wolfgang Von Goethe escrevia em pé. Ele mantinha em sua casa uma escrivaninha alta.
O escritor Wolfgang Von Goethe escrevia em pé. Ele mantinha em sua casa uma escrivaninha alta.
O escritor Pedro Nava parafusava os móveis de sua casa a fim
de que ninguém os tirasse do lugar.
Gilberto Freyre nunca manuseou aparelhos eletrônicos. Não
sabia ligar sequer uma televisão. Todas as obras foram escritas a bico de pena,
como o mais extenso de seus livros, Ordem e Progresso, de 703 páginas.
Euclides da Cunha, Superintendente de Obras Públicas de São
Paulo, foi engenheiro responsável pela construção de uma ponte em São José do
Rio Pardo (SP). A obra demorou três anos para ficar pronta e, alguns meses
depois de inaugurada, a ponte simplesmente ruiu. Ele não se deu por vencido e a
reconstruiu. Mas, por via das dúvidas, abandonou a carreira de engenheiro.
Machado de Assis, nosso grande escritor, ultrapassou tanto
as barreiras sociais bem como físicas. Machado teve uma infância sofrida pela
pobreza e ainda era míope, gago e sofria de epilepsia. Enquanto escrevia
Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado foi acometido por uma de suas piores
crises intestinais, com complicações
para sua frágil visão. Os médicos recomendaram três meses de descanso em
Petrópolis. Sem poder ler nem redigir, ditou grande parte do romance para a
esposa, Carolina.
Graciliano Ramos era ateu convicto, mas tinha uma Bíblia na
cabeceira só para apreciar os ensinamentos e os elementos de retórica. Por
insistência da sogra, casou na igreja com Maria Augusta, católica fervorosa,
mas exigiu que a cerimônia ficasse restrita aos pais do casal. No segundo
casamento, com Heloísa, evitou transtornos: casou logo no religioso.
Aluísio de Azevedo
tinha o hábito de, antes de escrever seus romances, desenhar e pintar, sobre
papelão, as personagens principais mantendo-as em sua mesa de trabalho, enquanto
escrevia.
José Lins do Rego era fanático por futebol. Foi diretor do
Flamengo, do Rio, e chegou a chefiar a delegação brasileira no Campeonato
Sul-Americano, em 1953.
Aos dezessete anos, Carlos Drummond de Andrade foi expulso
do Colégio Anchieta, em Nova Friburgo (RJ), depois de um desentendimento com o
professor de português. Imitava com perfeição a assinatura dos outros.
Falsificou a do chefe durante anos para lhe poupar trabalho. Ninguém notou.
Tinha a mania de picotar papel e tecidos. "Se não fizer isso, saio matando
gente pela rua". Estraçalhou uma camisa nova em folha do neto.
"Experimentei, ficou apertada, achei que tinha comprado o número errado.
Mas não se impressione, amanhã lhe dou outra igualzinha."
Numa das viagens a Portugal, Cecília Meireles marcou um
encontro com o poeta Fernando Pessoa no café A Brasileira, em Lisboa. Sentou-se
ao meio-dia e esperou em
vão até as duas horas da tarde. Decepcionada, voltou para o hotel, onde recebeu
um livro autografado pelo autor lusitano. Junto com o exemplar, a explicação
para o "furo": Fernando Pessoa tinha lido seu horóscopo pela manhã e
concluído que não era um bom dia para o encontro.
Érico Veríssimo era quase tão taciturno quanto o filho Luís
Fernando, também escritor. Numa viagem de trem a Cruz Alta, Érico fez uma
pergunta que o filho respondeu quatro horas depois, quando chegavam à estação
final.
Clarice Lispector era solitária e tinha crises de insônia.
Ligava para os amigos e dizia coisas perturbadoras. Imprevisível, era comum ser
convidada para jantar e ir embora antes de a comida ser servida.
Monteiro Lobato adorava café com farinha de milho, rapadura
e içá torrado (a bolinha traseira da formiga tanajura), além de Biotônico
Fontoura. "Para ele, era licor", diverte-se Joyce, a neta do
escritor.
Também tinha mania de consertar tudo. "Mas para arrumar
uma coisa, sempre quebrava outra."
Manuel Bandeira sempre se gabou de um encontro com Machado
de Assis, aos dez anos, numa viagem de trem. Puxou conversa: "O senhor
gosta de Camões?" Bandeira recitou uma oitava de Os Lusíadas que o mestre
não lembrava. Na velhice, confessou: era mentira. Tinha inventado a história
para impressionar os amigos. Foi escoteiro dos nove aos treze anos. Nadador do
Minas Tênis Clube, ganhou o título de campeão mineiro em 1939, no estilo
costas.
Guimarães Rosa, médico recém-formado, trabalhou em lugarejos
que não constavam no mapa. Cavalgava a noite inteira para atender a pacientes
que viviam em longínquas fazendas. As consultas eram pagas com bolo, pudim,
galinha e ovos. Sentia-se culpado quando os pacientes morriam.
Acabou abandonando a profissão. "Não tinha vocação.
Quase desmaiava ao ver sangue", conta Agnes, a filha mais nova.
Mário de Andrade
provocava ciúmes no antropólogo Lévi-Strauss porque era muito amigo da mulher
dele, Dina. Só depois da morte de Mário, o francês descobriu que se preocupava
em vão. O escritor era homossexual.
Vinicius de Moraes, casado com Lila Bosco, no início dos
anos 50, morava num minúsculo apartamento em Copacabana. Não tinha geladeira.
Para agüentar o calor, chupava uma bala de hortelã e, em
seguida, bebia um copo de água para ter sensação refrescante na boca.
José Lins do Rego foi o primeiro a quebrar as regras na ABL,
em 1955.
Em vez de elogiar o antecessor, como de costume, disse que
Ataulfo de Paiva não poderia ter ocupado a cadeira por faltar-lhe vocação.
Jorge Amado para autorizar a adaptação de Gabriela para a
tevê, impôs que o papel principal fosse dado a Sônia Braga. "Por
quê?", perguntavam os jornalistas, Jorge respondeu: "O motivo é
simples: nós somos amantes." Ficou todo mundo de boca aberta. O clima
ficou mais pesado quando Sônia apareceu. Mas ele se levantou e, muito formal
disse: "Muito prazer, encantado." Era piada. Os dois nem se conheciam
até então.
O poeta Pablo Neruda colecionava de quase tudo: conchas,
navios em miniatura, garrafas e bebidas, máscaras, cachimbos, insetos, quase
tudo que lhe dava na cabeça.
Vladimir Maiakóvski tinha o que atualmente chamamos de
Transtorno Obsessivo-compulsivo (TOC). O poeta russo tinha mania de limpeza e
costumava lavar as mãos diversas vezes ao dia, numa espécie de ritual
repetitivo e obsessivo.
A preocupação excessiva com doenças fazia com que o escritor
de origem tcheca Franz Kafka usasse roupas leves e só dormisse de janelas
abertas – para que o ar circulasse -, mesmo no rigoroso inverno de Praga.
O escritor norte-americano Ernest Hemingway passou boa parte
de sua vida tratando de problemas de depressão. Apesar da ajuda especializada,
o escritor foi vencido pela tristeza e amargura crônicas. Hemingway deu fim à
própria vida com um tiro na cabeça.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
PALESTRA NA AJEB-CE
O
SONETO NA OBRA POĖTICA DE COSTA MATOS
Zenaide Braga Marçal – AJEB – CE
Para a nossa reunião ordinária deste mês,
foi-me dada, dentro da programação estabelecida, a grande responsabilidade de
trazer para nossas confreiras e confrades, um trabalho literário sob tema à
minha escolha. Pensei em algo que pudesse ser do agrado dos presentes e resolvi
comentar alguns pontos da Poesia do nosso tão estimado e saudoso José Costa Matos.
Longe de mim está a pretensão de ser
possuidora de fundos conhecimentos da obra poética desse valioso Poeta, sócio
Honorário da AJEB, assíduo frequentador das nossas reuniões mensais, às quais
trazia o prestígio de sua presença e de suas oportunas intervenções.O título que escolhi para este trabalho – O Soneto Na Obra Poética de Costa Matos – tem como razão de ser, o fato de que tendo sido o Soneto deixado um tanto em segundo plano devido ao Movimento Modernista e à consequente valorização do verso livre, muitos poetas não cultivaram o soneto como forma de expressão de suas inspirações poéticas. No entanto, embora criador de inúmeros poemas em versos livres de extraordinária beleza, o nosso poeta jamais deixou de prestigiar o soneto, de valorizá-lo através de suas criações.
Aqui farei apenas algumas referências de ordem biográfica, até porque não poderia, neste curto espaço de tempo, dizer tudo o que ele foi e o que fez, numa vida que sabemos proficiente, cheia de lutas e de vitórias. José Costa Matos nasceu em Ipueiras, onde fez seus primeiros estudos. A seguir, estudou em Sobral, no Colégio Sobralense e depois em Fortaleza, na UFC, onde se formou
Sua produção literária foi muito fértil, tanto em poesia como em prosa, e, pelo valor de sua escrita e de sua inspiração, foi detentor de muitos prêmios. O seu livro “O Povoamento da Solidão” (poesia) mereceu o Grande Prêmio Minas de Cultura; Obteve o 1° lugar , na categoria Contos, no II Prêmio Ceará de Literatura; 1° lugar no Prêmio Osmundo Pontes de Literatura, em 1996, com seu romance “Rio Subterrâneo”; 1° lugar no III Prêmio Ideal Clube de Literatura em 2000, com seu livro de contos “Na Trilha dos Matuiús, para citar apenas as premiações mais importantes.
Sobre ele escreveu Pedro Nava: “Logo me inteirei de sua poesia direta e sem rebuços. Digo isto porque ela é certeira do poeta ao que o lê”. (...)
Impossível descrever na sua totalidade as qualidades que eram parte integrante de seu caráter, de sua imagem pessoal. Seu pequeno porte físico abrigava um grande ser humano. Na simplicidade, manifestava-se o inspirado poeta, o filósofo, o literato, o amigo, que nos levava a sentir o valor daquela amizade, sempre enriquecedora nas palavras repletas de coerência, de sabedoria, e da fé que lhe norteava a vida e se fazia presente em boa parte de seus poemas, como neste verso livre: “Deus tem oficina de salvação depois da última curva da esperança”.
Num pequeno trecho da sua Meditação de Natal, faz considerações sobre passagens do Evangelho, comparando-o aos dias atuais. Uma dessas considerações é que, referindo-se à transmutação da água em vinho nas bodas de Caná, ele diz que, neste século, Maria pede que a água seja transmudada em água, que se restabeleça a pureza dos rios e dos mares, prejudicados pelos interesses econômicos. Podemos ver que a sua obra continha passagens de cunho social.
Diz, ainda, que “habituado a mentiras e meias verdades, o Brasil sofre uma falta de certezas. E que movimentos altamente dinâmicos representam uma busca de Deus como última instância da esperança”.
Além do encanto de seus escritos, faz belas citações poéticas, como ao dizer que André Gide esquece o seu ateísmo e liberta este deslumbramento da fé: “Foi para nós, Senhor, que fizeste a noite tão profunda e tão bela? Foi por mim? O ar está quieto. Pela minha janela aberta, a lua entra. E eu escuto o silêncio imenso dos céus”.
Mas Costa Matos, com seus poemas “carregados de poesia”, e não vai aqui qualquer redundância, embora autor de versos livres belíssimos, era defensor incondicional do Soneto. Seu livro O povoamento da Solidão contém mini-poemas, poemas em verso livre e 20 Sonetos. Publicou Estações de Sonetos, onde constam 132 sonetos, selecionados dos seus livros de poemas: Pirilampos, As viagens, O Sono das Respostas, Na última Curva de Esperança, O povoamento da Solidão, todos com a marca registrada de sua Poesia. Diz o Poeta que alguns desses sonetos inovam a estrutura métrica e que um verso alexandrino pode estar simétrica e intencionalmente no corpo de algumas estrofes. Vale lembrar que os seus sonetos eram, na maior parte, decassílabos. Na introdução deste livro afirma que Guittone d’Arezzo estabeleceu as regras do soneto no século XIII e diz: “ Já lá se vão setecentos anos. Em vinte e oito gerações, no lado ocidental deste planeta, poetas e leitores sustentam a magia desta forma fixa do mistério poético. [...] “ Seriam todos idiotas, no cumprimento dessa aparente vocação para a eternidade”?
Diz ainda que “ao longo destes séculos, muitos tabeliães da crítica literária lavraram certidões de óbito do soneto. Eles é que desapareceram, deixando poucos ou nenhuns rastros de sua literatura”.
O Poeta nos fala também da constatação de que os sonetos socorrem os jovens, na quase mudez das suas emoções.
Transcrevo aqui um parágrafo inteiro dessa mesma introdução:
“Essa deficiência da expressão fez surgir os grafiteiros. São poetas raivosos. Apóstolos? Mas a escola dessa civilização os desterrou do primeiro capítulo do Evangelho de João: “No princípio era o Verbo”. E eles não receberam a palavra, que está no princípio de tudo. Borram signos, por vezes indecifráveis, nos monumentos e arranha-céus. Amansariam as almas na poesia, livres da sedução da fúria predadora, se escrevessem sonetos como outras gerações mais afortunadas do verbo”.
Quando lemos os poemas de Costa Matos, sentimos o desejo de transmiti-los integralmente, tanto somos tocados pela leveza dos sentimentos ali expressos. Temos, porém, que nos contentar em citar alguns versos apenas, que possam traduzir as passagens mais tocantes, reveladoras de seu pensamento e de sua personalidade.
Escolhi somente dois sonetos que deverão ser lidos na íntegra. No mais, são passagens pela sua poesia, em versos reveladores da singularidade deste poeta. Eis o primeiro, intitulado - A Estrangeira - que será lido por__Pereira de Albuquerque.
A ESTRANGEIRA
Ficaste aqui perto de mim, no entanto,
é como se estivesses longa, agora,
com serras, mares, muito tempo e pranto
crescendo entre nós dois, hora por hora.
Amor que acaba ou que prepara o encanto
das volúpias supremas, como outrora?
Tristeza em ti, em mim tristeza e espanto.
Por essas coisas é que a gente chora.
Esmaece um poente no teu rosto,
onde o sorriso, como um rei deposto,
se asila em tua mística bondade.
E a mim, que já te conheci feliz,
pareces estrangeira no paísda minha vida, capital Saudade...
Continuando: O nosso poeta dizia ter o dom de conhecer as pessoas: “Quando as vozes da ciência em mim se calam / em derredor as coisas todas falam, / contando-me o seu íntimo segredo”.
O amor à terra natal é tema constante na sua obra. O que pensar de versos como estes, do poema em verso livre, A Vida? – “Encher o rio da nossa aldeia / com as lágrimas das saudades da infância”; “Como deve estar linda agora a minha terra, / se andou chovendo assim, qual leio nos jornais”; “Onde eu nasci, há córregos queixosos, / chorando, azuis, no verde das encostas,”.
Sobre os poetas ele disse: “Os poetas sentem quando os poemas passam por perto: / ...rezam sob a bênção das Mãos / que acendem pirilampos nas várzeas”; “Os poetas nada ensinam, / mas relembram: / Somos livros. / E basta saber ler o que já somos”.
Sobre a palavra, no mini-poema Ambiguidade:
“ Há palavras que rosnam como cães
e afugentam, indistintamente,
os ladrões e os amigos”.
Sobre a saudade, no soneto – Quem chamou a Saudade?
“Quem chamou a saudade que é presença
do teu olhar caído sobre mim?”
Também em sonetos:
O Homem e seus gritos – “gritos sem voz nos olhos da miséria”.
O Homem e seus medos – “medo das rugas – drenos de utopias”
Sabemos que o poeta permanece sempre vivo através de sua poesia.
Sobre a Morte, no soneto Senectude, ele escreveu, no 1° quarteto:
“A mim, que penso ser ainda um justo,
merecedor do céu, do eterno enleio,
a morte hedionda não me causa susto,
nem pode ser tão má, segundo creio.
E, sobre a Vida:
“Não encontrei motivo, em toda vida,/ para amaldiçoar o meu caminho./ O bem que eu quero ter, sem muita lida,/ cedo ou tarde se integra em meu carinho.
Mais um soneto escolhido para a leitura o qual ele dedica à sua mãe adotiva:
“As Crisálidas”
Eu era pequenino. Ela fumava.
Acendendo o cachimbo noite e dia,
se uma caixa de fósforo esvaziava,
ela me dava e, rápido, eu corria
à cerca do quintal. Lá revirava
trepadeiras floridas e prendia
lagartas em crisálida que achava.
Uma semana após, quanta alegria!
Ao invés de crisálidas, um bando
de borboletas! E eu as libertava,
brancas, azuis, de toda cor, enfim.
E sob a chuva policroma, quando
fechava as mãos, o bando se escapava,
como tudo o que sonho para mim!
Pois bem, preciso terminar este comentário. Confesso, no entanto, que o que aqui foi apresentado é apenas uma ligeira passagem pela obra deste excepcional Poeta cujos versos contêm pérolas também nas entrelinhas.
Antes, quero prestar-lhe minha homenagem, lendo o que para ele escrevi, em 2009, quando de sua partida, um poema simples que me saiu do coração e que intitulei:
Choverá Saudade.
Tu eras a Poesia.
Por que volatilizar-se?
Doravante
nascerão poemas
nos Campos Elíseos;
novos sermões serão compostos
e encantarão santos Poetas!
Para ver-te,
mil flores luminescentes
sutilmente brotarão
nas veredas do Infinito.
As borboletas,
não mais crisálidas,
em chuva policroma
já não escaparão das tuas mãos...
nem os teus sonhos!
E Choverá Saudade
nos corações que conquistaste!
Estimados amigos, necessária se faz uma leitura sem pressa para que possamos aquilatar o valor de tudo o que pensou e escreveu, não somente o poeta, mas o filósofo e excelente amigo que permanece vivo em nossa lembrança: o ajebiano José Costa Matos.
(Palestra proferida na reunião da AJEB-CE, de 19/6/2012)
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