ATUAL DIRETORIA AJEB-CE - 2018/2020

PRESIDENTE DE HONRA: Giselda de Medeiros Albuquerque

PRESIDENTE: Elinalva Alves de Oliveira

1ª VICE-PRESIDENTE: Gizela Nunes da Costa

2ª VICE-PRESIDENTE: Maria Argentina Austregésilo de Andrade

1ª SECRETÁRIA: Rejane Costa Barros

2ª SECRETÁRIA: Nirvanda Medeiros

1ª DIRETORA DE FINANÇAS: Gilda Maria Oliveira Freitas

2ª DIRETORA DE FINANÇAS: Rita Guedes

DIRETORA DE EVENTOS: Maria Stella Frota Salles

DIRETORA DE PUBLICAÇÃO: Giselda de Medeiros Albuquerque

CERIMONIALISTA: Francinete de Azevedo Ferreira

CONSELHO

Evan Gomes Bessa

Maria Helena do Amaral Macedo

Zenaide Marçal

DIRETORIA AJEB-CE - 2018-2020

DIRETORIA AJEB-CE - 2018-2020
DIRETORIA ELEITA POR UNANIMIDADE

quinta-feira, 16 de abril de 2015

ATENÇÃO: RESULTADO DO VI CONCURSO LITERÁRIO PROFa. EDITH BRAGA - VENCEDORES


RESULTADO DO VI CONCURSO LITERÁRIO PROFa. EDITH BRAGA
VENCEDORES

POESIA

1º. Lugar: “Poema de Amor”
Pseudônimo: João Apóstolo 
Concorrente: João Baptista Coelho – Portugal

2º. Lugar: “Porção”
Pseudônimo: Anaís
Concorrente: Jeane de Araújo Silva – Rio Grande do Norte

3º. Lugar: “O Cárcere Eu”
Pseudônimo: Sofia Luna
Participante: Geisa Matos Lages Possidônio – Rio de Janeiro


MENÇÕES HONROSAS

1º. Lugar: “Shangri-La”
Pseudônimo: Mário Santiago
Concorrente: Lucêmio Lopes da Anunciação – Rio Grande do Norte

2º. Lugar: “A Força do Abraço”
Pseudônimo: Olavo Bilaqua
Concorrente: Zelito Nunes Magalhães – Ceará

3º. Lugar: “Além do Horizonte”
Pseudônimo: Veridiana
Concorrente: Maria Aparecida S. Coquemala – São Paulo  



 ESULTADO DO VI CONCURSO LITERÁRIO PROFa. EDITH BRAGA
VENCEDORES

PROSA

1º Lugar: “Ode à Euterpe”
Pseudônimo: Cavaleiro de Cervantes
Concorrente: André Luís Soares – Espírito Santo

2º Lugar: “Piabiru”
Pseudônimo: Helius
Concorrente: Adnelson Borges de Campos – Paraná

3º Lugar: “Feliz Ano Novo!”
Pseudônimo: Capitu
Concorrente: Amélia Marcionila Raposo da Luz – Minas Gerais


MENÇÕES HONROSAS

1º. Lugar: “ Vade Retro, Mundo”
Pseudônimo: Otero Borba
Concorrente: Marcus Vinicius Gomes – Paraná  

2º. Lugar: “ ‘Avestruzando’ os Desencontros”
Pseudônimo: O. D. Lareg
Concorrente: Geraldo Trombin – São Paulo

3º. Lugar: “Ganha-Pão”
Pseudônimo: Thiago Rossio
Concorrente: Ana Cristina Moital Martins Luiz – Portugal 

domingo, 12 de abril de 2015

FEIRA DO DIÁLOGO - EXPOSIÇÃO DE ARTE DE ROSA FIRMO




Feira do Diálogo
Agradecimentos
Excelentíssimos senhores e senhoras, caros familiares, caros amigos e amigas. Obrigada por terem vindo, aos de perto e aos de longe.
Foi com espírito de otimismo, persistência e determinação que me fiz chegar até aqui para realizar esta Feira, não como uma promessa, nem tampouco para lucrar vantagens pessoais. Trata-se de uma ação solidária pelo benefício que recebi, a intenção é fazer valer um compromisso cristão.
Reconheço-me fruto de uma sociedade patriarcal, onde a submissão era a tônica em minha juventude, o diálogo era limitado. Primeiro, a obediência ao pai, depois aos irmãos mais velhos, ou a outro membro da constelação familiar. Aos poucos, fui me dando conta da importância do meu papel no mundo moderno. E assim fui me construindo, quebrando padrões. Talvez por ter sido ungida com as flores da caatinga da Tapera, tentei enveredar por caminhos diversos. Desde jovem venho encetando uma militância no trabalho social. Lutei contra a rejeição, com certa rebeldia e resistência fui preterida, mas sobrevivi. Reporto-me a artista plástica Anita Mafalda, quando afirma:
“O que espero do meu futuro? É poder olhar para trás e dizer: amei, sofri e sobrevivi.”
Informo a vocês que não procuro fazer carreira nas artes plásticas, pinto por intuição, quando surge uma iluminação, ou quando a deusa que habita em mim, desperta, sem regras e sem máscaras, deixando aflorar a inspiração. Ainda tenho aulas com este mestre da pintura Bonifácio Mello.
Nessa empreitada comprometi-me com uma a ideia de contribuir com a comunidade São Judas Tadeu para compartilhar uma vitória de modo mais humanizado e democrático, doando parte da renda desta feira. Assim cumprindo meu compromisso. Essa façanha está se materializando aqui hoje graças a Deus e às pessoas que me apoiam. Sou muito teimosa, para mim teimosia e persistência são como um novo dia que nasce e se vai. São “pôr-de-sóis” que se repetem. Isto pode se conferir nos meu trabalho. É a chamada desse mundo para o transcendente, que para mim significa, também, as conquistas e a saudade, porque era assim que me sentia enquanto criança ao admirar o pôr-do-sol nas tardes de verão na Tapera. Era a saudade e o desejo de vencer, embora naquele época não pudesse dar um nome a este sentimento. Que hoje nomeio como o verdadeiro sentido do diálogo, não o da vitória, mas, o caminhar juntos. O melhor agora é parar com divagações, nada mais justo é agradecer a todos aqui presentes.
Tenho uma extensa relação de nomes de pessoas e entidades que preciso agradecer, perdoem-me se esquecer de alguém. A começar por Deus que sempre me concedeu determinação e persistência nos meus projetos; ao Gomes, que amo; por me acompanhar em todo o processo, ao mestre Bonifácio Mello; agradeço também a escritora Francinete Azevedo pela sua afetuosa colaboração, essa criatura de coração generoso que se dispôs apoiar-me; a carinhosa presidente desta casa, Mirian Medeiros Murta; Arleni Portelada que se propôs a comandar o cerimonial; aos meus sobrinhos Ivo e Sonia que colaboraram de diversas formas, Lúcia e Gilson Maciel com sua valiosa contribuição; a Assis Almeida e sua esposa Rose que patrocinaram parte do material gráfico, bem como, Doriam Sampaio; a APEOC, representada pela diretora Maria da Penha Alencar; a Raquel Vasconcelos, minha prima que fez esta bela saudação; ao meu amigo poeta natalense Maurício Garcia e sua esposa, Apresentação, que vieram de longe prestigiar esse momento; aos membros da AJEB, representada pela presidente Nirvanda Medeiros; a equipe da AAFEC, representada pela presidente Elenilda; o músico Rodrigo que carinhosamente fez até sacrifício para está aqui; a equipe da comunidade São Judas Tadeu, representada pelos coordenadores, Lúcio e Maruza, essa turma boa de amigas do Condomínio Nova Aurora II; As cantoras Tereza Cruz Auzeneide Cândido e Reina Isabel; aos funcionários desta casa, Adriano e Gil pela presteza e atenção para comigo; aos poetas e poetisas por suas belas performances poéticas. Zinhah Alexandrino, Fidel Castro Machado, Pereira Albuquerque, Vital, Nilze Costa e Silva, entre outros. Agradeço a presença dos membros da Academia Lavrense de Letras representada por seu presidente, o poeta Dimas Macedo, que nos presenteou com seus livros.
Obrigada ainda, a Maria Tereza, Maria do Carmo, Leide, Rivanda e minha sobrinha Tassiana, que não pouparam suas energias e seu tempo para organizar comigo, esse espaço; elas o fizeram por amor. As colegas do curso de pintura, Ligorina, Nair Caracas, e demais membros da ASPAS.
Enfim obrigada a todos os que acreditaram na minha, e na nossa aventura desse diálogo poético.
Obrigada
Rosa Firmo
Fortaleza, 09 de abril de 2015



sábado, 11 de abril de 2015

12 de abril de 2015 - o Domingo da Misericórdia - por Vianney Mesquita



Informação Religiosa Católica – Antigo Domingo Quasímodo (1)

DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA, OITAVA OU PASCOELA (2)

Vianney Mesquita (3)

Perante a prova suprema – a da Morte – a fé dos apóstolos havia perigosamente oscilado. Para o homem, a Morte é o desabamento, é o vácuo, e no vácuo nada se reconstitui. Para Jesus Cristo, no entanto, Morte foi um princípio – morrera: era, pois, homem. Ressurgiu: é, por conseguinte, DEUS. (IGINO GIORDANI. * Tivoli, 25.09.1894; +Rocca di Papa, 18.04.1980).

 Hoje, 12 de abril de 2015, flui o Domingo da Misericórdia, coincidente com o derradeiro dia (o de número oito) da Oitava do Tempo Pascal, que perdura por sete semanas, desde o Domingo de Páscoa (ou da Ressurreição) – neste ano, 7 do quarto mês - ao Dia de Pentecoste, palavra significativa de cinquenta, pois perfará a cinquentena, em 14 de junho/15, contando-se desde a descida do Espírito Paráclito sobre os Apóstolos.
 Sob o ponto de vista histórico, é adequado, também, externar o fato de se haver definido outro ritual para a Missa, em 1969, ora vigente, a instâncias do Concílio Vaticano II, que pedira sua revisão, em ato promulgado pelo Sumo Pontífice Giovanni Battista Montini, restando conhecido como Missa de Paulo VI.
 Convém acrescentar, em complemento, a informação de que, com origem na edição da Bula Quo Primo Tempore – “Desde os Primeiros Momentos” - de Pio V (Antonio Michele Ghislieri), consoante às orientações do Concílio de Trento, tinha curso a Missa no Rito Romano ou Missa Tridentina, celebrada em Latim, com o sacerdote de costas para os fiéis, tendo, pois, perdurado de 1570 a 1962, procedente do Breve de São Pio, há pouco mencionado, isto é, até a segunda edição da grande Assembleia Vaticana (o Concílio Ecumêmico Vaticano I se deu de 8 de dezembro de 1869 a 18 do mesmo mês de 1870).
Em adição, também, cumpre exprimir o fato de que, ainda hoje, em várias paróquias anglicanas da Grã-Bretanha – onde a Igreja foi separada (não fundada, como se diz, erroneamente) por Henrique VIII - o Sacrifício da Missa é oficiado em código linguístico do Lácio, de acordo com os lineamentos do Concílio de Trento (Tirol italiano), realizado de 1545 a 1563, sem obediência ao rito missiológico editado por Paulo VI.
Ao vigorante Domingo da Oitava, também, se chama, nomeadamente noutros países e em línguas correspondentes, Domingo da Pascoela, ou Pequena Páscoa (do Aramaico pashã = passagem), como prolongamento da Ressurreição, até derivar no dia de Pentecostes.
Interessante (e curiosa, também) é a antiga denominação de Domingo Quasímodo, expressão de emprego anterior ao Decreto Pontifical de 1969, radicada – coerentemente, é bom exprimir - no introito da Celebração Eucarística da Misericórdia, configurada na antífona do Salmo 117, ao evocar a Ressurreição de Jesus, conforme comentarei mais à frente.
A dicção “Domingo da Divina Misericórdia” alude à compaixão de Cristo a São Tomé, o Dídimo (do Grego = gêmeo), o qual, mesmo sem crer ao não ver, foi por Jesus perdoado. O vocábulo “misericórdia” procede do Latim miser + cordis, isto é, mísero (em estado lastimoso, indigente, digno de penúria) + coração. (CUNHA, A. Geraldo da. Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997) .
  Como se sabe, esse Apóstolo não acreditou, ab initio, na Ressurreição, dEla só ficando convencido quando o Mestre apareceu outra vez e lhe mostrou nas mãos os sinais abertos, segurou-lhe as mãos e introduziu os dedos de São Tomé na injúria dos pregos. O Dídimo seguiu, arrependido e contrito, a pregar o Evangelho aos Partos, povo de procedência indo-europeia, e na Índia. Ele foi martirizado em Calamina (hoje Mylapore), perto de Madras (atual Chennai, capital do Estado indiano de Tamil Nadu, quarta cidade do País, com cerca de 6 milhões de habitantes).
 No decurso da história, São Tomé Gêmeo é o protótipo dos que somente creem em algo após terem isto examinado de alguma maneira, como ele pegou, a instâncias de Jesus, as feridas do Cristo. Teve, entretanto, vida de santo por demais intensa e miraculosa, havendo sido, talvez, o único dos doze discípulos de Jesus a assistir à Assunção de Maria Santíssima.
 O dia de São Tomé, ou São Tomás (nome procedente dos arameus), é festejado em 21 de dezembro, venerado que é o (ainda) inexplicado Gêmeo nos países católicos do Ocidente, bem assim no Oriente, máxime na Índia e na Síria, também lugares onde operou prodígios
Retorno ao introito do Salmo 117 – que concedeu nome ao Domingo Quasímodo - proferido na Missa da Oitava, principiado com a frase: QUASI MODO geniti infantis, racionabile, sine dolo lac concupiscites ut in eo crescatis in salutem. Em tradução livre, significa: Tal como (ou “ao modo de”)crianças recém-nascidas, desejai o leite espiritual puro, para que, por ele, possais crescer para a salvação. (I Pe - 2,2).

(1) Penso que, entre outros pretextos de natureza circunstancial, tenha representado peso na mudança o fato de o adjetivo QUASÍMODO haver restado mais conhecido e popularizado na acepção de monstrengo, de pessoa quasimodal, consoante a personagem Quasímodo, do celebrado romance do escritor Vitor Hugo, Nossa Senhora de Paris, editado em 1881. Esse protagonista, feio e corcunda, sineiro da Catedral de Nossa Senhora, na Capital francesa, fora abandonado, consoante o enredo do Escritor, ainda criança, em um domingo de Páscoa, e adotado pelo arquidiácono, da inventiva de Vitor Maria Hugo, na Sé de Paris, chamado Claudio Follo.
(2) Os dados conferidos para este texto procedem de informações de domínio público.

 (3) Vianney Mesquita é professor da U.F.C., escritor e jornalista. Da Academia Cearense da Língua Portuguesa e Academia Cearense de Literatura e Jornalismo. 

sexta-feira, 20 de março de 2015

VI CONCURSO LITERÁRIO PROFESSORA EDITH BRAGA - CLASSIFICADOS


POESIA 

Pseudônimo: Anaís
Concorrente: Jeane de Araújo Silva – Rio Grande do Norte

Pseudônimo: João Apóstolo 
Concorrente: João Baptista Coelho – Portugal

Pseudônimo: Sofia Luna
Concorrente: Geisa Matos Lages Possidônio – Rio de Janeiro

Pseudônimo: Veridiana
Concorrente: Maria Aparecida S. Coquemala – São Paulo

Pseudônimo: Mário Santiago
Concorrente: Lucêmio Lopes da Anunciação – Rio Grande do Norte

Pseudônimo: Olavo Bilaqua
Concorrente: Zelito Nunes Magalhães – Ceará


PROSA

Pseudônimo: Capitu
Concorrente: Amélia Marcionila Raposo da Luz – Minas Gerais

Pseudônimo: Helius
Concorrente: Adnelson Borges de Campos – Paraná

Pseudônimo: Cavaleiro de Cervantes
Concorrente: André Luís Soares – Espírito Santo

Pseudônimo: O. D. Lareg
Concorrente: Geraldo Trombin – São Paulo

Pseudônimo: Thiago Rossio
Concorrente: Ana Cristina Moital Martins Luiz – Portugal

Pseudônimo: Otero Borba
Concorrente: Marcus Vinicius Gomes – Paraná

quarta-feira, 18 de março de 2015

REUNIÃO DO MÊS DE MARÇO DA AJEB-CE

MUITO MOVIMENTADA A REUNIÃO DE MARÇO DA AJEB-CE, REALIZADA NO NÁUTICO ATLÉTICO CEARENSE, PRESIDIDA POR NIRVANDA MEDEIROS.

EM PAUTA, DENTRE OUTROS, OS SEGUINTES ASSUNTOS:

- HOMENAGEM QUE A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO CEARÁ PRESTARÁ  À AJEB-CE PELAS COMEMORAÇÕES DOS 45 ANOS DE FUNDAÇÃO;

- LANÇAMENTO DO 8º VOLUME DA COLETÂNEA DA AJEB-CE, POLICROMIAS, CUJO LANÇAMENTO OCORRERÁ NA ASSOCIAÇÃO DE DOCENTES DA UFC (ADUFC), DIA 14 DE ABRIL PRÓXIMO, COM APRESENTAÇÃO DA PROFESSORA, MESTRE E ESCRITORA, ANA VLÁDIA MOURÃO;

- ENTREGA DE TROFÉUS E DIPLOMAS AOS VENCEDORES DO VI CONCURSO LITERÁRIO PROFESSORA EDITH BRAGA.

CONFIRAM AS FOTOS































domingo, 8 de março de 2015

PARABÉNS ÀS MULHERES AJEBIANAS



MULHER
                                                        Olavo Bilac
      
                   Na mulher, todas as perfeições da vida universal se contêm.
                   Quando menina, ainda pequenina, já a mulher tem a graça divina, dilúculo de beleza, que deixa adivinhar na claridade indecisa da madrugada o esplendor do dia que não tarda. Depois, na idade da révora, há no seu corpo a harmonia de um hino  triunfal, cântico de seiva em relâmpagos de vida. Depois, é o estio, estação fulgente, em que o feitiço ofusca e cega, sol alto, calor fecundo, apoteose da luz e da força. Depois, é o outono, sazão bendita, em que a mulher de quarenta anos tem a formosura  suave e melancólica dessas tardes longas, em que a luz ansiosa, querendo fugir e querendo ficar, demora-se no céu e na terra, e agarra-se às árvores, às nuvens, com pena de morrer... Depois é o inverno... É a sacrossanta beleza da mulher bela na velhice, uma beleza que parece imaterializar-se, espiritualizar-se sob a névoa dos cabelos brancos...
                   Divino feitiço, abençoado sejas em todas as idades, porque em todas as idades és o maior encanto e o maior consolo dos nossos olhos e das nossas almas.
                                                       
   TROVA

Ser mulher é, com certeza,
trazer consigo os poderes
de, na aparente fraqueza,
ser o mais forte dos seres
  
 Giselda Medeiros

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A Poesia de Evan Bessa - por Giselda Medeiros


O Tempo e a Vida na Poesia de Evan Bessa

            A poesia, na concepção de Octavio Paz, é o pão dos eleitos. Convite à viagem; (...). Súplica ao vazio, diálogo com a ausência; é alimentada pelo tédio, pela angústia e pelo desespero. Oração, litania, epifania, presença.
            Partindo destas considerações, que se coadunam com o que encontramos na poesia de Evan Bessa, temos a imensa satisfação de apresentar-vos A Vida nas Asas do Tempo, trazendo-nos a palavra percuciente das escritoras Zinah Aexandrino (nas orelhas), Leda Costa Lima (no prefácio) e Francinete Azevedo (na 4ª. capa).
            A escritora Evan Bessa, já amplamente consagrada no mundo da literatura infantil, com 8 livros publicados, chega-nos com mais uma obra, agora, debutando nas passarelas da poesia. E chega-nos com classe, pisando bem, como quem já conhece os atalhos e desvãos desta tão instigante passarela.
            O tempo, em sua inexorabilidade, a vida e o homem, com seus dramas existenciais, são a matéria-prima, com a qual Evan Bessa constrói seu edifício poético. Quatro pilares o sustentam: “Os Mistérios do Homem, das Águas e do Mar”; “A Vida nas Asas do Tempo”; “Caminhos e Descaminhos do Amor” e “O Mundo, seus Encantos e Desencantos”, todos esses pilares argamassados com a cal das emoções, as areias da saudade e as águas da esperança.
            Logo no primeiro poema, intitulado “Mistério”, já se visualizam, no eu-lírico, os conflitos, a grande agonia do homem por desconhecer-se, sendo levado, por isso, a questionamentos ontológicos diante dos mistérios que nos circundam. Vejamos:
                              
           “O homem, esse ser finito,
            de infinitas incoerências,
            se perde a todo momento
            na busca de sonhos ilusórios.

            Na ânsia de superação,
            vive em eterno conflito.
            Não se acha, não se conhece
            e não entende o mistério.
           
            E sabe a Autora que a existência é uma brutal condenação do homem a um permanente confronto com as cousas inevitáveis, sendo necessário, portanto, um permanente estado de vigilância. Sabe, também, que, para se poder desfrutar a existência em toda a sua plenitude, faz-se mister a busca de novos mundos, ou seja, procurar alcançar a transcendência, o que vai fazer do homem um projeto infinito, dentro de sua finitude. Então, a poetisa desabafa, no poema “Espera” (p. 25):
                              
         “Amargam em mim a dor e o cansaço
          vencidos pela espera
          de quem não sabe desvendar mistérios
          do mar nem do barco que espera.”

            Mais adiante, no poema “Preciso de Você” (p.26), através de uma metáfora e de uma símile bem construídas, ela afirma: “(...) a vida é um redemoinho / e a felicidade é como uma névoa que passa”. Atentemos para os morfemas “redemoinho” e “névoa” que carregam toda uma carga semântica, imagística e significativamente, simbólica. “Redemoinho” converge à dor, insegurança, aflição, sofrimento e morte, tudo o que é, pois, inerente à vida. E “névoa” nos remete a uma visão serena, embora impalpável, fugidia, ambígua. E, consolidada na expressão “que passa”, usada pela poetisa, cristaliza a efemeridade dos momentos felizes e da própria vida.
            O título do livro, A Vida nas Asas do Tempo, já pretende justificar, metaforicamente, a brevidade da vida ante a velocidade do tempo com suas lépidas asas. No poema “O Barco” (p.37), Evan Bessa fortalece ainda mais essa relação tempo/vida/homem, contida nos versos “O barco parte do cais, / levando meus desenganos, /... /”, quando transpõe a fragilidade da vida e do homem exposto à voragem vertiginosa do tempo para o morfema “barco”. Desse modo, a vida é o barco que soçobra sobre ondas, açoitado por ventos, muitas vezes, danosos. É esta metáfora do barco em sua navegação que explica, poética e filosoficamente, o fenômeno da existência: todos vamos neste barco, que é a vida, navegando ao rigor do tempo, rumo ao porto final que nos espera a todos, indistinta e inapelavelmente. Evan dá testemunho disso, quando diz nestes versos:
                              
         “Em que águas mais transparentes
          desembarcou essa barca
          que até a deusa dos mares
          fez festa no desembarque?”

            Depois, lá na página 47, ela conclui, no poema “Indagação”:

          “Tudo se acaba simplesmente.
           A vida, o homem, a matéria.
           E somente o espírito paira sobre o Universo.”

            Contudo, mais adiante, ela ressalva, no poema “Borboleta” (p.48): “Eterno é o fato de poder amar”, passando-nos a lição de que é, verdadeiramente, o amor, em sua plenitude, a célula propulsora da eternidade.
            O poema “Sombra” (p.64), embora pequeno na forma, agiganta-se pela densidade lírica que carrega. Vejamo-lo:

              “No beco da saudade,
               encontrei tua sombra
               refletida no espelho
               da ilusão.

               Parei...
               Voltei no tempo
               e chorei.”

            Também, o social, com seu apelo dramático, faz parte da lira de Evan Bessa. Com a mesma segurança com que trabalha a saudade, o amor, a solidão, o metafisicismo, os temas religiosos e familiares, a poetisa denuncia as grandes injustiças sociais, a violência, a discriminação. Constatemo-lo com estes versos do poema “Sonho” (p.94):           
                               
             “Hoje, li nos jornais notícias devastadoras,
              de violência, sequestro, fome e morte.
              O homem refém de sua própria sorte
              sem rumo, sem prumo, sem norte.”
                
            Em síntese, Evan Bessa, a exemplo de todo criador, procura trabalhar sua palavra como forma de libertação, como alimento necessário, como maneira de superar as dores e angústias existenciais, como uma procura incessante de paz e harmonia. E nós, os outros, com nossas diferenças, por certo, haveremos de chegar ao consenso de que a palavra é, na realidade, a nossa principal ferramenta para a compreensão do mundo e dos seres. E é com ela, a palavra, como assevera Nietzsche, que o homem dança sobre todas as coisas.
            Portanto, Evan, só temos aplausos para você e para sua poesia, que nos chega como “oração, litania, epifania, presença”. E, diante deste evento inaugural, “não há melhor resposta que o espetáculo da vida: / vê-la desfiar seu fio, / que também se chama vida, / ver a fábrica que ela mesma, / teimosamente, se fabrica, / vê-la brotar como há pouco / em nossa vida explodida”.
12/8/2008 
                                     
                  
Giselda Medeiros. Nasceu em Prata (Acaraú-CE). Graduada em Letras. Professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. Membro de várias entidades literárias, dentre as quais, Academia Cearense de Letras, Academia Cearense da Língua Portuguesa, Academia de Letras e Artes do Nordeste Brasileiro, Sociedade Amigas do Livro, Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, da qual foi Presidente Nacional (2002/2006). Ostenta o título de Princesa dos Poetas do Ceará. Obras publicadas: POESIA: Alma Liberta (1986), Transparências (1989), Cantos Circunstanciais (1996),  Tempo das Esperas (2000) e Ânfora de Sol. PROSA: Sob Eros e Thanatos (2002) e Crítica Reunida (2007). Detém vários prêmios, dentre eles, “Prêmio Osmundo Pontes de Literatura – Poesia” (1999), “II Prêmio Ceará de Literatura” (1995), “Prêmio Henriqueta Lisboa” (MG, 2003) e Prêmio Lúcia Fernandes Martins de Poesia (2008).        

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

À MEMÓRIA DE HILNÊ COSTALIMA



A Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil - AJEB-CE - vem manifestar sua tristeza, em razão do falecimento de sua sócia efetiva, Hilnê Costalima, ocorrido dia 16 de janeiro deste ano.
E, para rememorar sua vida de escritora entre nós, sua personalidade, seu amor à literatura, postamos, de autoria de Giselda Medeiros, o ensaio "Memória Rebelde".

  
Memória Rebelde
Giselda Medeiros

              Afonso Arinos de Melo Franco assevera em seu livro A Alma do Tempo (Rio de Janeiro: J. Olympio, 1961) que as memórias são a reelaboração de um mundo extinto, mas nem por isso menos real.
                   Oportuna nos é a citada assertiva quando nos deparamos com Memória Rebelde Fortaleza, Editora ABC,1999), o terceiro livro da lavrense Hilnê Costalima, cujo testemunho, de indiscutível teor sócio-humanístico, nos traz à tona um registro de personagens que se haviam perdido ao longo da voragem do tempo. E quis a Autora, como sagaz observadora do fato sociológico, resgatar com a expressividade de autêntica memorialista fatos relacionados com essas personagens, realmente, hoje extintas, mas reelaboradas ali com precisa realidade, conforme atestam seus relatos.
                   O mais importante, contudo, dessas memórias é que a Autora, longe de ir buscar nos corredores do tempo personagens ilustres que se enfileiram nas galerias honoríficas da história de sua cidade, mergulhou, ao contrário, no painel de homens e mulheres que, em sua simplicidade humana, profundamente marcados pelas contradições do meio e do tempo, desempenharam, dentro de seu contexto, papéis relevantes na construção das Lavras de ontem. E registre-se que muitos deles deixaram sementes que, dando continuidade ao labor de seus ancestrais, estão ativamente colaborando para o desenvolvimento das Lavras de hoje.
            O processo narrativo de Hilnê Costalima, vigoroso em toda a extensão do livro, leva-nos a sentir suas personagens transtextualizadas em ações, cujos conflitos dão-lhes uma atmosfera de significados racionais, plenificando-as em sua perspectiva ontológica. É assim, pois, que nos chegam do passado, ressuscitadas através da palavra engenhosa de sua recriadora, figuras indeléveis, como: Xavier, Joana Macaúba, Joaquina e Gregório, Vicente Paroca, a Velha Deota, Minervina, Chico Caboré, Rosina, Maria Luzia, Mariguêta, Mestre Claudemiro e Maria Norvina. E, com a mesma clareza de imagem, profundamente impregnada de forte amor telúrico, mergulha a Autora nas águas do caudaloso rio das lembranças para evocar, com relevo e profundidade, a visão das saudosas moagens de cana-de-açúcar, a dinamicidade das brincadeiras de rua e dos casamentos matutos, a poesia bucólica dos banhos no Gueguel e dos bailes improvisados, o sentimento religioso, fortemente impregnado no homem e na terra, registrado em “Os Leilões do Padroeiro e em “A Semana Santa era assim”.
                   Memória Rebelde nos dá, pois, uma contribuição da maior relevância à análise sociológico-humana, quando testemunha a fortaleza indômita da alma popular. E, sendo Hilnê Costalima, além de investigadora do fato social, exímia artista das letras, sabe muito bem que a linguagem é a roupagem do pensamento”. Por isso, trabalha-a com o cinzel generoso de sua inteligência, dentro de um estilo elegante, disciplinado, colorido, recheado de  observações de cunho sócio-filosófico, imprimindo à obra o senso de valorização da grandeza humana, o que faz transcender o caráter de pura subjetividade.
                   Escritora de grande sensibilidade artesanal, já demonstrada em Momentos (1990) e Outras Janelas (1994), Hilnê Costalima sabe também como preparar seus leitores para a decodificação de sua mensagem, induzindo-nos a descobrir a essência  de nossa própria condição humana.
                   O amor às Lavras da Mangabeira e a ternura estampada ao relatar os fatos ocorridos, exorcizando-os de sua memória, que teima em reelaborá-los compulsivamente, fazem desse seu mais recente livro, a par da beleza gráfica, uma obra de inquestionável valor, haja vista ser ele, reafirmamos,  evocador do forte conteúdo dimensional do homem, como ser ontológico, dentro de sua problemática existência, da qual sabemos, jamais, mesmo com o avanço da tecnologia, poderá ser usurpada a liberdade de revivenciar, de rememorar, de reelaborar  o passado, pois somente assim, o homem reaprende e cresce em sua vertical ascendência.
                   E, em verdade, é esse o objetivo maior de Hilnê, em sua obra: brigar pelo direito à liberdade de lembrar, de evocar, para que seja preservada nossa própria história, conforme ela mesma afirma em seu livro: sem memória as idéias perder-se-iam no limbo do esquecimento e os próprios nexos do saber desapareceriam, inapelavelmente.
                   Sendo assim, Memória Rebelde vem reafirmar que a história de qualquer povo em sua dialética é feita na proporção exata da dimensão e da complexidade de mitos e realidades, de juízos e contradições internas.
                   Por isso, para deleite dos amantes da boa leitura, recomendamos esta agradabilíssima obra, que tenho o prazer de apresentar, obra em que vislumbramos personagens limpas, fotografadas sem dissimulação, sem hipocrisia, pela transparência da câmera de Hilnê Costalima, sem dúvida, uma das mais expressivas figuras da literatura cearense, quer pela agudeza de inteligência, quer pelo lastro cultural que ostenta, quer pelo forte senso de artesã da palavra, que a deixa à vontade no exercício de sua missão de escritora a inundar o universo literário com fragrâncias de signos e metáforas.
                   Por tudo isso, aplausos e louvores para Hilnê Costalima e seu Memória Rebelde, pois vêm sabiamente reiterar o pensamento de Walter Benjamin, quando diz: “Quem não pode lembrar o passado, não pode sonhar o futuro e, portanto, não pode julgar o presente”.
                   Sendo assim, sigamos-lhe o exemplo: vivamos, evoquemos, e estaremos exercitando formas de conhecimento, condições de nossa realidade, delineando, desse modo, nossa atuação no processo histórico das transformações das sociedades humanas, não com a empáfia da genialidade, mas, simplesmente, como um ser finito, temporal e histórico que somos.

(Do livro "Crítica Reunida")

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

REUNIÃO DE NOVEMBRO 2014 - AJEB-CE: Palestra professor Benedito Vasconcelos Mendes "Cultura Sertaneja"


A Presidente Nirvanda Medeiros abre a sessão


O Conferencista Benedito Vasconcelos Mendes


Ajebianos atentos à palestra


A Presidente entrega Diploma ao Conferencista


Maria Helena Macedo faz uso da palavra


Tereza Porto agradece ao palestrante em nome da AJEB-CE


Cícero Modesto apresenta um trabalho de sua autoria


Ajebianas e ajebianos ladeiam o palestrante Professor Benedito Vasconcelos Mendes

UM TEXTO DE JANUÁRIO BEZERRA




o dia do músico e a escola

Januário Bezerra

Festejar a arte e aplaudir o artista é algo proposto pelo calendário, em todos os tempos e lugares. Vinte e dois de novembro, por exemplo, é data consagrada ao músico. O legado Greco-romano facilita a compreensão da simbologia envolvendo a arte musical e seu praticante. A música, que tem em Beethoven e Bach dois expoentes, para citar apenas esses, se constitui, talvez, na mais evoluída manifestação artística. Acima de questões como língua, crença, escolaridade etc, possibilita, por si mesma, mais harmonia e melhor compreensão entre os homens, tal o seu poder de comunicação e a universalidade do seu culto. Na mitologia grega, Orfeu e Eurides protagonizam linda fábula e assim simbolizam essa forma de arte. Embora mais modestamente, a cultura romana, de igual modo, contribui para o mesmo objetivo, possibilitando a Santa Cecília tornar-se padroeira dos músicos.  Em abordagem circunscrita ao território brasileiro, a data comemorada sugere refletir em torno de como o ofício adotado por Frédéric François Chopin poderia ajudar a Nação no encaminhamento da infância e da juventude, livrando-as da marginalidade que aí está e tanto avilta nossos indicadores sociais. Algo é sempre tentado nesse tocante, mas, sabidamente, muito pouco tem sido feito. Quem não se lembra, por exemplo, do Projeto Aquarius?  Criado em 1972, por iniciativa, dentre outros brasileiros, do maestro Isaac Karabtchevsky, com o objetivo de levar a música clássica à população carioca. Teve sua primeira edição no Parque do Flamengo, com “Alvorada” da ópera “O escravo”, de Carlos Gomes e, mercê da execução do projeto, muitos conterrâneos hoje têm na música uma profissão de inegável sucesso, com vários deles integrando regularmente grandes orquestras mundo afora. E Isaac Karabtchevsky – nascido em 27 de dezembro de 1934 – apesar dos oitenta anos, bem tocados e bem vividos, aí está, cheio de entusiasmo e vontade de continuar colaborando. Se por um lado é lamentável a desativação do “Aquarius”, por outro, há de se reconhecer o efeito multiplicador, já espalhado por alguns pontos do território nacional. Aqui acolá se vê e ouve um grupo musical, sob patrocínio do erário ou de particulares, estimulando vocações, que desde sempre justificaram os aplausos sempre devotados pelo mundo inteiro à música e ao músico do Brasil. Heitor Villa-Lobos foi outro a muito fazer pelo ensino musical entre nós. E dele não há quem possa roubar o mérito de trazer para a orquestra o violão, aqui no Brasil. Até então, o instrumento era visto com imensa reserva, apesar de sua boa origem ibérica e de toda a aceitação sempre encontrada em grandes orquestras europeias. Outro nome a lembrar é o do maestro João Carlos Martins, considerado pela crítica internacional um dos maiores intérpretes de Bach do século XX, de quem registrou a obra completa para teclado. Há sete anos, fundou a Bachiana Filarmônica e desenvolveu um trabalho com adolescentes, através de sua Bachiana Jovem. Criou a Fundação Bachiana, cujo tema é a arte e sustentabilidade. As orquestras foram unificadas e formam a Filarmônica Bachiana SESI-SP. O estado brasileiro bem que poderia aproveitar ideias como as chamadas PPP – Parcerias Público-Privadas e, estendendo esse conceito da moderna administração pública, viabilizar uma escola capaz de atender as necessidades atuais e futuras da sociedade. Possibilitando, e-fe-ti-va-men-te, ao estudante brasileiro e ao profissional em que ele se transformará brevemente, um conteúdo intelectual à altura do pleno exercício da cidadania, nos moldes exigidos pelo terceiro milênio. Afinal, o próprio significado literal da palavra educação sugere algo absolutamente diverso do que aí está. Vejamos o que diz a respeito o dicionário: “educação e.du.ca.ção sf (lat educatione) 1 Ato ou efeito de educar. 2 Aperfeiçoamento das faculdades físicas intelectuais e morais do ser humano; disciplinamento, instrução, ensino. 3 Processo pelo qual uma função se desenvolve e se aperfeiçoa pelo próprio exercício: Educação musical, profissional etc. 4 Formação consciente das novas gerações segundo os ideais de cultura de cada povo. 5 Civilidade. 6 Delicadeza. 7 Cortesia. 8 Arte de ensinar (...)”. Estaríamos diante de uma excelente oportunidade para reformulação da escola brasileira, posto que já se vislumbra alguma possibilidade de mudança, a partir da redemocratização iniciada com a Constituição de 88, agora aguçada por via das chamadas redes sociais. Há muito é necessária uma nova escola, capaz de qualificar melhor a sociedade, seja do ponto de vista estritamente intelectual ou da aptidão profissional, seja no tocante ao lastro humanístico demandado pela boa convivência entre iguais. De qualquer sorte, é profundamente constrangedor o episódio verificado, com frequência até, em que brasileiro chega a ser tratado aí pelos caminhos do mundo como lídimo representante de uma sub-raça, quando consegue – sabe Deus por obra e graça de que ou quem – usar, com certa vaidade até, o tão sonhado passaporte. Apesar da descrença ainda generalizada, o país parece querer iniciar processo de mudança, pelo que se observa nos últimos tempos. Convém, no entanto, agilizar as coisas, sob pena de esbarrarmos diante de uma dura verdade, que diariamente eu via escrita na parede da escola: “Quem o tempo perde, eterna perda chora”.