ATUAL DIRETORIA AJEB-CE - 2018/2020

PRESIDENTE DE HONRA: Giselda de Medeiros Albuquerque

PRESIDENTE: Elinalva Alves de Oliveira

1ª VICE-PRESIDENTE: Gizela Nunes da Costa

2ª VICE-PRESIDENTE: Maria Argentina Austregésilo de Andrade

1ª SECRETÁRIA: Rejane Costa Barros

2ª SECRETÁRIA: Nirvanda Medeiros

1ª DIRETORA DE FINANÇAS: Gilda Maria Oliveira Freitas

2ª DIRETORA DE FINANÇAS: Rita Guedes

DIRETORA DE EVENTOS: Maria Stella Frota Salles

DIRETORA DE PUBLICAÇÃO: Giselda de Medeiros Albuquerque

CERIMONIALISTA: Francinete de Azevedo Ferreira

CONSELHO

Evan Gomes Bessa

Maria Helena do Amaral Macedo

Zenaide Marçal

DIRETORIA AJEB-CE - 2018-2020

DIRETORIA AJEB-CE - 2018-2020
DIRETORIA ELEITA POR UNANIMIDADE

sábado, 4 de junho de 2016

POEMA DE VICENTE ALENCAR



QUANDO EU MORRER DE AMOR
Vicente Alencar

Quando eu morrer de amor
você talvez nem se lembre de mim.

O tempo passou por nós
o mundo nos viu e ouviu.
Vivemos os dias tranquilos
e  intranquilos de quem ama.

As noites de luar nos envolveram
juntaram nossos sonhos.
Construíram nossos sentimentos
e desceram lindos raios
sobre nossos cabelos
notadamente na lua cheia.

Quando eu morrer de amor
você talvez nem se lembre de mim,
mas não esquecerá tudo o que vivemos.


sexta-feira, 20 de maio de 2016

REUNIÃO DA AJEB - MAIO DE 2016


Nesse último dezessete de maio de 2016, aconteceu, no auditório da Academia Cearense de Letras, mais uma sessão ordinária da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil - AJEB-CE. Foi uma sessão movimentada, sob o comando de Gizela Nunes da Costa, que iniciou os trabalhos, recebendo a todos com sua habitual cordialidade.
Na pauta, em primeiro lugar, uma homenagem às mães, com a participação de ajebianas, dentre elas, Giselda Medeiros, Zenaide Marçal e Rosa Virgínia.
Depois dos informes, a presidente fez a apresentação da palestrante, a socióloga Maria Luísa Fontenele, passando-lhe, em seguida, a palavra.
Maria Luísa, com muita propriedade e conhecimento, abordou a situação da Mulher, sob o ponto de vista, humano, social, político, enfatizando o problema da violência contra a mulher.
Em seguida, a presidente designou o Sócio Benemérito Vicente Alencar para fazer os agradecimentos em nome da AJEB.
Gizela Nunes da Costa encerrou a sessão, agradecendo a presença de todos os que ali vieram.
Foi, realmente, uma manhã bastante proveitosa.


Giselda Medeiros, Gizela Nunes da Costa, Rejane Costa Barros e Maria Luísa Fontenele - a palestrante.


A saudação de Vicente Alencar.


O abraço de agradecimento.


Zenaide Marçal, Rosa Virgínia Carneiro, a presidente Gizela Nunes da Costa e Giselda Medeiros.

terça-feira, 19 de abril de 2016

SESSÃO DE POSSE DE GIZELA NUNES DA COSTA COMO PRESIDENTE DA AJEB - COORDENADORIA DO CEARÁ

O auditório da Academia Cearense de Letras abrigou, neste dia 19 de abril, os associados da AJEB-CE para a sessão de posse da Diretoria eleita, tendo à frente a Desembargadora, Escritora, Ajebiana, Gizela Nunes da Costa.
Foi uma sessão festiva, em comemoração, também, ao aniversário de nossa querida Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, ocorrido em 8 de abril deste ano, quando completou 46 anos de fundação.
Inicialmente, publicamos o discurso de posse da nova presidente, Gizela Nunes da Costa e, na sequência, as fotos alusivas ao evento.

A FALA DA PRESIDENTE
  

         
          Senhoras e Senhores,

          Os sonhos são a argamassa da vida e podem construir até o impossível. São os sonhos que engrandecem as ideias e transformam os caminhos singelos em sublimes destinos.
          Fui na vida uma menina sonhadora, dessas que costumam se entregar aos cismares e, ao mirar o horizonte, entendem que ele nos convida a conquistá-lo.
          Hoje, o momento que vivo, com o coração cheio de emoções, formou-se lentamente e a cada passo de sua elaboração me surpreendi com os resultados.
          Estou convencida de que o destino me foi generoso quando me deu na vida, missões que tenho conseguido honestamente desempenhar e nelas convencer aos meus superiores e à sociedade de minha lisura, abnegação e responsabilidade. Sou mulher de fé e acredito que a proteção de Deus me ampara em todas as facetas da vida.
          Como todos os seres, a existência tem-me oferecido momentos de intensa alegria e provações difíceis e espinhosas. Em todas as ocasiões, sejam nas apoteoses ou nas vicissitudes, me apoio na fé e no otimismo como alimento de minha caminhada.
          Hoje, nesta manhã alegre e festiva a AJEB empossa sua nova Diretoria. Em primeiro lugar quero agradecer as Ajebianas que votaram e aprovaram por unanimidade a Chapa Papa Francisco. Estarei à frente da AJEB presidindo-a durante o biênio 2016-2018, mas ressaltando que farei uma gestão participativa e compartilhada. Não serei eu, seremos nós. Sempre ouvindo as sugestões, acatando as que forem pertinentes, refletindo  e buscando o que for melhor para a AJEB que é uma Instituição importante que nos orgulha e tem prestígio nacional em seu campo de atuação e respeito literário do qual é possuidora.
          Com uma Presidente de Honra do quilate da escritora Giselda Medeiros, a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, Coordenadoria do Ceará, pode alcançar  amplitude igual à Academia Cearense de Letras e ao Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará. As duas Instituições, as mais respeitadas do Estado.
          Para essa gestão pensamos em algumas ações e junto com a Diretoria e também com as Ajebianas e Sócios Colaboradores, gostaríamos de realizá-las. Vamos atualizar a ficha de endereços e otimizar o contato com todos, quando necessário; planejar atividades literárias; apoio aos lançamentos das publicações dos associados; criação da Biblioteca da AJEB; revitalização da carteira ajebiana; que todos possamos usar o selo da AJEB em livros de nossa autoria e em obras que participemos escrevendo prefácios, orelhas, apresentações; calendário anual das reuniões ordinárias; realização de enquete sobre os temas prioritários para a AJEB no biênio 2016-2018.
          Isso e mais só será possível com o apoio da Diretoria, Ajebianas e Sócios Colaboradores, caminhando juntos.

          Senhoras e Senhores,
          A AJEB é uma Associação que tem quase meio século, à disposição da vida literária cearense. Fomos convidadas por um grupo de ajebianas, ex-presidentes, para formar uma chapa com a finalidade de concorrer às eleições.
          Ponderamos, avaliamos e resolvemos aceitar o desafio, pois tínhamos a convicção do apoio dos demais membros e com a certeza de que faremos um trabalho sério e eficaz em luta pelo engrandecimento da nossa querida AJEB e sempre a união de pensamentos desta tão respeitada Instituição Literária, que congrega jornalistas e escritores, cada um, com suas capacidades. Temos campo fértil para desenvolver afinidades culturais. Para tanto, basta dedicação, empenho e participação.
Devemos também manter nossas obrigações com a Tesouraria em dia, para que possamos realizar todas as ações que almejamos.
          Valorizemos a nossa cultura e sua preservação. Convençamo-nos de que nossa cultura é bela, rica e importante e que não precisamos substituí-la pela cultura alheia, numa atitude de povo colonizado, deslumbrado e ingênuo. Como em todos os ofícios da atividade humana, o escritor tem um compromisso com a sociedade e com a história. Mas cabe aos que escrevem uma função maior. É que o escritor faz a leitura da vida, capta os retratos de época, interpreta a natureza humana, reflete em sua criação o pensamento e as ideias. Fatores tão necessários para que expressemos nossos desejos de que sempre alcancemos patamares concretos e objetivos úteis.
          O Ceará tem uma trajetória de amor às agremiações culturais. Muitas foram as que se formaram ao longo de nossa história, algumas de forma marcante, como a original PADARIA ESPIRITUAL, fundada em 1892 pelos jovens boêmios que frequentavam o Café Java na Praça do Ferreira, sob a generosa complacência do Mané Coco, jocosa figura de “botiquineiro”. Em 1894 era fundada a ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS, porventura a mais antiga do Brasil, pois antecedeu em três anos a própria ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. A esta Casa, que nos recebe com tanto afeto e nos permite transitar por ela, como se em nossa casa estivéssemos, devemos nossos respeitos.
          Outras Associações e Grupos Literários já haviam recrutado os amigos das letras, como a Academia Francesa, em 1873, o Grêmio Literário, em 1885, e o Instituto Histórico do Ceará (ainda hoje em vigor produtivo) em 1887. Nesses redutos de embate de ideias e manifestação estética surgiram nomes que haveriam de engrandecer as letras cearenses e romper fronteiras da Província para brilhar à ampla e larga admiração nacional. Nomes como o de Antônio Sales, Adolfo Caminha, Rodolfo Teófilo, Juvenal Galeno, Farias Brito e Clóvis Beviláqua. Somos uma terra de produtores de literatura. De poetas e prosadores de qualidade superior, muitos assinalados em definitivo nas páginas permanentes da imortalidade, como colunas sólidas da história literária do país. Desses anais perpétuos jamais sairão José de Alencar, Capistrano de Abreu, Domingos Olímpio, José Albano, Gustavo Barroso e Rachel de Queiroz.
          Parece que temos no Ceará uma inquietação para dizer, pelos misteriosos caminhos do encanto, os sentimentos e as emoções que nos possuem, o acicate da dor e o fogo da paixão, o plasma do delírio e o patinar obscuro do lodo, o mel e o fel de nosso jeito severino de encarar a vida.
Agradecemos a confiança que todos depositaram na Chapa Papa Francisco e esperamos não decepcioná-los. Louvemos também, as ex-presidentes, Giselda de Medeiros Albuquerque, Zenaide Braga Marçal, Maria Luísa Bomfim e Mª Nirvanda Medeiros, que tanto fizeram para bem divulgar o nome de nossa AJEB. Felizes por estarmos aqui entre vocês e mais uma vez dizer: vamos veicular nossas crenças e aprender outras novas lições.
          Muito obrigada!
Gizela Nunes da Costa

Fortaleza, 19 de abril de 2016.

COBERTURA FOTOGRÁFICA





















MEMBROS DA ATUAL DIRETORIA

sábado, 9 de abril de 2016

ELEITA A NOVA PRESIDENTE NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO DE JORNALISTAS E ESCRITORAS DO BRASIL


Hoje, dia 8 de abril de 2016, na Assembléia Geral Nacional Ordinária, realizada nas dependências da AJEB, na Cidade de São Paulo, Maria Odila Menezes foi eleita, por unanimidade, Presidente Nacional da AJEB. A escritora Maria Odila é um nome de muita credibilidade no meio cultural do Rio Grande do Sul e literata amante da AJEB. Temos certeza de que desenvolverá uma gestão exitosa à frente do destino de nossa querida AJEB NACIONAL.
Nós, daqui do Ceará, remetemos-lhe votos de parabéns, ao mesmo tempo que a saudamos efusivamente.
Após a eleição, a AJEB Paulista ofereceu um coquetel às Ajebianas presentes.





Recebendo as boas-vindas da Presidente anterior, Daisy Buazar



A Diplomação da nova Presidente Maria Odila.


O brinde. Só alegria!



Homenageada com a Comenda Literária.



Recebendo o carinho de todas as ajebianas




Assinando Termo de Posse.


O discurso da nova Presidente Nacional.

Ontem, oito de abril de 2016, com um terno
sorriso o cosmos me presenteou, abrindo um novo caminho para a Coordenadoria da AJEB-RS. Assim pude vivenciar um dos momentos mais felizes da minha vida. Uma feliz e dupla coincidência permitiu que no dia do aniversário de 46 anos a AJEB- Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil o destino resolvesse me acolher mais uma vez. Porém agora com a tarefa de presidir nacionalmente, sua casa de Escrita, Imanência e Imortalidade da AJEB. Agradeço de coração a todas as Ajebianas que me apoiaram nesta eleição, este voto de confiança de todas vocês fez com que eu me movesse com entusiasmo e natural responsabilidade, tendo em mente a expansão da AJEB como entidade cultural, bem como a harmonização e elevada consciência de nosso papel de intelectuais. A todas minhas amigas transmito carinho e gratidão por dividirem comigo este momento tão especial.


terça-feira, 8 de março de 2016

SALVE A MULHER AJEBIANA, NO SEU DIA INTERNACIONAL!!!

São essas as valorosas mulheres que fazem a AJEB-CE e, que por isso, nesse dia especial da MULHER, elas merecem glórias e louvores. Aplausos!!!  



















OBS. Nossa homenagem à memória de Hilnê Costalima que já não está mais conosco.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Umberto Eco, autor do conhecido livro "O nome da rosa", faleceu aos 84 anos


Morre o escritor
italiano Umberto Eco

Morreu na noite desta sexta-feira (19/02) o escritor, semiólogo e filólogo italiano Umberto Eco, de 84 anos. Segundo sua família, citada pelo jornal "la Repubblica", o falecimento ocorreu às 22h30 (horário local), em Milão, na própria residência do intelectual.

Eco nasceu em Alessandria, no Piemonte, em 5 de janeiro de 1932, e entre os seus maiores sucessos literários estão "O nome da rosa", de 1980, e "O pêndulo de Foucault", de 1988. Sua última obra, "Número zero", foi publicada no ano passado e fala sobre a redação imaginária de um jornal, com fortes referências à história política, jornalística e judiciária da Itália.

Além de romances de destaque internacional, o escritor também é autor de numerosos ensaios de semiótica, estética medieval, linguística e filosofia. Em 1988, fundou o Departamento de Comunicação da Universidade de San Marino. Desde 2008, era professor emérito e presidente da Escola Superior de Estudos Humanísticos da Universidade de Bolonha.

Recentemente, ao receber o título de doutor honoris causa em comunicação e cultura na Universidade de Turim, Eco havia feito duras críticas às redes sociais, dizendo que elas deram o direito à palavra a uma "legião de imbecis". "Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel", dissera o intelectual.

Segundo o italiano, a TV já havia colocado o "idiota da aldeia" em um patamar no qual ele se sentia superior. "O drama da Internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade", acrescentara. Uma de suas frases mais famosas é: "Quem não lê, aos 70 anos terá vivido só uma vida. Quem lê, terá vivido 5 mil anos. A leitura é uma imortalidade de trás para frente"

Itália vive luto pela morte de Umberto Eco
Personalidades da cultura, da política, da música e da literatura da Itália amanheceram de luto neste sábado (20/02) após a morte de Eco.

"Umberto Eco nos deixou. Um gigante que levou a cultura italiana para todo o mundo. Jovem e vulcânico até o último dia", escreveu o ministro da Cultura italiano, Dario Franceschini, no Twitter.

O prefeito de Milão, Giuliano Pisapia, utilizou o Facebook, para prestar sua homenagem ao autor de "O nome da rosa".

"Adeus mestre e amigo, gênio do saber, apaixonado de Milão, homem de vasta cultura e de grande paixão política. Milão sem você é triste e pobre. Mas está orgulhosa de ser tua amada cidade. Ter tido você perto nestes anos foi um grande privilégio", publicou Pisapia.
De Bolonha, cidade onde Eco foi professor emérito e presidente da Escola Superior de Estudos Humanísticos da Universidade de Bolonha, o prefeito Virginio Merola expressou seu sentimento.

"Sinto sua falta, Bolonha sente sua falta, sua inteligência e seu espírito livre farão falta. Adeus Umberto", postou Merola no Twitter.

A política e economista italiana Giovanna Melandri lamentou a notícia e destacou que Eco foi "um grandiosíssimo intelectual e escritor, uma pessoa única e especial".

No mundo acadêmico, Roberto Grandi, professor na Universidade de Bolonha e amigo do pensador, lembrou o passado para exaltar os momentos vividos.

"Era 1972. Parece que foi ontem. Você veio a Bolonha. À universidade. E ficou. Obrigado pelos belos momentos que compartilhamos. #UmbertoEco", comentou no Twitter.
A editora italiana Bompiani, que publicou seu último livro, "Número Zero" (2015), escreveu: 

"Luto na cultura. Umberto Eco nos deixou: estamos abalados".

As reações também vieram do mundo da música, entre outros, da cantora italiana Noemi.

"#UmbertoEco é parte da nossa cultura e literatura. Seremos capazes de contar tão bem as coisas aos italianos do amanhã?", se questionou.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

LEMBRANDO VINICIUS



A Hora Íntima
Vinicius de Moraes

No último dia 9 de julho de 2000, completamos 20 anos sem a presença física do "Poetinha". E se assim digo é porque sua obra está cada vez mais viva entre nós. A ele o Releituras presta suas homenagens, lembrando um pedacinho da música com a qual foi saudado por Chico Buarque de Holanda e Toquinho: "A vida é pra valer, a vida é pra levar, Vinicius, velho, Saravá!".

Quem pagará o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?
Quem, dentre amigos, tão amigo
Para estar no caixão comigo?
Quem, em meio ao funeral
Dirá de mim: — Nunca fez mal...
Quem, bêbado, chorará em voz alta
De não me ter trazido nada?
Quem virá despetalar pétalas
No meu túmulo de poeta?
Quem jogará timidamente
Na terra um grão de semente?
Quem elevará o olhar covarde
Até a estrela da tarde?
Quem me dirá palavras mágicas
Capazes de empalidecer o mármore?
Quem, oculta em véus escuros
Se crucificará nos muros?
Quem, macerada de desgosto
Sorrirá: — Rei morto, rei posto...
Quantas, debruçadas sobre o báratro
Sentirão as dores do parto?
Qual a que, branca de receio
Tocará o botão do seio?
Quem, louca, se jogará de bruços
A soluçar tantos soluços
Que há de despertar receios?
Quantos, os maxilares contraídos
O sangue a pulsar nas cicatrizes
Dirão: — Foi um doido amigo...
Quem, criança, olhando a terra
Ao ver movimentar-se um verme
Observará um ar de critério?
Quem, em circunstância oficial
Há de propor meu pedestal?
Quais os que, vindos da montanha
Terão circunspecção tamanha
Que eu hei de rir branco de cal?
Qual a que, o rosto sulcado de vento
Lançara um punhado de sal
Na minha cova de cimento?
Quem cantará canções de amigo
No dia do meu funeral?
Qual a que não estará presente
Por motivo circunstancial?
Quem cravará no seio duro
Uma lâmina enferrujada?
Quem, em seu verbo inconsútil
Há de orar: — Deus o tenha em sua guarda.
Qual o amigo que a sós consigo
Pensará: — Não há de ser nada...
Quem será a estranha figura
A um tronco de árvore encostada
Com um olhar frio e um ar de dúvida?
Quem se abraçará comigo
Que terá de ser arrancada?
Quem vai pagar o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?
Rio, 1950

Texto extraído do livro "Vinicius de Moraes - Poesia Completa e Prosa", Editora Nova Aguilar - Rio, 1998, pág. 455.


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

PROFESSOR VIANNEY MESQUITA - ARTIGO


MANUEL BANDEIRA
Batista do Modernismo Nacional

Vianney Mesquita



O poeta é como o Sol; o fogo que ele encerra é quem espalha a luz nessa amplidão sonora [...]. Queimemo-nos a nós, iluminando a Terra! Somos lava, e a lava é quem produz a aurora! (ABÍLIO GUERRA JUNQUEIRO).

Perfaz-se no 2016 entrante (13 de outubro) o aniversário de 48 anos de passamento do festejado poeta recifense MANUEL Carneiro de Sousa BANDEIRA Filho, ocorrido no Rio de Janeiro, nato que foi na, Mauriceia, em 19 de abril de 1886.
MÁRIO Raul de Morais ANDRADE – nome completo para não se estabelecer embaraço com o agrônomo e escritor (*Fortaleza, 05.10.1910 – 05.02.44) Mário Kepler Sobreira de Andrade, o Mário de Andrade do Norte – chamou a Manuel Bandeira, e com muita propriedade, de São João Batista do Modernismo brasileiro, conquanto o extraordinário rapsodo de Libertinagem não haja participado da Semana da Arte Moderna, em fevereiro de 1922.
Ao polígrafo, musicólogo e crítico paulistano assistiam sobradas razões para anotar a denominação, porquanto Bandeira foi dos primeiros a escrever produções poemáticas em antecipação ao novo moto e renovado espírito da poética nacional, ao empregar o verso branco com excepcionais desenvoltura e beleza. Bem atestam esta asserção seus produtos anteriores a 22, especialmente Carnaval (1919 - quem não conhece “Os Sapos”?), uma das primeiras peças do movimento modernista.
Avesso ao “lirismo funcionário público” – decerto em alusão aos exageros oficiais da forma romântico-parnasiana – “  com livro de ponto e manifestações de apreço ao Sr. Diretor” – como ele próprio disse – preferiu aquele “difícil e pungente dos bêbados – o lirismo dos clowns de Shakespeare”.
 Conforme exprime, entretanto, Otto Maria Carpeaux – em Origens e Fins, de 1943 – esse lirismo será revelado, além dos versos românticos, como em A Cinza das Horas. A força interventiva da inteligência crítica, batendo de frente com a sensibilidade analítica profundamente romântica de Bandeira, haverá de produzir o humor, o qual demarcará suas estrofes com a autoironia, consoante ocorreu em Pneumotórax, contrapondo-se à selfpity do romantismo. Foi isso mesmo o que aconteceu.
Ressalte-se (quando do ensejo da comemoração dos seus 130 anos de nascimento, a ocorrer em 19 de abril do ano vindouro) o fato de que, sob ângulo novo, intocado pelas centenas de fontes que o já estudaram, no Brasil quanto no Exterior, é custoso discorrer a respeito do produto literário e acerca do invejável caráter do Vate pernambucano, este poeta da simplicidade, na vida e na poesia.
O que se pode e deve, ainda, dizer de Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho, sem se incomodar com a repetição dos torneios, noutras estruturas, mas com semelhante mensagem, é que seu ecletismo na senda literária – poesia, música, crônica, crítica, tradução, ensaio et reliqua – legou-nos a abundante e qualificada obra, tangida “[...] pelas velhas liras e harpas elegíacas do tempo em que as cruzes, os ciprestes, os rochedos e a lua pertenciam aos românticos”. (GRIECO, in MENEZES, Raimundo de. Dicionário Literário Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 1960, p. 162).
Pela relevância do Escritor pernambucano na literatura – vem de novo Carpeaux – e ele feito poeta, porém, não seria justo levá-lo a um plano menor, em razão da prosa cristalina dos seus ensaios, peças de crônicas e de memórias. Impõe-se destacar, também, completa o Crítico e jornalista austríaco, naturalizado brasileiro, sua produção como escritor didático em várias seletas e, acima de tudo, sua importância como tradutor de poesia, responsável pelas melhores versões de Johann Christian Friedrich Hoderlin,  Friedrich Schiller, William Shakespeare [...] de Sóror Joana Inês de la Cruz e de Omar Khayann.(OP. CIT).
A extensão e a axiologia humanista-humanitária da produção de Manuel Bandeira configuram glória da espécie humana, das melhores obras de Deus, fortalecido (quem sabe) o seu espírito pela tísica que lhe assomou profunda aos tenros 17 anos, pela verdadeira peregrinação por Campanha, Petrópolis, Teresópolis, Fortaleza, Maranguape (Maracanaú), Uruquê e Quixeramobim; pelo retiro forçado a Clavadel, tudo aliado aos sucessivos passamentos de entes queridos de primeiro parentesco, ocorridos ao seu retorno ao País em 1914.
Em Clavadel – Suiça, o também letrista musical Bandeira – escreveu poemas para Francisco Mignone, Villa-Lobos, Ari Barroso, Camargo Guarnieri e outros – encontrou o escritor francês Paul Éluard, a quem nosso Poeta confessou dever “a revelação do amor à poesia e suas possibilidades”. (APUD MENEZES, ÍDEM).
Em tal acidentada e mórbida existência, que lhe educou o corpo ao clarificar o espírito, o bom aluno de João Ribeiro encontrou no Morro do Curvelo – Santa Tereza – Rio de Janeiro - o poeta Ribeiro Couto, com quem travou grande amizade.
Dele expressa Monteiro: porque era bom, “notável pela exemplaridade e singeleza [...] desinteressado dos bens materiais e voltado exclusivamente para os fins da criação literária”, o Autor de Vou-me embora pra Pasárgada em tudo bebia o bem e espalhava sua aura de bondade, sua habilidade, sua destreza em tanger a literatura com temas universais. É

O poeta que brinca, o poeta que lança no ar, de vez em quando, um ou outro poema que é puro divertimento, é ao mesmo tempo aquele que tem dado à poesia brasileira algumas das notas de mais profunda ressonância, de mais amarga tristeza, e de mais séria contemplação da vida. (MONTEIRO, Adolfo Casais. Manuel Bandeira. Lisboa, s.ind. pg., 1943).

Viveu doente do corpo e saudável do espírito, com grande intensidade. Sua poesia é inspiração dos céus, é obra a perpassar o tempo tocando corações de todas as gerações. Sua extensa e eclética produção, versátil de sentimentos, temas e processos poéticos, é exemplo de tenacidade, inteligência e talento, de humanidade método, força de vontade e bonomia, qualidades em declínio nestes tempos difíceis, que nos tangem para distante da poesia, da lua, ciprestes e rochedos, a que aludiu Grieco em passagem anterior.
Não há quem logre, entretanto, nos tanger para longe de Libertinagem, para distante da Última Canção do Beco ... (MESQUITA, Vianney. In Impressões – Estudos de Literatura e Comunicação. Fortaleza: Agora, 1989. 175 pp).
Obrigado, poeta, sábio, semideus. Vamos de novo reler Profundamente, beber profundez nos seus ensaios, aprofundarmos nos seus conselhos, embelezarmos em suas estrofes. E aprendermos com sua vida.

Gratidão a você – Manuel Bandeira, do Brasil!

sábado, 30 de janeiro de 2016

UM BELO POEMA DE LÚCIA HELENA PEREIRA


SEM TEMA
Lúcia Helena Pereira

Ouço canções de amor
Na brisa fresca da hora,
Quando a lua se despede da noite
E o sol agonizando no horizonte
Explode em raios luminosos!
À minha frente, a estrada escura e longa,
Onde moram anônimos poetas
E uma criança faminta
Brinca de ser feliz!
Mais adiante o proletário
Adentra em seu modesto casebre,
Está arfante, após o dia de trabalho
Na grande fábrica de suor e lágrimas.
E suas mãos mornas e molhadas
Acariciam a magra esposa.
Depois, resignadamente,
Come a pobre ceia.
Cansado sobe à velha rede para repousar
Enquanto a chuva, sem pedir licença,
Vai molhando o seu barraco.
Esperando um milagre
Fecha os olhos e adormece
Porque precisa sonhar,
Apenas sonhar!