ATUAL DIRETORIA AJEB-CE - 2018/2020

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terça-feira, 1 de abril de 2014

ÁGUAS DO TEMPO - DE REJANE COSTA BARROS


Rejane Costa Barros estreou na POESIA, com seu belíssimo livro Águas do Tempo, em bela e prestigiada festa, ocorrida no Náutico Atlético Cearense, dia 27 de março de 2014. A empolgante apresentação saiu da pena inteligente de Juarez Leitão. Os amigos, fãs e admiradores de Rejane para lá acorreram tornando o ambiente uma verdadeira e grande FAMÍLIA LITERÁRIA.
Acompanhem por meio das fotos os felizes momentos dessa festa e emocionem-se com a apresentação de Juarez Leitão e os agradecimentos da autora que vão aqui transcritos.


A cerimonialista Arleni Portelada


A Mesa de Honra


O Auditório lotado


Rejane e o apresentador da obra Juarez Leitão


Rejane com seu tio Eliseu Barros


Rejane ladeada por Giselda Medeiros e Zenaide Marçal


Rejane e o Deputado Paulo Facó


Autografando para Argentina Andrade, Presidente da AFELCE


Rejane com Gizela Nunes da Costa


Rejane com o casal amigo Leninha e Eduardo Augusto Campos


Autógrafo para Neide Azevedo Lopes


Autógrafo para Fred e Solange Benevides


Autógrafo chique para Maria Helena Macedo


Rejane e Sabrina Melo


Recebendo flores de Pereira de Albuquerque


Francisco Pessoa prestigiando Águas do Tempo



Juarez Leitão, Eduardo Augusto Campos e convidados


Autografando para Vânia Hissa


Rejane com Rosa Firmo


Autografando para Rosa Virgínia Castro


Rejane com seus amigos


Rejane e seus convidados

SAUDAÇÃO A REJANE COSTA BARROS NO LANÇAMENTO DE SEU LIVRO “ÁGUAS DO TEMPO”, em 27 de março de 2014.
                                                                                             
 


Juarez Leitão

Jorge Luis Borges, o grande mago da literatura latina contemporânea, nos diz que “O tempo é a substância de que somos feitos.”
Desta forma traduz o tempo como a matéria atômica que nos compõe e a razão que nos ordena a vida, as posturas, os sonhos, o desgaste, a queda e o fim.

Rejane Costa Barros tomou o tempo como substância de seu trabalho estético, como motivo de sua poesia, mas tratou de aguá-lo, regando as suas raízes, umedecendo as suas folhas e certamente lavando-o com cuidados e caprichos para mantê-lo limpo, asseado e cheiroso.

O título de seu livro - ÁGUAS DO TEMPO – insinua uma parceria entre a limpeza e a inexorabilidade do percurso vital, mas também uma referência ao movimento incessante das águas correntes que, descendo das montanhas, vão invadindo os vales, ora fertilizando, ora afogando, saciando aqui, contornando obstáculos ali, inundando acolá, provocando tragédias e aleluias no seu franco e irreversível destino para o mar.

A autora deste livro é filha de Fortaleza, mas tem suas raízes avoengas fincadas em Itapipoca (a terra dos três climas), descendendo por parte de pai dos Romero Barros e, por parte da mãe, dos Costa Martins, sobrenomes envolvidos com a política local e com as atividades agropastoris do município.

Passou quase toda a infância em Itapipoca, tomando as primeiras lições no Patronato Nossa Senhora das Mercês com a sua professora predileta Aleuda Benevides. E, sobretudo, conhecendo os deleites da natureza, o cheiro das campinas e os ruídos da mata na Fazenda Cabatan, de seu avô Eliseu, onde, no contato direto com a terra se iluminou das manhãs de chuvas, do amarelo dos cajus e das pitombas e das tardes vermelhas povoadas de mugidos e chocalhos, no remansoso regresso dos bois, cabras e ovelhas ao aconchego dos apriscos.

Não há como negar que o campo abastece os poetas de emoções definitivas e põe em suas almas ansiosas cores, mistérios, espantos, impressões e murmúrios que os acompanharão eternamente. 
Depois, a volta para a capital, a formação escolar nos colégios Júlia Jorge, Liceu do Ceará, Stella Maris e Lourenço Filho.

Numa dessas escolas, onde eu era professor, me mostrou pela primeira vez um poema. Senti nela o sinal de Orfeu, a marca dos escolhidos para enxergar as transcendências da vida, e a incentivei a procurar as confrarias literárias da terra e começar a conviver com os outros encantados e se alimentar, com afinco e obstinação, por leitura e convívio, das coisas do fazer poético.

Nunca me arrependi daquele venturoso pressentimento e do incentivo provocado, porque os resultados são - como podemos ver neste livro - sobejamente compensadores não só para a minha vaidade de preceptor como para a literatura cearense. 
  
ÁGUAS DO TEMPO, em edição esmerada e distintamente bem vestida pela Editora Premius de Assis Almeida, é obra que, com certeza, abrirá para Rejane Costa Barros as portas da permanência e um lugar de respeito na galeria das conceituadas letras de nossa terra.

Apoiada pela crítica consciente e honesta de Neide Azevedo, Giselda Medeiros e Batista de Lima debuta com segurança e descortino já deixando antever o banquete de emoções que há de nos servir.

A obra se desenvolve em quatro movimentos:
No primeiro, LIAMES DA PAIXÃO, expõe sem subterfúgio o ouro de seu lirismo.
Logo nos primeiros poemas avisa que é feita de luar e que nela a noite é uma chama acesa a aquecer seus sonhos e façanhas; e o tempo, um parceiro sinuoso que se veste de luz ou de urtigas.

Seu corpo é um recindo paradoxal onde residem anjos e demônios e está pronto, como o da Sulamita do harém de Salomão, para a audácia do Amado, o fervor das madrugadas e o doce cheiro da vida.

No pacto cristalino com o eleito de sua alma destaca-se o compromisso sensual em que ela, sesmaria incandescente, tem o ventre coberto de trigo para saciar-lhe a fome, a ânsia e a lascívia.

Ao contrário das virgens loucas do Evangelho, está sempre preparada, armada de lâmpadas, vinho, taças e desejos para a chegada alvissareira de seu escolhido. E o instinto lhe antecipa o acontecimento amoroso:

Quando estais para vir
premonitória escuto os teus sinais
teu cheiro vem na brisa ou no brandir
da transparência esguia dos cristais.

E desce pelas correntezas da paixão fazendo e recebendo juras, abrindo-se para os abraços em busca alvoroçada, decifrando mistérios, entoando suspiros, escancarando a alma.

E, depois de se declarar estrada e embaraço, ladeira e labirinto, veste o seu melhor sonho da seda mais fina e do linho mais puro para, diante de seu bem amado, se declarar uma simples fada enfeitiçada, condenada pela prática virtuosa das proibições e pelos medonhos e irresistíveis descalabros do amor. 

Na segunda parte, ALTAR DAS OFERENDAS, entoa o culto aos amigos e as canções de bem-dizer.

Agradece, consola, apazigua, elogia, reparte, acalanta e apoia em seu ombro solidário e generoso a alegria, a dor, o sufoco, os abismos e as apoteoses dos prediletos de sua amizade.

Estou ali contemplado, junto com Fred Benevides, Giselda Medeiros, José Hissa e Vânia, Argentina e Gutemberg, Neide Azevedo, Carlos Gurjão e Marlene, Pereira de Albuquerque, Helô Limaverde, Ana Maria Mendes Ary, Renato Assunção, Paulo Facó, Eleuda de Carvalho, Eduardo Augusto e Marilena, Vicente Alves e Gemma, Wilson Loureiro, Maurício Benevides e Rose, Batista de Lima, Valdir Sampaio e Arisa e, por fim, Giselle Ribeiro.

Na terceira parte, TOADAS DA SOLIDÃO, desce às grandes profundidades de seus desconsolos na tentativa de entender as incertezas épicas da vida.

Vagueia pelos campos desolados se procurando entre os escombros da solidão. Esbarra em pedaços de nada e apalpa miragens no deserto.

Nessas horas caladas de medo e ausência, uma ave tristonha canta dentro de seu peito amargo uma canção que só ela e o seu enigmático amor conhecem.

Os poemas falam de mistérios, impossibilidades, dilemas, ventos de triste veludo, promessas e alpendres de eterna espera.

E concorda com o poema de Arlene Holanda citado na abertura e que diz que “o que o homem teme não é a paixão/ que deixaria seu coração minguado a pão e água/ em momentos de inferno e paraíso. O lobo do homem é a solidão.”

E esta viagem telúrica e emocional se fecha com o capítulo NO PAÍS DA SAUDADE, em que, de turíbulo aceso, incensa, cheia de dor e lástima, a memória de seus mortos.

Eles foram caindo, à direita e à esquerda eles foram caindo – como diz numa antífona de cinzas e preces o poeta Gerardo Mello Mourão.

Rejane Costa Barros é uma navegante da tragédia.
A morte não teve condescendência na construção do ataúde de sua solidão.

Primeiro tombou seu pai, Antônio Eliseu de Barros Filho, participante das forças da ONU na Guerra do Suez. Abatido pelo câncer aos 46 anos.

Depois o seu irmão Marramed, num desastre de carro, aos 22 anos.

E então caiu a sua mãe, a bela Geisa, vencida pela pneumonia, aos 60 anos.

Nesses momentos de aflito pesar sempre teve por perto o abraço solidário e o afeto espontâneo dos amigos.

Mas alguns, que antes a abraçaram nas salas tristonhas dos velames, também já cruzaram o Portão da Passagem, como o poeta trovador Fernando Câncio, o violonista José Renato Gondim e o seresteiro José Maria Botelho.

Rejane, porém, aprendeu com a dor o segredo da sublimação.
Tudo nela é sublime e azul por aceitação do fato consumado e os pendões de esperança que brotam de seu ser.

Tem vida ativa e fértil e nenhum dia seu se parece com a véspera.
E guarda um açude cheinho de emoções pronto para se derramar.

Evita os enxofres da vida, o desespero canônico, o barco dos amargos, as travessias da indiferença, o abraço dos pusilânimes.

Porque lhe arde na mente e no coração a fogueira sagrada da poesia. E os poetas são bons e carregam com eles as palmas serenas da paz.

Rejane Costa Barros, esta moça branquinha, que sabe ter ternura e franca afirmação, vai viver muito tempo para fazer o bem, semear benquerenças e dançar as doces cirandas da liberdade.

E espera que, somente aos cem anos (ou mais), quando estiver risonha e num salão de luz, um distraído querubim lhe tire pra dançar.

MUITO OBRIGADO.
Juarez Leitão
27 de março de 2014.

A FALA DE REJANE COSTA BARROS 
O Tempo, Meu Fiel Companheiro

Boa noite, meus amigos!



É com enorme prazer que os recebo nesta mágica noite, onde finalmente, entrego em suas mãos, o meu livro de estreia: Águas do Tempo.
Quando se nasce poeta a gente não se governa, e vai se entregando às confissões sonoras e se despindo de todos os receios no palco impudente da paixão. E tanto fazemos e com tal arte e com tal sedução que nos tornamos parceiros nesta viagem lírica de volta às matizes e às terras fabulosas que unem em nós, todos os sentimentos. A arte da escrita é assim, irresistível e magnética. A poesia também.
Soberana em seu território, dona, senhora e rainha, escolhe seus afilhados e com eles se envolve completamente, por laços irrecusáveis e definitivos. A poesia é nervo exposto, centro visceral de energia e tem uma relação cutânea com a vida. Arrepia, eriça, excita, arrebata e precipita. É o caminho da esperança, a lavoura da beleza e a conquista sustentável da grandeza humana.
Orfeu é um deus amoroso e sedutor que age nas mentes humanas convocando para suas fileiras os que são bons. Bons de talento, de espírito, de convivência, de atitudes e assim, vamos unindo estas qualidades e montando a vida. Esta que é responsável por todos os atos que o destino nos impõe.
Hoje tenho novos amigos em minha lista de amizade que juntaram-se aos mais antigos. Sei que estou cercada pelos que foram bem escolhidos, artesãos desta renda mista que unifica e plurifica as ideias e os pensamentos com os quais conduzimos nossos dias, e estes, quando bem distribuídos, servem de incentivo e de renascimento. Amigos são parceiros de nossa vida, participantes de nossa história e se encantam em nosso caminhar. É preciso que estejam ao nosso lado em eterno exercício. É preciso que saibamos distinguir os bons dos que habitam outras esferas.
Estou aqui olhando os rostos conhecidos de minha benquerença e nesta mesma noite uma imensa saudade toma conta de mim. Meu pai, meu irmão e minha mãe. Já se foram, habitam outro universo, mas imagino que estejam vigiando meus passos e compartilhando de minhas vitórias. Deus tem sido muito generoso comigo e colocou em minha vida, pais, mães e irmãos de coração, que me acolhem com seus generosos braços e abraços, dando-me o carinho que me foi prematuramente tirado. Hoje, nesta noite de puro deleite, firmamos ainda mais, a nossa amizade construindo um caminho de benquerer. Somos lúcidos seres humanos, mas carregados de sonhos e abertos às ilusões dos desafios.
Sou uma pessoa abençoada, e para fazer chegar as suas mãos este livro, agradeço a Editora Premius que cuidou com muito carinho e cuidado desta publicação e ao amigo Assis Almeida, pelo profissionalismo e a dedicação com que cuidaram desta obra. À amiga Giselda Medeiros que produziu um belo prefácio e deixou-me emocionada ao retratar minha evolução literária. À amiga Neide Azevedo que escreveu um texto primoroso colocado às orelhas, onde apresentou minha poesia de maneira tão carinhosa e plena de emoção. Ao amigo Batista de Lima, que gentilmente apresentou minha poesia com um olhar fraterno e sublime. À amiga Aucy Parente, que imortaliza este momento deixando o registro para a posteridade. À amiga Arleni Portelada, pelo impecável cerimonial e sua alma de poeta a nos presentear com tão bela conduta.
Aos amigos José Hissa e Valdir, por uma comunhão nesta amizade onde se unem Vânia e Arisa, suas respectivas esposas, minhas amigas que sempre compartilham comigo de todos os momentos. À amiga Nirvanda Medeiros, que disponibilizou seu tempo para me ajudar na parte prática deste evento. Ao amigo Mariano Pessoa, que esteve desde o início desta empreitada, ao meu lado, ajudando no que eu precisei. À Gemma Galgani, que dispôs de seu tempo também para me ajudar. Aos amigos Iratuã Freitas, Marta Barbosa, Natália Viana, Fábio Tajra, Antonio Viana e Wilson Loureiro, que me ajudaram na divulgação deste lançamento. Agradecer também a Pedro Jorge Medeiros, Presidente do Náutico Atlético Cearense, esta Casa que hoje nos recebe, pela disponibilização do espaço e por esta acolhida tão afável. Ao casal Gutemberg e Argentina que estão sempre comigo, dividindo as alegrias e as dores, mas sempre me dando o carinho familiar que me foi negado com a partida dos meus. Ao casal Carlos Gurjão e Marlene, que são parte de mim, nesta nova caminhada. Ao amigo e padrinho literário, poeta Juarez Leitão, que foi a primeira pessoa a acreditar no meu dom de escritora, e ao ler minhas acanhadas poesias, descobriu em mim, uma poetisa que só precisava ser lapidada. Nesta noite, deixou-me emocionada com tão linda apresentação de meu livro e em sua emocionada fala sobre mim, percebo seu carinho em acompanhar minha evolução literária. A você poeta, o meu mais profundo e sincero agradecimento. À família de meu pai, que também é minha e que aqui presente, me dá a certeza de que a gente precisa destes laços para se renovar e se fortalecer.
Meus amigos, com suas presenças, meus sentimentos se misturam, se destilam e se condensam em muitas emoções. Trago a vocês meu livro de estreia e espero que vocês o apreciem. Águas do Tempo é meu primogênito e ao entregá-lo, peço que cuidem dele como quem cuida de um filho, com carinho e cuidado.
A obra apresentada esta noite tem passagens fortes e acentuadas por ritmos sensuais, trazendo revelações dramáticas e recompondo atos revitalizadores.
A vocês, amigos fiéis e sinceros que tecem comigo, loas e confessam afetos e fazem indagações sobre os mistérios e caprichos do mundo, agradeço pela alegria da presença neste momento em que registro esta etapa do meu tempo.
  Convidei vocês, não pela importância que cada um tem no mundo, mas porque cada um de vocês é um pedaço do meu significado, deste significado que eu queria que se fizesse aqui presente. Dentre os muitos contos infantis que conheço, há um que fala de um andarilho que tinha duas mochilas. Numa, ele guardava as pedras em que tropeçava e na outra, ele guardava as flores que lhe ofereciam perfume. Quando lhe perguntavam por que as pedras, ele dizia que os tropeços aceleravam a caminhada. Quando lhe perguntavam por que as flores, ele dizia que o perfume atraía para os caminhos mais prazerosos. No fim da estrada ele se livrou da mochila que pesava e continuou com aquela que tornava mais leve o seu caminhar. Foi exatamente por isso que os convidei nesta noite. Para rever aqueles que estavam presentes na hora em que precisei de um sinal para dar mais um passo. Para rever os que agora se acercam de mim com mais frequência e me dão a certeza da sinceridade. Cada um de vocês ajudou-me a construir uma nova etapa do significado destes meus anos.
As pedras que me perdoem, mas na minha idade alguns tropeços precisam ser desviados e nos meus ombros já não há mais lugar para duas mochilas.
Muito obrigada por esta oportunidade. A de olhar e rever, em cada um de vocês, um momento bom da minha vida. Agradeço pelo doce acolhimento e pela fundação desse país chamado AMIZADE.
                                                               Rejane Costa Barros
                                                               Fortaleza, 27 de março de 2014 

sexta-feira, 7 de março de 2014

DIA INTERNACIONAL DA MULHER - 08 de Março. SALVE A MULHER!


NÃO! Não vamos falar de violência, pelo menos hoje não!
Hoje vamos falar de ascensão da mulher, seus avanços, suas conquistas e os passos caminhados em direção a uma nova era, uma era de conquistas, - no sentido de ocupar um lugar de destaque, um lugar digno e merecido na sociedade. Um lugar que sempre lhe foi negado. Até mesmo as sociedades mais tradicionalistas e fechadas estão reconhecendo os direitos, e por consequência o valor da mulher. Estão devolvendo-lhe seus direitos para que ela os exerça com dignidade e altivez.

Hoje é um dia para falar de reconhecimento e gratidão à mulher Esposa Mãe, Irmã, Médica, Psicóloga, Enfermeira, Parteira,... Generosa, Do lar, Camponesa. Administradora, Engenheira,.. Marinheira,... Advogada, Cozinheira, Radialista, Atriz, Juíza,.. Camareira, (Mulher Policial).
Mulher Rendeira,... Seringueira,..

Demorou muitos séculos, mas a mulher conquistou seu espaço, seu lugar em uma sociedade machista que exerce o domínio desde a pré-história. Porém, temos que reconhecer que ainda não é tudo, há ainda um longo caminho a ser percorrido para que se chegue ao ideal. A Mulher já ocupa posições e cargos importantes sem perder sua feminilidade, sua meiguice, seu charme e elegância.
Deve-se reconhecer que apesar de todos os avanços,??? neste mundo globalizado somos “bombardeados” a todo momentos com notícias de todas as partes dando conta de maus tratos, violência, discriminação, e toda sorte de abusos cometidos contra a mulher. Essa infelizmente é uma realidade da qual não se pode fugir, - mas por outro lado reconhecemos que a mulher está em um momento de muitas conquistas, e isso é uma grande evolução se comparado ao que foi em tempos idos.

Mulher: Governadora, Presidente (a), Prefeita,... Mulher cativante!
Mulher: Delegada,... Piloto (A) de avião... Comandante de polícia,.. Mãe leoa...
Mulher: Mecânica,... Ministra e Secretária de Estado,.. Mulher Escritora,... Jornalista,..
Mulher: Caminhoneira,... Motorista de ônibus,.. Promotora,...

.... Essa mulher não é mais aquela que ocupava um lugar inferior na sociedade. Essa Mulher agora Comanda... Manda!... Dirige!... Está à Frente!... Ocupando Postos de Vanguarda... Não é mais aquela mulher que entrava pela porta de serviços... só para a cozinha... Sem a mulher o mundo seria um deserto! Onde há a presença feminina, há um muito ou um tudo da presença de Deus!

Mulher Comandante!... Mulher General!... Mulher Deputada!...Mulher Presidente Federal!...
Mulher Mãe Defensora,.. Primeira Ministra... Mulher Astronauta,... Mulher que sabe com meiguice e gentileza dar um basta!!! Tomar as rédeas e o comando assumir!...
... É desta Mulher que estamos falando hoje... Mulher Mãe Dedicada...
Mulher!... Apesar do mundo, da sociedade, e da (violência), (Mulher Companheira), Mulher (Esposa e Amante).Professora, Orientadora, Conselheira,”GUERREIRA”,
Empreendedora, Profissional Liberal...

Um dia é muito pouco. A Mulher deveria ser homenageada todos os dias do ano.
Parabéns, Rainha Mulher! Parabéns, Deusa Mulher!
Parabéns, Princesa Menina, Fada Mulher!

Hoje, o comando é teu,.. Assim o é, já há algum tempo. Já és liberta do jugo de uma sociedade que te via como cidadã de segunda ou terceira categoria. Já tens o comando em tuas delicadas mãos para dirigir tua vida e por que não a dos demais? Não só pelo comando em si, mas sim pela condição de igualdade perante todos os demais!


CLEO ANSELMO

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

HOMENAGEM PÓSTUMA À EBE BRAGA, SÓCIA HONORÁRIA DA AJEB, POR GISELDA MEDEIROS

“EBE BRAGA - UMA HISTÓRIA DE VIDA DEDICADA À EDUCAÇÃO”


     “Como são belas as obras de Deus. E, todavia, delas não vemos mais                                          
 do que uma centelha.” (Eclo: 42,23)
                                                                     
                                           
                   Oscar Wilde, célebre escritor inglês, em uma de suas felizes inspirações, assim se expressa: “A vida, assim como a pintura, a escultura e a poesia, também possui suas obras-primas.”  Partindo dessa assertiva, procuraremos mostrar, ao longo desse trabalho, a perfeita identidade entre o que foi dito e a professora Ebe Braga, motivo dessa monografia e que, com efeito, constitui uma perfeita obra-prima da vida.
                   São 10 de julho de 1925. Na pacata Fortaleza, a casa número 38 da rua Solon Pinheiro ilumina-se. O casal, Anastácio Braga Barroso e Edith Dinah da Costa Braga, contemplam eufóricos a concretização do amor: Maria Ebe da Costa Braga, a menina que, recebendo no nome a força e a imortalidade do vinho dos deuses, é agraciada, por isso, com o dom de continuar servindo aos humanos o vinho da sabedoria durante toda a sua vida.
                   Sensível e inteligente, aos sete anos, é matriculada no Curso de Alfabetização da Escola Normal Pedro II, hoje Colégio Estadual Justiniano de Serpa, época em que inicia também seus estudos de piano. Ensaiava-se, aqui, a definição de sua existência sequiosa de luzes, de cultura, de disciplina, traçada pelos pais, ricos de preceitos humanísticos e filosóficos.
                   Em 1937, freqüenta o Curso de Admissão do Colégio Farias Brito, sendo transferida, em 1940, para o Colégio Bennett, no Rio de Janeiro, onde permanece até o ano seguinte, sem abandonar as aulas de piano, ministradas, ali, pela professora Joaquina Mota, do Instituto Nacional da Música. Já, a essa época, faz parte do coral, regido pelo maestro Francisco Minhone.
                   Em 1942, Fortaleza a recebe de volta e, nesse ano, conclui o curso ginasial na Escola Normal Pedro II. No seguinte, retorna ao Rio de Janeiro, onde se dedica a aulas de canto lírico. No entanto, é forçada a interrompê-las, em virtude de ter que voltar a Fortaleza para a celebração de seu casamento com José Parente Frota,  passando a assinar-se Maria Ebe Braga Frota. 
                   O elo entre Ebe e a Educação começa a se fortalecer, imprimindo nela um compromisso de ordem doutrinária, acentuando a formação de algo luminoso e profundo: uma responsabilidade infrene. Isso se depreende do fato de, aos vinte e três anos, ser ela nomeada professora de aulas suplementares de Economia Doméstica na Escola Normal Pedro II.
                   Em 1950, matricula-se no Colégio São José para cursar o segundo ano científico. Conclui o curso no ano seguinte. Volta aos estudos de canto lírico com a professora Marina Medeiros.
                   Sua índole, marcada já pelo selo da docência, fá-la matricular-se, em 1951, no Colégio São José para cursar o segundo ano Normal, vindo a concluir o curso em 1952, sendo escolhida a oradora da turma.
                   Não é de se estranhar que, já possuída pela ortodoxia dos princípios filosóficos que procuram nortear a ética do ser humano, viesse ela a enveredar pelo influxo desses princípios. Assim é que, em 1953, submete-se ao vestibular para o Curso de Filosofia, na Faculdade Católica de Filosofia, tendo atingido a maior nota geral. Em virtude dessa conquista, é convidada a lecionar Psicologia, História e Filosofia da Educação no Colégio São José. É também nomeada professora de Economia Doméstica no Ginásio Municipal de Fortaleza.. E, em 1955, vai lecionar Psicologia e Sociologia no Colégio Santa Lúcia.
                   A difusão da capacidade intelectual de Ebe Braga, personificando o abstrato do “homo sapiens”, era um requisito indispensável para que se tivesse a jovem e inteligente professora integrada ao quadro docente dos bons colégios. Desse modo, em 1956, ano em que recebeu o grau de Licenciatura Plena em Filosofia, é nomeada professora interina de Economia Doméstica, na Escola Normal Pedro II, passando ao cargo de Professor Catedrático da mesma disciplina, através de Concurso Público, assim como sua nomeação para Técnica de Educação.   
                     De 1957 a 1960 passa a ser membro do Conselho Superior do Centro Estudantil Cearense, do qual fora Diretora no período 1953/1956. No intervalo 60/66, exerce as funções de Diretora do Departamento Feminino do Comercial Clube, durante a gestão do professor José Cláudio de Oliveira.
                   Traço escolástico de sua personalidade é a profunda contrição com que exerce seu mister. Difícil ter passado pelas mãos dessa admirável educadora e não ter assimilado o reflexo de sua luminosidade anímica. O ardor com que se reveste para a consecução de seus objetivos é o pano de fundo que lhe determina o caráter de mulher forte, obstinada, persistente e incorruptível. Jamais a abateram as dificuldades. As mais humildes manifestações da vida, os seres desprotegidos, sempre foram motivo de sua acurada filosofia, de sua arraigada filantropia.
                   Em 1958, a antiga Escola Normal Pedro II deixa as dependências do prédio da Praça Filgueira de Melo. Transfere-se, agora como Instituto de Educação, para a rua Graciliano Ramos, no Bairro de Fátima, para dar lugar, ali, ao atual Colégio Estadual Justiniano de Serpa. Nesse colégio, é criado, em 1964, o Curso Clássico, cabendo à Ebe Braga a docência da Sociologia e, em 1968, da Filosofia, disciplinas exigidas pelo vestibular na área de Humanidades.
                   Ebe Braga é um mundo nesse pedaço de natureza. A sua vida, pautada no bem, jamais exigiu recompensas ou glórias. Elas vieram, sim, mas em decorrência de suas atividades, de seu desprendimento, de sua competência. Agiu e age de modo determinado, dentro dos preceitos éticos de sua personalidade. Sempre procurou conduzir os seus discípulos com pertinácia, mostrando-lhes as oportunidades para crescerem e enfrentarem, sem medo, as forças, muitas vezes adversas, do tempo. Era como sempre nos tivesse a ensinar: Caminhar em si mesmo é uma maneira de entender o próximo, ampliar-lhe o rumo, abrir-lhe o universo. Positivamente, nossa ilustre educadora doava-se como caminho, transmudava-se em universo. Não tinha fronteiras. Era notável seu trabalho em sala de aula e fora dela. Sempre programava suas aulas com o amor e a dedicação que tivera desde os primeiros dias. Jamais deixava a rotina empanar o brilho de suas aulas. Para isso, ela estava sempre a buscar maneiras de atrair seus alunos para seqüestrá-los, dóceis e submissos, na cela das informações dos conteúdos didáticos. Disciplinada e disciplinadora.
                   Em 1966, é nomeada professora de História e Filosofia da Educação, bem como de Sociologia, no Colégio Municipal Filgueiras Lima, vindo a aposentar-se no ano de 1987. Matricula-se, em 1976, no Curso de Licenciatura Curta em Teologia, no ICRE, concluindo-o em 1979 e, no ano seguinte, conclui também o Curso de Especialização em Tecnologia Educacional para o Ensino Superior.
                   O peso dos anos,  que imprime em nós um ritmo descendente, não o consegue em relação à ilustre educadora. Pelo contrário, fá-la resistente e incansável. E, para conseguir caminhar com o tempo, sem retrocessos, é mestra e aluna, numa simbiose de amor. Tanto é assim que, após a aposentadoria, quando muitos se acomodam às condições de inatividade, ela não cede. Começa a freqüentar cursos, na ânsia de mais conhecimentos.
                   Um meteoro não pode deter sua vertiginosa trajetória. Desse modo, Ebe Braga conclui, em 1985, com o grau de Licenciatura Plena, o Curso de Ciências Religiosas. Pelo brilhantismo com que sempre se distingue em tudo o que faz, é convidada pelo então Diretor do ICRE, Monsenhor Francisco Pinheiro Landim, a lecionar, ali, a disciplina Introdução à Teologia. Aposentou-se em 1992.
                   Merecedora dos maiores encômios, a professora Ebe Braga recebe, em 1982, a maior comenda na área da Educação: a Medalha Justiniano de Serpa, homenagem de que se orgulha, haja vista o reconhecimento ao seu trabalho.
                   A 6 de junho de 1997, o auditório do Seminário da Prainha, lotado, aplaude de pé a defesa da monografia intitulada O Ecumenismo: Processo Evolutivo, requisito para a obtenção do grau de Bacharel em Ciências Religiosas. Realmente, um trabalho de fôlego, que exigiu cansativas pesquisas, em mais de setecentas páginas. O mais importante, e vale a pena ressaltar, é o alto poder de síntese com que foi apresentado pela ilustre bacharela, num verdadeiro testemunho do seu lastro cultural e humanístico.
                   Eis, pois, em pinceladas reais, os fatos mais importantes da história dessa grande educadora que, sem sombra de dúvida, merece desfilar entre os nomes consagrados da Educação, porque sempre se manteve a serviço dela, enfrentando os obstáculos, os percalços, com a alquimia de sua alma exaltada, enriquecida pela inteligência e pelo amor devotado à profissão, testemunhando, dessa maneira, o espírito forte de uma mulher que, malgrado a suposta fragilidade da espécie, sabe se impor pela inegável competência e conquistar o seu espaço, nada ficando a dever, em termos de cultura e desempenho, ao chamado sexo forte.
                   Por tudo isso, Maria Ebe Braga Frota é, inegavelmente, verdadeira obra-prima da vida.
                   “Labor omnia vincit.”                   
  
                                                                                 
Giselda Medeiros
                                                                                   
 (ex-aluna)

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

UM POEMA DE LILA XAVIER

POESIA PERECÍVEL

Minha poesia
Não é sonora
É perecível ao tempo
É metástase no corpo de algum ente.
Sufrágio de outras almas
Que sofreram os horrores
Dos amores perdidos.

Minha poesia
Não é sonora
Ela se constitui do não-sentido das coisas
São frases textuais desconexas
Sem nexo, sem paladar.

Minha poesia
Não é sonora
Ela não passa de efêmera literatura
Composta de tantas palavras
Jogadas ao vento.

Palavras profanas
Recitadas com gritos inaudíveis
Exclusivos, apenas, aos meus ouvidos
E só aos meus ouvidos!
Faço questão da ênfase!

Tais palavras nada, nada poéticas
Pertencem a um magistrado comunista
Trôpego, bêbado
Político, célebre e patético,
Que representa
A rudeza do meu ser...
Vindo à tona e se mostrando
Como um vestido lindo
Que resgata o ego ferido
Num totalitarismo frascário.

Minha poesia
Não é sonora
É trégua entre o “eu” e “eu”
Entre ser e não ser-nada
Apenas desenha o bulício do esferográfico
Que incrementa a pseudo
Imortalidade dos eruditos.

Minha poesia
Não é sonora
Porque alimentada de pretensão sectária,
Do zelo de uma poesia letrada
Que provoca e exorta
Uma compulsão nos militantes.

Os poetas (os verdadeiros) imortais
Escrevem subliminarmente
Em diáfanos dialetos
E, com certeza, estarão vivos
Dentro de mim.

Lila Xavier.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

OS SALMOS: A ANATOMIA DA ALMA HUMANA

03/02/2014

Os salmos constituem uma  das formas mais altas de oração que a humanidade produziu. Milhões e milhões de pessoas, judeus, cristãos e religiosos de todas as tradições, dia a dia, recitam e cantam salmos, especialmente os religiosos e religiosas e os padres no assim chamado “ofício das horas” diário.
Não sabemos exatamente quem seus autores, pois eles recolhem as orações que circulavam no  meio do povo. Seguramente muitos são de Davi (século X  a.C.). É considerado, por excelência, o protótipo do salmista. Foi pastor, guerreiro, profeta, poeta, músico, rei e profundamente religioso. Conquistou o Monte Sion dentro de Jerusalém e lá, ao redor da Arca da Aliança, organizou o culto e introduziu os salmos.
Quando se diz “salmo de Davi” na maioria das vezes significa: “salmo feito no estilo de Davi”. Os salmos surgiram no arco de quase mil anos, nos lugares de culto e recitados pelo povo até serem recopilados na época dos Macabeus no século II.a.C. O saltério é um microcosmo histórico, semelhante a uma catedral da Idade Média, construída durante séculos, por gerações e gerações, por milhares de mãos e incorporando as mudanças de estilo arquitetônico das várias épocas. Assim há salmos que revelam diferentes concepções de Deus, próprias de certa época, como aqueles, estranhas para nós, que expressam o desejo de vingança e o juízo implacável de Deus.
Os salmos testemunham a profunda convicção de que Deus, não obstante habitar numa luz inacessível, está  em nosso meio, morando como que numa tenda (shekinah). Podemos chegar a Ele, em súplicas, lamentações, louvores e ações de graças. Ele está sempre pronto para escutar.
O lugar denso de sua presença é o Templo onde se cantam os salmos. Mas como Criador do céu e da terra, está igualmente em todos os lugares, embora nenhum possa contê-lo.
Com razão, se orgulhavam os hebreus dizendo: “ninguém tem um Deus tão próximo como nós”! Próximo de cada um e no meio de seu povo. Os salmos revelam a consciência da proximidade divina e do amparo consolador. Por isso há neles intimidade pessoal sem cair no intimismo individualista. Há oração coletiva sem destituir a experiência pessoal. Uma dimensão reforça a outra, pois cada uma é verdadeira: não há pessoas sem o povo no qual estão inseridas e não há povo sem pessoas livres que o formam.
Ao rezar os salmos, encontramos neles a nossa radiografia espiritual, pessoal e coletiva. Neles identificamos nossos estados de ânimo:  desespero e alegria, medo e confiança, luto e dança, vontade de vingança e  desejo de perdão, interioridade e fascinação pela grandeza do céu estrelado. Bem o expressou o reformador João Calvino (1509-1564) no prefácio de seu grandioso comentário aos salmos:
“Costumo definir este livro como uma anatomia de todas as partes da alma, porque não há sentimento no ser humano que não esteja aí representado como num espelho. Diria que o Espírito Santo colocou ali, ao vivo, todas as dores, todas as tristezas, todos os temores, todas as dúvidas, todas as esperanças, todas as preocupações, todas as perplexidades até as emoções mais confusas que agitam habitualmente o espírito humano”.
Pelo fato de revelarem nossa autobiografia espiritual, os salmos representam a palavra do ser humano a  Deus e, ao mesmo tempo, a palavra de Deus ao ser humano. O saltério serviu sempre como  livro de consolação e fonte secreta de sentido, especialmente quando irrompe na humanidade o desamparo, a perseguição, a injustiça e a ameaça de morte. O filósofo francês Henri Bergson (1859-1941) deu este insuspeitado testemunho: “Das centenas de livros que li nenhum me trouxe tanta luz e conforto quanto estes poucos versos do salmo 23: O Senhor é meu pastor e nada me falta; ainda que ande por um vale tenebroso, não temo mal nenhum, porque Tu estás comigo”.
Um judeu, por exemplo, cercado de filhos, era empurrado, para as câmaras de gás em Auschwitz. Ele sabia que caminhava para o extermínio. Mesmo assim, ia recitando alto o salmo 23: “O Senhor é meu pastor… Ainda que eu ande pela sombra do  vale da morte, nenhum mal temerei, porque Tu estás comigo”. A morte não rompe a comunhão com Deus. É passagem, mesmo dolorosa, para o grande abraço infinito da paz eterna.
Por fim, os salmos são poesias religiosas e místicas da mais alta expressão. Como toda poesia, recriam a realidade com metáforas e imagens tiradas do imaginário. Este obedece a uma lógica própria, diferente daquela da racionalidade. Pelo imaginário, transfiguramos situações e fatos detectando neles sentidos ocultos e mensagens divinas. Por isso dizemos que não só habitamos prosaicamente o mundo, colhendo o sentido manifesto do desenrolar rotineiro dos acontecimentos. Habitamos também poeticamente o mundo, vendo o outro lado das coisas e um outro mundo dentro do mundo de beleza e de  encantamento.
Os salmos nos ensinam a habitar poeticamente a realidade. Então ela se transmuta num grande sacramento de Deus, cheia de sabedoria, de admoestações e de lições que tornam mais seguro nosso peregrinar rumo à Fonte. Como bem diz o salmista: “quando caminho entre perigos, tu me conservas a vida… e estás  até o fim a meu favor” (Salmo 138, 7-8).


Leonardo Boff é autor de  O Senhor é meu Pastor: consolo divino para o desamparo humano, Vozes 2013.

(in: leonardoboff.com)

sábado, 18 de janeiro de 2014

A AJEB-CE UNE-SE AO PESAR DE NILZE COSTA E SILVA PELA PERDA DE SUA MÃE



À MINHA MÃE
Pe. Antônio Tomás

Quer viva alegre, quer me punjam dores,
Jamais esqueço a minha Mãe querida,
Pois trago dentro em mim como esculpida
A imagem dela ornada de fulgores.

E de contínuo em místicos ardores
Se eleva aos céus minha alma enternecida,
Pedindo a Deus que lhe prolongue a vida
E lhe conceda sempre os seus favores.

E quando eu vou rezar à Virgem pura,
Sucede que o seu nome se mistura
Às minhas preces com frequência tanta ...


Que eu temo, às vezes, não se manifeste
Enciumada a minha mãe celeste
Do grande amor que eu tenho àquela santa.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

AJEBIANA ROSA FIRMO FAZ APRECIAÇÃO SOBRE LIVRO DE NIRVANDA MEDEIROS

Minha cara Nirvanda,

     Quando adquiro um livro meu desejo é ler de imediato, leio o prefácio, a apresentação e me empolgo para desbravar o texto.
  Como presente de Natal recebi alguns livros, inclusive o seu, “Vivenciando Passos – Um caminho construído com amor”.  A temática logo me chamou a atenção e o contexto em que se passava a história, pois, o mar e sertão se fundem em mim.
        Para deleite enquanto degusto a leitura de um livro, costumeiramente faço minhas anotações. Com seu livro não foi diferente, após a conclusão da leitura e minha apreciação produzi este texto.
   Sempre observei como são nítidas as diferenças entre o litoral e o sertão, no entanto, em termos econômicos e sociais não fogem às semelhança em relação ao processo do desenvolvimento, tudo foi acontecendo lentamente em ambos, enquanto isso homens de coragem e fé como os personagens “Joaquim e Felismina" como você destaca; estes foram os desbravadores, os construtores do progresso em décadas passadas no litoral de Camocim. Assim também aconteceu em outras regiões do Ceará, muitos personagens transformaram paisagens áridas, fizeram histórias análogas a sua.
  Os personagens moradores do “Lugarejo,” esse paraíso que você descreve, mesmo pobre economicamente, mas de uma nobreza singular, literalmente rica de qualidades e valores morais e espirituais mostra quanto o homem de fé é criativo e capaz de transformar e dar rumos à história.
  A natureza exuberante do “Lugarejo”, cenário em que você coloca os personagens representados por pessoas simples, desprovidas de bens materiais, porém sábias para lidar com as riquezas do mar, do mangue, enfim, tudo que o litoral oferece para sobrevivência, faz-nos reportar à Pasárgada de Manoel Bandeira. E isso impulsiona o leitor questionar que existia um paraíso perdido, e este lugarejo constitui-se, porém não somente de belezas naturais, bem como de personagens vivos espiritualizados, corajosos que sobreviveram com as dificuldades com determinação.
    Ao longo da narrativa você tece numa linguagem singela, o perfil de uma família equilibrada, personagens que são modelo de inúmeras famílias nordestinas, sejam elas sertanejas ou litorâneas, que percorreram caminhos espinhosos, enfrentaram perdas e ganhos, porem com fé e coragem conquistarem seus ideais; especialmente granjearam uma melhor condição para seus filhos. Assim se constitui a nossa história, que por vezes somos personagens e autores ao mesmo tempo.
       Providencialmente, vale ressaltar que suas memórias revelam a sua essência, são retalhos do passado que saltam de suas entranhas como reminiscências de um passado cheio de sentimentos bons, de felicidade.
  As mensagens entremeadas ao longo do texto romanceado mesmo fugindo o roteiro, representa seu perfil de educadora, que deseja repassar para o leitor reflexões e lições de vida.
Parabéns, Nirvanda, por mais um legado para as novas gerações.

Rosa Firmo


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

FELIZ ANO NOVO, QUERIDOS AJEBIANOS!



Feliz Ano Novo!
Giselda Medeiros

O ano começa...
Uma nova luz te chegará
pela primeira aurora.
E teus sonhos serão sóis,
que hás de conservar ardendo,
sempre em chamas.
Eles te impulsionarão,
da aurora ao arrebol de cada dia
da tua vida!
A  felicidade, então, te sorrirá,
em asas e plumas,
mesmo na languescência
dos poentes...
E A LUZ!
A luz do teu sonho
virá, sempre,
pela madrugada sangrenta,
e desabrochará,
 linda e majestosa,
em pétalas!
Faça-se a Luz!

Feliz Ano Novo para você!

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

AJEB - FELIZ NATAL



A AJEB deseja a todos os seus associados, amigos e leitores desse blog um FELIZ NATAL! Que as bênçãos de luz irradiadas das mãos do MENINO-JESUS caiam sobre cada um de nós, trazendo-nos paz, harmonia, amor e felicidades.