terça-feira, 18 de julho de 2017
CENTENÁRIO da obra de crítica e hodierna, de Lima Barreto, “OS BRUZUNDANGAS" - POR NÁDYA GURGEL
A ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS (ACL), a ASSOCIAÇÃO DE JORNALISTAS E
ESCRITORAS DO BRASIL (AJEB-CE) têm a HONRA de apresentar a PALESTRA: CENTENÁRIO da obra de crítica e hodierna,
de Lima Barreto, “OS BRUZUNDANGAS” pela AJEBIANA e PROFESSORA DO IFCE-Campus
Ubajara, Nádya Gurgel.
I- Breve curriculum da AJEBIANA PALESTRANTE
nesta aprazível manhã de 20 de junho de 2017:
Nádya Brito Gurgel
Correia Dutra nasceu em Fortaleza, há quarenta anos, precisamente no dia 16 de
março de 1977. Seus pais, Raimundo Luciano do Amaral Gurgel (in memoriam) e Mária Brito Gurgel, foram
os maiores responsáveis pela sua incursão nas Artes. De seu genitor, herdara o
apreço por Música Clássica, História e Política, e de sua genitora, a extrema
afeição por CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS. Seus primeiros textos vieram sob forma de
HQ´s (Histórias em Quadrinhos), e consecutivamente a esta tipologia textual...
vieram os romances! E todos estes prenúncios de obras são hoje relíquias
guardadas a sete chaves pela autora. Com hercúlea dificuldade, em 1998 Nádya
Gurgel publicara seu primeiro romance (dos tantos em prelo), intitulado UM
NOVO AMANHÃ, prefaciado pelo excelso Acadêmico (ACL) Batista de Lima, e
que recebera crítica literária (via Correios) do grandioso Acadêmico (ACL) e jurista
Dimas Macedo; reiterado incentivo da saudosa e célebre autora Rachel de Queiroz
(ABL e ACL), do Acadêmico (ACL) Cid Sabóia de Carvalho, da nossa Acadêmica
(ACL) Giselda Medeiros (Presidente de Honra da AJEB) e do eterno Patrono desta diletíssima
mais antiga Academia de Letras do País (Fundada no dia 15 de Agosto de 1894), Artur Eduardo Benevides (in memoriam), e hoje presidida pelo
célebre Presidente José Augusto Bezerra! A supracitada autora é AJEBIANA desde
1999; professora Especialista em Ensino de Literatura Brasileira do Instituto
Federal do Ceará (IFCE), nos Campi de
Ubajara (Cursos de Licenciatura em QUÍMICA; AGROINDÚSTRIA; TÉCNICO EM ALIMENTOS
e GASTRONOMIA) e Baturité (Curso de LETRAS). Fora professora de importantes
Colégios e Cursinhos preparatórios para os mais difíceis vestibulares do país
(por quase dezessete anos), como: Colégio Sete de Setembro, M@ster, Ari de Sá
Cavalcante, Antares, Tiradentes e Irmã Maria Montenegro. É mãe do casal Nícolas
(10) e Isadora (06), esposa do Subtenente do 23º Batalhão de Caçadores
Cristiano Dutra. É partícipe de relevantes Antologias, em contribuição nas
categorias CONTO, ENSAIO e POEMAS, como na majestosa POLICROMIAS, da nossa
Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, e de outras, como os títulos
esgotados CEIA MAIOR; ESPUTO e AMOR, MÚSICA E POESIA. Foi organizadora, revisora e prefaciadora da
obra poética e memorialística do ex-fazendário João Batista Terceiro (in memoriam) PASSADOS INESQUECÍVEIS. É desenhista por diletantismo, e professora
atuante de videoaulas de grande capilaridade entre os pré-universitários de
todo o Brasil.
II- Agora... o que não se pode deixar de saber
acerca da BIOGRAFIA de AFONSO HENRIQUES DE LIMA BARRETO (que tantos
influxos exercera em sua BIBLIOGRAFIA):
Um dos ícones do Pré-Modernismo (1902-1922),
Lima Barreto nascera na cidade do Rio de Janeiro, no dia 13 de maio de 1881, e falecera na mesma Terra
Natalícia, no dia primeiro de novembro de 1922, à Rua Major
Mascarenhas, no. 26, às 17 horas (Gripe torácica e colapso cardíaco). Anos
extremamente relevantes (1881 e 1922), também, para a historiografia literária
brasileira, a citar o surgimento do Realismo e do Modernismo, respectivamente.
Filho de Joaquim Henriques de Lima Barreto e Amália Augusta, ambos mestiços e
pobres, nosso Lima Barreto sofrera preconceito racial durante a vida inteira.
Seu pai era tipógrafo e sua mãe, professora primária, e falecera quando Barreto
tinha sete anos. Ano este em que pensara, pela primeira vez, em suicídio.
Sempre
auxiliado pelo padrinho abastado, Visconde de Ouro Preto, Barreto estudara no
Liceu Popular Niteroiense e concluíra o curso secundário no Colégio Pedro II, local
onde estudava a elite literária da época. E, devido à inegável dedicação aos
estudos, conseguira ingressar na Escola Politécnica do Rio de Janeiro (exame
vestibular), no tão almejado curso de Engenharia, em 28 de janeiro de 1897. Em
1904, foi obrigado a abandonar o curso, pois seu pai havia enlouquecido e o
sustento dos três irmãos agora era responsabilidade dele... Além de imensas
frustrações e dissabores enfrentados por ser o único mulato da sala e, assim,
não ter sido beneficiado (como os demais: brancos e abastados!) quando, por
exemplo, tinha dúvidas em Cálculo...
Provavelmente a sua
primeira grande frustração fora não ter se tornado Doutor- e isto passaria a
ser amplamente denunciado em suas obras: o culto exacerbado que no Brasil nutria
pelo título de Doutor, ou ao DOUTORISMO! Comumente Barreto externava que, no
Brasil de seu tempo, três pedras de anéis de formaturas eram as mais exaltadas:
safira (Engenharia), rubi (Direito) e esmeralda (Medicina). Esta convicção
barretiana é obsoleta ou ainda hodierna?
Outras experimentações
vitais infelizes nortearão sua escritura ácida e intrépida, como o fato de não
ter conseguido pertencer ao quadro excelso da Academia Brasileira de Letras,
fundada por Machado de Assis, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e outros ícones da
Bélle Epoque (nos idos de novembro de
1996... e com sessão inaugural em 20 de julho de 1897). Foram duas negativas ao
seu nome para imortal da ABL. Na terceira, ele mesmo retirara sua candidatura,
temendo nova decepção.
Fora colaborador de jornais de estudantes,
como A Lanterna, e depois faria uma
série de reportagens para o respeitado Correio
da Manhã, sem assinatura, sob o título “Os Subterrâneos do Morro do
Castelo”. Fora colaborador no jornal humorístico Tagarela, sob o pseudônimo de Rui de Pina. Trabalhara na célebre
revista Fon-Fon e publicara em
folhetins, no jornal A Noite, sua
obra Numa e Ninfa (que surgiria sob
forma de livro também 1917) e fora colaborador de muitos outros jornais e
revistas cariocas, como a A.B.C., da
qual se afastara após ter sido publicado nesta revista, por outro escritor, um
artigo contra a raça negra.
Em 09 de julho de 1903 fora classificado em
segundo lugar no concurso para a Secretaria da Guerra. Em 28 de outubro, tomara
posse do cargo. Isto significaria, de uma vez por todas, findar seu sonho de
estudar na Politécnica e passaria a experimentar reiteradas frustrações com o
trabalho repetitório e burocrático (que lhe daria muita inspiração para as
críticas externadas em romances como “TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA”, “CLARA
D0S ANJOS”, “OS BRUZUNGAS”, “VIDA E
MORTE DE M. J. GONZAGA DE SÁ”). Seria amanuense até 26 de dezembro de 1918.
Resultado: seu tempo líquido de serviço fora de 14 anos, 3 meses e 12 dias,
quando se aposentara, após algumas licenças para tratamento de saúde e seu
PRIMEIRO TERRÍVEL CONFINAMENTO EM HOSPÍCIO, de 18 de agosto de 1914 a 13 de
outubro.
O segundo confinamento
em hospício fora em 25 de dezembro de 1919 a 02 de fevereiro de 1920.
O
porquê dos internamentos? Alcoolismo; o fato de ter sido o único filho a cuidar
dos problemas mentais do pai e, assim, muito os absorvera...
A tão celebrizada e inolvidável obra
barretiana “TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA”, romance quixotesco brasileiro, surgira
em 26 de fevereiro de 1916, entre estes dois “tratamentos psiquiátricos”. E o
maior legado destes seus tempos tão sofridos no “Hospital Nacional de Alienados
no Rio de Janeiro” fora a obra intrigante e impactante “CEMITÉRO DOS VIVOS”.
Um alento Barreto recebera da Academia
Brasileira de Letras antes de partir: a menção honrosa (em janeiro de 1921) ao
romance “VIDA E MORTE DE M. J. GONZAGA DE SÁ”.
Lima fora, enfim, um
homem que nascera e crescera para ser um gênio, um crítico ferrenho da
sociedade burguesa finissecular oitocentista e daquele introito novecentista em
nosso País. Fora o “Boca do Inferno do Pré-Modernismo”!!??
Creio que sim, e
verticalizando ainda mais as temáticas críticas e contundentes abordadas pelo
bardo baiano Gregório de Mattos Guerra ao Brasil e seus Governantes no Séc.
XVII, ao tempo do Barroco.
Barreto, em todas as
obras produzidas, preferira a denúncia do arrivismo dos Políticos, eivados de
propinas e ausência de vistas sociais; quisera minorizar a dor dos mulatos e
lutar por um país com menos iniquidade e injustiça social. Nada mais premente,
imprescindível e hodierno. Muito obrigada, excelso escritor, que preferira a
criticidade (e por ela fora severamente castigado!) e não o lisonjeio gratuito.
III- E QUANTO À OBRA CENTENÁRIA “OS
BRUZUNDANGAS”?
Em junho de 1917, quando
Lima Barreto estivera enfermiço e recolhido no Hospital Central do Exército, ele
entregara ao seu editor Jacinto Ribeiro dos Santos os originais de OS
BRUZUNDANGAS, que apareciam em volume somente em dezembro de 1922, um
mês após seu falecimento.
Segundo um dos maiores
críticos literários que há acerca de Lima Barreto, H. Pereira da Silva, em sua
obra “LIMA BARRETO- ESCRITOR MALDITO”, “Na república da Bruzundanga, neste
livro que ferve, cozinha questões nacionais, se nada mais houvesse para
ressaltar, bastariam a sinceridade, a firmeza de caráter em dizer o que nos
diz, porque mexer no angu é menos prudente que derramar o caldo. Lima Barreto,
porém, prefere engrossar o caldo. Mete a colher no angu, encaroça-o, salga-o,
apimenta-o, mas dá-lhe certo sabor, certos requintes de humor desconhecido dos
historiadores afeitos a insossos pratos servidos na Bruzundanga das letras.”
(2ª. Edição, Editora Civilização Brasileira, pág. 114)
Desde o título, desde o
léxico escolhido, BRUZUNDANGA, em alegoria ao Brasil, podemos perceber seu
intento de nos levar a refletir acerca de uma possível desordem, algavaria,
mixórdia, BAGUNÇA... que nos possa rodear (e como, claro, poderíamos solucionar
tal precariedade estrutural social)!
Na República da
Bruzundanga, reiteradas são as críticas aos cargos públicos ocupados por
bajuladores e néscios; aos poetas “Samoiedas” (em nítida crítica negativa à
impassibilidade da poética parnasiana, que assim ele a julgava!); aos Doutores
tão exaltados e, segundo ele, hipócritas; aos escritores ou aos oradores usuários
de um discurso exacerbadamente esmerado e hermético, em desarmonia com a
realidade da maioria dos brasileiros. Sem faltar críticas ao teatro, à
religião, à música, às eleições, ao RACISMO...
Alguns excertos para análise verticalizada de
“OS BRUZUNDANGAS”:
I-SOBRE OS LITERATOS
“- Quantas cartas tens aí!-
disse-lhe eu ao vê-lo abrir a carteira, para tirar uma nota com que pagasse a despesa.
- São “pistolões”.
- Pra tanta gente?
- Sim; para os
críticos dos jornais e das revistas. Não sabes que vou publicar um livro?”
(BARRETO,
Lima. Os Bruzundangas, pág.140)
II- NO GABINETE DO MINISTRO
“- O senhor quer ser diretor do Serviço Geológico da Bruzundanga?-
Perguntou o ministro.
- Quero,
excelência.
- Onde estudou
geologia?
- Nunca estudei,
mas sei o que é vulcão.
- Que é?
- Chama-se vulcão
a montanha que, de uma abertura, em geral no cimo, jorra turbilhões de fogo e
substâncias em fusão.
- Bem. O senhor
será nomeado.
***
Pâncome, quando se deu uma vaga de amanuense na sua Secretaria de
Estado, de acordo com o seu critério não abriu concurso, como era de lei, e
esperou o acaso para preenchê-la convenientemente.
Houve um rapaz
que, julgando que o poderoso Visconde queria um amanuense chic e lindo, supondo-se ser tudo isso, requereu o lugar, juntando
os seus retratos, tanto de perfil como de frente. Pancôme fê-lo vir à sua
presença. Olhou o rapaz e disse:
- Sabe sorrir?
- Sei,
Excelentíssimo Senhor Ministro.
- Então mostre.
Pancôme ficou contente e indagou ainda:
- Sabe
cumprimentar?
- Sei, Senhor
Visconde.
- Então,
cumprimente ali o Major Marmeleiro.
Este major era o
seu secretário e estava sentado, em outra mesa, ao lado da do ministro, todo
ele embrulhado em uma vasta sobrecasaca.
O rapaz não se
fez de rogado e cumprimentou o major com todos os “ff” e “rr” diplomáticos.
O visconde ficou
contente e perguntou ainda:
- Sabe dançar?
- Sei,
Excelentíssimo Senhor Visconde.
- Dance.
- Sem música?
O visconde não se
atrapalhou. Determinou ao secretário:
- Marmeleiro,
ensaia aí uma valsa.
- Só sei Morrer sonhando (exemplo).
- Serve.
O candidato
dançou às mil maravilhas e o visconde não escondia o grande contentamento de
que sua alma exuberava.
Indagou afinal:
- Sabe escrever com desembaraço?
- Ainda não,
doutor.
- Não faz mal. O
essencial o senhor sabe. O resto o senhor aprenderá com os outros.
E foi nomeado,
para bem documentar, aos olhos dos estranhos, a beleza dos homens da
Bruzundanga.” (Idem, págs. 144 e 145)
III- A NOBREZA NA BRUZUNDANGA
“(...)
As moças ricas não
podem compreender o casamento senão com o doutor; e as pobres, quando alcançam
um matrimônio dessa natureza, enchem de orgulho a família toda, os colaterais,
e os afins. Não é raro ouvir alguém dizer com todo o orgulho:
- Minha prima está
casada com o doutor Bacabau.
Ele se julga também
um pouco doutor. (...)
A formatura é
dispendiosa e demorada, de modo que os pobres, inteiramente pobres, isto é, sem
fortuna e relações, poucas vezes podem alcançá-la.
Coisa curiosa! O que
mete medo aos candidatos à nobreza doutoral não são os exames da escola
superior; são os exames preliminares, aqueles das matrículas que constituem o
nosso curso secundário...
Em geral, apesar de
serem lentos e demorados, os cursos são medíocres e não constituem para os
aspirantes senão uma vigília de armas para serem armados cavaleiros.
O título – doutor -
anteposto ao nome, tem na Bruzundanga o efeito do – dom – em terras de Espanha.
Mesmo no Exército, ele soa em todo o seu prestígio nobiliárquico. (...)
(...)
O nobre doutor tem
prisão especial, mesmo se tratando dos mais repugnantes crimes. Ele não pode
ser preso como qualquer do povo. Os regulamentos rezam isto, apesar da
Constituição, etc., etc.
Tendo crescido
imensamente o número de doutores, eles, os seus pais, sogros, etc., trataram de
reservar o maior número de lugares do Estado para eles. Capciosamente, os
regulamentos da Bruzundanga vão conseguindo esse desideratum.
(...)” (Ibidem, pág. 33 e 34)
IV- AS ELEIÇÕES
“(...)
Julgavam os chefes e
capatazes políticos que apurar os votos dos seus concidadãos era anarquizar a
instituição e provocar um trabalho infernal na apuração, porquanto cada qual
votaria em um nome, visto que, em geral, os eleitores têm a tendência de votar
em conhecidos ou amigos. Cada cabeça, cada sentença; e, para obviar os
inconvenientes de semelhante fato, os mesários da Bruzundanga lavraram as atas
conforme entendiam e davam votações aos candidatos, conforme queriam.
(...)” (Pág. 92)
FOTOS
segunda-feira, 17 de julho de 2017
DOIS POEMAS DE VICENTE ALENCAR
AO LONGE
Um sino é ouvido
ao longe.
Uma prece é lembrada
dentro do tempo.
Mãos se elevam juntas
em oração.
Há um pedido,
há uma verdade.
São corações
que se unem,
se encontram.
Um sino é ouvido
ao longe,
e uma
mensagem de saudade
torna-se ainda
mais presente.
LIBERDADE
A liberdade de criar
pertence ao coração.
Ele chama, conversa,
dita o que quer
e o que deseja.
Todo o seu corpo
atende ao chamado.
Ali, naquele momento,
é apenas um ser
que ama.
Nada impedirá
seus pensamentos,
sua paixão,
o seu conforto de querer.
A liberdade de criar
faz seu coração dizer
tudo o que quer.
E você se encanta
e até se espanta
com tanto amor.
(Do Livro: Poesias entrando pela noite)
sexta-feira, 23 de junho de 2017
GUTEMBERG ANDRADE, SÓCIO DA AJEB-CE, LANÇA LIVRO.
22 de junho. Casa de Juvenal Galeno e o lançamento do livro A perna invejosa, do cordelista Gutemberg Andrade.
Nossos agradecimentos a todos que compareceram a esse evento literário e a Eliane Santos, Francinete Azevedo, Rejane Costa Barros, Ana Nascimento, Leudo Santana, Arlene Portelada, Rouxinol do Rinaré e Antônio Galeno, que participaram da programação literária desse lançamento.
A pena invejosa é mais um trabalho da Luazul Edições.
sábado, 10 de junho de 2017
REJANE COSTA BARROS É EMPOSSADA NA ALACE
Vejamos algumas fotos
DISCURSO DE POSSE
Senhor Presidente,
Acadêmicos da ALACE,
Senhores e senhoras
Senhores e senhoras
Dizia o poeta Filgueiras Lima que as Academias, além de serem Institutos de exercícios literários, têm um compromisso social de marcante importância: cabe-lhes acender ideias de elevação mental na alma do povo e aprimorar os recursos da língua nacional, assegurando-lhe o resguardo dos modos e formas expressionais da melhor beleza idiomática e de respeito aos elementos de sua formação.
Tem o Ceará uma trajetória de amor às agremiações culturais. Muitas foram as que se formaram ao longo de nossa história, algumas de forma marcante, como a original PADARIA ESPIRITUAL, fundada em 1892 pelos jovens boêmios que frequentavam o Café Java na Praça do Ferreira, sob a generosa complacência do Mané Coco, jocosa figura de botiquineiro.
Em 1894 era fundada a Academia Cearense de Letras, porventura, a mais antiga do Brasil, pois antecedeu em três anos a própria Academia Brasileira de Letras.
Outras Associações e Grupos literários já haviam recrutado os amigos das letras, como a Academia Francesa, em 1873, o Grêmio Literário, em 1855, e o Instituto do Ceará, em 1887 (este ainda hoje em pleno vigor produtivo e reconhecido como Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico).
Nesses redutos de embate de ideias e manifestação estética, surgiram nomes que haveriam de engrandecer as letras cearenses e romper as fronteiras da Província para brilhar à ampla e larga admiração nacional. Nomes como o de Antônio Sales, Adolfo Caminha, Rodolfo Teófilo, Rocha Lima, Juvenal Galeno, Farias Brito, Araripe Júnior e Clóvis Beviláqua.
Somos uma terra de produtores de literatura. De poetas e prosadores de qualidade superior, muitos assinalados em definitivo nas páginas permanentes da imortalidade, como colunas sólidas da história literária do país. Desses anais perpétuos jamais sairão José de Alencar, Franklin Távora, Domingos Olímpio, José Albano, Gustavo Barroso, Herman Lima, Raimundo Magalhães Júnior e Rachel de Queiroz.
Parece que temos no Ceará uma inquietação para dizer, pelos misteriosos caminhos do encanto, os sentimentos e as emoções que nos possuem, o acicate da dor e o fogo da paixão, o plasma do delírio e o patinar obscuro do lodo, o mel e o fel de nosso jeito severino de encarar a vida.
Como em todos os ofícios da atividade humana, o escritor tem um compromisso com a sociedade e com a História.
Mas cabe aos que escrevem uma função maior. É que o escritor faz a leitura da vida, capta os retratos da época, interpreta a natureza humana, reflete em sua criação o pensamento, as ideias e as atitudes de seu tempo, expressando-os através da crônica, do ensaio, da poesia e até da ficção, que sempre se apoia na realidade e reproduz situações concretas.
Instrumento, portanto, da História, o escritor é elemento imprescindível para a memória da Humanidade. Sem a sua atuação, não teríamos a Bíblia, o Livro dos Vedas, o Alcorão, a Odisseia, a Divina Comédia e Os Lusíadas.
Nem saberíamos das façanhas de Carlos Magno e dos Doze Pares de França. Nem das proezas de João Grilo ou da peleja de Zé Pretinho com o Cego Aderaldo, pelo viés da literatura de cordel. Congregar esses seres iluminados que trabalham sobre a magia das palavras e, como deuses, criam mundos e constroem vidas, é uma missão também quase divina.
Por isso, aplaudimos a existência das Academias.
Afirmou certa vez o Professor Andrade Furtado que a vocação literária e artística é uma dignidade que devemos aceitar, humildemente, como dom gratuito de Deus e exercê-la como um sacerdócio. A Academia é uma forja de ideias. Aqui se emite e se molda o pensamento, dando-lhe a feição e o aspecto que compraz ao seu emissor, sem prejuízo para os desdobramentos que os demais confrades nele possam realizar. Como o ferro que, na bigorna, ao toque do malho, pode ser transformado num acicate ou numa lâmina agrícola, na espora que excita ao galope ou na enxada que abre a cova para a semeadura.
Hoje, não há como negar a emoção que vivo ao retornar para a ALACE – Academia de Letras e Artes do Ceará. Sabemos que essa Instituição literária nasceu sob uma forte inspiração e permanece nas fileiras entre as organizações que praticam a resistência heroica em defesa das tradições culturais de nosso Ceará.
Idealizada pelos escritores Reginaldo Vasconcelos de Athayde, que hoje habita outro universo e Eliane Arruda, a ALACE tem bagagem suficiente para inscrever e deixar marcada para sempre a sua marca na história literária de nosso Estado.
A estrada é nossa pátria, porque é dela, da faina operosa dos dias, entre pedras e flores, que miramos o horizonte. Aqui, em outras épocas participei de vários acontecimentos e muitas conquistas e agora, estou pronta a percorrer esse novo território e palmilhar os ínvios caminhos para descobrir o prazer nessa caminhada cultural.
Tenho nesse momento, a alma alvoroçada e o coração em festa.
Tem o Ceará uma trajetória de amor às agremiações culturais. Muitas foram as que se formaram ao longo de nossa história, algumas de forma marcante, como a original PADARIA ESPIRITUAL, fundada em 1892 pelos jovens boêmios que frequentavam o Café Java na Praça do Ferreira, sob a generosa complacência do Mané Coco, jocosa figura de botiquineiro.
Em 1894 era fundada a Academia Cearense de Letras, porventura, a mais antiga do Brasil, pois antecedeu em três anos a própria Academia Brasileira de Letras.
Outras Associações e Grupos literários já haviam recrutado os amigos das letras, como a Academia Francesa, em 1873, o Grêmio Literário, em 1855, e o Instituto do Ceará, em 1887 (este ainda hoje em pleno vigor produtivo e reconhecido como Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico).
Nesses redutos de embate de ideias e manifestação estética, surgiram nomes que haveriam de engrandecer as letras cearenses e romper as fronteiras da Província para brilhar à ampla e larga admiração nacional. Nomes como o de Antônio Sales, Adolfo Caminha, Rodolfo Teófilo, Rocha Lima, Juvenal Galeno, Farias Brito, Araripe Júnior e Clóvis Beviláqua.
Somos uma terra de produtores de literatura. De poetas e prosadores de qualidade superior, muitos assinalados em definitivo nas páginas permanentes da imortalidade, como colunas sólidas da história literária do país. Desses anais perpétuos jamais sairão José de Alencar, Franklin Távora, Domingos Olímpio, José Albano, Gustavo Barroso, Herman Lima, Raimundo Magalhães Júnior e Rachel de Queiroz.
Parece que temos no Ceará uma inquietação para dizer, pelos misteriosos caminhos do encanto, os sentimentos e as emoções que nos possuem, o acicate da dor e o fogo da paixão, o plasma do delírio e o patinar obscuro do lodo, o mel e o fel de nosso jeito severino de encarar a vida.
Como em todos os ofícios da atividade humana, o escritor tem um compromisso com a sociedade e com a História.
Mas cabe aos que escrevem uma função maior. É que o escritor faz a leitura da vida, capta os retratos da época, interpreta a natureza humana, reflete em sua criação o pensamento, as ideias e as atitudes de seu tempo, expressando-os através da crônica, do ensaio, da poesia e até da ficção, que sempre se apoia na realidade e reproduz situações concretas.
Instrumento, portanto, da História, o escritor é elemento imprescindível para a memória da Humanidade. Sem a sua atuação, não teríamos a Bíblia, o Livro dos Vedas, o Alcorão, a Odisseia, a Divina Comédia e Os Lusíadas.
Nem saberíamos das façanhas de Carlos Magno e dos Doze Pares de França. Nem das proezas de João Grilo ou da peleja de Zé Pretinho com o Cego Aderaldo, pelo viés da literatura de cordel. Congregar esses seres iluminados que trabalham sobre a magia das palavras e, como deuses, criam mundos e constroem vidas, é uma missão também quase divina.
Por isso, aplaudimos a existência das Academias.
Afirmou certa vez o Professor Andrade Furtado que a vocação literária e artística é uma dignidade que devemos aceitar, humildemente, como dom gratuito de Deus e exercê-la como um sacerdócio. A Academia é uma forja de ideias. Aqui se emite e se molda o pensamento, dando-lhe a feição e o aspecto que compraz ao seu emissor, sem prejuízo para os desdobramentos que os demais confrades nele possam realizar. Como o ferro que, na bigorna, ao toque do malho, pode ser transformado num acicate ou numa lâmina agrícola, na espora que excita ao galope ou na enxada que abre a cova para a semeadura.
Hoje, não há como negar a emoção que vivo ao retornar para a ALACE – Academia de Letras e Artes do Ceará. Sabemos que essa Instituição literária nasceu sob uma forte inspiração e permanece nas fileiras entre as organizações que praticam a resistência heroica em defesa das tradições culturais de nosso Ceará.
Idealizada pelos escritores Reginaldo Vasconcelos de Athayde, que hoje habita outro universo e Eliane Arruda, a ALACE tem bagagem suficiente para inscrever e deixar marcada para sempre a sua marca na história literária de nosso Estado.
A estrada é nossa pátria, porque é dela, da faina operosa dos dias, entre pedras e flores, que miramos o horizonte. Aqui, em outras épocas participei de vários acontecimentos e muitas conquistas e agora, estou pronta a percorrer esse novo território e palmilhar os ínvios caminhos para descobrir o prazer nessa caminhada cultural.
Tenho nesse momento, a alma alvoroçada e o coração em festa.
Pulsa-me o sentimento verdadeiro de alegria e do mesmo quilate daquela primeira vez em que cruzei os umbrais desta casa, a Casa de Juvenal Galeno. Naquele dia, ao pisar este solo, senti claramente que atravessava a fronteira luminosa para o planeta da literatura. Recebida pelo Diretor desta Casa, o querido amigo Dr. Alberto Santiago Galeno, historiador de nossos costumes e primoroso contista, fui inserindo a minha história e misturando-a às que aqui são vividas continuamente. Nos sentimos entre irmãos, gente que tem afeto para compartilhar. Desde aquele dia não me enganei: a Casa de Juvenal Galeno cumpre há mais de oito décadas, e com grande êxito, o desiderato fascinante de congregar, estimular e irmanar os intelectuais cearenses num ambiente de elevado sentimento e proveitosa convivência.
Há nesse mundo os que lutam pelo sucesso pessoal e se esforçam para atingir um patamar de conforto e dignidade para si e para a sua família, o que é justo, compreensível e natural. Mas, há também, os que, movidos por uma força interior e por serem portadores de um grande sentimento, pensam além da prosperidade individual e endereçam o seu trabalho, sua inteligência e suas energias para o progresso coletivo, visando o desenvolvimento econômico e social de sua comunidade.
Chega o momento da gratidão, e portanto, agradeço ao Presidente da ALACE, acadêmico José Odmar de Lima, que gentilmente, recebeu a proposta desse retorno, analisou-a, acatou-a e aceitou-a, apostando que é para o bem da Academia.
De minha parte, digo-lhe, que farei tudo o que estiver ao meu alcance para elevar o nome de nossa Academia e doar meus conhecimentos para que tudo esteja sempre em plena harmonia e poder compartilhar com meus pares, de suas inteligências e aprender com vocês, a caminhar pelo vale dourado da felicidade. Agradeço a acadêmica Socorro Cavalcanti, minha madrinha nesse retorno, por todo o esforço que empreendeu para que eu aqui estivesse novamente. Ela não sossegou no sentido de resgatar essa parceria, que sempre foi tão profícua. Também agradeço as acadêmicas Lucia Recamonde e Argentina Andrade que estiveram presentes nessa empreitada, torcendo para que fosse exitosa. Há um agradecimento todo especial, para a amiga querida Joana Paiva Recamonde. Essa mulher que aos 90 anos, se inscreve entre os idealistas do fortalecimento humano. Eu, em particular, agradeço sempre a Deus, por ter permitido que o destino cruzasse a minha vida à dela e nos tornado amigas. Mulher que acompanha a evolução do mundo, vive circundada pela modernidade, sabe ter o sorriso na hora certa e a palavra segura, quando necessário, mas sem perder a ternura, jamais. Sua vida é assim, sem mistério ou disfarces, desfraldada como uma bandeira, sugerindo esperanças e convidando-nos para acompanhá-la.
É amante da boa música, da comida caseira e das histórias de boca da noite. Tem fé, muita fé. Tem construído sua história de vida pautada na competência e determinação. Hoje, ela passa a outra categoria nessa Academia e eu passo a ocupar a cadeira 28, onde ela se assentou por tantas ocasiões, cujo Patrono é o imenso artista plástico Francisco Domingos da Silva, o Chico da Silva. Obrigada, Joaninha!
A vida e a obra de Chico da Silva são das mais intrigantes da história da arte brasileira. Nascido no Acre em 1923, veio para Fortaleza aos 10 anos e aqui residiu no bairro Pirambu, um dos bairros mais pobres da cidade, até morrer. Descoberto por Jean Pierre Chabloz, tornou-se um dos maiores pintores desse país e conhecido também internacionalmente. Muitos percalços e mazelas o envolveram e Chico, tomado pelo vício do álcool, algumas vezes, negligenciou sua arte, mas sua genialidade superou tudo isso. E o que nos orgulha nesse imenso artista, é o talento e seu nome que imortalizou-se na história da arte mundial.
Nunca olhemos o tempo como coisa comum, assim só envelheceremos mais depressa e passaremos pela vida sem viver de fato. Lembrem-se mulheres, que não precisamos ir para a guerra nem fazer a apologia da violência para entrar na História. Deixemos nossos nomes escritos e marcados nessa terra por nossos feitos, nossas condutas, nossos bons exemplos.
Essa é uma tarde de congraçamento, alegria e reconhecimento. Louvemos por essa tarde mágica de encantamento, plena de gratidão.
E cada ser humano, como definiu Sócrates, é como se fosse um todo único, um universo singular tão interessante quanto surpreendente, um campo em que se podem plantar sementes promissoras ou alinhar os tijolos de uma nova construção. Ousadia é o que melhor define a atitude do povo cearense! Somos uma gente destemida, uma raça de audazes, pois, como mostra a História, o Ceará não possui a reticência dos parvos, não contorna os desafios, nem teme os confrontos. Sempre achamos um caminho para a meta do horizonte desejado e, se o caminho não existe, nós o inventamos e pelo novo rumo pomos em marcha a nossa criatividade, o nosso talento e essa garra indômita de conquistadores. As fronteiras de nossa ousadia são, sem dúvida, infinitas.
Somos um povo que não pode esperar, nem a ponderação retórica, nem o adiamento acomodador.
Lembro nesse momento de Nélson Mandela, o Dragão do Mar da África, que sem escrever poesias, foi um poeta militante, na solidão da masmorra, na escuridão do cárcere, repetia sempre um mantra: Não importa quão estreito o portão / quão repleta de castigo a sentença / eu sou o senhor de meu destino / eu sou o capitão de minha alma. Mandela carregava na sua jangada existencial a lanterna da poesia.
Poeta é aquele que, em qualquer barco de sonho, ultrapassa as ondas da superfície e alcança o espaço tranquilo das águas profundas do oceano da vida.
Somos todos herdeiros da vocação criadora de Deus e nossa missão é construir.
Há os que constroem obeliscos e monumentos ciclópicos, os que constroem a guerra e a dor e vivem de produzir o medo e a desolação. Nós, porta-vozes da inspiração e do grande sentimento, produzimos policromias e construímos sobre o amor. Vivemos de provocar a beleza e sugerir a felicidade. Nosso edifício não é feito de pedra e argamassa sujeito à voragem do tempo e à aspereza material: nossas construções se montam sobre as estruturas azuis e permanentes da poesia, a mesma que fundou as canções de saudade, os sonhos mais puros e a fé vertical. Trabalhamos sobre a face apaixonada do mistério e das evocações transcendentes. Ultrapassamos a pedra, o abismo, a queda. Acendemos os sinais da vida e negamos a morte.
A Academia é a imortalidade, a espiritual sobrevivência da arte e da cultura. Saibamos transitar nesse universo literário com leveza, sabedoria, consciência de nosso papel e acima de tudo, com a certeza que tudo isso é efêmero e a simplicidade deve ser o sentimento mais atuante entre todos nós.
Muito obrigada a vocês, todos, por esse doce acolhimento!
Há nesse mundo os que lutam pelo sucesso pessoal e se esforçam para atingir um patamar de conforto e dignidade para si e para a sua família, o que é justo, compreensível e natural. Mas, há também, os que, movidos por uma força interior e por serem portadores de um grande sentimento, pensam além da prosperidade individual e endereçam o seu trabalho, sua inteligência e suas energias para o progresso coletivo, visando o desenvolvimento econômico e social de sua comunidade.
Chega o momento da gratidão, e portanto, agradeço ao Presidente da ALACE, acadêmico José Odmar de Lima, que gentilmente, recebeu a proposta desse retorno, analisou-a, acatou-a e aceitou-a, apostando que é para o bem da Academia.
De minha parte, digo-lhe, que farei tudo o que estiver ao meu alcance para elevar o nome de nossa Academia e doar meus conhecimentos para que tudo esteja sempre em plena harmonia e poder compartilhar com meus pares, de suas inteligências e aprender com vocês, a caminhar pelo vale dourado da felicidade. Agradeço a acadêmica Socorro Cavalcanti, minha madrinha nesse retorno, por todo o esforço que empreendeu para que eu aqui estivesse novamente. Ela não sossegou no sentido de resgatar essa parceria, que sempre foi tão profícua. Também agradeço as acadêmicas Lucia Recamonde e Argentina Andrade que estiveram presentes nessa empreitada, torcendo para que fosse exitosa. Há um agradecimento todo especial, para a amiga querida Joana Paiva Recamonde. Essa mulher que aos 90 anos, se inscreve entre os idealistas do fortalecimento humano. Eu, em particular, agradeço sempre a Deus, por ter permitido que o destino cruzasse a minha vida à dela e nos tornado amigas. Mulher que acompanha a evolução do mundo, vive circundada pela modernidade, sabe ter o sorriso na hora certa e a palavra segura, quando necessário, mas sem perder a ternura, jamais. Sua vida é assim, sem mistério ou disfarces, desfraldada como uma bandeira, sugerindo esperanças e convidando-nos para acompanhá-la.
É amante da boa música, da comida caseira e das histórias de boca da noite. Tem fé, muita fé. Tem construído sua história de vida pautada na competência e determinação. Hoje, ela passa a outra categoria nessa Academia e eu passo a ocupar a cadeira 28, onde ela se assentou por tantas ocasiões, cujo Patrono é o imenso artista plástico Francisco Domingos da Silva, o Chico da Silva. Obrigada, Joaninha!
A vida e a obra de Chico da Silva são das mais intrigantes da história da arte brasileira. Nascido no Acre em 1923, veio para Fortaleza aos 10 anos e aqui residiu no bairro Pirambu, um dos bairros mais pobres da cidade, até morrer. Descoberto por Jean Pierre Chabloz, tornou-se um dos maiores pintores desse país e conhecido também internacionalmente. Muitos percalços e mazelas o envolveram e Chico, tomado pelo vício do álcool, algumas vezes, negligenciou sua arte, mas sua genialidade superou tudo isso. E o que nos orgulha nesse imenso artista, é o talento e seu nome que imortalizou-se na história da arte mundial.
Nunca olhemos o tempo como coisa comum, assim só envelheceremos mais depressa e passaremos pela vida sem viver de fato. Lembrem-se mulheres, que não precisamos ir para a guerra nem fazer a apologia da violência para entrar na História. Deixemos nossos nomes escritos e marcados nessa terra por nossos feitos, nossas condutas, nossos bons exemplos.
Essa é uma tarde de congraçamento, alegria e reconhecimento. Louvemos por essa tarde mágica de encantamento, plena de gratidão.
E cada ser humano, como definiu Sócrates, é como se fosse um todo único, um universo singular tão interessante quanto surpreendente, um campo em que se podem plantar sementes promissoras ou alinhar os tijolos de uma nova construção. Ousadia é o que melhor define a atitude do povo cearense! Somos uma gente destemida, uma raça de audazes, pois, como mostra a História, o Ceará não possui a reticência dos parvos, não contorna os desafios, nem teme os confrontos. Sempre achamos um caminho para a meta do horizonte desejado e, se o caminho não existe, nós o inventamos e pelo novo rumo pomos em marcha a nossa criatividade, o nosso talento e essa garra indômita de conquistadores. As fronteiras de nossa ousadia são, sem dúvida, infinitas.
Somos um povo que não pode esperar, nem a ponderação retórica, nem o adiamento acomodador.
Lembro nesse momento de Nélson Mandela, o Dragão do Mar da África, que sem escrever poesias, foi um poeta militante, na solidão da masmorra, na escuridão do cárcere, repetia sempre um mantra: Não importa quão estreito o portão / quão repleta de castigo a sentença / eu sou o senhor de meu destino / eu sou o capitão de minha alma. Mandela carregava na sua jangada existencial a lanterna da poesia.
Poeta é aquele que, em qualquer barco de sonho, ultrapassa as ondas da superfície e alcança o espaço tranquilo das águas profundas do oceano da vida.
Somos todos herdeiros da vocação criadora de Deus e nossa missão é construir.
Há os que constroem obeliscos e monumentos ciclópicos, os que constroem a guerra e a dor e vivem de produzir o medo e a desolação. Nós, porta-vozes da inspiração e do grande sentimento, produzimos policromias e construímos sobre o amor. Vivemos de provocar a beleza e sugerir a felicidade. Nosso edifício não é feito de pedra e argamassa sujeito à voragem do tempo e à aspereza material: nossas construções se montam sobre as estruturas azuis e permanentes da poesia, a mesma que fundou as canções de saudade, os sonhos mais puros e a fé vertical. Trabalhamos sobre a face apaixonada do mistério e das evocações transcendentes. Ultrapassamos a pedra, o abismo, a queda. Acendemos os sinais da vida e negamos a morte.
A Academia é a imortalidade, a espiritual sobrevivência da arte e da cultura. Saibamos transitar nesse universo literário com leveza, sabedoria, consciência de nosso papel e acima de tudo, com a certeza que tudo isso é efêmero e a simplicidade deve ser o sentimento mais atuante entre todos nós.
Muito obrigada a vocês, todos, por esse doce acolhimento!
Rejane Costa Barros
Cadeira 28
Cadeira 28
10/06/2017
quinta-feira, 8 de junho de 2017
REUNIÃO DA AJEB-CE, DE 16 DE MAIO DE 2017
A AJEB-CE realizou sua sessão ordinária, como de costume, no auditório da Academia Cearense de Letras. Foi uma manhã cultural, de cuja pauta constaram: Homenagem às mães ajebianas; homenagem póstuma à inesquecível Geraldina Amaral; palestra de Feranda Quinderé, presidente da Academia Fortalezense de Letras; e lançamento do livro infantil da ajebiana, Elinalva Oliveira, intitulado "O corajoso menino torna-se príncipe na Cidade Luz".
Após a sessão, foi servido aos participantes um apetitoso lanche.
HOMENAGEM PÓSTUMA À GERALDINA AMARAL
A presidente da AJEB-CE, Gizela Nunes da Costa, ocupou a tribuna e fez sua oração, exaltando a personalidade, o trabalho e a competência de nossa inesquecível colega. Leia a seguir:
GERALDINA AMARAL
Maria Geraldina Alves do Amaral nasceu
em Caucaia-CE, no dia 2 de fevereiro de 1925. Filha do empresário Jerônimo
Xavier do Amaral e Francisca Alves do Amaral. Os seus primeiros estudos foram
feitos no Grupo Escolar Branca Carneiro de Mendonça, em Caucaia. A seguir, foi
para o Colégio da Imaculada Conceição em Fortaleza, onde concluiu os cursos
ginasial e normal. Ingressou, mediante vestibular, na Faculdade Católica de
Filosofia do Ceará – UECE, onde se formou em Letras Neolatinas. Ensinou nos
Colégios Estaduais Justiniano de Serpa e Liceu do Ceará, ministrando aulas de
Francês. O seu magistério também se fez presente nos Colégios Lourenço Filho,
São José, São João e Municipal Filgueiras Lima, dando aulas de Português,
Francês, Latim, Inglês, Espanhol e Organização Social e Política do Brasil.
Pertenceu ao Curso de Cultura Hispânica da Universidade Federal do Ceará, à
época de sua fundação, dando aulas de Espanhol. Em 1948, passou a integrar,
como jornalista, os Diários Associados. Em 1995, foi convidada para ser
assessora de Judith Sendy, autora da coluna “Em Sociedade”. Nascia em Fortaleza
o colunismo social sob as bênçãos do Dr. João de Medeiros Calmon, titular dos
Diários Associados em Fortaleza. Na época o colunismo social era caracterizado
pelo diletantismo e que, mais tarde, evoluiu para o jornal/empresa.
Do colunismo e dos Diários Associados
migrou para o campo empresarial. Exercia o comércio de confecções e
artesanatos, onde designou um lugar especial para a literatura de cordel.
Geraldina gosta de ler, viajar e
colecionar corujas artesanais. Madri, New York e Paris são as suas cidades
preferidas. É uma estudiosa da vida literária de Madrid, da 5ª Avenida, do
Central Park e, sobretudo, da vida noturna de Greenwich Village em New York. Em
Paris, era uma pesquisadora da famosa “geração perdida” e de tudo que se
referisse a Marcel Proust, autor da obra Em
busca do tempo perdido. Em termos de sétima arte, aprecia o cineasta Woody
Allen. Destaca a irreverência do cantor e compositor Cazuza. Detesta pessoas de
mau-caráter e perfumes fortes.
Na vida literária, é sócia fundadora
da Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno. Ocupa a cadeira nº 6, cuja Patrona é
Ana Facó. Colabora com a Revista Jangada da citada Ala desde a sua fundação,
sendo a jornalista responsável pela edição da Revista. Por ocasião da defesa de
sua Patrona (Ana Facó), afirmou:
“Nós da Ala Feminina, além de tomarmos
sob o nosso cuidado representar a mulher cearense no setor das atividades intelectuais
da nossa terra, também nos propomos fazer lembradas aquelas inteligências
femininas que, por um ou outro motivo, permanecem sem o culto merecido do seu
nome, sem a glorificação que lhes é devida em reconhecimento pelo que tenham
feito em favor do nome da mulher cearense, e progresso e felicidade do Brasil”.
E, no parecer exarado em 23 de
dezembro de 1947, pela Comissão formada por Boanerges Facó, Luiz Sucupira e
Alba Valdez, sobre o trabalho realizado por Geraldina Amaral, consta:
“Geraldina leu cuidadosamente a obra
de Ana Facó, descobriu-lhe as facetas mais notáveis, compreendeu-lhe a
psicologia e penetrou-lhe o íntimo do espírito”.
E, mais adiante prossegue:
“É um estudo de fôlego, muito
aproximado da realidade e falou, com bastante precisão, quando a chamou de Anjo
da Guarda da família”.
O parecer conclusivo foi assim
expresso: “Em face do exposto, o estudo de Geraldina Amaral foi considerado bom
e digno de ser lido na Casa de Juvenal Galeno”. Assim, Geraldina Amaral, após a
defesa de seu trabalho, foi considerada sócia efetiva da Ala Feminina da Casa
de Juvenal Galeno.
No papel de tradutora, fazia parte dos
tradutores públicos do Ceará. E, no seu mister, foi internacionalmente premiada
pela versão para o Espanhol da peça “Os Deserdados”, de Eduardo Campos.
Na “Revista Jangada”, além de
jornalista responsável, publicou poemas, entrevistas, crítica literária,
artigos sobre poetas como, por exemplo, Dinorá Tomás Ramos, saudações a Joracy
Camargo, Heckel Tavares e Edson Castilho e “Proseando na Jangada”.
Além de sócia acadêmica da Ala
Feminina da Casa de Juvenal Galeno, da AJEB – Associação de Jornalistas e
Escritoras do Brasil Coordenadoria do Ceará e Associação Cearense de Imprensa,
fez parte da Diretoria Executiva Nacional da AJEB, como Diretora do
Departamento de Divulgação e Relações Públicas.
Por outro lado, participou dos
seguintes livros:
1971-Mulheres do Brasil
1979-O Livro da Ajebiana
1980-Ajebianas do Paraná e do Brasil
1999-Policromias
Atualmente, é redatora do Jornal Metropolitano
de Caucaia.
A escritora Francinete Azevedo
relatando na Revista Jangada traçou, desta forma, o perfil de Geraldina Amaral:
“A nossa homenagem e o nosso preito de
gratidão a essa mulher admirável, escritora, jornalista, cujo profissionalismo
exemplar é realçado pelo talento e pela competência, qualidades que lhe
dignificam o caráter”.
O seu labor cotidiano, prudente e
harmônico, aliado à competência, resultaram no convite para ser assessora de
imprensa da senhora Marieta Cals, esposa do então Governador César Cals,
Geraldina Amaral, durante dois anos,
assinou uma coluna nos Diários Associados denominada “Coisas da Vida e da
Morte”. Na maioria, a produção literária explora a obra de Proust, sobretudo, a
contida em “Sodoma e Gomorra”. Aplica às pessoas e aos ambientes a atmosfera
Proustiana. Desfilam em seus escritos a vida mundana de GALOUIS, as temporadas
festivas em BALBEC e a figura inesquecível da senhora Cambremer.
Geraldina Amaral é aposentada do
serviço público estadual e das atividades empresariais. Reside em Caucaia, sua
terra natal, expressando o eterno retorno do ser humano às suas origens.
Gizela Nunes da Costa
A ajebiana, Francinete Azevedo, Também, realçou as qualidades da jornalista Geraldina Amaral:
GERALDINA AMARAL
- Um Nome
Referencial Literário e Jornalístico na “Terra da Luz”.
Maria
Geraldina Alves do Amaral, cearense, de Caucaia, era Sócia Fundadora e Efetiva
da Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno, ocupante da Cadeira de número seis,
patroneada pela saudosa escritora Ana Facó, e desde então, notórios foram seu
empenho, interesse, colaboração em divulgar o talento feminino ali refulgente,
objetivando a projeção do Silogeu no universo cultural alencarino.
Quando
inquirida sobre “O que é a Casa de Juvenal Galeno?”, ela assim se expressou:
“Ali naquela Casa de sublimes heranças culturais, sob o patrocínio do Mestre da
Poesia Cearense e dirigida pelo patriotismo da Doutora Henriqueta Galeno,
reúnem-se espíritos jovens e espíritos amadurecidos nas lides intelectuais,
principiantes e contumazes no caminho das letras, amantes diversos dos
trabalhos superiores do intelecto. Instituição igual a Casa de Juvenal Galeno
de poucas temos conhecimento com tal ardor e solicitude na difusão e amparo às
Ciências e às Artes em geral, mormente à Literatura”.
Geraldina
Amaral, na sua simplicidade admirável, detinha uma vasta cultura, perceptível
na composição de seus artigos literários, ressaltando-lhe o estilo claro, conciso.
Colaborou na
Ala Feminina com a Revista Jangada, desde sua criação. Era jornalista
responsável pela circulação da revista. Respondia pelas “Sessões Permanentes” –
no que se referia à Educação e Ensino, além da coluna “Proseando na Jangada”
(entrevistas). Ao lado da também escritora Giselda Medeiros, Geraldina celebrou
os cinquenta anos de circulação da
Revista, uma publicação inédita, na qual prosa e poesia encantava leitores de
todas as idades.
Formada pela
Faculdade Católica de Filosofia do Ceará, hoje UECE, lecionou durante vinte e
cinco anos em diversos colégios da capital, ministrando aulas de inglês,
espanhol, francês. Lecionou espanhol no Centro de Cultura Hispânica, tendo
passado seis meses na Espanha, ou seja, Madri, aperfeiçoando-se na língua e
cultura daquele país.
Colunista
Social de grande expressão atuou durante muito tempo nos Diários Associados, em
conceituados jornais de Fortaleza. Foi Assessora de Imprensa da Senhora, Drª
Marieta Cals, esposa do ex-governador Dr. César Cals. Foi responsável pelas páginas
Social, Cultural, Esportiva e Editorial
do Jornal Metropolitano de Caucaia.
Confessou-nos,
na época, que estava a escrever um livro sobre aquele município, Caucaia, sua
terra natal.
Sua veia
jornalística já se fazia marcante em suas atividades, ainda estudante no
Colégio Imaculada Conceição. Convidada pelo Dr. Luís Sucupira escreveu para o
jornal “O Nordeste”. O seu interesse pela comunicação permitiu-nos considerá-la
um ícone no mister de decantar o social, “o society” com apurado requinte.
Geraldina
Amaral parecia não se importar com a passagem célere do tempo, até quando lhe
foi permitido escrever, assumiu compromissos, esteve atuante, parecendo-nos ter
adotado o pensamento otimista de sua patrona na Ala Feminina, a escritora Ana
Facó, que dizia: “Não esmorecer nunca, ainda que nos falte a luz dos olhos.”
E assim
procedia Geraldina Amaral que, na sua modéstia, extremamente cativante, era
sincera em suas atitudes, benevolente com os que prezavam de seu convívio, de
sua amizade.
A nossa
homenagem e o nosso preito de gratidão a esse ser humano admirável, a
escritora, a jornalista, Geraldina Amaral, cujo profissionalismo foi distinto
pelo talento e pela competência, qualidades nobilitantes de seu caráter.
O nosso
“muito obrigado” a você, Geraldina Amaral, pelo zelo sem limites, na
conservação da amizade sem a predominância de preconceitos racial e social.
Senhores:
Uma nova
estrela cintila no firmamento!
Francinete Azevedo
da Ala Feminina da Casa
de Juvenal Galeno,
AJEB, AFELCE, ALMECE, ACERE, UBT, AAFROCEl.
Após as homenagens, o médico, Dr. Murilo Amaral, irmão de Geraldina Amaral, em nome da Família e dos familiares presentes à sessão, pronunciou seus agradecimentos, profundamente emocionado.
PALESTRA DE FERNANDA QUINDERÈ
A seguir, fez uso da tribuna, a atriz, poeta, presidente da Academia Fortalezense de Letras, Fernanda Quinderé, que pronunciou agradabilíssima palestra sobre a sua convivência artística com Paurillo Barroso. A plateia, que se mantivera atenta durante toda a exposição, aplaudiu, agradecida.
LANÇAMENTO DO LIVRO DE ELINALVA
Dando prosseguimento, passou-se ao lançamento do livro da ajebiana, Elinalva Oliveira.
A apresentadora foi a professora Itelvina Marly. Vamos ler:
Fortaleza, 16 de maio de
2017.
Apresentação do livro: O
corajoso menino torna-se príncipe na Cidade Luz
Autora: Elinalva Alves.
Associação de Jornalistas e
escritoras do Brasil- AJEB-CE.
Bom
dia,
É
um prazer estar aqui, não só pelo convívio em meio seleto, festivo, fraterno,
mas para apresentar mais um trabalho da escritora Elinalva Alves. Depois da
biografia romanceada de Louis Braille, em “Aconteceu em Paris”, acontece agora
em Fortaleza, “O corajoso menino torna-se príncipe na Cidade Luz”.
É
o mesmo Louis Braille mais infantil, que vai oferecer às crianças a
oportunidade de conhecer a genialidade, a inventividade, o alcance social, para
quem enxerga e para quem não enxerga, um marco histórico na educação de deficientes
visuais.
Este
mesmo Louis Braille, pleno de altruísmo, generosidade e doação está ao alcance
das crianças! A autora já é bastante conceituada no meio literário em outros
temas e mais com a segunda referência resultante da sua formação acadêmica em
História e Educação Especial Inclusiva.
Mostrando-se
sensível, profunda conhecedora do tema, com aguçado senso de oportunidade, de
humanidade e historicidade, Elinalva faz acontecer em Fortaleza um momento
relevante, para a divulgação do nome de personalidade tão ilustre, ela com
delicada emoção proporciona de forma literária um conteúdo informativo,
educativo, edificante.
Vamos
espalhar a notícia, olhar o texto que também contém lindas ilustrações, vamos
parabenizar, elogiar, valorizar, louvar a ideia, a iniciativa.
Parabéns
à AJEB que tão bem acolhe a autora entre tantas outras. Agradeço a delicadeza
do convite, a confiança da Elinalva renovando o merecido elogio, ofereço flores
à Elinalva, extensivas à AJEB.
Obrigada
Itelvina Marly
A Autora, Elinalva Oliveira, muito festejada pelos colegas, amigos e convidados, externou seus agradecimentos, com muita alegria e bastante emocionada. Parabéns, Elinalva!
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