ATUAL DIRETORIA AJEB-CE - 2018/2020

PRESIDENTE DE HONRA: Giselda de Medeiros Albuquerque

PRESIDENTE: Elinalva Alves de Oliveira

1ª VICE-PRESIDENTE: Gizela Nunes da Costa

2ª VICE-PRESIDENTE: Maria Argentina Austregésilo de Andrade

1ª SECRETÁRIA: Rejane Costa Barros

2ª SECRETÁRIA: Nirvanda Medeiros

1ª DIRETORA DE FINANÇAS: Gilda Maria Oliveira Freitas

2ª DIRETORA DE FINANÇAS: Rita Guedes

DIRETORA DE EVENTOS: Maria Stella Frota Salles

DIRETORA DE PUBLICAÇÃO: Giselda de Medeiros Albuquerque

CERIMONIALISTA: Francinete de Azevedo Ferreira

CONSELHO

Evan Gomes Bessa

Maria Helena do Amaral Macedo

Zenaide Marçal

DIRETORIA AJEB-CE - 2018-2020

DIRETORIA AJEB-CE - 2018-2020
DIRETORIA ELEITA POR UNANIMIDADE

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

CONCORRA - VI CONCURSO LITERÁRIO PROFESSORA EDITH BRAGA - INSCRIÇÕES ENCERRADAS

VI CONCURSO LITERÁRIO PROFESSORA EDITH BRAGA

 INSCRIÇÕES ENCERRADAS

(Realização da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil – CE)

REGULAMENTO

1.     O VI CONCURSO LITERÁRIO PROFESSORA EDITH BRAGA, promovido pela AJEB, Coordenadoria do Ceará, tem como objetivo dar oportunidade de expressão a todos os interessados em manifestar seu pensamento, através da escrita, quer seja em prosa (conto ou crônica), quer seja em verso.

2.     As inscrições estarão abertas a partir do dia 30 de setembro a 30 de dezembro de 2014.

3.     Os concorrentes deverão ter idade mínima de quinze anos.

4.     Os participantes poderão concorrer com 2 (dois) trabalhos inéditos em prosa (conto ou crônica) e/ou em verso. Caso se inscrevam nas duas categorias, devem utilizar o mesmo pseudônimo. O tema é livre.

5.     Os trabalhos, tanto em verso como em prosa, deverão ser digitados, em espaço 1,5, fonte 12, e impressos em papel A4, em três vias, com no máximo 2 páginas para cada trabalho inscrito. Esses trabalhos deverão ser enviados dentro de um envelope grande. Como destinatário, colocar: AJEB/CE, endereço: Rua Castro Alves, 725; Bairro Joaquim Távora; Cep: 60130-210. Fortaleza-CE, sem nenhuma identificação do participante. No espaço do remetente, colocar o pseudônimo, com o endereço: Rua do Rosário, no 1, Centro; Cep: 60055-090. Dentro deste envelope grande, junto com os trabalhos, o concorrente deve colocar outro envelope (pequeno) lacrado, tendo, na face externa, o pseudônimo usado, o(s) título(s) do(s) trabalho(s) e a(s) categoria(s) em que está se inscrevendo; e, dentro desse envelope, uma ficha de identificação com: nome completo do concorrente; título dos trabalhos inscritos; endereço; telefone, e-mail (se tiver); e um brevíssimo currículo.

6.     Os trabalhos classificados em 1º lugar (prosa e verso) serão publicados na coletânea Policromias, 8º volume, da AJEB-CE.

7.     Os prêmios serão assim distribuídos: 1º, 2º e 3º lugares (poesia e prosa) receberão Troféu e Certificado.  

8.     Não haverá premiação repetida.

9.     A cerimônia de entrega dos prêmios será previamente marcada, e todos os participantes serão informados.

10. A decisão do júri, divulgada somente na hora da entrega dos prêmios, será, posteriormente, veiculada através da imprensa e de nossos órgãos de informação.

11. O simples envio dos trabalhos implica aceitação total deste Regulamento.

12. Os trabalhos em desacordo com este Regulamento serão, automaticamente, desclassificados.

13. A decisão do júri é irrecorrível e soberana.

14. Os casos omissos serão resolvidos pela Comissão Julgadora e pela Coordenadoria Geral do VI Concurso Literário Professora Edith Braga.
                                                                                         
Fortaleza, 11 de setembro de 2014
                                                                                  
A COMISSÃO ORGANIZADORA

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

CONSIDERAÇÕES DE LUCINEIDE SOUTO SOBRE "VIVENCIANDO PASSOS", LIVRO DE NIRVANDA MEDEIROS



  CONSIDERAÇÕES SOBRE “VIVENCIANDO PASSOS”

                 Um Caminho Construído com Amor

Senhora Presidente desta veneranda Casa, escritora Nirvanda Medeiros
Senhora Presidente de Honra da AJEB, Princesa dos Poetas do Ceará, Giselda Medeiros
 Senhoras e Senhores componentes da Mesa Solene
Senhoras e Senhores jornalistas e escritores Ajebianos

Após o meu Bom Dia, a todos, almejando que a Paz do Senhor Deus esteja conosco, quero-lhes dizer que, pela segunda vez, adentro o ambiente histórico da AJEB, onde seletas personalidades distinguem-me com sua melhor  atenção, embora seja eu, ainda, uma viajante por esses caminhos ajebianos acalentando o sonho de integrar, em breve, esta notável assembleia de renomados intelectuais - orgulho da nossa terra.

A primeira vez, cá estive, no mês de agosto de 2014, sob o amparo da Sra. Presidente Nirvanda Medeiros, a serviço do Conselho Internacional dos Acadêmicos de Ciências, Letras e Artes, sediado no Rio de Janeiro, e do Instituto Comnènne Palaiologos  de Educação e Cultura, com sede em São Paulo, ambos presididos por Dom Alexander Comnènne Palaiologos Maia Cruz, para a outorga oficial do Diploma  “Ordem do Mérito Histórico – Literário Castro Alves” conferido às insignes escritoras cearenses Giselda de Medeiros Albuquerque e Rejane Costa Barros,  pelas suas relevantes contribuições à Educação e  à Cultura do Brasil, a quem tive a subida honra de representar na sessão solene do augusto Conselho Internacional, o CONINTER.

Hoje, o que me traz aqui, atendendo ao irrecusável convite oficial da Presidência da Casa, além do meu anseio retromencionado é uma agradável incumbência a que me propus, ao ler a obra de Nirvanda Medeiros, “Vivenciando Passos” Um Caminho Construído com Amor, que me foi autografado, àquela mesa, naquela primeira vez, para o meu deleite.

Apesar de não saber escrever nem dominar completamente o idioma pátrio, sou uma leitora assídua, desde os meus seis ou sete anos de idade. Minha mãe, Antonia Souto, foi bibliotecária da antiga Biblioteca Pública. Seu acervo particular de livros e revistas era invejável. Li tudo o que pude, principalmente, às escondidas, porque não eram leituras para alguém do meu “tope”. Assim diziam.

Algumas vezes, em todos esses anos, rejeitei ler várias obras, até de autores muito famosos. Ao chegar à segunda ou terceira página, desvanecia-me: “Não vale a pena”. Porém, em “Vivenciando Passos,” logo no primeiro capítulo (pag.19) vislumbrei minha Pasárgada; aquela Pasárgada de Manuel Bandeira, não a de Ciro II.

“Era um belo e saudável lugarejo; simples, mas um lugar onde se apreciava o sol nascer e o sol se pôr. QUANTA BELEZA se via naquele pequeno lugar! O luar, que lindeza! Quando se olhava para o firmamento, viam-se as estrelas, sempre brilhantes, embelezando a abóbada celeste, graça dada pelo SER SUPREMO – DEUS, o pintor desta bela natureza. A LUA. Lindo luar!” (Sic)
...
“O povo daquele lugarejo era gente pobre, muito simples, humilde, negros serviçais, em sua maioria, mas com grandes qualidades: honestos, bondosos, respeitadores e amigos.
Trabalhadores na agricultura e na pesca viviam no litoral onde há fartura no mar... O litoral é uma riqueza! É deslumbrante!”.
... “À tardinha, o arco-íris com suas sete cores resplandecendo a tarde maviosa, cheia de beleza”.
... “Você já teve essa oportunidade de observar o firmamento? Já teve oportunidade de se deitar na areia da praia e observar essas noites maviosas?” (Pag. 20)

E a sensível narradora lamenta o fato de os moradores urbanos não despertarem para olhar o céu iluminado por estrelas luzentes.

“Naquele pequeno lugar tudo era grandioso porque ali a riqueza maior de seu povo era a harmonia que havia entre os moradores, harmonia na beleza da CRIAÇÃO DIVINA. A NATUREZA. Lá se respirava, se alimentava, se vivia realmente em condições mínimas de vida; água, luz (natural), alimentação, moradia, choupanas, mas todos tinham seu pedacinho de terra caído do céu.
Os habitantes da região sobreviviam, a maioria, de caça, pesca, pecuária e agricultura. A vegetação era exuberante, embora, predominando a do litoral... Sendo zona litorânea, a pesca era a preferida, desde o camarão, a lagosta, o caranguejo, os peixes de toda espécie, mariscos à vontade”.

Caríssima escritora Nirvanda Medeiros
Diante desta paisagem - mãe generosa de tantas pessoas dignas da palavra “gente”-, minha Pasárgada gritou forte e encontrou Manuel Bandeira com os versos que eu  gostaria de haver dito bem antes dele.
“E como farei ginástica /Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo/Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!/E quando estiver cansado
Deito na beira do rio/ Mando chamar a mãe-d´água
Pra me contar as histórias/Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar/Vou-me embora pra Pasárgada”.

Vou sim, Nirvanda Medeiros! Vou encontrar o casal Dona  Felismina e Sr. Joaquim, naquela casa de taipa, coberta de palha, mas alpendrada, grande, onde, possivelmente, ela, a professora rural, sem formação acadêmica, ensinava aos meninos a ler e a escrever, destinando-lhes um olhar maternal e complacente, e um pedacinho de bolo de milho, de sua última fornada.
Depois, irei encontrar o Sr. Joaquim, lá pelas dunas, e ajudá-lo-ei a plantar em cima dos morros, enquanto apreciarei o seu vigor, a sua Inteligência, coragem, desprendimento, bondade e honestidade, pois esses atributos o fizerem granjear a afeição de todos os moradores, que o admiravam pelos seus dotes e dádivas.
Dona Felismina certamente terá algo para ensinar-me, enquanto estivermos tomando um café torrado, em casa, coado no saco longo e estreito. Ensinar-me-á algo que os mestres catedráticos não o fizeram por desconhecer a riqueza da cultura e a sabedoria do povo de lugarejos perdidos no mapa. Quem sabe, ela me fale da raiz dos caminhos, mas isto, eu já conheço. Ou me fale do grito da noite que troveja sem chuva, quando alguém vai morrer.
No Capítulo “O Casal”, a narradora, segundo Victor Hugo, vaticina: “A verdadeira felicidade consiste em ter sempre o que fazer, alguma coisa que se esperar e alguém para amar”.
Joaquim e Felismina, órfãos de mãe, desde a infância, cresceram sem traumas e se dedicaram ao ofício da retidão de caráter, da bondade demasiada e do trabalho árduo que se comprova nas seguintes palavras da autora:

“Esse casal transmitia a felicidade, revelando, através de suas vivências, harmonia, riqueza espiritual, doçura, simpatia, simplicidade, sorriso, amabilidade, paciência, humildade e muita dedicação”.

“Vivenciando Passos” é uma obra imprescindível de leitura, haja vista notarmos em suas páginas enriquecidas por profundas lições de amor ao próximo, com alguns enxertos de preciosos textos de notáveis escritores universais, a ausência dos graves conflitos da humanidade que se perde entre a violência, drogas, sexo, crimes, ganância, guerras, traições e fanatismo. 
Em “Vivenciando Passos”, não há sequer um episódio nefasto. Ali, as pessoas só sabem amar.

“Vivenciando Passos” é a Pasárgada de cada homem sedento de paz e de amor.
Joaquim e Felismina jamais deveriam morrer, porque desta semente o Mundo carece.
 Aplausos, aplausos!
Aplaudo-a de pé, escritora Nirvanda Medeiros!                                 

Você pôs a nu sua alma! Você desnudou virtudes que a maioria dos homens ignora, porque são frágeis, covardes, porque não sabem amar, são egoístas, vingativos, ambiciosos, perdulários, adúlteros, mentirosos, criminosos, enfim, criaturas sem amor a 
Deus, nem ao próximo nem a si mesmas.

Você, grande escritora Nirvanda Medeiros, é uma pessoa feliz, vez que já vive intensamente na minha tão sonhada Pasárgada que talvez eu esteja ainda muito longe de conhecer.
Que Deus esteja sempre contigo.


Muito obrigada.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A INTENÇÃO DO SILÊNCIO - NOVO LIVRO DE ZINAH ALEXANDRINO



Zinah Alexandrino lançou, em festa memorável, no Náutico Atlético Cearense, mais uma obra sua. Dessa vez, "A Intenção do Silêncio" (contos). Era grande o número de amigos e escritores que para lá acorreram a fim de prestigiá-la.


Arleni Portelada conduziu o cerimonial, com a elegância e desenvoltura de sempre.

Apresentou-se, em primeiro lugar, a escritora Fátima Lemos que leu um dos poemas de Zinah, constante do livro "Sutilezas".


Em seguida, a escritora, imortal da Academia Lavrense de Letras, Rosa Firmo, fez a apresentação do livro, com muita propriedade, enaltecendo a desenvoltura da Autora estreante na ficção curta.


Leiamos o que falou a apresentadora:

Boa noite

Senhores e senhoras escritores e poetas aqui presentes e toda esta plateia de convidados. Representados pela presidente da AJEB/CE Nirvanda Medeiros. 

       Invocando os deuses do Olimpo, abro as cortinas desse palco móvel para apresentar a “Intenção do Silêncio” de Zinah Alexandrino, que marca estreia com sua obra ficcionista.
     Muito criteriosa, Zinah Alexandrino adentra um mundo imaginário repleto de imagens e símbolos para construir seus contos. O livro traz uma sequência de histórias curtas e criativas, que nos levam a uma viagem por lugares simples de pessoas comuns.  A narrativa entusiasmante nos permite ler, de uma tomada só. A autora reuniu vinte e três contos, ou melhor, “causos” extraídos das suas entranhas, como ela mesma diz: alguns destes escritos ainda rememorando outras épocas, originárias do pequeno mundo que lhe povoou a infância; a bela cidade de Amontada. Nesse gênero, classicamente, diz-se que o conto se define pela sua pequena extensão. Dessa forma, Zinah Alexandrino contempla essa assertiva com as metáforas e o jogo simbólico do imaginário. São contos concisos, de onde saltam signos coloridos de estética e uma dosagem cômica, que lhe é peculiar.
   Zinah tem por temática, nos seus contos cuja descrição dá um caráter regionalista, engraçado; os personagens, estes vão adquirindo uma nova feição, diante de sua versatilidade. O cotidiano perpassa os seus textos, e deles emergem os questionamentos maiores, principalmente a vertente humorista, como bem observou a escritora Evan Bessa, no prefácio do livro. Os personagens da Zinah são homens e mulheres do sertão ou das cidades pequenas do interior cearense, até mesmo as do exterior. Seu condicionamento sempre direcionado para a arte de contar histórias é um reflexo do seu caráter e de seu feitio interior: de uma mulher alegre e habilidosa que sabe conquistar amigos com maestria.
  Zinah é poetisa e contista porque se faz ela mesma com toda sua essência de mulher, sonhadora e gestora de sua arte, porque assume com estilo e com desprendimento a postura de uma artista da palavra. Na sua simplicidade reconhece que é uma mulher ousada, porém transcende esta ousadia no momento em que sua verve gesta mais uma obra e que, num repente se faz luzir neste belo livro de contos: “A Intenção do Silêncio”.
  Curioso perceber como tal pluralidade aparece estruturalmente, considerando a natureza literária diversificada que é produzida por Zinah no seu livro de contos, como um objeto visual que apresenta contos sucintos, seguindo criteriosamente a regra desse gênero. No conto: “Ensimesmada” a contista monta o cenário que irá excursionar. (Nas cálidas madrugadas...) O tempo e o espaço, o fazem escutar a voz do silêncio que se derrama e leva a questionar o enigma da intenção".
   A coleção de contos selecionados pela autora para compor este livro demonstra que é uma pessoa criteriosa e criativa, pois escreve sobre o cotidiano, num tom solene. Quem afirma é a professora e escritora Arminda Serpa.
  Sabemos que a narrativa é privilégio da maturidade, e Zinah utiliza-se desse recurso para narrar seus contos com segurança, pois o conto é considerado o gênero literário da concisão. Portanto, faz-se necessário “o retiro do silêncio” para mergulharmos na leitura dos contos da Zinah.
 Percebe-se, pois, que “Intenção do Silêncio”, este livro de contos, nos leva para momentos de deleite, sem, porém, ofuscar o valor literário preservado nas páginas consistentes das curtas narrativas.  “Viver é, pois, construir uma história que, mesmo não tendo acontecido, passa a acontecer”( Batista de Lima).
  A autora é uma mulher versátil e inteligente, integra a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil sessão Ceará, AJEB. Academia de Letras dos Municípios do Ceará - ALMECE, Academia Feminina de Letras do Ceará – ALFECE e ainda ao grupo Poetas Del Mundo. Tem livro publicado de poesia, a saber: “Sutilezas”. Tem participação em diversas coletâneas cearenses e nacionais. Ela circula no meio literário cearense revelando-se como excelente poetisa e presta culto em diversas entidades.
       Considero uma grande honra o convite da amiga poetisa e contista, Zinah Alexandrino, para tão nobre missão, que é a de apresentar o seu livro, pois trata-se de um filho que brotou do seu íntimo; um objeto valioso o qual só entregamos a alguém de nossa inteira confiança. E Zinah me confiou. Por isso o faço com o coração transbordando de carinho e gratidão. Parabéns, Zinah, por enriquecer a literatura cearense com sua nova obra que ora dedica aos leitores.
 Muito obrigada.
Rosa Firmo


Ao final, a Autora fez os agradecimentos, dizendo de sua alegria por ter seus amigos ali, nessa hora de extrema felicidade. Eis o que falou Zinah:



                                               Boa Noite a todos!

                   Agradeço ao meu Deus, por mais essa oportunidade, que Ele me dispensa, na feitura de mais uma obra de minha lavra. A presença carinhosa de todos os meus pares das lides literárias, meus amigos, e meus amados familiares, que, com suas presenças me honram no lançamento deste livro, “A Intenção do Silêncio”. E, como tudo nessa vida sempre fazemos com uma intenção, vejo aqui que minha intenção ultrapassou o limite das minhas expectativas com relação ao número de convidados aqui presentes. A vocês meu muito obrigada por suas presenças. Sejam todos bem-vindos!
            Agradeço ao meu editor da  Premium Editora, Assis Almeida, e sua dileta esposa, Rose, pela publicação de mais um livro meu, eles que sempre me acatam para as minhas edições, com tão  afável  deferência. A  princesa dos poetas cearenses, a escritora Giselda Medeiros, pela proficiente revisão ortográfica. A escritora e professora de Literatura  da UECE, minha confreira na AFELCE –Academia Feminina de Letras do Ceará, a querida amiga, Arminda Serpa, pela magnífica apresentação da orelha desse livro que, para mim, ela é nada mais, nada menos que uma grande decifradora de textos, ou seja, uma “Roland Barthes de saia”... A  escritora, e também minha confreira da AFELCE e grande amiga, Evan Bessa, pelo esplêndido prefácio. A  minha querida amiga e colega Ajebiana, a escritora Lavrense, Rosa Firmo, pela esplendorosa apresentação desta obra. A minha amiga, a competentíssima escritora e cerimonialista, a nossa querida Arleni Portelada, por conduzir este evento com a proficiência que só ela é capaz de realizar, com a desmedida  desenvoltura de sempre. O apoio da nossa Presidente da AJEB- Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, a escritora Nirvanda Medeiros, e ao Clube Náutico Atlético Cearense, na pessoa de seu Diretor, Dr. Pedro Jorge Medeiros, e demais  administradores, por ter-me cedido este maravilhoso espaço. Enfim, a todos aqui citados, meu muito obrigada.
         Queridos, iniciei-me na escrita da prosa, no  gênero conto, e, depois, parti para o verso, publicando meu livro inicial, “Sutilezas”. E, agora, lhes trago a lume, este livro, “A Intenção do Silêncio”, onde conto, reconto causos, estórias inventadas pelas minhas vivências, nas de outrem, no real, ou no ficcional, mas eu juro! Que qualquer semelhança destes contos com a vida real,de quem quer seja, terá sido, puramente,uma grande e mera coincidência!

ZINAH E SEUS CONVIDADOS














terça-feira, 14 de outubro de 2014

PEREIRA DE ALBUQUERQUE ENTREGA AO CEARÁ UM NOVO LIVRO


O auditório da Associação de Aposentados Fazendários Estaduais do Ceará - AAFEC - foi palco para o lançamento do livro "De Mim e de Outros", de autoria de Pereira de Albuquerque.
Em manhã concorridíssima, a cerimonialista Arleni Portelada abriu a sessão literária, falando sobre o acontecimento e sobre o Autor, para, em seguida, dar a palavra à escritora Giselda Medeiros, que fez a apresentação da obra.
Assim se expressou a apresentadora:


DE MIM E DE OUTROS – UM LIVRO OUSADO
Giselda Medeiros

Iniciemos a apresentação deste livro com as palavras do próprio Autor:

“Em boa parte das páginas que se seguem, há sérios motivos para controvérsia. Com efeito, o livro de ensaios (não seriam crônicas ou artigos?) que entrego agora ao público cearense, é mesmo polêmico em várias passagens. Aliás, para um e outro leitor mais apressado, parecerá pretensioso, embora os termos em que foi escrito não autorizem esse juízo. ‘De mim e de Outros’, portanto, nada tem de bombástico. É, quando muito, um livro corajoso”.

Evidentemente, corajoso não é o livro, para desfazer a metonímia, corajoso é o próprio Autor que exercita o arrazoado pensamento de Nelson Werneck Sodré (1911 – 1999, militar e historiador brasileiro), ao judiciar: “Aquele que não tem condições para enfrentar a verdade e proclamá-la, sejam quais forem as consequências, não tem condições para ser escritor”.

Constatamos essa verdade ao longo da leitura dos ensaios de Pereira de Albuquerque e, mais, intuímos que o Autor dispensa atenção especial aos valores nacionais, sem desprezar a boa literatura estrangeira, sua importância, desde que o escritor esteja comprometido com a realidade com a qual está lidando. Mostrar o máximo possível de responsabilidade e seriedade ao desenvolver seu trabalho é indispensável, uma vez que ele vai assumir o importante papel de um formador de opiniões.

Notamos, outrossim, nos ensaios de Pereira de Albuquerque, a contundente capacidade que lhe é inerente de trabalhar as palavras, sob um estilo sóbrio, elegante, eclético, em que suas impressões da realidade avultam-se claras, evitando a forma deturpada ou enviesada, sem esconder fatos, tampouco, submeter-se a exigências de outros, carentes de loas, para ostentarem sua falsa grandeza. Não!  Pereira de Albuquerque possui caráter e senso de responsabilidade.  E é essa a verdadeira natureza do escritor, já que é ele um agente ativo, formador de consciências.

Ler, portanto, ensina-nos o Autor de “O Ridículo das Coisas”, não é apenas um passatempo, mas a oportunidade de se adquirir conhecimentos, de se tornar, também, um crítico da realidade que nos circunda e da sociedade na qual estamos inseridos. Por isso, sua sensibilidade artística sempre atenta ao fato de que ele, escritor, é parte indissociável de um contexto sociopolítico e cultural, do qual deve participar ativamente, sentindo-lhe as mudanças, para ensejar ao leitor reflexões sobre o seu papel junto à coletividade. E sabe o bom leitor que por trás da arte de escrever há um discurso, uma visão de mundo a ser apreendidos.

Pereira de Albuquerque, como escritor polígrafo que é, deixa o leitor na comodidade necessária, uma vez que, em sua poesia, seus contos, suas crônicas, trovas, seus romances e ensaios, mediante estilo agradável, linguagem clara e bem trabalhada, dá-nos prova de sua invejável cultura. Há em seu texto um desenrolar contínuo de assuntos e ideias, expondo variados temas: a literatura, as questões religiosas, metafísicas e filosóficas, os mandos e desmandos da política, a crítica literária, a desigualdade social, os malefícios do preconceito, dentre outros, acrescentando, ainda, as investidas em sua própria condição de ser humano, desnudando-se diante de seu leitor.

Constate o leitor, diante do que expusemos até aqui e do que comentamos sobre seu livro “O Ridículo das Coisas” (Fortaleza: RBS Editora, 2005), que Pereira de Albuquerque já deixava extravasar, à época, inegável talento para a arte de escrever. Vejamos: “Ressalte-se nele o engenhoso trabalho das ideias, nas quais põe o seu abalizado conceito, resultado da riqueza das leituras que fez (e que faz) de grandes autores da nossa literatura e da universal. São conceitos, em sua maioria, levantadores de polêmicas, aos quais ele sabe imprimir o seu ponto de vista, sem querer, contudo, impingir-nos a aceitá-los. Antes, conduz-nos, discretamente, a uma reflexão para, daí, tirarmos as nossas próprias conclusões”.

Comprova-se essa verdade, ao recebermos hoje o seu décimo primeiro livro, tendo outros, ainda, à espera do nascimento. E note-se o crescente desempenho artístico do Autor de “O Lado Obscuro do Amor”, a cada livro publicado.
E, para finalizar, evocamos o advogado, jornalista, político, diplomata e poeta carioca, Francisco Otaviano. Em seu poema “Ilusões de Vida”, está bem definida a trajetória percorrida por nosso querido escritor Pereira de Albuquerque:

 “Quem passou pela vida em brancas nuvens
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem - não foi homem,
Só passou pela vida - não viveu.”

Recomendamos, pois, a leitura do livro “De Mim e de Outros”. Você vai fazer uma extraordinária viagem cultural.
Obrigada


Ao final, Pereira de Albuquerque fez seus agradecimentos, de forma inusitada. Recorreu aos versos e às rimas, deixando que a Poesia conduzisse suas palavras.




NUMA NOITE DE AUTÓGRAFOS


Como é bom relancear o olhar e ver
lotar este auditório o povo amigo
que se dispôs a partilhar comigo
esses doces momentos de lazer!

Antes de qualquer coisa, é meu dever
agradecer assim, com metro e rima,
pois vão comprar meu livro e, ainda por cima,,
é quase certo que o pretendem ler.

O livro, esse objeto encantador,
nem só de tinta e de papel é feito,
e só merece a láurea de perfeito
quando instrui ou diverte o bom leitor.

Oxalá possa o meu livrinho amado
merecer de vocês desvelo e estima...
ele não é, decerto, uma obra-prima, 
mas foi escrito com o maior cuidado.

Por isso o leiam sem afobação,
de esp'rito aberto e vagarosamente;
não há maneira mais eficiente
de saber quando um livro presta ou não!

Leiam, pois, por bondade, o livro meu;
de outro modo, é preciso ter em mente
que, para o homem de bem, não é decente
falar mal de uma obra que nem leu.

Leiam-no, que isso me trará conforto,
a mim, o autor feliz, pois é sabido
que um livro só tem vida se for lido;
e eu não quero que o meu já nasça morto.

Digam, depois, o que vos aprouver:
que é fraco, é feio, é pobre e sem proveito,
mas ninguém venha me apontar defeito
sem ter lido uma página sequer!

"De mim e de outros" tem... Ora é tolice
tomar mais tempo de vocês - é espinho!
Falar... dizer o quê do meu livrinho,
depois de tudo que Giselda disse?!

E ela sabe o que diz. Em Fortaleza
não conheço escritor melhor do que ela...
Quem quiser reclamar, reclame dela,
se é capaz de arrostar uma "Princesa"!

"de mim e de outros" me custou suor;
mas, se ainda assim, não agradar ninguém,
já me sinto perdoado; e, ano que vem,
tratarei de escrever coisa melhor!  







16/9/2014

sábado, 27 de setembro de 2014

REUNIÃO DA AJEB-CE DE 16 DE SETEMBRO DE 2014



A Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil - AJEB-CE - promoveu mais uma movimentada reunião mensal. 
Dessa vez, a Presidente Nirvanda Medeiros trouxe na pauta da reunião vários assuntos que foram repassados a seus associados.
Dr. Raimundo Edson Caledônio foi o conferencista do dia, que apresentou uma resenha do seu livro "REIpública FEUderativa do Brasil", tendo sido muito apreciada por todos os presentes.


Ao final de sua fala, a Presidente Nirvanda Medeiros fez-lhe a entrega de Diploma de Honra ao Mérito.




Em seguida, a ajebiana Francinete Azevedo fez os agradecimentos ao palestrante em nome da AJEB-CE.


Na sequência da pauta, apresentaram-se alguns dos nossos associados, com trabalhos de sua autoria. O Sócio Colaborador Cícero Modesto expôs um trabalho feito em Trovas.


Dando sequência, a escritora Lucineide Souto leu um ensaio, de sua autoria, sobre o livro de Nirvanda Medeiros "Reconstruindo Passos".



Celma Prata, editora do Jornal AGROVALOR, teceu comentários importantes a respeito de um livro de sua autoria.


Falaram ainda Socorro Cavalcanti e Deusdedit Rocha elogiando a palestra apresentada.




Sônia Nogueira e Clara Lêda apresentaram poemas de sua autoria. 
Foi uma manhã de muitas atividades e bastante concorrida.
A Presidente Nirvanda Medeiros concedeu um Voto de Louvor ao Sócio Colaborador Pereira de Albuquerque que, nesse mesmo dia e horário, lançava seu livro "De Mim e de Outros", apresentado pela nossa Presidente de Honra Giselda Medeiros.

Fortaleza, 16/9/2014

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

J. UDINE HOMENAGEIA O PRÍNCIPE DOS POETAS CEARENSES


AO POETA ARTUR EDUARDO BENEVIDES.
(In memoriam)

O poeta de Pacatuba,
O grande Artur Eduardo,
Não mais toca a sua tuba,
Já não vive ao nosso lado...

O áureo Príncipe imortal
Da mais velha Academia
Foi ser poeta celestial
Na Divina Freguesia,

E nos deixa em triste abismo,
Por calar o seu lirismo,
Por emudecer sua voz...

Só nos resta a grã saudade,
Que ora no nosso peito arde
Numa dor assaz atroz...

J. Udine - 21-09-2014

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

UM POEMA DE ZENAIDE MARÇAL



  Insônia
Zenaide Marçal

Acalenta-me a brisa
no silêncio pesado desta noite.
Mas, como dormirei
se a ilusão fugiu
e, ao apagar das luzes,
restou-me apenas
o barulho,
insuportável,

das lembranças?

terça-feira, 26 de agosto de 2014

AJEB-CE: SESSÃO DE HOMENAGENS


A Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB-CE), em sua sessão ordinária do dia 19 de agosto de 2014, prestou merecida homenagem aos PAIS, de modo particular aos PAIS AJEBIANOS. 
A saudação foi feita pela escritora Evan Bessa. Agradeceu, em nome dos PAIS presentes, o escritor Pereira de Albuquerque.

Eis a saudação: A FIGURA PATERNAL
                                                     
 Por solicitação da Presidente Nirvanda, estou aqui para homenagear os pais ajebianos. O que falar diante de pessoas tão especiais? A princípio, parabenizá-los e desejar que bênçãos e graças divinas sejam derramadas sobre a vida de cada um de vocês. Penso que esta homenagem deveria ser diária visto que, todos os dias, pais enfrentam desafios para o desempenho de sua missão no mundo de hoje.
A função do pai na sociedade atual tomou uma nova direção. Saímos da era do patriarcado, em que o pai exercia sua autoridade, sem a mínima possibilidade de questionamento acerca das decisões e definições praticadas no seio da família. Evoluímos para um formato mais liberal, onde o diálogo entre pais e filhos coexiste. Os tempos mudaram! Princípios, valores e a própria estrutura familiar tiveram o seu desenho reformulado, exigindo um novo olhar na condução da família. Há de se manter um diálogo permanente entre pais e filhos. Educar requer dosagem de responsabilidade, pois criar um filho parece uma tarefa das mais difíceis.
As famílias hoje, em sua maioria, abrigam filhos de outros casamentos que convivem debaixo do mesmo teto no dia-a-dia. Hoje, nem sempre o pai é o único provedor da família. Em alguns lares os papéis são invertidos, ou, no mínimo, existe divisão de despesas, a fim de suprir o orçamento doméstico. O casal trabalha o dia todo e mal se encontra com os filhos. Não sobra tempo para acompanhá-los e dar maior atenção. Nesse contexto, a paternidade se traduz como algo diferente do passado e os pais têm que reaprender, se renovar para entender e atender às demandas e necessidades de sua prole.
Na minha concepção o pai quase sempre se guia, utilizando a Pedagogia do Amor. Procura sempre dosar carinho, ternura, amor na medida certa, impondo limites, uma vez que acompanhar o crescimento e a formação dos filhos precisa de amor, equilíbrio e bom senso. Ser companheiro do filho, saber ouvi-lo com respeito e manter um diálogo franco, sem perder a autoridade atitude e sensatez.
No dia dedicado aos pais, a família o reverencia como a figura importante da célula familiar. Cada uma homenageia de uma forma: com abraços, beijos, presentes simbólicos, enfim, é o dia em que se tem oportunidade de materializar o afeto dos filhos pelo pai. Por que não? Não se pode esquecer a referência de um pai numa família. A falta dele, muitas vezes, causa insegurança, frustração e um sentimento de perda, mesmo ele ainda estando vivo.
Na realidade, pai e mãe se reinventam no decorrer da vida, ensinando e aprendendo com os filhos todos os dias. Este processo contínuo e progressivo se constrói no cotidiano com base no amor, na confiança, na partilha das alegrias, nos momentos de tristeza, enfim na troca e na arte de bem viver.
Apesar da modernidade, a sociedade ainda reconhece a figura do pai como a base sólida que sustenta o telhado, as vigas e colunas da estrutura familiar, mesmo com as mudanças ocorridas. O raciocínio se direciona àqueles pais que assumem o seu papel na construção de um lar, cultivando o amor, o respeito e aceitando-se como protagonista da figura paternal.
Para concluir, nós da AJEB, queremos homenagear e aplaudir os pais presentes e desejar-lhes vida plena com saúde e muitas realizações junto aos familiares.

                                           Evan Bessa


Em seguida, a escritora Socorro Cavalcanti, Embaixadora da Divine Académie Française des Arts, Lettres et Cultura, fez uma explanação sobre a referida entidade, sua história, atuação, funcionamento, projetos editoriais, visando também adquirir sócios no Ceará, bem como convidar nossos escritores para participar de sua antologia (bilíngue), "Ceará em Cena", a ser lançada no 35º Salão do Livro de Paris, em março de 2015. Informou, ainda, a palestrante que a insigne presidente da citada academia, Dra. Diva Pavesi, virá ao Ceará, por ocasião da XI Bienal Internacional do Livro do Ceará, a se realizar no período de 5 a 14 de dezembro deste ano, ocasião em que proferirá uma conferência, sob o tema "A Importância da Literatura Brasileira na França".


Nessa sessão, ainda, aconteceu a entrega do Diploma Honra ao Mérito às poetisas Giselda Medeiros e Rejane Costa Barros, outorgado pela Ordem do Mérito Histórico-Literário Castro Alves, mediante o Instituto Comnène Palaiologos de Educação e Cultura, sediado no Rio de Janeiro. A comenda se deve às comemorações dos 167 anos de nascimento do grande Poeta Castro Alves.
A escritora Lucineide Souto fez a entrega do referido Diploma às poetisas homenageadas, em nome do Presidente Dom Alexander Comnène Palaiologos Maia Cruz. 


FOTOS


Lucineide Souto faz entrega da  honraria à Giselda Medeiros


Rejane Costa Barros recebe seu Diploma de Honra ao Mérito


Rejane Costa Barros, Lucineide Souto, Nirvanda Medeiros e Giselda Medeiros


A Mesa Diretora: Socorro Cavalcânti, Rejane Costa Barros, Presidente Nirvanda Medeiros, Giselda Medeiros e Lucineide Souto

UM CONTO DE THEREZA LEITE



 QUANDO NÓS ÉRAMOS PÁSSAROS

Era como  se os  anjos que os protegessem vivessem em harmonia. Desde o  dia em que  se apaixonara e a levara embora, escondido. Naquele dia, pássaros de nuvens prateadas, asas de filigrana, de tão leves, voavam em bando.

Depois, com um jeito próprio dele,  fora confinando-a, disfarçadamente, distante de tudo e de todos... Onde não mantivesse contato com ninguém, só ele. Apenas passasse as mãos na saia, aperreada, sempre a esperá-lo.  Era o jeito dela.      

Naquele isolamento, ela enfraquecera aos poucos, mente e corpo, até que  fora preciso  tira-la dali. Para que ninguém visse. Para que desse tempo.

Caminhara com ela nos braços, em meio ao mato seco que se debruçava sobre a piçarra,  até  chegar `a beira do rio.  Repousara-lhe, então, o corpo, retrato já esmaecido, sobre uma pedra,  a luz fria da tarde  abrigando-a. Nas mãos, a pequena bolsa de maquiagem, com os restos do que tinha, ainda. Restos usados quando da encenação de dramas.

Como se não houvesse pressa,  ele  pegou as pinturas e borrou o rosto dela com  uma pasta branca,  qual máscara veneziana. Uma rosa carmim, nas faces, e um botão vermelho na boca.  Os olhos, rodeados a carvão, como dois peixes negros, não permitiam  que se visse o brilho da íris. Um vestido  preto, com rosas  estampadas;  no pescoço, o colar de bolas grandes e leitosas combinava com a palidez.

Fazendo-a de boneca, pensou que talvez pudesse reanimá-la. Ainda. Mas ela permanecia estática.

Sacudiu-a como se balançasse um mamulengo, para pernas e braços se mexerem. Boneca de trapos. Marcas de dedos no pescoço, ela não reagia. Com as mãos  entrelaçadas, tornava - se, cada vez mais, imóvel, colorida  de entardecer.  

Teve medo. Olhara  à sua volta e não havia  a quem pedir ajuda. Arrependeu-se daquela casa afastada. Das próprias  escolhas.

Deixara-a, então, como se repousasse, sobre a pedra, e saíra, tonto. Não sabia se fugindo, ou se procurando auxílio. Caminhara  estrada acima, aguardando quem lhe desse acolhida.  Mas  diante do silêncio que se estendia `a sua frente, voltara.   Voltara para encontrar a pedra vazia, sem rastros por perto.

- Como tudo aquilo fora possível?

 Desde o início,  não pudera contê-la nos limites que pensara. Dotada de personalidade múltipla, ela transmudava-se, de  repente. Como se não   tivesse um tempo certo. Um lugar certo. O juízo certo. De uma susceptibilidade à flor da pele, ela doía-se de tudo, nada a satisfazia, vivia de expectativas. De alienação da realidade. Ansiosa e depressiva, num eterno aguardo de alguma coisa, que ele não conseguia alcançar,  tornara-se para ele  o próprio desespero.

Difícil conviver com aquela figura refletida em espelhos múltiplos. Atriz e personagem, eram tantas as facetas em que se partia, ou se multiplicava... Como contê-las?

Corroído de paixão desdobrara-se, no início, em busca dos tons vermelhos que a cobriam, sem jamais alcançá-la: quando pensava tê-la abarcado, ela já era outra.

Tornara-se, assim, obsessivo  e opressor. Confinara-a, primeiro, para tirá-la dos outros. Depois, para que perdesse a sua multiplicidade. Porque, via, não  bastava a ela a chegada de si mesmo, repetitivo, previsível. Incapaz de surpreendê-la. A paixão soprada pelo  seu corpo não a despertava. Não sabia sobre qual personagem derramar-se.
Percebeu-se  sem a dimensão que ela precisava.

Os próprios anjos,  haviam entrado, então, em desarmonia.

Tolhera-a, assim, de tal forma, que ela, estreitada entre quatro paredes, perdera-se no acúmulo dos objetos. Mistura de enfeites, trajes, cosméticos, miudezas que a ajudariam a atravessar a noite,  sempre clara: não descansava.

Ele a procurara ainda, tantas vezes, perguntando-se sob que máscara se escondia aquela moça que tomara para si. Enquanto ela enfrentava a mesmice, fugindo mais e mais de si mesma. Para fugir dele... Partindo para refúgios  não conhecidos, protegida por mistérios que ele não alcançava. Mas pagara com moedas de carne. Definhara, até adoecer. Pernas e braços exangues.

 Então a levara. Em busca  de socorro. Para não ser culpado  pelo que não pretendera fazer de verdade.
Ao voltar, naquele dia, não a encontrara sobre a pedra. Nenhum sinal nos dias seguintes. Nenhuma pista nos anos que correram. Até vê-la, tempos depois, carregada por um  homem de  braço tatuado, vermelho e de pelos louros,  abarcando o ombro dela. Colorida, exagerada, múltipla. Pensou no  desfile,  de menino antigo, a  dançarina em seus rodopios mortais, saltando `a frente da banda...

Jamais fora dele...

Jamais fora dele...

(do livro "Mosaicos", 2003)

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

UM ARTIGO MUITO INTERESSANTE

Como reconhecer uma mulher marcante


por Nathalí Macedo
Artigo publicado no site Entenda os Homens 

A verdade é que se pode reconhecer uma mulher marcante há quilômetros de distância. Sem precisar sentir o perfume forte ou ver o batom vermelho. A mulher marcante dispensa acessórios, é completa em si mesma. Não precisa anunciar-se, por que tem o dom de não passar despercebida. A mulher marcante nunca pretende incomodar, não gosta de provocar a inveja alheia. Um olhar de despeito não torna o seu dia mais alegre, pelo contrário, lhe é indiferente. A mulher marcante sabe bem do seu poder, por isso consegue admirar tranquilamente a beleza alheia, elogiar a grandeza de outrem sem sentir-se diminuída. Vez ou outra ela sai bem vestida e bem maquiada, mas por trás daquilo tudo ainda exala um aroma de naturalidade que encanta. Cultua a beleza porque gosta, mas definitivamente não precisa. A sensualidade está presente, mas não se pode dizer de onde ela vem.

A mulher marcante é, sobretudo, sutil. Ela não grita aos quatro ventos a própria virtude, ela não precisa humilhar outras mulheres ou provocar os ex-namorados. Ela realmente faz toda a diferença. Ela sabe ser dispensada com um ar sensato que faz qualquer galã sentir-se um babaca. Ninguém jamais a abandona sem que se arrependa amargamente pelo resto da vida, e ela guarda um encanto que não deixa espaço pra críticas maldosas. Ela é do tipo que não quebra promessas e não omite os próprios defeitos. Ela se aceita e nunca se desculpa por ser quem ela é. Ela compreende a efemeridade das coisas e das pessoas, mas se recusa terminantemente a ser efêmera. E não poderia ser, mesmo que quisesse, porque ela sempre vem pra ficar. Mesmo depois que vai embora, de alguma forma ela fica, porque é do tipo de mulher que não precisa se fazer presente para ser lembrada.

A mulher verdadeiramente marcante nunca se diz melhor que as outras, embora em muitos aspectos ela seja. Ela guarda os seios bem guardados numa blusinha discreta, em vez de espremê-los num sutiã menor que o seu manequim.

A mulher marcante não se importa de ter gostos peculiares. Ela não segue tendências, mas também não persegue a originalidade a todo custo. Ela não tem vergonha (e nem orgulho) de dizer que gosta do que ninguém gosta, ou que gosta do que todo mundo gosta. A opinião alheia nunca é um problema para ela, porque, verdadeiramente, ela se basta. Sem petulância e sem egoísmo, ela se basta. E por isso mesmo ela não sente necessidade de falar de si mesma, quase nunca.

Esse tipo de mulher sofre constantemente com a inveja alheia, embora, na maioria das vezes, sequer se dê conta. Ela se ocupa em tornar-se alguém melhor e superar os próprios limites, ela gosta tanto de distribuir bons sentimentos que os sentimentos ruins passam despercebidos diante de seus olhos. E isso a torna, de certo modo, inatingível. Embora não queira e não precise incomodar, ela incomoda. E muito. Desperta, na verdade, uma enorme curiosidade em torno do que a faz tão atraente. Pouca gente entende. Não se sabe qual é o traço que chama tanta atenção, ninguém consegue identificar a virtude que a torna tão marcante. Mulheres marcantes são, sobretudo, raras.

É curioso: Quanto mais ela se esconde, mais evidente fica. Quanto mais neutra busca ser, mais marcante se torna. Leveza é o seu sobrenome, mas a sua presença pesa como nenhuma outra.

Nathalí Macedo
Atriz por vocação, escritora por amor e feminista em tempo integral. Adora rir de si mesma e costuma se dar ao luxo de passar os domingos de pijama vendo desenho animado. Apesar de tirar fotos olhando por cima do ombro, garante que é a simplicidade em pessoa. No mais, nunca foi santa. Escreve sobre tudo em: facebook.com/escritosnathalimacedo