sexta-feira, 23 de outubro de 2015
CINEMA E LITERATURA : ARTES QUE SEDUZEM - por Evan Bessa
Hoje, vamos tentar falar sobre Cinema e Literatura, partindo
do princípio de que não iremos aprofundar e nem esgotar o tema, visto a
dimensão que representam, mas apenas pontuar alguns aspectos importantes das
duas artes que tanto seduzem seus admiradores.
Segundo o dicionário Aurélio, a arte de um modo geral é a
capacidade que tem o homem de pôr em prática uma ideia, valendo-se da faculdade
de dominar a matéria. Atividade de espírito quase sempre, de caráter estético,
mas carregada de vivências íntimas e profundas, podendo suscitar em outrem o
desejo de renovar uma obra de arte. A capacidade criadora do artista de
expressar ou transmitir sensações e sentimentos. Com essa introdução, diríamos
que a literatura e cinema são artes universais. A primeira, expressão artística
que remonta há muitos séculos, enquanto o cinema surge no final do século XIX e
esteve sempre ligado à Literatura através de adaptações de obras, demonstrando
assim, que se complementam.
Podemos considerar a Literatura como um conjunto de saberes
envolvido na produção escrita de uma época ou de um país. A escrita apareceu
bem antes. O texto artístico está quase sempre carregado de metáforas para
provocar reações emocionais nos receptores. Os primeiros textos se expandiram
na forma oral, por muitos séculos, antes de serem escritos em papiros. A forma
literária mais antiga é a poesia – Como a Ilíada de Homero. O cinema por sua vez tem origem como os irmãos
Lumière em Paris no ano de 1895. O Cinema, então, evolui mais rapidamente por
conta das estruturas narrativas existentes, sendo relevantes para a elaboração
da linguagem cinematográfica. De início, contada através de imagens,
posteriormente em imagens em movimento.
Estudo comparado entre essas duas expressões artísticas
comprovam a grande contribuição que uma arte traz a outra. Para o crítico
literário João Batista Brito, do ponto de vista da interdisciplinaridade é
interessante observar a verbalidade da literatura pelo viés do cinema e a
iconicidade do cinema pelo viés da literatura. A literatura trabalha com a
palavra escrita, com a narrativa, como recurso de elaboração. O cinema parte da
imagem em movimento para introduzir palavras, diálogos de personagens ou, às
vezes, a narrativa nele presente, incluindo demais artifícios, seja som, música
ambiente, dentre outros. Podíamos afirmar que tanto uma, como a outra são
imprescindíveis na propagação da cultura e para a criatividade humana.
Tanto o cinema como a literatura se alimentam, mutuamente, em
termos de influência nas adaptações. O cinema aproveita da literatura a tarefa
de contar histórias com algumas diferenças, no tocante a sentimentos e os
transforma em imagens na mente do homem. O cineasta nem sempre pode ser fiel à
obra original porque não pode representar visualmente significados verbais e,
em função, da imagem conceitual que a leitura faz nascer no espírito, é
diferente da imagem fílmica. O romance narra o mundo, o filme nos coloca diante
do mundo de acordo com uma continuidade e contiguidade. A linguagem do cinema
representa de forma direta e física os objetos da realidade a que se liga ao
padrão oral de significação. Tal qual a Língua o cinema é abstração, um objeto
de estudo que se concretiza a partir de um código, de uma gramática e de um
pacto social, o cinema não existiria sem o filme. Sua linguagem é vista e
ouvida no momento que acontece. Não pode usufruir da metáfora como a
Literatura. Os cineastas se utilizam das figuras, tais como: anáfora e da repetição.
Daí poder se dizer que as duas artes são convergentes, mas em circunstâncias
distintas. Bergman e Fellini cineastas famosos defendiam que o cinema não tinha
nada a ver com a literatura. Por outro
lado, Andrés Bello, filólogo e ensaísta venezuelano, afirma que 2/3 dos longas
de Hollywood são adaptações produzidas a partir da narrativa – ambos são da
mesma matéria. Todo texto se constitui um diálogo intertextual, podendo assim,
uma obra originar outras obras por meio de um olhar diferente.
Podemos apontar alguns exemplos de adaptações literárias para
o cinema: Laranja Mecânica; 2001- Uma Odisseia no Espaço; Ben-Hur; D.
Casmurro; O Guarani, Vidas Secas, dentre outros. Muitos dizem que
filmes baseados em livros são piores que a história original, mas deve-se
observar que são formatos e linguagens diferentes. Quando se abandona o meio
linguístico e passa para o visual podem ocorrer mais elipses com relação à
narrativa e mudança serão inevitáveis. No entanto, enquanto linguagem, suas
informações estéticas estarão ligadas por pontos comuns, entre as obras. Embora
o cinema seja uma obra autônoma, não perde a essência daquela que foi traduzida
(reproduzida). O conteúdo de um filme é constituído de um conjunto de temas que
se integram na mensagem global do filme. Para Claude Bremond, semiólogo,
francês, o filme só desperta interesse quando suscita reflexão, quando
colocarem em ebulição, na representação do grupo, um foco de excitação
intelectual, emotiva e imaginária ligada aos desejos não satisfeitos, aos
conflitos não resolvidos pelos indivíduos. Por isso não há temática inocente.
Além disso, os cineastas e diretores colocam no seu trabalho,
objetivos, crenças, sua estilística e utilizam uma metodologia que mais lhes
satisfazem em termos visuais e intimistas.
Diretores internacionais como: Bergman, Hitchcock, Woody Allen,
Antonioni, são exemplos claros do que dissemos. Podemos citar o filme adaptado
do livro de Edgar Allan Poe, O Corvo, que em face da visão do
cineasta, sua criatividade e perfeccionismo foi um fracasso de bilheteria. Por
outro lado, Truman Capote teve obra adaptada para o cinema: Bonequinha
de Luxo, com Audrey Hepburn, que concorreu a Oscar, no entanto, sua
obra-prima foi A Sangue
Frio, tendo obtido êxito em ambos. Vejamos outras obras mais conhecidas
que se transformaram em filmes: O Mistério da Estrada de Cintra: Eça de
Queiros e Ramalho Ortigão; Expresso do Oriente: Agatha Christe;
Ensaio
sobre a Cegueira de José Saramago; São Bernardo: Graciliano Ramos; Memórias
Póstumas de Brás Cubas: Machado de Assis; Macunaíma: Mário de Andrade.
Muitos outros poderíamos incluir nessa relação.
Nessa perspectiva, vemos que as artes Literatura e Cinema
atravessaram os séculos, demonstrando possibilidades diferentes de lazer e de
informar o grande público, ao mesmo tempo em que, contextualiza época e fatos
ocorridos com linguagens específicas. Porque os diretores buscam a
fundamentação das histórias na Literatura para transformá-la em linguagem
cinematográfica, roteiros, argumentos que serão introduzidos no seu fazer
artístico, o que resultou numa imensa indústria cinematográfica, com retorno de
milhões e bilhões de dólares. A literatura não deixa de ser à base de toda essa
manifestação que se imbrica ao cinema formando o texto e os contextos que
evoluem para os autores e espectadores que se sentem seduzidos por artes tão
importantes para a humanidade.
BELLO, Andrés – Crítica Literária; BRITO, João Batista De –
Literatura e Cinema; BREMOND, Claude – A Lógica das possíveis narrativas.
(Palestra proferida na reunião da AJEB do dia 20 de outubro de 2015, no Náutico Atlético Cearense)
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
MARIA THEREZA LEITE LANÇA "A MEDIDA DAS PALAVRAS"
Dia 23 de setembro de 2015, a Livraria Cultura recebeu os amigos, leitores e admiradores de Maria Thereza Leite, para festejarem com ela mais um livro de sua lavra que chegou já vitorioso. Seu primeiro romance, "A Medida das Palavras", já vem carregando o "Prêmio Osmundo Pontes de Literatura - 2014.
Foi uma noite proveitosa, em que a autora e a Professora Cleudene Aragão debateram sobre o livro e sobre a literatura, de modo geral, deixando os ouvintes já motivados para a leitura do romance.
Parabéns, Thereza, por mais esse livro que, com certeza, terá o aplauso de seu público leitor!
FOTOS
domingo, 13 de setembro de 2015
terça-feira, 25 de agosto de 2015
O SILÊNCIO, DE ZINAH - POR BATISTA DE LIMA
Zinah Alexandrino
lançou em 2014, pela Editora Premius, o livro "A intenção do
silêncio". A ficha catalográfica vem acusando ser um livro de contos.
Realmente há alguns contos, mas entre os 23 textos há um número maior de
crônicas. Esse fato já nos leva a uma discussão sobre a real diferença entre
crônica e conto, o que não cabe aqui resolver, tendo em vista que estudiosos,
muitas vezes, os definem de forma diferente, e se contradizem, até. A crônica,
mesmo sendo narrativa, possui um compromisso com o cotidiano e até com o
trivial.
O conto é um
desfecho. É uma precipitação. Pode ser uma cena só, compacta. Se passar disso
pode virar romance. Não é necessário que tudo seja dito. É muito importante que
algo fique em suspenso para que o leitor complemente, ou seja, o não dito tem
seu lugar e sua significação no conto. É um silêncio sugestivo. É por isso que
Arminda Serpa conclui, no seu comentário no livro, que "todo dizer
estabelece uma relação fundamental com o não dizer". Mais à frente, a
mesma analista chega a afirmar que "para dizer é preciso não dizer".
No prefácio, Evan
Bessa acentua o humor, a ironia e o sarcasmo como as características das
narrativas de Zinah. Também poderia ter acrescentado que a emoção é privilégio
dos personagens femininos, ficando os homens marcados pela racionalidade. Há
uma sensibilidade feminina respaldada pelo cultivo dos rituais, quando os
homens agem exatamente ao contrário.
Até nos temas
abordados, essa tendência transparece. São conflitos humanos que geralmente se
iniciam pelas falhas masculinas. Talvez quando essa marcação cerrada sobre
questões de gênero é posta de lado, é quando melhor se sai a narradora. Prova
disso é que, no momento em que o fantástico margeia sua história, é quando
melhor se apresenta seu conto.
A primeira
narrativa que chama a atenção é "A cartomante". Esse tema, recorrente
na literatura, já deixa o leitor curioso pelo desfecho do texto. Nesse caso, é
a cartomante que sai perdendo, ao ver o marido indo embora com a cliente.
Vicente e Vandira se afinam tanto que até os nomes se parecem. Quanto a Madame
Ruth, que traz amores de volta para quem a contrata, vai ter que trabalhar
muito para resolver seu próprio problema.
Pelo que vai
sugerindo o texto de Zinah, dá para se concluir que é caso perdido. Afinal,
todo o assédio inicial, através de telefonemas, partiu de Vicente. O que
Vandira queria de início era apenas o retorno do pai de sua filha. O destino,
entretanto, trouxe-lhe outra ventura.
Outro conto, que
concentra uma certa tensão, traz o título "Intenção do silêncio", que
coincidentemente é o título do livro. Nesse conto, o não dito é posto em
destaque, pois o leitor chega a complementar aquilo que foi apenas sugerido,
mas que não está explícito.
Esse leve suspense
mexe com o leitor, que muitas vezes precisa ser instigado para que pense alguma
coisa que está além do significante textual. Isso, no entanto, não se repete
nos outros textos, que primam por uma solução fácil dos enigmas textuais. Os
textos de Zinah geralmente são curtos, chegando a uma média de duas páginas
cada. Há, no entanto, uma exceção, o conto "O homem que fugia das
mulheres", que ocupa quatorze páginas do livro.
É aquela narrativa
tirada do baú, escrita quando a escritora, ainda adolescente, queria escrever
um romance. Por isso, nele há alguns momentos de singeleza, outros de puro
diletantismo da idade, como a cena do casal "deitado na relva",
quando se sabe que ambos estão numa caverna por conta da chuva, e que é difícil
encontrar relva em tal situação.
Há, no entanto, uma
característica marcante nas narrativas do livro. É o tratamento da linguagem. A
autora se esmera na correção gramatical, em frases bem lapidadas. Afinal,
pedagoga, pós-graduada no ensino da Literatura, era de se esperar esse seu zelo
no lado significante textual.
Esse seu segundo
livro é um amadurecimento diante de "Sutilezas", poemas de 2006, da
mesma Editora Premius. Também há o fato da mudança de gênero, da poesia para o
conto, o que faz com que a narrativa saia ganhando, pois a influência poética
do primeiro livro termina por transparecer no segundo. Assim, pode-se dizer que
merecidamente a autora fez jus às academias a que pertence.
"A intenção do
silêncio" é um livro de fácil leitura. Tem seu formato propício à
utilização como paradidático, para turmas terminais do ensino fundamental. Pena
é que autor cearense não consegue ter essa honraria de ser estudado por aluno
cearense. Nossas escolas só têm olhos para autores que venham das grande
editoras do Sudeste.
Esse livro de Zinah
daria boas discussões entre estudantes do ensino básico. Uma das temáticas
seria o tratamento de gênero interposto entre seus personagens. As mulheres são
sempre caracterizadas como marcadas pela emoção. São sensíveis e românticas. Os
homens primam pela racionalidade, pela força e pela coragem, mas tropeçam quase
sempre nas suas fraquezas. Só essa diferenciação daria espaço para grandes
debates. Acontece que a feliz geografia que nos colocou nesta maravilhosa terra
nunca teve o tratamento nem as benesses dos que foram ungidos do Sul maravilha.
sábado, 8 de agosto de 2015
UMA ABORDAGEM SOBRE O DIA DOS PAIS
O DIA DOS PAIS
Vicente Alencar
(Presidente da UBT-FORTALEZA)
Comemorar o
Dia dos Pais, não tão lembrado como o Dia das Mães, no segundo domingo de maio,
tem, também, o seu prestígio e, pode se constituir num momento importante
dentro da família. O Pai, sempre, tem a sua presença muito discutida. Você pode
até não saber quem é seu Pai, pode até ter dúvidas quanto à paternidade. E, é,
justamente, aí que reside a diferença nas comemorações das datas de Dia dos
Pais e Dia das Mães. Em qualquer circunstância, todas as pessoas têm Mãe, 99
por cento a conhecem, mas, quanto ao
pai, já podemos encontrar reservas.
Muitos são
aqueles que são pais e que, às vezes, nem sempre sabem se o são ou se o foram!
Em muitos casos de romances difíceis ou amores furtivos, a presença do Pai não
é, exatamente, aquela que um casal normal, ou seja, com uma união celebrada, em
qualquer religião ou cartório, junto ao Juiz de Paz, tenha sido completada,
exista de fato.
Ocorrem casos
em que a noite do amor, ocorrida sem que nenhum dos dois soubesse que viria a
acontecer, ou seja, chegou, viveu, sentiu, nunca mais se viu. Nestes casos, o
Pai nem sabe se foi Pai, mas a Mãe sabe que foi Mãe. Ocorre, também, que
pode desconhecer o Pai, não sabendo nem o seu nome, nem o seu destino, de onde
veio nem para onde foi. Você pode achar que é difícil de acontecer? De ocorrer?
Não, não é, de maneira alguma.
Existem os
pais que, simplesmente, nem mesmo sabem da existência do filho. Existem pais,
apenas, biológicos, que nunca foram informados de que nasceu seu filho. Existem
os pais que nunca saberão quem foi seu filho, pois, a Mãe, simplesmente, ignora
o acontecido e não seria, depois de tanto tempo, que iria reabrir a questão.
Mas, existem,
também, os pais que são dedicados, que procuram atender ao filho, desde o seu
nascimento, sentindo orgulho do seu rebento, daquele que fará seguir pelo
futuro, o que plantou, o que conseguiu e o que acha que é certo.
Ser Pai é
difícil! Arcar com todas as atribuições, desde a gestação até um dia em que não
se sabe qual, quando os filhos seguem em frente e lhe dão netos. Os filhos dos
seus filhos. Aí, o Pai que, durante toda a vida, desdobrou-se para lhe
proporcionar uma vida saudável, da saúde aos estudos, do respeito à ética, do
abraço à palavra de carinho, reconhece que, durante toda a sua vida, fez o
certo e colocou no mundo uma família honrada.
No Dia dos
Pais, sempre, no segundo domingo de agosto, a nossa Mensagem de atenção a todos
os Pais, na certeza de que cada um deles, procurando acertar e fazer o melhor
por seus filhos e sua família, muito podem colaborar para com o crescimento de
todos, mesmo num país tão mal vestido, tão mal dirigido e tão desorganizado
como o nosso.
Parabéns, a
todos os Pais do Ceará e do Brasil, neste dia que é dedicado a todos eles.
Fortaleza,
CE, 9 de agosto de 2015, 2º domingo de agosto.
quarta-feira, 22 de julho de 2015
AJEB-CE PROMOVE ALMOÇO PELO ANIVERSÁRIO DE GISELDA MEDEIROS
A Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil - AJEB-CE - promoveu dia 16 de julho de 2015, no Náutico Atlético Cearense, almoço de adesão, para homenagear sua Presidente de Honra e Ex-Presidente Nacional, Giselda Medeiros.
Ajebianas e ajebianos, amigos e a Família compareceram para levar seu abraço à Escritora Giselda Medeiros, Princesa dos Poetas do Ceará.
Nirvanda Medeiros, Presidente da Coordenadoria do Ceará, exaltou as qualidades da aniversariante, deixando, ao final de sua fala, que cada um dos presentes traduzisse, em uma palavra, sua visão sobre a aniversariante.
A ajebiana Rejane Costa Barros leu um poema dedicado à Giselda Medeiros, enquanto o Sócio Benemérito da AJEB-CE, Vital Arruda, declamou uma trova que fizera em homenagem à escritora aniversariante.
Giselda Medeiros, emocionada, saudou a todos os amigos e Família, agradecendo-lhes a presença com um poema de sua autoria.
Em seguida, foi servido o almoço, requintado, como o são todos os do Náutico Atlético Cearense.
COBERTURA FOTOGRÁFICA
A aniversariante com a Presidente Nirvanda Medeiros
A saudação da Presidente
Rejane Costa Barros saúda a aniversariante
Vital Arruda, também aniversariante,
declamando sua trova, homenageando Giselda Medeiros
O agradecimento da aniversariante
Os "Parabéns pra você"
O almoço
O almoço
Homenagem, com flores, de Vládia Mourão.
Gizela Costa, Rejane Costa Barros e Socorro Cavalcanti
Ana Paula e Giselda Medeiros
Giselda Medeiros
Com os amigos da Academia Cearense de Letras: Ernando Uchoa e Batista de Lima
Ladeada pelos amigos: Aldo Melo, Pereira de Albuquerque,
Vital Arruda, Juliana Melo, Clara Leda e Zenaide Marçal
Com a Família: Rosinha, Rafaela e Ana Paula Medeiros
Com a amiga ajebiana, Gizela Costa
Com Alexandra, Rosinha, Rafaela e Ana Paula
Com os amigos: Zinah Alexandrino, Batista de Lima,
Fátima Lemos e Ernando Uchoa Lima
Clara Leda, Nirvanda Medeiros, Ernando Uchoa Lima, Heliane Pimentel,
Vládia Mourão, Batista de Lima, Maria do Carmo Fontenelle, Maria Luísa Bomfim e sua Neta.
Com o amigo Cláudio Queiroz
A aniversariante agradecida pela presença dos amigos,
da Família e pelo perfume das flores
sexta-feira, 17 de julho de 2015
PEREIRA DE ALBUQUERQUE LANÇA NOVO LIVRO -
A Arte Lírica de Alberto
de Moura
Apresentação de Zenaide Marçal
Sabemos que José Pereira de Albuquerque é um nome que
dispensa apresentações por tratar-se de escritor fecundo, cuja competência é demonstrada através da
dimensão de sua obra a qual alcança hoje
o décimo segundo título, em livros já publicados, entre Poemas , Crônicas, Trovas e mesmo um Romance.
Em várias oportunidades, nessas nossas
reuniões literárias, ouvi o escritor Pereira de Albuquerque tecendo elogios
àquele poeta que lhe havia ensinado, ainda na sua querida cidade de Ipaumirim,
a teoria da versificação, principalmente no que se refere ao soneto. Nesses
momentos, demonstrava grande admiração e respeito por quem tão bem lhe havia
transmitido esses conhecimentos, motivado que foi por haver notado a inspiração
contida nos seus versos de jovem adolescente interessado pela poesia.
Hoje, reconhecido escritor, poeta e
trovador, José Pereira de Albuquerque patenteia a sua gratidão àquele poeta trazendo
a lume esta obra que ora vos apresento,
intitulada - A Arte Lírica de Alberto de Moura – eis aí o nome desse poeta que
lhe serviu de mestre na arte de compor poemas. Pereira de Albuquerque “moveu
céus e terra”, como se costuma dizer, no sentido de reunir, pelo menos em
parte, o legado poético desse extraordinário artífice do verso, a fim de
enfeixá-lo num livro, levando em conta que o autor nunca se dispôs a fazer sua
publicação.
O livro tem início com fatos biográficos
de Alberto de Moura, seguindo-se a mostra de sua obra que se compõe, na maior
parte, de sonetos .
Na parte – O Homem - que trata da
biografia, vemos um relato quase minucioso da vida do Poeta desde que foi transferido para
Ipaumirim. Nessa oportunidade, constatamos, mais uma vez, o perfeito prosador
que é Pereira de Albuquerque. Este, no seu livro intitulado – O Ridículo das
coisas – declara que “escrever é um tormento” e explica de forma veemente o
porquê dessa afirmativa. No entanto, o que vemos nos seus escritos contradiz
esta asserção e nos leva a imaginar que,
ao escrever, o faz com grande facilidade. Se assim não fora, como explicar a elegância
das suas expressões, a riqueza do seu vocabulário, a impecável construção
frasal, a fluência com que se refere aos assuntos tratados?
Seja dito, de passagem, que observamos
isso, também, em outros autores, como em Nélida Piñon, renomada escritora da
Academia Brasileira de Letras, que diz no seu livro – Coração Andarilho –
“escrever é sempre um esforço que me parece, às vezes, impossível de
enfrentar”. Mas, como é prazerosa a leitura de seus livros! Assim como acontece
quando lemos os livros de Pereira de Albuquerque!
Continuemos. Falando da vida de Alberto de
Moura, refere-se à sua chegada a Ipaumirim, à sua adaptação ao modo de vida da
cidade, à forma como soube fazer amigos.
Conta como ele, o Poeta, os reunia
para a leitura de poemas e para uma boa prosa, despertando-lhes o gosto
pelo verso, pela boa música, pelos bons costumes enfim.
Pereira de Albuquerque não poupa
comentários elogiosos a Alberto de Moura. Comenta o cidadão correto, suas boas
qualidades, o equilíbrio que marcava suas atitudes, a personalidade, e,
sobretudo a excelência de sua verve poética.
Na parte do livro intitulada – Obra – encontramos 37 sonetos
alexandrinos, perfeitos e impregnados da mais pura poesia. Poeta de grande
sensibilidade, Alberto de Moura nos enternece de modo especial no soneto intitulado
– O Mar – quando, referindo-se à inquietude do mesmo, dá-lhe alma e diz no segundo quarteto:
Ao
contemplá-lo assim revolto e furibundo,
No
seu gemer constante em que eu vejo carpindo
Condói-me.
E a minha dor é tanta que confundo
Seu
infindo sofrer com o meu sofrer infindo.
Encontramos, também, sonetos de sublime inspiração
religiosa, e tomo como exemplo o poema: No caminho de Emaús, cuja leitura
encheu-me de emoção, O Santo de Assis, e
outros.
O certo é que este Poeta nunca parou de
escrever poesias. Na página 115 deste livro consta um soneto intitulado – O
Pedido de Meu Pai – onde ele relembra seu pai quando dizia: “Alberto, deixa de fazer tanto verso”.
Então, declara que não pôde atendê-lo,
dizendo: “pois jamais consegui deixar de fazer versos”. Tanto é verdade que, aos noventa anos, escreveu o soneto - Nonagenário - , onde fez um resumo das
passagens importantes de sua vida.
Constam, ainda, deste livro: Redondilhas, onde encontramos admiráveis
sonetilhos e algumas trovas; Versos
Outros; Cordel; e, finalizando, uma parte denominada Hinário. São quatro hinos com letras de sua autoria: Hino de
Ipaumirim, Hino da Escola Dom Francisco de Assis Pires, Hino do Colégio XI de
Agosto e Hino do Centenário da Paróquia de Nossa senhora da Conceição de
Ipaumirim.
Segue-se, então, um
Posfácio, escrito pelo próprio Autor deste livro, o qual publica um pequeno
texto em prosa, de autoria do Poeta cuja obra é aqui exposta.
Quero, ainda, afirmar-lhes que o que aqui
foi dito revela apenas uma mínima parte
do que contém este livro – A Arte Lírica
de Alberto de Moura, mais uma preciosa obra do nosso valoroso e estimado
escritor, o poeta José Pereira de Albuquerque. A ele, por este valiosíssimo trabalho, e
pelo gesto que encerra, minhas sinceras congratulações. Aos seus leitores, a
certeza de uma proveitosa e agradável leitura.
Obrigada.
FOTOS
O Cerimonialista Vicente Alencar
A Apresentadora da obra - Zenaide Marçal
A fala do Autor
As ajebianas Nirvanda Medeiros, Evan Bessa, Rejane Costa Barros,
Zenaide Marçal e Giselda Medeiros
O Autor ladeado por amigos
Pereira de Albuquerque e
a apresentadora da obra, Zenaide Marçal
Pereira de Albuquerque com as escritoras Giselda Medeiros,
Rosa Firmo e Nirvanda Medeiros, Presidente da AJEB-CE.
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