DIRETORIA AJEB-CE - 2016-2018

DIRETORIA AJEB-CE - 2016-2018
DIRETORIA ELEITA POR UNANIMIDADE

ATUAL DIRETORIA DA AJEB-CE

DIRETORIA ELEITA POR UNANIMIDADE

CHAPA PAPA FRANCISCO

PRESIDENTE DE HONRA: Giselda de Medeiros Albuquerque

PRESIDENTE: Gizela Nunes da Costa

1ª VICE-PRESIDENTE: Maria Argentina Austregésilo de Andrade

2ª VICE-PRESIDENTE: Elinalva Alves de Oliveira

1ª SECRETÁRIA: Rejane Costa Barros

2ª SECRETÁRIA: Rosa Virgínia Carneiro de Castro

1ª TESOUREIRA: Rita Maria Lopes Guedes Santos

2ª TESOUREIRA: Maria do Socorro Cavalcanti

DIRETORA DE EVENTOS: Maria Nirvanda Medeiros

DIRETORA DE PUBLICAÇÃO: Giselda de Medeiros Albuquerque

CERIMONIALISTA: Francinete de Azevedo Ferreira

CONSELHO

Maria Helena do Amaral Macedo

Zenaide Braga Marçal

Maria Luisa Bomfim

Celina Côrte Pinheiro

Evan Gomes Bessa

terça-feira, 18 de julho de 2017

CENTENÁRIO da obra de crítica e hodierna, de Lima Barreto, “OS BRUZUNDANGAS" - POR NÁDYA GURGEL



A ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS (ACL), a ASSOCIAÇÃO DE JORNALISTAS E ESCRITORAS DO BRASIL (AJEB-CE) têm a HONRA de apresentar a PALESTRA: CENTENÁRIO da obra de crítica e hodierna, de Lima Barreto, “OS BRUZUNDANGAS pela AJEBIANA e PROFESSORA DO IFCE-Campus Ubajara, Nádya Gurgel.


I- Breve curriculum da AJEBIANA PALESTRANTE nesta aprazível manhã de 20 de junho de 2017:
            Nádya Brito Gurgel Correia Dutra nasceu em Fortaleza, há quarenta anos, precisamente no dia 16 de março de 1977. Seus pais, Raimundo Luciano do Amaral Gurgel (in memoriam) e Mária Brito Gurgel, foram os maiores responsáveis pela sua incursão nas Artes. De seu genitor, herdara o apreço por Música Clássica, História e Política, e de sua genitora, a extrema afeição por CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS. Seus primeiros textos vieram sob forma de HQ´s (Histórias em Quadrinhos), e consecutivamente a esta tipologia textual... vieram os romances! E todos estes prenúncios de obras são hoje relíquias guardadas a sete chaves pela autora. Com hercúlea dificuldade, em 1998 Nádya Gurgel publicara seu primeiro romance (dos tantos em prelo), intitulado UM NOVO AMANHÃ, prefaciado pelo excelso Acadêmico (ACL) Batista de Lima, e que recebera crítica literária (via Correios) do grandioso Acadêmico (ACL) e jurista Dimas Macedo; reiterado incentivo da saudosa e célebre autora Rachel de Queiroz (ABL e ACL), do Acadêmico (ACL) Cid Sabóia de Carvalho, da nossa Acadêmica (ACL) Giselda Medeiros (Presidente de Honra da AJEB) e do eterno Patrono desta diletíssima mais antiga Academia de Letras do País (Fundada no dia 15 de Agosto de 1894), Artur Eduardo Benevides (in memoriam), e hoje presidida pelo célebre Presidente José Augusto Bezerra! A supracitada autora é AJEBIANA desde 1999; professora Especialista em Ensino de Literatura Brasileira do Instituto Federal do Ceará (IFCE), nos Campi de Ubajara (Cursos de Licenciatura em QUÍMICA; AGROINDÚSTRIA; TÉCNICO EM ALIMENTOS e GASTRONOMIA) e Baturité (Curso de LETRAS). Fora professora de importantes Colégios e Cursinhos preparatórios para os mais difíceis vestibulares do país (por quase dezessete anos), como: Colégio Sete de Setembro, M@ster, Ari de Sá Cavalcante, Antares, Tiradentes e Irmã Maria Montenegro. É mãe do casal Nícolas (10) e Isadora (06), esposa do Subtenente do 23º Batalhão de Caçadores Cristiano Dutra. É partícipe de relevantes Antologias, em contribuição nas categorias CONTO, ENSAIO e POEMAS, como na majestosa POLICROMIAS, da nossa Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, e de outras, como os títulos esgotados CEIA MAIOR; ESPUTO e AMOR, MÚSICA E POESIA. Foi organizadora, revisora e prefaciadora da obra poética e memorialística do ex-fazendário João Batista Terceiro (in memoriam) PASSADOS INESQUECÍVEIS. É desenhista por diletantismo, e professora atuante de videoaulas de grande capilaridade entre os pré-universitários de todo o Brasil.

II- Agora... o que não se pode deixar de saber acerca da BIOGRAFIA de AFONSO HENRIQUES DE LIMA BARRETO (que tantos influxos exercera em sua BIBLIOGRAFIA):
           
         Um dos ícones do Pré-Modernismo (1902-1922), Lima Barreto nascera na cidade do Rio de Janeiro, no dia 13 de maio de 1881, e falecera na mesma Terra Natalícia, no dia primeiro de novembro de 1922, à Rua Major Mascarenhas, no. 26, às 17 horas (Gripe torácica e colapso cardíaco). Anos extremamente relevantes (1881 e 1922), também, para a historiografia literária brasileira, a citar o surgimento do Realismo e do Modernismo, respectivamente. Filho de Joaquim Henriques de Lima Barreto e Amália Augusta, ambos mestiços e pobres, nosso Lima Barreto sofrera preconceito racial durante a vida inteira. Seu pai era tipógrafo e sua mãe, professora primária, e falecera quando Barreto tinha sete anos. Ano este em que pensara, pela primeira vez, em suicídio.
          Sempre auxiliado pelo padrinho abastado, Visconde de Ouro Preto, Barreto estudara no Liceu Popular Niteroiense e concluíra o curso secundário no Colégio Pedro II, local onde estudava a elite literária da época. E, devido à inegável dedicação aos estudos, conseguira ingressar na Escola Politécnica do Rio de Janeiro (exame vestibular), no tão almejado curso de Engenharia, em 28 de janeiro de 1897. Em 1904, foi obrigado a abandonar o curso, pois seu pai havia enlouquecido e o sustento dos três irmãos agora era responsabilidade dele... Além de imensas frustrações e dissabores enfrentados por ser o único mulato da sala e, assim, não ter sido beneficiado (como os demais: brancos e abastados!) quando, por exemplo, tinha dúvidas em Cálculo...
        Provavelmente a sua primeira grande frustração fora não ter se tornado Doutor- e isto passaria a ser amplamente denunciado em suas obras: o culto exacerbado que no Brasil nutria pelo título de Doutor, ou ao DOUTORISMO! Comumente Barreto externava que, no Brasil de seu tempo, três pedras de anéis de formaturas eram as mais exaltadas: safira (Engenharia), rubi (Direito) e esmeralda (Medicina). Esta convicção barretiana é obsoleta ou ainda hodierna?
        Outras experimentações vitais infelizes nortearão sua escritura ácida e intrépida, como o fato de não ter conseguido pertencer ao quadro excelso da Academia Brasileira de Letras, fundada por Machado de Assis, Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e outros ícones da Bélle Epoque (nos idos de novembro de 1996... e com sessão inaugural em 20 de julho de 1897). Foram duas negativas ao seu nome para imortal da ABL. Na terceira, ele mesmo retirara sua candidatura, temendo nova decepção.
         Fora colaborador de jornais de estudantes, como A Lanterna, e depois faria uma série de reportagens para o respeitado Correio da Manhã, sem assinatura, sob o título “Os Subterrâneos do Morro do Castelo”. Fora colaborador no jornal humorístico Tagarela, sob o pseudônimo de Rui de Pina. Trabalhara na célebre revista Fon-Fon e publicara em folhetins, no jornal A Noite, sua obra Numa e Ninfa (que surgiria sob forma de livro também 1917) e fora colaborador de muitos outros jornais e revistas cariocas, como a A.B.C., da qual se afastara após ter sido publicado nesta revista, por outro escritor, um artigo contra a raça negra.
        Em 09 de julho de 1903 fora classificado em segundo lugar no concurso para a Secretaria da Guerra. Em 28 de outubro, tomara posse do cargo. Isto significaria, de uma vez por todas, findar seu sonho de estudar na Politécnica e passaria a experimentar reiteradas frustrações com o trabalho repetitório e burocrático (que lhe daria muita inspiração para as críticas externadas em romances como “TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA”, “CLARA D0S ANJOS”, “OS BRUZUNGAS”, “VIDA E MORTE DE M. J. GONZAGA DE SÁ”). Seria amanuense até 26 de dezembro de 1918. Resultado: seu tempo líquido de serviço fora de 14 anos, 3 meses e 12 dias, quando se aposentara, após algumas licenças para tratamento de saúde e seu PRIMEIRO TERRÍVEL CONFINAMENTO EM HOSPÍCIO, de 18 de agosto de 1914 a 13 de outubro.
        O segundo confinamento em hospício fora em 25 de dezembro de 1919 a 02 de fevereiro de 1920.
         O porquê dos internamentos? Alcoolismo; o fato de ter sido o único filho a cuidar dos problemas mentais do pai e, assim, muito os absorvera...
         A tão celebrizada e inolvidável obra barretiana “TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA”, romance quixotesco brasileiro, surgira em 26 de fevereiro de 1916, entre estes dois “tratamentos psiquiátricos”. E o maior legado destes seus tempos tão sofridos no “Hospital Nacional de Alienados no Rio de Janeiro” fora a obra intrigante e impactante “CEMITÉRO DOS VIVOS”.
        Um alento Barreto recebera da Academia Brasileira de Letras antes de partir: a menção honrosa (em janeiro de 1921) ao romance “VIDA E MORTE DE M. J. GONZAGA DE SÁ”.
         Lima fora, enfim, um homem que nascera e crescera para ser um gênio, um crítico ferrenho da sociedade burguesa finissecular oitocentista e daquele introito novecentista em nosso País. Fora o “Boca do Inferno do Pré-Modernismo”!!??  
        Creio que sim, e verticalizando ainda mais as temáticas críticas e contundentes abordadas pelo bardo baiano Gregório de Mattos Guerra ao Brasil e seus Governantes no Séc. XVII, ao tempo do Barroco.
        Barreto, em todas as obras produzidas, preferira a denúncia do arrivismo dos Políticos, eivados de propinas e ausência de vistas sociais; quisera minorizar a dor dos mulatos e lutar por um país com menos iniquidade e injustiça social. Nada mais premente, imprescindível e hodierno. Muito obrigada, excelso escritor, que preferira a criticidade (e por ela fora severamente castigado!) e não o lisonjeio gratuito.
        


III- E QUANTO À OBRA CENTENÁRIA “OS BRUZUNDANGAS”?

       Em junho de 1917, quando Lima Barreto estivera enfermiço e recolhido no Hospital Central do Exército, ele entregara ao seu editor Jacinto Ribeiro dos Santos os originais de OS BRUZUNDANGAS, que apareciam em volume somente em dezembro de 1922, um mês após seu falecimento.
        Segundo um dos maiores críticos literários que há acerca de Lima Barreto, H. Pereira da Silva, em sua obra “LIMA BARRETO- ESCRITOR MALDITO”, “Na república da Bruzundanga, neste livro que ferve, cozinha questões nacionais, se nada mais houvesse para ressaltar, bastariam a sinceridade, a firmeza de caráter em dizer o que nos diz, porque mexer no angu é menos prudente que derramar o caldo. Lima Barreto, porém, prefere engrossar o caldo. Mete a colher no angu, encaroça-o, salga-o, apimenta-o, mas dá-lhe certo sabor, certos requintes de humor desconhecido dos historiadores afeitos a insossos pratos servidos na Bruzundanga das letras.” (2ª. Edição, Editora Civilização Brasileira, pág. 114)
        Desde o título, desde o léxico escolhido, BRUZUNDANGA, em alegoria ao Brasil, podemos perceber seu intento de nos levar a refletir acerca de uma possível desordem, algavaria, mixórdia, BAGUNÇA... que nos possa rodear (e como, claro, poderíamos solucionar tal precariedade estrutural social)!
       Na República da Bruzundanga, reiteradas são as críticas aos cargos públicos ocupados por bajuladores e néscios; aos poetas “Samoiedas” (em nítida crítica negativa à impassibilidade da poética parnasiana, que assim ele a julgava!); aos Doutores tão exaltados e, segundo ele, hipócritas; aos escritores ou aos oradores usuários de um discurso exacerbadamente esmerado e hermético, em desarmonia com a realidade da maioria dos brasileiros. Sem faltar críticas ao teatro, à religião, à música, às eleições, ao RACISMO... 
   
Alguns excertos para análise verticalizada de “OS BRUZUNDANGAS”:

I-SOBRE OS LITERATOS
 “- Quantas cartas tens aí!- disse-lhe eu ao vê-lo abrir a carteira, para tirar uma nota com que pagasse a despesa.
             - São “pistolões”.
             - Pra tanta gente?
             - Sim; para os críticos dos jornais e das revistas. Não sabes que vou publicar um livro?”
(BARRETO, Lima. Os Bruzundangas, pág.140)       

II- NO GABINETE DO MINISTRO
“- O senhor quer ser diretor do Serviço Geológico da Bruzundanga?- Perguntou o ministro.
              - Quero, excelência.
              - Onde estudou geologia?
              - Nunca estudei, mas sei o que é vulcão.
              - Que é?
              - Chama-se vulcão a montanha que, de uma abertura, em geral no cimo, jorra turbilhões de fogo e substâncias em fusão.
              - Bem. O senhor será nomeado.
                                               ***
Pâncome, quando se deu uma vaga de amanuense na sua Secretaria de Estado, de acordo com o seu critério não abriu concurso, como era de lei, e esperou o acaso para preenchê-la convenientemente.
               Houve um rapaz que, julgando que o poderoso Visconde queria um amanuense chic e lindo, supondo-se ser tudo isso, requereu o lugar, juntando os seus retratos, tanto de perfil como de frente. Pancôme fê-lo vir à sua presença. Olhou o rapaz e disse:
                - Sabe sorrir?
                - Sei, Excelentíssimo Senhor Ministro.
                - Então mostre.
Pancôme ficou contente e indagou ainda:
               - Sabe cumprimentar?
               - Sei, Senhor Visconde.
             - Então, cumprimente ali o Major Marmeleiro.
                Este major era o seu secretário e estava sentado, em outra mesa, ao lado da do ministro, todo ele embrulhado em uma vasta sobrecasaca.
                O rapaz não se fez de rogado e cumprimentou o major com todos os “ff” e “rr” diplomáticos.
                O visconde ficou contente e perguntou ainda:
                - Sabe dançar?
                - Sei, Excelentíssimo Senhor Visconde.
                - Dance.
               - Sem música?
               O visconde não se atrapalhou. Determinou ao secretário:
               - Marmeleiro, ensaia aí uma valsa.
               - Só sei Morrer sonhando (exemplo).
               - Serve.
               O candidato dançou às mil maravilhas e o visconde não escondia o grande contentamento de que sua alma exuberava.
                Indagou afinal:
               - Sabe escrever com desembaraço?
              - Ainda não, doutor.
              - Não faz mal. O essencial o senhor sabe. O resto o senhor aprenderá com os outros.
              E foi nomeado, para bem documentar, aos olhos dos estranhos, a beleza dos homens da Bruzundanga.” (Idem, págs. 144 e 145)

III- A NOBREZA NA BRUZUNDANGA
 “(...)
           As moças ricas não podem compreender o casamento senão com o doutor; e as pobres, quando alcançam um matrimônio dessa natureza, enchem de orgulho a família toda, os colaterais, e os afins. Não é raro ouvir alguém dizer com todo o orgulho:
            - Minha prima está casada com o doutor Bacabau.
            Ele se julga também um pouco doutor. (...)
            A formatura é dispendiosa e demorada, de modo que os pobres, inteiramente pobres, isto é, sem fortuna e relações, poucas vezes podem alcançá-la.
            Coisa curiosa! O que mete medo aos candidatos à nobreza doutoral não são os exames da escola superior; são os exames preliminares, aqueles das matrículas que constituem o nosso curso secundário...
            Em geral, apesar de serem lentos e demorados, os cursos são medíocres e não constituem para os aspirantes senão uma vigília de armas para serem armados cavaleiros.
            O título – doutor - anteposto ao nome, tem na Bruzundanga o efeito do – dom – em terras de Espanha. Mesmo no Exército, ele soa em todo o seu prestígio nobiliárquico. (...)
            (...)
            O nobre doutor tem prisão especial, mesmo se tratando dos mais repugnantes crimes. Ele não pode ser preso como qualquer do povo. Os regulamentos rezam isto, apesar da Constituição, etc., etc.
            Tendo crescido imensamente o número de doutores, eles, os seus pais, sogros, etc., trataram de reservar o maior número de lugares do Estado para eles. Capciosamente, os regulamentos da Bruzundanga vão conseguindo esse desideratum.
             (...)”  (Ibidem, pág. 33 e 34)  

IV- AS ELEIÇÕES
     “(...)
     Julgavam os chefes e capatazes políticos que apurar os votos dos seus concidadãos era anarquizar a instituição e provocar um trabalho infernal na apuração, porquanto cada qual votaria em um nome, visto que, em geral, os eleitores têm a tendência de votar em conhecidos ou amigos. Cada cabeça, cada sentença; e, para obviar os inconvenientes de semelhante fato, os mesários da Bruzundanga lavraram as atas conforme entendiam e davam votações aos candidatos, conforme queriam.
     (...)” (Pág. 92)


FOTOS






segunda-feira, 17 de julho de 2017

DOIS POEMAS DE VICENTE ALENCAR




AO LONGE


Um sino é ouvido 
ao longe.
Uma prece é lembrada 
dentro do tempo.
Mãos se elevam juntas
em oração.
Há um pedido,
há uma verdade.
São corações
que se unem,
se encontram.
Um sino é ouvido
ao longe,
e uma
mensagem de saudade
torna-se ainda
mais presente.


LIBERDADE


A liberdade de criar
pertence ao coração.

Ele chama, conversa,
dita o que quer
e o que deseja.

Todo o seu corpo 
atende ao chamado.

Ali, naquele momento,
é apenas um ser
que ama.

Nada impedirá
seus pensamentos,
sua paixão,
o seu conforto de querer.

A liberdade de criar
faz seu coração dizer
tudo o que quer.

E você se encanta
e até se espanta
com tanto amor.

(Do Livro: Poesias entrando pela noite)

sexta-feira, 23 de junho de 2017

GUTEMBERG ANDRADE, SÓCIO DA AJEB-CE, LANÇA LIVRO.




22 de junho. Casa de Juvenal Galeno e o lançamento do livro A perna invejosa, do cordelista Gutemberg Andrade.
Nossos agradecimentos a todos que compareceram a esse evento literário e a Eliane Santos, Francinete Azevedo, Rejane Costa Barros, Ana Nascimento, Leudo Santana, Arlene Portelada, Rouxinol do Rinaré e Antônio Galeno, que participaram da programação literária desse lançamento.
A pena invejosa é mais um trabalho da Luazul Edições.
A capa do livro é de João Pedro do Juazeiro.
Silas Falcão

CONFIRA FOTOS
A AJEB-CE saúda o casal Gutemberg e Argentina.











sábado, 10 de junho de 2017

REJANE COSTA BARROS É EMPOSSADA NA ALACE


Momento da Posse de Rejane Costa Barros na ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DO CEARÁ. - ALACE, hoje, 10 de junho de 2017, na Casa de Juvenal Galeno. Certamente, a ALACE enriqueceu seu quadro acadêmico, uma vez que Rejane Costa Barros, além de ser um nome já firmado na literatura cearense, é uma pessoa que não quer apenas o título, quer trabalhar pela entidade. Parabéns, Rejane. A AJEB-CE te abraça!


Vejamos algumas fotos 













DISCURSO DE POSSE

Senhor Presidente,
Acadêmicos da ALACE,
Senhores e senhoras

Dizia o poeta Filgueiras Lima que as Academias, além de serem Institutos de exercícios literários, têm um compromisso social de marcante importância: cabe-lhes acender ideias de elevação mental na alma do povo e aprimorar os recursos da língua nacional, assegurando-lhe o resguardo dos modos e formas expressionais da melhor beleza idiomática e de respeito aos elementos de sua formação.
Tem o Ceará uma trajetória de amor às agremiações culturais. Muitas foram as que se formaram ao longo de nossa história, algumas de forma marcante, como a original PADARIA ESPIRITUAL, fundada em 1892 pelos jovens boêmios que frequentavam o Café Java na Praça do Ferreira, sob a generosa complacência do Mané Coco, jocosa figura de botiquineiro.
Em 1894 era fundada a Academia Cearense de Letras, porventura, a mais antiga do Brasil, pois antecedeu em três anos a própria Academia Brasileira de Letras.
Outras Associações e Grupos literários já haviam recrutado os amigos das letras, como a Academia Francesa, em 1873, o Grêmio Literário, em 1855, e o Instituto do Ceará, em 1887 (este ainda hoje em pleno vigor produtivo e reconhecido como Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico).
Nesses redutos de embate de ideias e manifestação estética, surgiram nomes que haveriam de engrandecer as letras cearenses e romper as fronteiras da Província para brilhar à ampla e larga admiração nacional. Nomes como o de Antônio Sales, Adolfo Caminha, Rodolfo Teófilo, Rocha Lima, Juvenal Galeno, Farias Brito, Araripe Júnior e Clóvis Beviláqua.
Somos uma terra de produtores de literatura. De poetas e prosadores de qualidade superior, muitos assinalados em definitivo nas páginas permanentes da imortalidade, como colunas sólidas da história literária do país. Desses anais perpétuos jamais sairão José de Alencar, Franklin Távora, Domingos Olímpio, José Albano, Gustavo Barroso, Herman Lima, Raimundo Magalhães Júnior e Rachel de Queiroz.
Parece que temos no Ceará uma inquietação para dizer, pelos misteriosos caminhos do encanto, os sentimentos e as emoções que nos possuem, o acicate da dor e o fogo da paixão, o plasma do delírio e o patinar obscuro do lodo, o mel e o fel de nosso jeito severino de encarar a vida.
Como em todos os ofícios da atividade humana, o escritor tem um compromisso com a sociedade e com a História.
Mas cabe aos que escrevem uma função maior. É que o escritor faz a leitura da vida, capta os retratos da época, interpreta a natureza humana, reflete em sua criação o pensamento, as ideias e as atitudes de seu tempo, expressando-os através da crônica, do ensaio, da poesia e até da ficção, que sempre se apoia na realidade e reproduz situações concretas.
Instrumento, portanto, da História, o escritor é elemento imprescindível para a memória da Humanidade. Sem a sua atuação, não teríamos a Bíblia, o Livro dos Vedas, o Alcorão, a Odisseia, a Divina Comédia e Os Lusíadas.
Nem saberíamos das façanhas de Carlos Magno e dos Doze Pares de França. Nem das proezas de João Grilo ou da peleja de Zé Pretinho com o Cego Aderaldo, pelo viés da literatura de cordel. Congregar esses seres iluminados que trabalham sobre a magia das palavras e, como deuses, criam mundos e constroem vidas, é uma missão também quase divina.
Por isso, aplaudimos a existência das Academias.
Afirmou certa vez o Professor Andrade Furtado que a vocação literária e artística é uma dignidade que devemos aceitar, humildemente, como dom gratuito de Deus e exercê-la como um sacerdócio. A Academia é uma forja de ideias. Aqui se emite e se molda o pensamento, dando-lhe a feição e o aspecto que compraz ao seu emissor, sem prejuízo para os desdobramentos que os demais confrades nele possam realizar. Como o ferro que, na bigorna, ao toque do malho, pode ser transformado num acicate ou numa lâmina agrícola, na espora que excita ao galope ou na enxada que abre a cova para a semeadura.
Hoje, não há como negar a emoção que vivo ao retornar para a ALACE – Academia de Letras e Artes do Ceará. Sabemos que essa Instituição literária nasceu sob uma forte inspiração e permanece nas fileiras entre as organizações que praticam a resistência heroica em defesa das tradições culturais de nosso Ceará.
Idealizada pelos escritores Reginaldo Vasconcelos de Athayde, que hoje habita outro universo e Eliane Arruda, a ALACE tem bagagem suficiente para inscrever e deixar marcada para sempre a sua marca na história literária de nosso Estado.
A estrada é nossa pátria, porque é dela, da faina operosa dos dias, entre pedras e flores, que miramos o horizonte. Aqui, em outras épocas participei de vários acontecimentos e muitas conquistas e agora, estou pronta a percorrer esse novo território e palmilhar os ínvios caminhos para descobrir o prazer nessa caminhada cultural.
Tenho nesse momento, a alma alvoroçada e o coração em festa.
Pulsa-me o sentimento verdadeiro de alegria e do mesmo quilate daquela primeira vez em que cruzei os umbrais desta casa, a Casa de Juvenal Galeno. Naquele dia, ao pisar este solo, senti claramente que atravessava a fronteira luminosa para o planeta da literatura. Recebida pelo Diretor desta Casa, o querido amigo Dr. Alberto Santiago Galeno, historiador de nossos costumes e primoroso contista, fui inserindo a minha história e misturando-a às que aqui são vividas continuamente. Nos sentimos entre irmãos, gente que tem afeto para compartilhar. Desde aquele dia não me enganei: a Casa de Juvenal Galeno cumpre há mais de oito décadas, e com grande êxito, o desiderato fascinante de congregar, estimular e irmanar os intelectuais cearenses num ambiente de elevado sentimento e proveitosa convivência.
Há nesse mundo os que lutam pelo sucesso pessoal e se esforçam para atingir um patamar de conforto e dignidade para si e para a sua família, o que é justo, compreensível e natural. Mas, há também, os que, movidos por uma força interior e por serem portadores de um grande sentimento, pensam além da prosperidade individual e endereçam o seu trabalho, sua inteligência e suas energias para o progresso coletivo, visando o desenvolvimento econômico e social de sua comunidade.
Chega o momento da gratidão, e portanto, agradeço ao Presidente da ALACE, acadêmico José Odmar de Lima, que gentilmente, recebeu a proposta desse retorno, analisou-a, acatou-a e aceitou-a, apostando que é para o bem da Academia.
De minha parte, digo-lhe, que farei tudo o que estiver ao meu alcance para elevar o nome de nossa Academia e doar meus conhecimentos para que tudo esteja sempre em plena harmonia e poder compartilhar com meus pares, de suas inteligências e aprender com vocês, a caminhar pelo vale dourado da felicidade. Agradeço a acadêmica Socorro Cavalcanti, minha madrinha nesse retorno, por todo o esforço que empreendeu para que eu aqui estivesse novamente. Ela não sossegou no sentido de resgatar essa parceria, que sempre foi tão profícua. Também agradeço as acadêmicas Lucia Recamonde e Argentina Andrade que estiveram presentes nessa empreitada, torcendo para que fosse exitosa. Há um agradecimento todo especial, para a amiga querida Joana Paiva Recamonde. Essa mulher que aos 90 anos, se inscreve entre os idealistas do fortalecimento humano. Eu, em particular, agradeço sempre a Deus, por ter permitido que o destino cruzasse a minha vida à dela e nos tornado amigas. Mulher que acompanha a evolução do mundo, vive circundada pela modernidade, sabe ter o sorriso na hora certa e a palavra segura, quando necessário, mas sem perder a ternura, jamais. Sua vida é assim, sem mistério ou disfarces, desfraldada como uma bandeira, sugerindo esperanças e convidando-nos para acompanhá-la.
É amante da boa música, da comida caseira e das histórias de boca da noite. Tem fé, muita fé. Tem construído sua história de vida pautada na competência e determinação. Hoje, ela passa a outra categoria nessa Academia e eu passo a ocupar a cadeira 28, onde ela se assentou por tantas ocasiões, cujo Patrono é o imenso artista plástico Francisco Domingos da Silva, o Chico da Silva. Obrigada, Joaninha!
A vida e a obra de Chico da Silva são das mais intrigantes da história da arte brasileira. Nascido no Acre em 1923, veio para Fortaleza aos 10 anos e aqui residiu no bairro Pirambu, um dos bairros mais pobres da cidade, até morrer. Descoberto por Jean Pierre Chabloz, tornou-se um dos maiores pintores desse país e conhecido também internacionalmente. Muitos percalços e mazelas o envolveram e Chico, tomado pelo vício do álcool, algumas vezes, negligenciou sua arte, mas sua genialidade superou tudo isso. E o que nos orgulha nesse imenso artista, é o talento e seu nome que imortalizou-se na história da arte mundial.
Nunca olhemos o tempo como coisa comum, assim só envelheceremos mais depressa e passaremos pela vida sem viver de fato. Lembrem-se mulheres, que não precisamos ir para a guerra nem fazer a apologia da violência para entrar na História. Deixemos nossos nomes escritos e marcados nessa terra por nossos feitos, nossas condutas, nossos bons exemplos.
Essa é uma tarde de congraçamento, alegria e reconhecimento. Louvemos por essa tarde mágica de encantamento, plena de gratidão.
E cada ser humano, como definiu Sócrates, é como se fosse um todo único, um universo singular tão interessante quanto surpreendente, um campo em que se podem plantar sementes promissoras ou alinhar os tijolos de uma nova construção. Ousadia é o que melhor define a atitude do povo cearense! Somos uma gente destemida, uma raça de audazes, pois, como mostra a História, o Ceará não possui a reticência dos parvos, não contorna os desafios, nem teme os confrontos. Sempre achamos um caminho para a meta do horizonte desejado e, se o caminho não existe, nós o inventamos e pelo novo rumo pomos em marcha a nossa criatividade, o nosso talento e essa garra indômita de conquistadores. As fronteiras de nossa ousadia são, sem dúvida, infinitas.
Somos um povo que não pode esperar, nem a ponderação retórica, nem o adiamento acomodador.
Lembro nesse momento de Nélson Mandela, o Dragão do Mar da África, que sem escrever poesias, foi um poeta militante, na solidão da masmorra, na escuridão do cárcere, repetia sempre um mantra: Não importa quão estreito o portão / quão repleta de castigo a sentença / eu sou o senhor de meu destino / eu sou o capitão de minha alma. Mandela carregava na sua jangada existencial a lanterna da poesia.
Poeta é aquele que, em qualquer barco de sonho, ultrapassa as ondas da superfície e alcança o espaço tranquilo das águas profundas do oceano da vida.
Somos todos herdeiros da vocação criadora de Deus e nossa missão é construir.
Há os que constroem obeliscos e monumentos ciclópicos, os que constroem a guerra e a dor e vivem de produzir o medo e a desolação. Nós, porta-vozes da inspiração e do grande sentimento, produzimos policromias e construímos sobre o amor. Vivemos de provocar a beleza e sugerir a felicidade. Nosso edifício não é feito de pedra e argamassa sujeito à voragem do tempo e à aspereza material: nossas construções se montam sobre as estruturas azuis e permanentes da poesia, a mesma que fundou as canções de saudade, os sonhos mais puros e a fé vertical. Trabalhamos sobre a face apaixonada do mistério e das evocações transcendentes. Ultrapassamos a pedra, o abismo, a queda. Acendemos os sinais da vida e negamos a morte.
A Academia é a imortalidade, a espiritual sobrevivência da arte e da cultura. Saibamos transitar nesse universo literário com leveza, sabedoria, consciência de nosso papel e acima de tudo, com a certeza que tudo isso é efêmero e a simplicidade deve ser o sentimento mais atuante entre todos nós.
Muito obrigada a vocês, todos, por esse doce acolhimento!
Rejane Costa Barros
Cadeira 28
10/06/2017

quinta-feira, 8 de junho de 2017

REUNIÃO DA AJEB-CE, DE 16 DE MAIO DE 2017



A AJEB-CE realizou sua sessão ordinária, como de costume, no auditório da Academia Cearense de Letras. Foi uma manhã cultural, de cuja pauta constaram: Homenagem às mães ajebianas; homenagem póstuma à inesquecível Geraldina Amaral; palestra de Feranda Quinderé, presidente da Academia Fortalezense de Letras; e lançamento do livro infantil da ajebiana, Elinalva Oliveira, intitulado "O corajoso menino torna-se príncipe na Cidade Luz".

Após a sessão, foi servido aos participantes um apetitoso lanche.


HOMENAGEM PÓSTUMA À GERALDINA AMARAL


A presidente da AJEB-CE, Gizela Nunes da Costa, ocupou a tribuna e fez sua oração, exaltando a personalidade, o trabalho e a competência de nossa inesquecível colega. Leia a seguir:



GERALDINA AMARAL

                 
          Maria Geraldina Alves do Amaral nasceu em Caucaia-CE, no dia 2 de fevereiro de 1925. Filha do empresário Jerônimo Xavier do Amaral e Francisca Alves do Amaral. Os seus primeiros estudos foram feitos no Grupo Escolar Branca Carneiro de Mendonça, em Caucaia. A seguir, foi para o Colégio da Imaculada Conceição em Fortaleza, onde concluiu os cursos ginasial e normal. Ingressou, mediante vestibular, na Faculdade Católica de Filosofia do Ceará – UECE, onde se formou em Letras Neolatinas. Ensinou nos Colégios Estaduais Justiniano de Serpa e Liceu do Ceará, ministrando aulas de Francês. O seu magistério também se fez presente nos Colégios Lourenço Filho, São José, São João e Municipal Filgueiras Lima, dando aulas de Português, Francês, Latim, Inglês, Espanhol e Organização Social e Política do Brasil. Pertenceu ao Curso de Cultura Hispânica da Universidade Federal do Ceará, à época de sua fundação, dando aulas de Espanhol. Em 1948, passou a integrar, como jornalista, os Diários Associados. Em 1995, foi convidada para ser assessora de Judith Sendy, autora da coluna “Em Sociedade”. Nascia em Fortaleza o colunismo social sob as bênçãos do Dr. João de Medeiros Calmon, titular dos Diários Associados em Fortaleza. Na época o colunismo social era caracterizado pelo diletantismo e que, mais tarde, evoluiu para o jornal/empresa.
          Do colunismo e dos Diários Associados migrou para o campo empresarial. Exercia o comércio de confecções e artesanatos, onde designou um lugar especial para a literatura de cordel.
          Geraldina gosta de ler, viajar e colecionar corujas artesanais. Madri, New York e Paris são as suas cidades preferidas. É uma estudiosa da vida literária de Madrid, da 5ª Avenida, do Central Park e, sobretudo, da vida noturna de Greenwich Village em New York. Em Paris, era uma pesquisadora da famosa “geração perdida” e de tudo que se referisse a Marcel Proust, autor da obra Em busca do tempo perdido. Em termos de sétima arte, aprecia o cineasta Woody Allen. Destaca a irreverência do cantor e compositor Cazuza. Detesta pessoas de mau-caráter e perfumes fortes.
          Na vida literária, é sócia fundadora da Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno. Ocupa a cadeira nº 6, cuja Patrona é Ana Facó. Colabora com a Revista Jangada da citada Ala desde a sua fundação, sendo a jornalista responsável pela edição da Revista. Por ocasião da defesa de sua Patrona (Ana Facó), afirmou:
          “Nós da Ala Feminina, além de tomarmos sob o nosso cuidado representar a mulher cearense no setor das atividades intelectuais da nossa terra, também nos propomos fazer lembradas aquelas inteligências femininas que, por um ou outro motivo, permanecem sem o culto merecido do seu nome, sem a glorificação que lhes é devida em reconhecimento pelo que tenham feito em favor do nome da mulher cearense, e progresso e felicidade do Brasil”.
          E, no parecer exarado em 23 de dezembro de 1947, pela Comissão formada por Boanerges Facó, Luiz Sucupira e Alba Valdez, sobre o trabalho realizado por Geraldina Amaral, consta:
          “Geraldina leu cuidadosamente a obra de Ana Facó, descobriu-lhe as facetas mais notáveis, compreendeu-lhe a psicologia e penetrou-lhe o íntimo do espírito”.
          E, mais adiante prossegue:
          “É um estudo de fôlego, muito aproximado da realidade e falou, com bastante precisão, quando a chamou de Anjo da Guarda da família”.
          O parecer conclusivo foi assim expresso: “Em face do exposto, o estudo de Geraldina Amaral foi considerado bom e digno de ser lido na Casa de Juvenal Galeno”. Assim, Geraldina Amaral, após a defesa de seu trabalho, foi considerada sócia efetiva da Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno.
          No papel de tradutora, fazia parte dos tradutores públicos do Ceará. E, no seu mister, foi internacionalmente premiada pela versão para o Espanhol da peça “Os Deserdados”, de Eduardo Campos.
          Na “Revista Jangada”, além de jornalista responsável, publicou poemas, entrevistas, crítica literária, artigos sobre poetas como, por exemplo, Dinorá Tomás Ramos, saudações a Joracy Camargo, Heckel Tavares e Edson Castilho e “Proseando na Jangada”.
          Além de sócia acadêmica da Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno, da AJEB – Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil Coordenadoria do Ceará e Associação Cearense de Imprensa, fez parte da Diretoria Executiva Nacional da AJEB, como Diretora do Departamento de Divulgação e Relações Públicas.
          Por outro lado, participou dos seguintes livros:
         
          1971-Mulheres do Brasil
          1979-O Livro da Ajebiana
          1980-Ajebianas do Paraná e do Brasil
          1999-Policromias

          Atualmente, é redatora do Jornal Metropolitano de Caucaia.
          A escritora Francinete Azevedo relatando na Revista Jangada traçou, desta forma, o perfil de Geraldina Amaral:
          “A nossa homenagem e o nosso preito de gratidão a essa mulher admirável, escritora, jornalista, cujo profissionalismo exemplar é realçado pelo talento e pela competência, qualidades que lhe dignificam o caráter”.
          O seu labor cotidiano, prudente e harmônico, aliado à competência, resultaram no convite para ser assessora de imprensa da senhora Marieta Cals, esposa do então Governador César Cals,
          Geraldina Amaral, durante dois anos, assinou uma coluna nos Diários Associados denominada “Coisas da Vida e da Morte”. Na maioria, a produção literária explora a obra de Proust, sobretudo, a contida em “Sodoma e Gomorra”. Aplica às pessoas e aos ambientes a atmosfera Proustiana. Desfilam em seus escritos a vida mundana de GALOUIS, as temporadas festivas em BALBEC e a figura inesquecível da senhora Cambremer.
          Geraldina Amaral é aposentada do serviço público estadual e das atividades empresariais. Reside em Caucaia, sua terra natal, expressando o eterno retorno do ser humano às suas origens.

Gizela Nunes da Costa


A ajebiana, Francinete Azevedo, Também, realçou as qualidades da jornalista Geraldina Amaral:

             GERALDINA   AMARAL  - Um Nome
       Referencial Literário e Jornalístico na “Terra da Luz”.

Maria Geraldina Alves do Amaral, cearense, de Caucaia, era Sócia Fundadora e Efetiva da Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno, ocupante da Cadeira de número seis, patroneada pela saudosa escritora Ana Facó, e desde então, notórios foram seu empenho, interesse, colaboração em divulgar o talento feminino ali refulgente, objetivando a projeção do Silogeu no universo cultural alencarino.
Quando inquirida sobre “O que é a Casa de Juvenal Galeno?”, ela assim se expressou: “Ali naquela Casa de sublimes heranças culturais, sob o patrocínio do Mestre da Poesia Cearense e dirigida pelo patriotismo da Doutora Henriqueta Galeno, reúnem-se espíritos jovens e espíritos amadurecidos nas lides intelectuais, principiantes e contumazes no caminho das letras, amantes diversos dos trabalhos superiores do intelecto. Instituição igual a Casa de Juvenal Galeno de poucas temos conhecimento com tal ardor e solicitude na difusão e amparo às Ciências e às Artes em geral, mormente à Literatura”.
Geraldina Amaral, na sua simplicidade admirável, detinha uma vasta cultura, perceptível na composição de seus artigos literários, ressaltando-lhe o estilo claro, conciso.
Colaborou na Ala Feminina com a Revista Jangada, desde sua criação. Era jornalista responsável pela circulação da revista. Respondia pelas “Sessões Permanentes” – no que se referia à Educação e Ensino, além da coluna “Proseando na Jangada” (entrevistas). Ao lado da também escritora Giselda Medeiros, Geraldina celebrou os cinquenta anos  de circulação da Revista, uma publicação inédita, na qual prosa e poesia encantava leitores de todas as idades.
Formada pela Faculdade Católica de Filosofia do Ceará, hoje UECE, lecionou durante vinte e cinco anos em diversos colégios da capital, ministrando aulas de inglês, espanhol, francês. Lecionou espanhol no Centro de Cultura Hispânica, tendo passado seis meses na Espanha, ou seja, Madri, aperfeiçoando-se na língua e cultura daquele país.
Colunista Social de grande expressão atuou durante muito tempo nos Diários Associados, em conceituados jornais de Fortaleza. Foi Assessora de Imprensa da Senhora, Drª Marieta Cals, esposa do ex-governador Dr. César Cals. Foi responsável pelas páginas Social, Cultural, Esportiva  e Editorial do Jornal Metropolitano de Caucaia.
Confessou-nos, na época, que estava a escrever um livro sobre aquele município, Caucaia, sua terra natal.
Sua veia jornalística já se fazia marcante em suas atividades, ainda estudante no Colégio Imaculada Conceição. Convidada pelo Dr. Luís Sucupira escreveu para o jornal “O Nordeste”. O seu interesse pela comunicação permitiu-nos considerá-la um ícone no mister de decantar o social, “o society” com apurado requinte.
Geraldina Amaral parecia não se importar com a passagem célere do tempo, até quando lhe foi permitido escrever, assumiu compromissos, esteve atuante, parecendo-nos ter adotado o pensamento otimista de sua patrona na Ala Feminina, a escritora Ana Facó, que dizia: “Não esmorecer nunca, ainda que nos falte a luz dos olhos.”  
E assim procedia Geraldina Amaral que, na sua modéstia, extremamente cativante, era sincera em suas atitudes, benevolente com os que prezavam de seu convívio, de sua amizade.
A nossa homenagem e o nosso preito de gratidão a esse ser humano admirável, a escritora, a jornalista, Geraldina Amaral, cujo profissionalismo foi distinto pelo talento e pela competência, qualidades nobilitantes de seu caráter.
O nosso “muito obrigado” a você, Geraldina Amaral, pelo zelo sem limites, na conservação da amizade sem a predominância de preconceitos racial e social.
Senhores:
Uma nova estrela cintila no firmamento!

                                                                    Francinete  Azevedo
                      da Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno,
           AJEB, AFELCE, ALMECE, ACERE, UBT, AAFROCEl. 


Após as homenagens, o médico, Dr. Murilo Amaral, irmão de Geraldina Amaral, em nome da Família e dos familiares presentes à sessão, pronunciou seus agradecimentos, profundamente emocionado.  



PALESTRA DE FERNANDA QUINDERÈ

A seguir, fez uso da tribuna, a atriz, poeta, presidente da Academia Fortalezense de Letras, Fernanda Quinderé, que pronunciou agradabilíssima palestra sobre a sua convivência artística com Paurillo Barroso. A plateia, que se mantivera atenta durante toda a exposição, aplaudiu, agradecida.




LANÇAMENTO DO LIVRO DE ELINALVA

Dando prosseguimento, passou-se ao lançamento do livro da ajebiana, Elinalva Oliveira.
A apresentadora foi a professora Itelvina Marly. Vamos ler:


Fortaleza, 16 de maio de 2017.
Apresentação do livro: O corajoso menino torna-se príncipe na Cidade Luz
Autora: Elinalva Alves.
Associação de Jornalistas e escritoras do Brasil- AJEB-CE.

Bom dia,
É um prazer estar aqui, não só pelo convívio em meio seleto, festivo, fraterno, mas para apresentar mais um trabalho da escritora Elinalva Alves. Depois da biografia romanceada de Louis Braille, em “Aconteceu em Paris”, acontece agora em Fortaleza, “O corajoso menino torna-se príncipe na Cidade Luz”.

É o mesmo Louis Braille mais infantil, que vai oferecer às crianças a oportunidade de conhecer a genialidade, a inventividade, o alcance social, para quem enxerga e para quem não enxerga, um marco histórico na educação de deficientes visuais.

Este mesmo Louis Braille, pleno de altruísmo, generosidade e doação está ao alcance das crianças! A autora já é bastante conceituada no meio literário em outros temas e mais com a segunda referência resultante da sua formação acadêmica em História e Educação Especial Inclusiva.

Mostrando-se sensível, profunda conhecedora do tema, com aguçado senso de oportunidade, de humanidade e historicidade, Elinalva faz acontecer em Fortaleza um momento relevante, para a divulgação do nome de personalidade tão ilustre, ela com delicada emoção proporciona de forma literária um conteúdo informativo, educativo, edificante.

Vamos espalhar a notícia, olhar o texto que também contém lindas ilustrações, vamos parabenizar, elogiar, valorizar, louvar a ideia, a iniciativa.

Parabéns à AJEB que tão bem acolhe a autora entre tantas outras. Agradeço a delicadeza do convite, a confiança da Elinalva renovando o merecido elogio, ofereço flores à Elinalva, extensivas à AJEB.

Obrigada
Itelvina Marly









 A Autora, Elinalva Oliveira, muito festejada pelos colegas, amigos e convidados, externou seus agradecimentos, com muita alegria e bastante emocionada. Parabéns, Elinalva!