DIRETORIA AJEB-CE - 2016-2018

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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

CINEMA E LITERATURA : ARTES QUE SEDUZEM - por Evan Bessa

                             
       

Hoje, vamos tentar falar sobre Cinema e Literatura, partindo do princípio de que não iremos aprofundar e nem esgotar o tema, visto a dimensão que representam, mas apenas pontuar alguns aspectos importantes das duas artes que tanto seduzem seus admiradores.

Segundo o dicionário Aurélio, a arte de um modo geral é a capacidade que tem o homem de pôr em prática uma ideia, valendo-se da faculdade de dominar a matéria. Atividade de espírito quase sempre, de caráter estético, mas carregada de vivências íntimas e profundas, podendo suscitar em outrem o desejo de renovar uma obra de arte. A capacidade criadora do artista de expressar ou transmitir sensações e sentimentos. Com essa introdução, diríamos que a literatura e cinema são artes universais. A primeira, expressão artística que remonta há muitos séculos, enquanto o cinema surge no final do século XIX e esteve sempre ligado à Literatura através de adaptações de obras, demonstrando assim, que se complementam.

Podemos considerar a Literatura como um conjunto de saberes envolvido na produção escrita de uma época ou de um país. A escrita apareceu bem antes. O texto artístico está quase sempre carregado de metáforas para provocar reações emocionais nos receptores. Os primeiros textos se expandiram na forma oral, por muitos séculos, antes de serem escritos em papiros. A forma literária mais antiga é a poesia – Como a Ilíada de Homero.  O cinema por sua vez tem origem como os irmãos Lumière em Paris no ano de 1895. O Cinema, então, evolui mais rapidamente por conta das estruturas narrativas existentes, sendo relevantes para a elaboração da linguagem cinematográfica. De início, contada através de imagens, posteriormente em imagens em movimento.

Estudo comparado entre essas duas expressões artísticas comprovam a grande contribuição que uma arte traz a outra. Para o crítico literário João Batista Brito, do ponto de vista da interdisciplinaridade é interessante observar a verbalidade da literatura pelo viés do cinema e a iconicidade do cinema pelo viés da literatura. A literatura trabalha com a palavra escrita, com a narrativa, como recurso de elaboração. O cinema parte da imagem em movimento para introduzir palavras, diálogos de personagens ou, às vezes, a narrativa nele presente, incluindo demais artifícios, seja som, música ambiente, dentre outros. Podíamos afirmar que tanto uma, como a outra são imprescindíveis na propagação da cultura e para a criatividade humana.
Tanto o cinema como a literatura se alimentam, mutuamente, em termos de influência nas adaptações. O cinema aproveita da literatura a tarefa de contar histórias com algumas diferenças, no tocante a sentimentos e os transforma em imagens na mente do homem. O cineasta nem sempre pode ser fiel à obra original porque não pode representar visualmente significados verbais e, em função, da imagem conceitual que a leitura faz nascer no espírito, é diferente da imagem fílmica. O romance narra o mundo, o filme nos coloca diante do mundo de acordo com uma continuidade e contiguidade. A linguagem do cinema representa de forma direta e física os objetos da realidade a que se liga ao padrão oral de significação. Tal qual a Língua o cinema é abstração, um objeto de estudo que se concretiza a partir de um código, de uma gramática e de um pacto social, o cinema não existiria sem o filme. Sua linguagem é vista e ouvida no momento que acontece. Não pode usufruir da metáfora como a Literatura. Os cineastas se utilizam das figuras, tais como: anáfora e da repetição. Daí poder se dizer que as duas artes são convergentes, mas em circunstâncias distintas. Bergman e Fellini cineastas famosos defendiam que o cinema não tinha nada a ver com a literatura.  Por outro lado, Andrés Bello, filólogo e ensaísta venezuelano, afirma que 2/3 dos longas de Hollywood são adaptações produzidas a partir da narrativa – ambos são da mesma matéria. Todo texto se constitui um diálogo intertextual, podendo assim, uma obra originar outras obras por meio de um olhar diferente.

Podemos apontar alguns exemplos de adaptações literárias para o cinema: Laranja Mecânica; 2001- Uma Odisseia no Espaço; Ben-Hur; D. Casmurro; O Guarani, Vidas Secas, dentre outros. Muitos dizem que filmes baseados em livros são piores que a história original, mas deve-se observar que são formatos e linguagens diferentes. Quando se abandona o meio linguístico e passa para o visual podem ocorrer mais elipses com relação à narrativa e mudança serão inevitáveis. No entanto, enquanto linguagem, suas informações estéticas estarão ligadas por pontos comuns, entre as obras. Embora o cinema seja uma obra autônoma, não perde a essência daquela que foi traduzida (reproduzida). O conteúdo de um filme é constituído de um conjunto de temas que se integram na mensagem global do filme. Para Claude Bremond, semiólogo, francês, o filme só desperta interesse quando suscita reflexão, quando colocarem em ebulição, na representação do grupo, um foco de excitação intelectual, emotiva e imaginária ligada aos desejos não satisfeitos, aos conflitos não resolvidos pelos indivíduos. Por isso não há temática inocente.

Além disso, os cineastas e diretores colocam no seu trabalho, objetivos, crenças, sua estilística e utilizam uma metodologia que mais lhes satisfazem em termos visuais e intimistas.  Diretores internacionais como: Bergman, Hitchcock, Woody Allen, Antonioni, são exemplos claros do que dissemos. Podemos citar o filme adaptado do livro de Edgar Allan Poe, O Corvo, que em face da visão do cineasta, sua criatividade e perfeccionismo foi um fracasso de bilheteria. Por outro lado, Truman Capote teve obra adaptada para o cinema: Bonequinha de Luxo, com Audrey Hepburn, que concorreu a Oscar, no entanto, sua obra-prima foi A Sangue Frio, tendo obtido êxito em ambos. Vejamos outras obras mais conhecidas que se transformaram em filmes: O Mistério da Estrada de Cintra: Eça de Queiros e Ramalho Ortigão; Expresso do Oriente: Agatha Christe; Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago; São Bernardo: Graciliano Ramos; Memórias Póstumas de Brás Cubas: Machado de Assis; Macunaíma: Mário de Andrade. Muitos outros poderíamos incluir nessa relação.

Nessa perspectiva, vemos que as artes Literatura e Cinema atravessaram os séculos, demonstrando possibilidades diferentes de lazer e de informar o grande público, ao mesmo tempo em que, contextualiza época e fatos ocorridos com linguagens específicas. Porque os diretores buscam a fundamentação das histórias na Literatura para transformá-la em linguagem cinematográfica, roteiros, argumentos que serão introduzidos no seu fazer artístico, o que resultou numa imensa indústria cinematográfica, com retorno de milhões e bilhões de dólares. A literatura não deixa de ser à base de toda essa manifestação que se imbrica ao cinema formando o texto e os contextos que evoluem para os autores e espectadores que se sentem seduzidos por artes tão importantes para a humanidade.


BELLO, Andrés – Crítica Literária; BRITO, João Batista De – Literatura e Cinema; BREMOND, Claude – A Lógica das possíveis narrativas.

(Palestra proferida na reunião da AJEB do dia 20 de outubro de 2015, no Náutico Atlético Cearense)

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