DIRETORIA AJEB-CE - 2016-2018

DIRETORIA AJEB-CE - 2016-2018
DIRETORIA ELEITA POR UNANIMIDADE

ATUAL DIRETORIA DA AJEB-CE

DIRETORIA ELEITA POR UNANIMIDADE

CHAPA PAPA FRANCISCO

PRESIDENTE DE HONRA: Giselda de Medeiros Albuquerque

PRESIDENTE: Gizela Nunes da Costa

1ª VICE-PRESIDENTE: Maria Argentina Austregésilo de Andrade

2ª VICE-PRESIDENTE: Elinalva Alves de Oliveira

1ª SECRETÁRIA: Rejane Costa Barros

2ª SECRETÁRIA: Rosa Virgínia Carneiro de Castro

1ª TESOUREIRA: Rita Maria Lopes Guedes Santos

2ª TESOUREIRA: Maria do Socorro Cavalcanti

DIRETORA DE EVENTOS: Maria Nirvanda Medeiros

DIRETORA DE PUBLICAÇÃO: Giselda de Medeiros Albuquerque

CERIMONIALISTA: Francinete de Azevedo Ferreira

CONSELHO

Maria Helena do Amaral Macedo

Zenaide Braga Marçal

Maria Luisa Bomfim

Celina Côrte Pinheiro

Evan Gomes Bessa

quarta-feira, 19 de abril de 2017

LANÇAMENTO DE POLICROMIAS 9 E 47 ANOS DE FUNDAÇÃO DA AJEB


Os 47 anos de fundação da AJEB foram comemorados em alto estilo, dia 18 de abril de 2017, na Academia Cearense de Letras, com o lançamento do número 9 de nosso POLICROMIAS, organizado por Giselda Medeiros e Ana Paula de Medeiros Ribeiro.

A secretária, Rejane Costa Barros, foi convidada a fazer a leitura da ata da sessão anterior, e a fez, como sempre, com muita competência.

A ajebiana Evan Bessa, cronista e poetisa, fez a leitura da biografia da apresentadora do livro.

A Acadêmica, Doutora Graça Roriz Fonteles, da Academia Fortalezense de Letras, pronunciou uma abalizada apresentação do livro (ver texto mais abaixo).

Em agradecimento, pela AJEB-CE e por seus associados, falou a Professora, Doutora Ana Paula de Medeiros Ribeiro, da Academia Cearense da Língua Portuguesa, cujo Presidente, Valdemir Mourão, se encontrava presente, prestigiando o lançamento (ver texto mais abaixo).

Foi uma memorável manhã literária e prazerosa, principalmente, quando, no momento do lanche, todos se confraternizaram em torno da Presidente Gizela Nunes da Costa, em aplauso ao seu profícuo trabalho pela AJEB-CE. 

Agradecemos a todos os participantes do livro que, com seus ensaios, suas biografias, recensões, louvações sobre as valorosas e corajosas mulheres estreantes em nossas letras, enriqueceram o conteúdo de POLICROMIAS 9.

Enfim, agradecemos a presença de todos que contribuíram para a beleza e sucesso do nosso evento. 

APRESENTAÇÃO DO LIVRO

Policromias Ajebianas
Graça Roriz Fonteles

Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea (Gen2.18). Assim, a gênese da dualidade dá seus primeiros passos, e por certo se amainará quando o homem e mulher se fundirem no amor, tornando-se EU-TU com o traço de união (Martin Buber). A prima ideia da criação envolve a sabedoria de Deus e o seu conhecimento na feitura da companheira idônea que o homem carece. Nesse universo a mulher se projeta e enfrenta as adversidades que se lhes apresentam, mas sempre com o olhar de vencedora. Materializa seus sonhos na linguagem essencialmente complexa do feminino, consegue projetá-los a um patamar bem além daquele que a sociedade lhe aufere.

O livro que me proponho a analisar traça percursos das várias faces que a mulher pontifica, sem medo de ser surpreendida pelo inusitado, que ocasionalmente possam vir a impactá-la, obliterando seu devir. Muito pelo contrário, os obstáculos lhe servem de catapulta, para que mediante a sua potencial fragilidade se evidencie uma força capaz de sobrepujá-las. Nesse universo de antagonismos as mulheres aqui decantadas, recebem loas de escritoras da AJEB-CE, como também de seus sócios colaboradores e beneméritos.  

O livro em questão é um bailado de linguagem e letras, no pálio construído pelo olhar que a mulher dispensa sobre o seu cotidiano pleno de querer, saber, questionamentos, sofrimentos, amores, fome da alma, crenças e tudo mais que que a abóbada celeste de seu inconsciente, adsorve e retrabalha em uma dimensão na qual a procissão de seus sonhos gestados, agora migram e se transmutam em imagens materializadas plenas de realizar.

 “A imaginação, com o voo ousado, aspira à princípio a eternidade”... como diz  Goethe. 

Giselda Medeiros traça o mapa de Yolanda Gadelha Theophilo, com maestria descerra o véu da romancista de origem ilustre, e faz a colheita do romance “Os Náufragos”, nesse ramo que floresceu, mostrando a sua aura dentro de uma genética altamente favorável, até porque traz o sangue de José de Alencar, nosso maior romancista. Yolanda, a autora, falece com quase 90 anos e nessa época “contava com doze livros publicados, além de larga fortuna crítica com prestigiados nomes da literatura nacional, a exemplo de Carlos Drummond de Andrade, Josué Montello, dentre outros”.   Giselda encerra sua análise citando a epígrafe do livro: “Escrevo para que me amem”.

Marcelo Gurgel, é a vez do médico-sanitarista, economista e professor universitário, escrever sobre Elsie Studart, mulher multifacetada que marca seus dias com amor e versatilidade de seus escritos.  Literalmente, Elsie usou as suas mãos para ajudar o semelhante no ICC, e o escritor Marcelo Gurgel descreve-a como “pessoa de invejável cultura”, ghost-writer para incontáveis pessoas, das quais raramente recebia emolumentos, muitos dos seus escritos tiveram a autoria transferida a terceiros”. Aqui me reporto aos tempos no século XIII, no qual à mulher não lhe era permitido escrever e somente ensinar apenas às outras mulheres, mas a beguina Marguerite Porete ousa escrever O Espelho das Almas Simples e Aniquiladas. Julgada pela Santa Inquisição como “pro convicta et confessa et pro lapsa in haeresim” (ré-confessa de ter caído em heresia e condenada), finda sendo queimada viva a 10 de junho de 1310 junto com seu livro na Place de Grève em Paris. Kurt Ruh, considera que o Mestre Eckhart, teve acesso a esse livro e que o “Mestre dominicano deu-se conta do extraordinário valor espiritual do livro da beguina francesa” (Raschietti,M.). Marcelo Gurgel realça um ponto da sua magnífica escrita, ao mencionar a homenagem póstuma feita à Elsie Studart.
Maria do Carmo Carvalho Fontenele, escritora que tem seu nome gravado no Dicionário de Mulheres e no Anuário Literário (2011), apresenta Ana Facó como a pioneira na direção do primeiro Grupo Escolar de Fortaleza. Numa linguagem bem articulada faz citação de Dimas Macedo, o qual considera Ana Facó como “injustificadamente esquecida”, mas encerra com a homenagem de seu irmão, Engenheiro Antônio Carlos de Queiroz Facó, com a criação de um Grupo Escolar em Beberibe, sua cidade Natal, que leva seu nome.

Geraldina Amaral, é a homenageada escolhida pela escritora, magistrada e professora Gizela Nunes da Costa. Em seu itinerário, Geraldina Amaral, pelas lentes da escritora Gizela, pavimenta seu caminho no vernáculo e exerce o magistério. Participa da versão embrionária do colunismo social, exerce também a função de tradutora pública. Geraldina vai mais além e traduz a obra de Eduardo Campos “Os Deserdados”, para o espanhol. Como sócia fundadora da Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno, Geraldina, penetra na obra de Ana Facó, patrona da cadeira n06. Atualmente exerce a função de redatora do Jornal Metropolitano de Caucaia.

Henriqueta Galeno, uma mulher e sua história de múltiplas facetas aqui registradas pela escritora Maria Nirvanda Medeiros. Henriqueta, filha do casal Juvenal Galeno e Maria Cabral Galeno, bacharel em Ciências e Letras e Direito. Funda o Salão Juvenal Galeno a 13 de setembro de 1919, ano em que conclui seu curso de Direito. Henriqueta também funda o Curso Monsenhor Tabosa de alfabetização de adultos. Após o falecimento de seu pai em 1931, funda no ano seguinte a Associação Cearense de Imprensa (14 de julho de1932). Representa o Ceará no Encontro da Federação pelo progresso Feminino, no Rio de Janeiro. Sua obra Mulheres Admiráveis é publicada em 1965. É membro da Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno. “Henriqueta trouxe a marca, o sinete, o caráter dessas almas privilegiadas. Os seus gestos, no presente dela, nunca foram impostos, dogmatizados aos contemporâneos” O eu-lírico de Henriqueta perpassa pelo sonhar e desfaz-se em belo poema Alma Deserta, e vivencia as agruras do “cálix negro que o destino lhe ofertou”.

A escritora Francinete Azevedo descreve o desiderato da mulher filha do consagrado poeta Juvenal Galeno, de uma forma lírica e riqueza de metáforas. A vida literária sempre foi sua paixão, assim como os miosótis, o que a levou a arquitetar a Cabana Azul, que era a Academia Juvenal Galeno. “Seu olhar pelo mundo refletia amor, invólucro de sua alma, razão de suas alegrias”.

Maria Evan Gomes Bessa com sentimentos escreve sobre Cândida Galeno, neta de Juvenal Galeno, prima de Rodolfo Teófilo, Capistrano de Abreu e Clovis Beviláqua. Usando da prerrogativa de sua ascendência destaca-se como escritora, colabora com alguns jornais. Cândida Galeno é condecorada com as Medalhas da Cidade de Fortaleza e da Abolição. Seu nome permanece vivo na Casa de Juvenal Galeno.

“Escritora com nome de flor”, com esse título, Eduardo Fontes surpreende, colhe a Margarida dos seus vergéis literários com a destreza de um floricultor e assim chama a atenção pela sua obra. Margarida Saboia de Carvalho, professora e escritora, como consorte do Príncipe dos Poetas do Ceará, Jader de Carvalho, transfere o legado literário a seus filhos.  “Mãe de prole ilustre, no qual avulta, sem demérito para os demais, o jornalista, poeta e senador constituinte, Cid Saboia de Carvalho”. Destaca-se a singela flor como membro da Academia Cearense de Letras.

Elinalva Alves de Oliveira, como historiadora abre um leque de possibilidades como memorialista de Francisca Clotilde, o que faz com denodo. A escolha da ativista do Movimento Abolicionista e protagonista da Sociedade das Senhoras Libertadoras, foi acertada... Francisca Clotilde, exerceu também o magistério e, como mulher de vanguarda, impacta a sociedade com o seu livro “A Divorciada” (1902). Em 1908 funda uma escola mista em Aracati. Além de poetisa, jornalista, dramaturga e romancista, sua efervescência literária fê-la escrever para panfletos, almanaques, revistas, jornais e livros. Foi companheira dos intelectuais: Oliveira Paiva, José Olímpio, Rodolfo Teófilo e Antônio Bezerra.

Fátima Lemos com toda a sua bagagem literária deixa sua marca e privilegia aos seus leitores, ao descrever sobre a grande jornalista Adísia Sá, mulher que ainda hoje, em idade provecta, surpreende seus leitores e engrandece a cultura cearense. “A ética é sua ótica em defesa da justiça e da cidadania”.

Rejane Monteiro Augusto Gonçalves tem seus feitos como historiadora e biógrafa narrados por Maria Linda Lemos Bezerra, escritora, psicóloga, que desfruta de várias cadeiras em muitas Academias de nosso estado. O itinerário acadêmico de Rejane Augusto deu-se no Colégio de Iniciação Agrícola, cujo pai era diretor, em Pereiro, inicia seus conhecimentos cristãos em Colégios católicos. Gradua-se em letras e principia sua escrita literária como memorialista do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará. Prossegue na sua veia de pesquisadora e escreve sobre a sua cidade natal, Lavras da Mangabeira- Um Marco Histórico (1984). Ocupa a cadeira n08 na Academia Lavrense, que tem como Patrono seu pai, Gustavo Augusto Lima.

Risette Cabral Fernandes, deixa suas digitais literárias em vários livros que a escritora Maria Argentina Austregésilo de Andrade descortina para os leitores em sua maneira pura e carregada de emoção. A leitura foi seu primeiro despertar. Seu pai como fundador da primeira livraria de Limoeiro apresentou-a aos livros. Torna-se professora e com intrepidez “encetou movimento de orientação de leitura junto à juventude, como Coordenadora do Movimento dos Clubes de Leitura de Fortaleza”. Seu altruísmo se evidencia em seu trabalho com as jovens do Bom Pastor. Adentra o mundo da literatura, como poetisa e escritora chega a ser Presidente da Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno, em 1971. Exerce também o jornalismo. Milita ainda nas artes e faz seu début nesse campo com o livro A Escola em Festa, “com 73 poemas musicados, com representação didática expressa por meio de quadros gráficos e pintura”. “Orgulho! Desce os olhos dos céus sobre ti mesmo, e vê como os nomes mais poderosos vão se refugiar numa canção”(Byron).

Nádya Brito Gurgel Correia Dutra como romancista, poetisa e professora usa de uma linguagem objetiva e escreve sobre a premiada romancista, poetisa, novelista, contista e artista plástica Ana Miranda. Mulher que foge da associação mais comum e lidera sonhos que buscam suprir uma significância, bem além do cotidiano e das possibilidades ao qual Nádya Gurgel tão bem descreve. A multifacetada obra de Ana Miranda sob as lentes de Nádya Gurgel, deixa o leitor extasiado.

A poetisa, ensaísta e contista Maria Beatriz Rosário de Alcântara ao escrever sobre as irmãs Sampaio cujo título bem elaborado “Um registro e duas irmãs”, é um aguçador de curiosidade do leitor. Duas mulheres anônimas e irmãs, que vivem seus simples dias solitários. Maria e Abigail, donzelas bem-apessoadas e de “muitas letras”. Comenta-se em São Gonçalo que as irmãs Sampaio chegaram a receber correspondência de Eva Peron. Maria, influencia a irmã mais jovem no gosto pela literatura. Ambas integraram clubes literários femininos. Estreiam com o livro Átomos e Centelhas em 1928. E um segundo livro Luar da Pátria. Maria passa a ser consorte do poeta Claro de Andrade Junior, enquanto Abigail viaja pela capital da nação. João Brígido e Artur Eduardo Benevides em suas pesquisas descobrem as irmãs poetisas em periódicos e antologias de autorias das irmãs. Brígido demonstra sua apreciação pelos poemas de Maria Sampaio. Seu poema “O Suicida” é publicado no “Jornal do Ceará” em 23/12/1910. A homenagem póstuma de seus conterrâneos chega em 2008 com a instalação da Escola de Educação Profissional Poetisa Abigail Sampaio, em São Gonçalo do Amarante, na localidade “Parada”.

Rita de Cássia Araújo, nossa querida Ritinha, tem como sua biógrafa a escritora Celma Prata. Como escreve Gisela Nunes da Costa, na orelha de Policromias, “Há neste livro um sopro de energia que passeia por nosso imaginário, envolve o semblante, nos traz alegrias, permitindo muitos momentos de emoções”. E assim Celma Prata descreve a poetisa Rita de Cássia, em seus momentos de emoções, quando a poetisa abre suas gavetas à procura do impossível e desvela o possível que o eu-lírico lhe insta a escrever. O eu-lírico de Rita de Cássia com palavras mágicas qual flechas que desenhadas no cotidiano da poetisa descortina um universo paralelo.

Fideralina de Morais Correia Lima, Sinhá d’Amora, natural de Lavras da Mangabeira, tem o mesmo nome de sua avó e dela herda o espírito de liderança. A escritora Ana Vládia Mourão traça um painel em sua incursão literária, sobre a pintora modernista e daí extrai o sumo de uma mulher precursora da arte que se destaca no cenário nacional e ultrapassa fronteiras. Sinhá d’Amora une-se em matrimônio ao poeta e jurista Raimundo Amora Maciel. Por sua sugestão, o casal muda-se para o Rio de Janeiro, onde estuda na Escola Nacional de Belas Artes e daí seguem para a Itália onde, na Academia de Florença de Belas Artes, aprimora seus estudos. Suas obras são reconhecidas e Sinhá recebe inúmeras condecorações. Seu vernissage dá-se em 1942 no Palace Hotel do Rio de Janeiro, posteriormente em Fortaleza, Brasília e Niterói e Lisboa. Aos 88 anos retorna ao Ceará e tem como desafio a restauração de suas obras, nas quais há uma variação estrutural de clássica, impressionista, expressionista e cubista, pondo em relevância o regionalismo. Raquel de Queiroz a intitula “A Dama das artes brasileiras” e Túlio Monteiro de “a senhora das cores, paisagens, telas e pincéis”.

  “Marly Vasconcelos é luz em forma de poesia”, assim Rejane Costa Barros intitula sua escrita sobre a poetisa que pontifica na Academia Cearense de Letras.  “ Marly Vasconcelos é mulher que preenche os postulados da expressão perfeita de retidão e boa conduta, dignidade, comprometimento social e competência literária”. Essas são palavras para descreverem o caráter da poetisa e mais adiante Rejane proclama e exalta a premiada poetisa: “ Marly é fruto de uma dança poética” e “a poesia bafejou-te a alma”.

Rosa Virgínia Carneiro de Castro com uma linguagem lírica anuncia a escritora Maria Hilma Correia Montenegro, como um concerto para o espírito onde as notas da lira no fruir do flavo sol de seus poemas rumorejam em solitude a grandeza de ser.  Na Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno espargiu seus raios de trovadora, mas a verve de professora a faz militar nos clássicos universais e no apreço pelo judaísmo.
Seridião Correia Montenegro, herdeiro de Hilda Montenegro, presta à escritora Angélica Coelho, contista, poetisa, romancista, dramaturga e jornalista e, pela graça divina desfruta o dom da vida. Angélica, recebe comentários elogiosos de Raquel de Queiroz, Peregrino Júnior, ambos da Academia Brasileira de Letras, como também de Daniel Coutinho e Mário Linhares; este último dedica-lhe um poema. Angélica, também tem seu livro Decadência de uma geração, adaptado para novela em 1964.
Socorro Cavalcanti, desvela a escritora, professora e cantora lírica D’Alva Stella Nogueira Freire, que aos 93 anos ainda esparge seu brilho sobre o céu de nossa cidade. Mulher de talento musical singular, que desde tenra idade educa seu ouvido pelos acordes de seu genitor e daí perfaz seus conhecimentos musicais entre Mossoró, João Pessoa e Rio de Janeiro. A estrela também escreve alguns poemas e hino da AMOL (Academia Mossoroense de Letras).

Como ascendente de Bárbara de Alencar, Vicente Alencar, jornalista, radialista, administrador e poeta, retira de seu alforje de viajante das estrelas as palavras que tecem a urdidura da grandeza dessa heroína, que após 257 anos de nascimento, ainda habita o imaginário das mulheres que trazem como lema o espírito de lutar sem desvanecer. Bárbara de Alencar foi avó do mais notável escritor brasileiro, José de Alencar. Natural de Pernambuco na região do Exu e migra para o Cariri. É presa juntamente com seu filho, futuro Senador da República, por conta do levante republicano na cidade do Crato, em 1818. Sofre as agruras da masmorra e torna-se heroína.

Nilze Costa e Silva é escolhida por Vital Arruda de Figueiredo para abrilhantar as “Policromias”. As nuances utilizadas por Vital Figueiredo aguçam o interesse do leitor no conhecimento da escritora Nilze Costa e Silva. Potiguara que se torna cearense e se imortaliza pelos prêmios conquistados, Prêmio de Redação “A Guerra do Paraguai”, Prêmio Estado do Ceará, com a novela No Fundo do Poço.  Funda a agremiação “Poemas Violados” e cumpre seu desiderato de escritora, tendo como espelho as grandes mulheres cearenses, Jovita Feitosa, Raquel de Queiroz, Bárbara de Alencar.

Cadê a biografia? Eis a questão que o escritor Claudio Queiroz propõe ao leitor. De forma inusitada, ele em suas perquirições insta a opinião do leitor, forçando-o a adentrar no seu universo e dele participar. Para Claudio Queiroz, “biografia é a mais fascinante e envolvente forma de literatura, a par de uma representação honesta e da mais exaustiva forma de execução das letras”.

Maria Helena do Amaral Macedo adentra no mundo literário de Dinorah Tomaz Ramos que através de suas lentes usa de sutileza e faz a biografia da poetisa Dinorah. Na diversidade de sua obra, Maria Helena se deleita com os poemas de Dinorah, sua mestra, cujo nome significa Luz e que literalmente a iluminou. Dinorah, tinha como livro de cabeceira “Imitação de Cristo” de Tomás Kêmpis, que “ao longo de seis séculos, tem sido das obras de espiritualidade mais lidas e meditadas”.

 Zenaide Braga Marçal faz o fechamento de “Policromias” com um memorial às Divas da literatura cearense, em sua nona versão com “Poemas em Postais de Beatriz Alcântara”. E numa escrita proficiente desvela outra faceta da escritora, a fotografia. A construção dos postais, somatório foto e poema, faz o diferencial na obra de Beatriz, destarte irrompe o panorama literário com originalidade. No vértice dos poemas “Terra de Aboio” acalanta o nordestino e “o homem e seu cavalo/recolhem os mugidos”. O envidar, ante a pureza do aboio, é o lenitivo da “tarde fugidia”.

  Trabalho apresentado na AJEB-CE, em 18/04/2017


DISCURSO DE AGRADECIMENTO
Ana Paula de Medeiros Ribeiro
Senhoras e Senhores

            Em 1979, a Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB), sob a presidência de Nenzinha Galeno, editava O Livro da Ajebiana, nossa primeira antologia nacional. A esta seguiam-se: Ajebianas do Paraná e do Brasil (1980 - PR); Ajebianas de Sul a Norte (1988 - PR); Ajebianas no Vôo da Palavra (1993 - PA); AJEB – Antologia 1996 (RS); e, em 2003, sob a organização de Giselda Medeiros, à época, Presidente Nacional, editamos AJEB Letras, sequenciada por outras que foram sendo editadas.
                 Em 1999, quando a escritora Giselda Medeiros assumiu a presidência da AJEB - coordenadoria do Ceará, decorridos vinte anos da publicação, em nossa terra, da primeira antologia da AJEB, chegávamos com o 1º volume de Policromias, numa constatação de que os ideais mantenedores do pensamento das sócias desta entidade, extravasados naquela obra, ainda, continuavam acesos, em plena combustão, como geradores contínuos de entusiasmo pelas letras. Esta foi, portanto, a primeira prova da nossa capacidade de resistência e, sobretudo, de amor à AJEB, neste esforço de torná-la sempre viva, atuante, para que, nela, possam se formar as inteligências do Ceará.
            Entrementes, enfrentando dificuldades, as mais diversas, não se arrefeceu em nós o ideal de verbalização dos sentidos, de fundamentar nossas memórias acumuladas ao longo do tempo, de construir o nosso universo através da palavra. Tanto assim que, em 2003, chegávamos, em nível nacional, com AJEB Letras. Em 2005, publicávamos o 2o. volume de Policromias e, agora, entregamos o seu 9o. volume, com a participação de 25 autores, numa festa eclética de ritmos, luzes e cores. Nele, deixamos gravados, ora o nosso pensamento, ora a crítica, a louvação à vida, ao amor, à persistência, à solidariedade, testemunhando a pujança de nomes femininos que, embora sofrendo a discriminação, à época, tiveram a coragem de publicar obras que se tornaram o marco da literatura feminina no Ceará, acreditando no ser humano, em sua crença num mundo mais humano e menos segregador.
            Policromias, 9o. volume, é, pois, realidade em nossas mãos, e, com ele, reforçamos a persistência no trabalho, na solidariedade e na  tolerância, princípios básicos de integração do ser humano. Trabalho, para mover a energia de nossa vontade; solidariedade, para suprir a compreensão holística de nossas angústias existenciais, e tolerância, para nos certificar de que nada somos, senão um frágil ramo da grande Árvore Suprema, da qual emana, em sua inabalável onipotência, a seiva que nos condiciona e nos mantém em perfeita vitalidade.
                Nascida sob a tutela da AMMPE (Asociación Mundial de Mujeres Periodistas y Escritoras), a AJEB, com sede e foro na cidade de Curitiba, Paraná, estado-sede fundador, congrega, hoje, sob a presidência Nacional de Maria Odila Menezes (RS) e de Gizela Nunes da Costa (Coordenadoria do Ceará), inúmeras sócias, agregadas em Coordenadorias Estaduais, cujo objetivo, como reza o Estatuto, é o de promover a união de jornalistas e escritoras de todo o Brasil.
                Lembremos e louvemos, neste instante, o mérito da escritora paranaense Hellê Vellozo Fernandes, responsável pela fundação da AJEB, aqui no Brasil, em 8 de abril de 1970, após participar, em 1969, do I Encontro Mundial da AMMPE, no México, sob a presidência da jornalista e escritora mexicana Glória Sales de Calderón.
            Continuamos, pois, nosso trabalho, neste quadragésimo sétimo ano de sua fundação. Mas, tendo sempre como meta a lição de humildade dos mares que, a despeito de sua pujança, sabiamente, vêm colocar-se em nível abaixo dos afluentes para, assim, receber-lhes as águas, em contínuo abraço de união e estreita simbiose de amor.
                Prosseguimos nessa viagem de revelação, arrimados na perenidade da palavra amadurecida no silêncio da criação, esta palavra que, segundo Heidegger, é a fonte e sustentáculo do ser das coisas, para que ela irrompa de nosso pensamento, transcendente e plena, até brotar na proficuidade de nosso labor, numa explosão de encontros, descobertas e realizações.
                 Mas, nesta manhã, além de celebrarmos o aniversário de nossa AJEB, queremos exercitar, também, a nossa gratidão. E o fazemos, inicialmente, na pessoa de Ubiratan Aguiar, presidente desta Casa, pela excelência com que acolhe a cultura cearense. À nossa presidente Gizela Nunes da Costa pelo desvelo e competência com que se dedica à consecução dos projetos ajebianos. À Acadêmica Graça Fonteles que, com sua benevolência, aquiesceu ao nosso convite para a apresentação desta obra, fazendo-a com percuciente conhecimento dos meandros da palavra escrita. À equipe da RDS Editora, na pessoa de Dorian Filho, pela responsabilidade e atenção a nós dispensadas, marcas de um atendimento mais que profissional. Também, aos vinte e cinco integrantes deste Policromias, partícipes de um sonho, graças a Deus, tornado realidade. Nossos agradecimentos a Carlos Alberto Dantas, pelo profissionalismo no belo projeto da diagramação do livro e pelo trabalho artístico da capa. À Francinete Azevedo pela prestimosidade do cerimonial.  
                 Por fim, queremos deixar a nossa homenagem in memoriam à inesquecível Geraldina Amaral, sócia fundadora da AJEB. Ela, que, inclusive, representou a nossa entidade no Congresso Mundial da AMMPE, em 1981, em Canes, na França. Agradecemos, com destaque, a presença dos ilustres biografados no livro, aqui presentes, bem como dos amigos, dos nossos familiares, de todos os convidados. Queremos agradecer, também, a cooperação de todos os membros da diretoria, assim como a atenção das sócias efetivas e dos sócios honorários, beneméritos e colaboradores, sem os quais nada poderíamos ter realizado. Juntos, somos um exército em marcha, procurando zelar por nossa cultura, por nosso povo, tão aviltado, mas sempre em pé, pois que a glória do cearense, no dizer do padre Valdevino Nogueira, é cair como mártir para levantar-se como herói. E tudo cabe dentro desse homem: luta, sobriedade, resignação, resistência, energia, enfim, numa palavra, bravura. Nele cabe ainda o terrível paradoxo entre a pobreza da terra e a riqueza da sua intelectualidade, conforme nos assevera Abelardo Montenegro.
            Por tudo isso, pela força de vontade, pela persistência, pela união que nos torna fortes, rejubilamo-nos e fazemos festa! Viva a AJEB!

                                                                                             Muito obrigada.
18/4/2017

MEMÓRIA FOTOGRÁFICA




















2 comentários:

  1. A solenidade foi linda, à altura da AJEB. Estamos todas de parabéns, principalmente a dinâmica diretoria que trabalha incansavelmente para manter viva a cultura do nosso país.

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    1. Celma, obrigada. Você é uma pessoa inteligente e competente. Um elogio seu nos leva a buscar novos rumos e perseguir o sucesso. Grande abraço. Giselda

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