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DIRETORIA AJEB-CE - 2018-2020

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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

BELEZA ESPIRITUAL- Celina Côrte Pinheiro

A ação do tempo é inexorável. Ninguém escapa à sua capacidade de nos roubar o turgor juvenil. Apesar das rugas, surge uma beleza especial, um encanto, um charme, como se fora uma compensação ao desgaste físico. A isto denominamos maturidade e não se trata de um eufemismo bem colocado para substituir o termo velhice. O espelho revela uma figura orgulhosa de si, por conta do equilíbrio emocional e do conhecimento advindos da própria vida, que fazem de nós mais sábios. Até aquele fio de cabelo branco que se insinua entre os negros, já não tão negros, produz um reflexo charmoso e enigmático. Transformamo-nos em uma nova edição, revisada e acrescida de nuanças peculiares e gratificantes. Percebemos o envelhecimento com certo orgulho, face às aquisições pessoais e, ao mesmo tempo, com humildade, diante dos fatos que não podemos modificar.

Contudo, esta não é necessariamente a mesma impressão provocada naqueles que nos cercam, adormecidos para os valores do espírito. Eles observam somente o óbvio, nosso corpo emurchecido ou avolumado pelo tempo. São cegos no olhar e nos sentimentos. Não dedicam sequer um segundo em nos contemplar interiormente e muito menos em conter a própria expressão facial ou a palavra tosca que teima em lhes sair da boca. Eliminam seus dejetos mentais, dizem asneiras como se fossem imortais e detentores da eterna juventude. Portanto, a nossa sensação pessoal de juventude do espírito não é documento para quem se prende exclusivamente às aparências.

A vida passa e a fotografia fica. Uma das afirmações prediletas dos fotógrafos, na tentativa de nos incentivar à documentação obrigatória dos momentos vividos. Não lhes tiro a razão. Realmente, os fatos são vivamente lembrados através das fotografias. Em nossa mente, a energia, a sensualidade e a beleza física de sempre. Nas fotografias, a denúncia anônima da infidelidade do tempo a passar por nós de forma avassaladora. Elas mostram o que os outros vêem e nós não percebemos... São indiscretas! Revelam as mudanças acarretadas pelo tempo e a nossa cafonice na vestimenta ou naquela pose de manequim, mal copiada das mulheres maravilhosas estampadas nas revistas. Passado e presente documentados de forma inegável. Em meu diploma profissional, por exemplo, consta minha fotografia feita pelos idos dos anos 70. Cabelos castanhos, levemente anelados, olhar doce com o brilho da juventude, a pele macia, tudo registrado pela magia fotográfica. Sem modéstia, bonita. Um dia, alguém passou, viu o retrato, voltou-se para mim e, em seguida, para a foto. Vergastou o comentário: “Noooossa, como a gente muda...” Disse tudo! Sorte dela que jogar praga não é do meu feitio...

Meus netos crescem e se tornam, a cada dia, mais bonitos. Já, eu, ao lado deles, fico contrastante, com minha pele alterada pelos efeitos do tempo e do sol. Tenho, assim, que me curvar às evidências e concordar com o olhar dos jovens que não conseguem perceber nossa juventude preservada no espírito. Mas, sou capaz de jurar que ela é real...

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