DIRETORIA AJEB-CE - 2016-2018

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DIRETORIA ELEITA POR UNANIMIDADE

ATUAL DIRETORIA DA AJEB-CE

DIRETORIA ELEITA POR UNANIMIDADE

CHAPA PAPA FRANCISCO

PRESIDENTE DE HONRA: Giselda de Medeiros Albuquerque

PRESIDENTE: Gizela Nunes da Costa

1ª VICE-PRESIDENTE: Maria Argentina Austregésilo de Andrade

2ª VICE-PRESIDENTE: Elinalva Alves de Oliveira

1ª SECRETÁRIA: Rejane Costa Barros

2ª SECRETÁRIA: Rosa Virgínia Carneiro de Castro

1ª TESOUREIRA: Rita Maria Lopes Guedes Santos

2ª TESOUREIRA: Maria do Socorro Cavalcanti

DIRETORA DE EVENTOS: Maria Nirvanda Medeiros

DIRETORA DE PUBLICAÇÃO: Giselda de Medeiros Albuquerque

CERIMONIALISTA: Francinete de Azevedo Ferreira

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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

UM TEXTO DE JANUÁRIO BEZERRA




o dia do músico e a escola

Januário Bezerra

Festejar a arte e aplaudir o artista é algo proposto pelo calendário, em todos os tempos e lugares. Vinte e dois de novembro, por exemplo, é data consagrada ao músico. O legado Greco-romano facilita a compreensão da simbologia envolvendo a arte musical e seu praticante. A música, que tem em Beethoven e Bach dois expoentes, para citar apenas esses, se constitui, talvez, na mais evoluída manifestação artística. Acima de questões como língua, crença, escolaridade etc, possibilita, por si mesma, mais harmonia e melhor compreensão entre os homens, tal o seu poder de comunicação e a universalidade do seu culto. Na mitologia grega, Orfeu e Eurides protagonizam linda fábula e assim simbolizam essa forma de arte. Embora mais modestamente, a cultura romana, de igual modo, contribui para o mesmo objetivo, possibilitando a Santa Cecília tornar-se padroeira dos músicos.  Em abordagem circunscrita ao território brasileiro, a data comemorada sugere refletir em torno de como o ofício adotado por Frédéric François Chopin poderia ajudar a Nação no encaminhamento da infância e da juventude, livrando-as da marginalidade que aí está e tanto avilta nossos indicadores sociais. Algo é sempre tentado nesse tocante, mas, sabidamente, muito pouco tem sido feito. Quem não se lembra, por exemplo, do Projeto Aquarius?  Criado em 1972, por iniciativa, dentre outros brasileiros, do maestro Isaac Karabtchevsky, com o objetivo de levar a música clássica à população carioca. Teve sua primeira edição no Parque do Flamengo, com “Alvorada” da ópera “O escravo”, de Carlos Gomes e, mercê da execução do projeto, muitos conterrâneos hoje têm na música uma profissão de inegável sucesso, com vários deles integrando regularmente grandes orquestras mundo afora. E Isaac Karabtchevsky – nascido em 27 de dezembro de 1934 – apesar dos oitenta anos, bem tocados e bem vividos, aí está, cheio de entusiasmo e vontade de continuar colaborando. Se por um lado é lamentável a desativação do “Aquarius”, por outro, há de se reconhecer o efeito multiplicador, já espalhado por alguns pontos do território nacional. Aqui acolá se vê e ouve um grupo musical, sob patrocínio do erário ou de particulares, estimulando vocações, que desde sempre justificaram os aplausos sempre devotados pelo mundo inteiro à música e ao músico do Brasil. Heitor Villa-Lobos foi outro a muito fazer pelo ensino musical entre nós. E dele não há quem possa roubar o mérito de trazer para a orquestra o violão, aqui no Brasil. Até então, o instrumento era visto com imensa reserva, apesar de sua boa origem ibérica e de toda a aceitação sempre encontrada em grandes orquestras europeias. Outro nome a lembrar é o do maestro João Carlos Martins, considerado pela crítica internacional um dos maiores intérpretes de Bach do século XX, de quem registrou a obra completa para teclado. Há sete anos, fundou a Bachiana Filarmônica e desenvolveu um trabalho com adolescentes, através de sua Bachiana Jovem. Criou a Fundação Bachiana, cujo tema é a arte e sustentabilidade. As orquestras foram unificadas e formam a Filarmônica Bachiana SESI-SP. O estado brasileiro bem que poderia aproveitar ideias como as chamadas PPP – Parcerias Público-Privadas e, estendendo esse conceito da moderna administração pública, viabilizar uma escola capaz de atender as necessidades atuais e futuras da sociedade. Possibilitando, e-fe-ti-va-men-te, ao estudante brasileiro e ao profissional em que ele se transformará brevemente, um conteúdo intelectual à altura do pleno exercício da cidadania, nos moldes exigidos pelo terceiro milênio. Afinal, o próprio significado literal da palavra educação sugere algo absolutamente diverso do que aí está. Vejamos o que diz a respeito o dicionário: “educação e.du.ca.ção sf (lat educatione) 1 Ato ou efeito de educar. 2 Aperfeiçoamento das faculdades físicas intelectuais e morais do ser humano; disciplinamento, instrução, ensino. 3 Processo pelo qual uma função se desenvolve e se aperfeiçoa pelo próprio exercício: Educação musical, profissional etc. 4 Formação consciente das novas gerações segundo os ideais de cultura de cada povo. 5 Civilidade. 6 Delicadeza. 7 Cortesia. 8 Arte de ensinar (...)”. Estaríamos diante de uma excelente oportunidade para reformulação da escola brasileira, posto que já se vislumbra alguma possibilidade de mudança, a partir da redemocratização iniciada com a Constituição de 88, agora aguçada por via das chamadas redes sociais. Há muito é necessária uma nova escola, capaz de qualificar melhor a sociedade, seja do ponto de vista estritamente intelectual ou da aptidão profissional, seja no tocante ao lastro humanístico demandado pela boa convivência entre iguais. De qualquer sorte, é profundamente constrangedor o episódio verificado, com frequência até, em que brasileiro chega a ser tratado aí pelos caminhos do mundo como lídimo representante de uma sub-raça, quando consegue – sabe Deus por obra e graça de que ou quem – usar, com certa vaidade até, o tão sonhado passaporte. Apesar da descrença ainda generalizada, o país parece querer iniciar processo de mudança, pelo que se observa nos últimos tempos. Convém, no entanto, agilizar as coisas, sob pena de esbarrarmos diante de uma dura verdade, que diariamente eu via escrita na parede da escola: “Quem o tempo perde, eterna perda chora”. 


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