DIRETORIA AJEB-CE - 2016-2018

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DIRETORIA ELEITA POR UNANIMIDADE

ATUAL DIRETORIA DA AJEB-CE

DIRETORIA ELEITA POR UNANIMIDADE

CHAPA PAPA FRANCISCO

PRESIDENTE DE HONRA: Giselda de Medeiros Albuquerque

PRESIDENTE: Gizela Nunes da Costa

1ª VICE-PRESIDENTE: Maria Argentina Austregésilo de Andrade

2ª VICE-PRESIDENTE: Elinalva Alves de Oliveira

1ª SECRETÁRIA: Rejane Costa Barros

2ª SECRETÁRIA: Rosa Virgínia Carneiro de Castro

1ª TESOUREIRA: Rita Maria Lopes Guedes Santos

2ª TESOUREIRA: Maria do Socorro Cavalcanti

DIRETORA DE EVENTOS: Maria Nirvanda Medeiros

DIRETORA DE PUBLICAÇÃO: Giselda de Medeiros Albuquerque

CERIMONIALISTA: Francinete de Azevedo Ferreira

CONSELHO

Maria Helena do Amaral Macedo

Zenaide Braga Marçal

Maria Luisa Bomfim

Celina Côrte Pinheiro

Evan Gomes Bessa

sábado, 10 de junho de 2017

REJANE COSTA BARROS É EMPOSSADA NA ALACE


Momento da Posse de Rejane Costa Barros na ACADEMIA DE LETRAS E ARTES DO CEARÁ. - ALACE, hoje, 10 de junho de 2017, na Casa de Juvenal Galeno. Certamente, a ALACE enriqueceu seu quadro acadêmico, uma vez que Rejane Costa Barros, além de ser um nome já firmado na literatura cearense, é uma pessoa que não quer apenas o título, quer trabalhar pela entidade. Parabéns, Rejane. A AJEB-CE te abraça!


Vejamos algumas fotos 













DISCURSO DE POSSE

Senhor Presidente,
Acadêmicos da ALACE,
Senhores e senhoras

Dizia o poeta Filgueiras Lima que as Academias, além de serem Institutos de exercícios literários, têm um compromisso social de marcante importância: cabe-lhes acender ideias de elevação mental na alma do povo e aprimorar os recursos da língua nacional, assegurando-lhe o resguardo dos modos e formas expressionais da melhor beleza idiomática e de respeito aos elementos de sua formação.
Tem o Ceará uma trajetória de amor às agremiações culturais. Muitas foram as que se formaram ao longo de nossa história, algumas de forma marcante, como a original PADARIA ESPIRITUAL, fundada em 1892 pelos jovens boêmios que frequentavam o Café Java na Praça do Ferreira, sob a generosa complacência do Mané Coco, jocosa figura de botiquineiro.
Em 1894 era fundada a Academia Cearense de Letras, porventura, a mais antiga do Brasil, pois antecedeu em três anos a própria Academia Brasileira de Letras.
Outras Associações e Grupos literários já haviam recrutado os amigos das letras, como a Academia Francesa, em 1873, o Grêmio Literário, em 1855, e o Instituto do Ceará, em 1887 (este ainda hoje em pleno vigor produtivo e reconhecido como Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico).
Nesses redutos de embate de ideias e manifestação estética, surgiram nomes que haveriam de engrandecer as letras cearenses e romper as fronteiras da Província para brilhar à ampla e larga admiração nacional. Nomes como o de Antônio Sales, Adolfo Caminha, Rodolfo Teófilo, Rocha Lima, Juvenal Galeno, Farias Brito, Araripe Júnior e Clóvis Beviláqua.
Somos uma terra de produtores de literatura. De poetas e prosadores de qualidade superior, muitos assinalados em definitivo nas páginas permanentes da imortalidade, como colunas sólidas da história literária do país. Desses anais perpétuos jamais sairão José de Alencar, Franklin Távora, Domingos Olímpio, José Albano, Gustavo Barroso, Herman Lima, Raimundo Magalhães Júnior e Rachel de Queiroz.
Parece que temos no Ceará uma inquietação para dizer, pelos misteriosos caminhos do encanto, os sentimentos e as emoções que nos possuem, o acicate da dor e o fogo da paixão, o plasma do delírio e o patinar obscuro do lodo, o mel e o fel de nosso jeito severino de encarar a vida.
Como em todos os ofícios da atividade humana, o escritor tem um compromisso com a sociedade e com a História.
Mas cabe aos que escrevem uma função maior. É que o escritor faz a leitura da vida, capta os retratos da época, interpreta a natureza humana, reflete em sua criação o pensamento, as ideias e as atitudes de seu tempo, expressando-os através da crônica, do ensaio, da poesia e até da ficção, que sempre se apoia na realidade e reproduz situações concretas.
Instrumento, portanto, da História, o escritor é elemento imprescindível para a memória da Humanidade. Sem a sua atuação, não teríamos a Bíblia, o Livro dos Vedas, o Alcorão, a Odisseia, a Divina Comédia e Os Lusíadas.
Nem saberíamos das façanhas de Carlos Magno e dos Doze Pares de França. Nem das proezas de João Grilo ou da peleja de Zé Pretinho com o Cego Aderaldo, pelo viés da literatura de cordel. Congregar esses seres iluminados que trabalham sobre a magia das palavras e, como deuses, criam mundos e constroem vidas, é uma missão também quase divina.
Por isso, aplaudimos a existência das Academias.
Afirmou certa vez o Professor Andrade Furtado que a vocação literária e artística é uma dignidade que devemos aceitar, humildemente, como dom gratuito de Deus e exercê-la como um sacerdócio. A Academia é uma forja de ideias. Aqui se emite e se molda o pensamento, dando-lhe a feição e o aspecto que compraz ao seu emissor, sem prejuízo para os desdobramentos que os demais confrades nele possam realizar. Como o ferro que, na bigorna, ao toque do malho, pode ser transformado num acicate ou numa lâmina agrícola, na espora que excita ao galope ou na enxada que abre a cova para a semeadura.
Hoje, não há como negar a emoção que vivo ao retornar para a ALACE – Academia de Letras e Artes do Ceará. Sabemos que essa Instituição literária nasceu sob uma forte inspiração e permanece nas fileiras entre as organizações que praticam a resistência heroica em defesa das tradições culturais de nosso Ceará.
Idealizada pelos escritores Reginaldo Vasconcelos de Athayde, que hoje habita outro universo e Eliane Arruda, a ALACE tem bagagem suficiente para inscrever e deixar marcada para sempre a sua marca na história literária de nosso Estado.
A estrada é nossa pátria, porque é dela, da faina operosa dos dias, entre pedras e flores, que miramos o horizonte. Aqui, em outras épocas participei de vários acontecimentos e muitas conquistas e agora, estou pronta a percorrer esse novo território e palmilhar os ínvios caminhos para descobrir o prazer nessa caminhada cultural.
Tenho nesse momento, a alma alvoroçada e o coração em festa.
Pulsa-me o sentimento verdadeiro de alegria e do mesmo quilate daquela primeira vez em que cruzei os umbrais desta casa, a Casa de Juvenal Galeno. Naquele dia, ao pisar este solo, senti claramente que atravessava a fronteira luminosa para o planeta da literatura. Recebida pelo Diretor desta Casa, o querido amigo Dr. Alberto Santiago Galeno, historiador de nossos costumes e primoroso contista, fui inserindo a minha história e misturando-a às que aqui são vividas continuamente. Nos sentimos entre irmãos, gente que tem afeto para compartilhar. Desde aquele dia não me enganei: a Casa de Juvenal Galeno cumpre há mais de oito décadas, e com grande êxito, o desiderato fascinante de congregar, estimular e irmanar os intelectuais cearenses num ambiente de elevado sentimento e proveitosa convivência.
Há nesse mundo os que lutam pelo sucesso pessoal e se esforçam para atingir um patamar de conforto e dignidade para si e para a sua família, o que é justo, compreensível e natural. Mas, há também, os que, movidos por uma força interior e por serem portadores de um grande sentimento, pensam além da prosperidade individual e endereçam o seu trabalho, sua inteligência e suas energias para o progresso coletivo, visando o desenvolvimento econômico e social de sua comunidade.
Chega o momento da gratidão, e portanto, agradeço ao Presidente da ALACE, acadêmico José Odmar de Lima, que gentilmente, recebeu a proposta desse retorno, analisou-a, acatou-a e aceitou-a, apostando que é para o bem da Academia.
De minha parte, digo-lhe, que farei tudo o que estiver ao meu alcance para elevar o nome de nossa Academia e doar meus conhecimentos para que tudo esteja sempre em plena harmonia e poder compartilhar com meus pares, de suas inteligências e aprender com vocês, a caminhar pelo vale dourado da felicidade. Agradeço a acadêmica Socorro Cavalcanti, minha madrinha nesse retorno, por todo o esforço que empreendeu para que eu aqui estivesse novamente. Ela não sossegou no sentido de resgatar essa parceria, que sempre foi tão profícua. Também agradeço as acadêmicas Lucia Recamonde e Argentina Andrade que estiveram presentes nessa empreitada, torcendo para que fosse exitosa. Há um agradecimento todo especial, para a amiga querida Joana Paiva Recamonde. Essa mulher que aos 90 anos, se inscreve entre os idealistas do fortalecimento humano. Eu, em particular, agradeço sempre a Deus, por ter permitido que o destino cruzasse a minha vida à dela e nos tornado amigas. Mulher que acompanha a evolução do mundo, vive circundada pela modernidade, sabe ter o sorriso na hora certa e a palavra segura, quando necessário, mas sem perder a ternura, jamais. Sua vida é assim, sem mistério ou disfarces, desfraldada como uma bandeira, sugerindo esperanças e convidando-nos para acompanhá-la.
É amante da boa música, da comida caseira e das histórias de boca da noite. Tem fé, muita fé. Tem construído sua história de vida pautada na competência e determinação. Hoje, ela passa a outra categoria nessa Academia e eu passo a ocupar a cadeira 28, onde ela se assentou por tantas ocasiões, cujo Patrono é o imenso artista plástico Francisco Domingos da Silva, o Chico da Silva. Obrigada, Joaninha!
A vida e a obra de Chico da Silva são das mais intrigantes da história da arte brasileira. Nascido no Acre em 1923, veio para Fortaleza aos 10 anos e aqui residiu no bairro Pirambu, um dos bairros mais pobres da cidade, até morrer. Descoberto por Jean Pierre Chabloz, tornou-se um dos maiores pintores desse país e conhecido também internacionalmente. Muitos percalços e mazelas o envolveram e Chico, tomado pelo vício do álcool, algumas vezes, negligenciou sua arte, mas sua genialidade superou tudo isso. E o que nos orgulha nesse imenso artista, é o talento e seu nome que imortalizou-se na história da arte mundial.
Nunca olhemos o tempo como coisa comum, assim só envelheceremos mais depressa e passaremos pela vida sem viver de fato. Lembrem-se mulheres, que não precisamos ir para a guerra nem fazer a apologia da violência para entrar na História. Deixemos nossos nomes escritos e marcados nessa terra por nossos feitos, nossas condutas, nossos bons exemplos.
Essa é uma tarde de congraçamento, alegria e reconhecimento. Louvemos por essa tarde mágica de encantamento, plena de gratidão.
E cada ser humano, como definiu Sócrates, é como se fosse um todo único, um universo singular tão interessante quanto surpreendente, um campo em que se podem plantar sementes promissoras ou alinhar os tijolos de uma nova construção. Ousadia é o que melhor define a atitude do povo cearense! Somos uma gente destemida, uma raça de audazes, pois, como mostra a História, o Ceará não possui a reticência dos parvos, não contorna os desafios, nem teme os confrontos. Sempre achamos um caminho para a meta do horizonte desejado e, se o caminho não existe, nós o inventamos e pelo novo rumo pomos em marcha a nossa criatividade, o nosso talento e essa garra indômita de conquistadores. As fronteiras de nossa ousadia são, sem dúvida, infinitas.
Somos um povo que não pode esperar, nem a ponderação retórica, nem o adiamento acomodador.
Lembro nesse momento de Nélson Mandela, o Dragão do Mar da África, que sem escrever poesias, foi um poeta militante, na solidão da masmorra, na escuridão do cárcere, repetia sempre um mantra: Não importa quão estreito o portão / quão repleta de castigo a sentença / eu sou o senhor de meu destino / eu sou o capitão de minha alma. Mandela carregava na sua jangada existencial a lanterna da poesia.
Poeta é aquele que, em qualquer barco de sonho, ultrapassa as ondas da superfície e alcança o espaço tranquilo das águas profundas do oceano da vida.
Somos todos herdeiros da vocação criadora de Deus e nossa missão é construir.
Há os que constroem obeliscos e monumentos ciclópicos, os que constroem a guerra e a dor e vivem de produzir o medo e a desolação. Nós, porta-vozes da inspiração e do grande sentimento, produzimos policromias e construímos sobre o amor. Vivemos de provocar a beleza e sugerir a felicidade. Nosso edifício não é feito de pedra e argamassa sujeito à voragem do tempo e à aspereza material: nossas construções se montam sobre as estruturas azuis e permanentes da poesia, a mesma que fundou as canções de saudade, os sonhos mais puros e a fé vertical. Trabalhamos sobre a face apaixonada do mistério e das evocações transcendentes. Ultrapassamos a pedra, o abismo, a queda. Acendemos os sinais da vida e negamos a morte.
A Academia é a imortalidade, a espiritual sobrevivência da arte e da cultura. Saibamos transitar nesse universo literário com leveza, sabedoria, consciência de nosso papel e acima de tudo, com a certeza que tudo isso é efêmero e a simplicidade deve ser o sentimento mais atuante entre todos nós.
Muito obrigada a vocês, todos, por esse doce acolhimento!
Rejane Costa Barros
Cadeira 28
10/06/2017

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