DIRETORIA AJEB-CE - 2016-2018

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DIRETORIA ELEITA POR UNANIMIDADE

ATUAL DIRETORIA DA AJEB-CE

DIRETORIA ELEITA POR UNANIMIDADE

CHAPA PAPA FRANCISCO

PRESIDENTE DE HONRA: Giselda de Medeiros Albuquerque

PRESIDENTE: Gizela Nunes da Costa

1ª VICE-PRESIDENTE: Maria Argentina Austregésilo de Andrade

2ª VICE-PRESIDENTE: Elinalva Alves de Oliveira

1ª SECRETÁRIA: Rejane Costa Barros

2ª SECRETÁRIA: Rosa Virgínia Carneiro de Castro

1ª TESOUREIRA: Rita Maria Lopes Guedes Santos

2ª TESOUREIRA: Maria do Socorro Cavalcanti

DIRETORA DE EVENTOS: Maria Nirvanda Medeiros

DIRETORA DE PUBLICAÇÃO: Giselda de Medeiros Albuquerque

CERIMONIALISTA: Francinete de Azevedo Ferreira

CONSELHO

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Zenaide Braga Marçal

Maria Luisa Bomfim

Celina Côrte Pinheiro

Evan Gomes Bessa

sábado, 1 de maio de 2010

As Marcas do Discurso Poético de Neide Azevedo Lopes - F.S. Nascimento


Com sua reconhecida ascensão intelectual, quando em 2001 lançou seu livro de poemas“ O Resvalar do Sonho”, a escritora Neide Azevedo já demonstrava plena noção da regra do verso livre. Adotava o assimetrismo linear, usando no final de cada verso a vírgula, a exclamação, o ponto final, a reticência ou a pausa sonora.Passados nove anos, ao publicar sua atual “Teoria dos Afetos”, a acadêmica deixaria notoriamente expresso um avanço na composição dos seus poemas em versos livres.
Com essa vocação poética, ver-se-iam crescidos enlevos nesssa sua linguagem drummondiana,
firmando-se definitivamente como um marco nesse gênero, em que avultam tantos intelectuais
na terra alencarina.
Essa atual empreitada artística de Neide Azevedo se inicia pelo curtíssimo poema “Descaminhos”, em que a regra absoluta do verso livre fica demonstrada em apenas seis linhas expressivas, com pontos finais. Já no poema “Acendedor de ilusões”, nas três estrofes em quatro versos (Homem de mãos cuidadosas / Homem de mãos calejadas / Homem de mãos acendradas), as vírgulas e os pontos finais se mostram, obviamente, sequentes e conclusivos.
Em sua atraente produção, nos versos de “Seis da tarde”, Neide Azevedo avançaria com seus enlevos, narrando artisticamente “A valsa e o vestido”, “Perplexidade”, “Último canto” e “Teoria dos afetos” – este, assim expresso: “Sinto-te o repetido gesto / Tomo-te a mão que não vejo. / Teus olhos seguem-me os passos / Qual flecha, adelgada e nua...”
Predominando em sua linguagem poética a versificação linear, com os sinais externos já especificados, em algunso dos seus poemas ver-se-ia suceder a curvatura sonoramente contínua, mediante o emprego translinear do enjambement, somente na linha abaixo freando com a interrogação, a exclamação, a vírgula, a reticência ou o ponto final. Com essa propensão linguística, mencionaria como exemplos “O cheiro da infância perdida”, “A ceia”, “A morta”, “Tua palavra” e “Marina”.
Na fonologia poética, a tonância só assinalada no final de cada poema representa uma propensão da maior relevância.
Esse fino labor poético se verá maravilhosamente praticado pela intelectual Neide Azevedo, mencionando-se os poemas “Canção do ano que finda”, “Elegia alvissareira”, “Memória do dia” e “Ritual”.
Mas, já nos poemas “Marina”, “Ausências”, “As doze graças” e “Apelo”, as pausas tonais recebiam a vírgula ou o ponto final, prevalecendo, obviamente, os enlevos tonais e expressivos
da escritora. Com essa dupla propensão, sua linguagem poética se mostraria cada vez mais alicerçada, crescendo em nossa terra alencarina o número de seus admiradores. No poema “Sinos”, a notável Neide Azevedo Lopes se mostraria enlevada com as tendências naturais e encantatórias desse natural e simbólico instrumento universal, expondo doze de suas atribuições sonoras e relevantes. Quanto ao poema “Velas”, já nos seus primeiros quatro versos ficaria ressaltada a projeção natural de “Sete montanhas...” Lindas, lúcidas e fugidias, em seus três versos finais, assim defindos: “Múltiplos brilhos / Pontilhando em clarões / Nossos caminhos”. Transferindo esses enfoques para o “Mapa dos afetos”, em suas linhas expressivas ver-se-ia exposta mais uma expressividade poética da autora, somente o seu último verso ganhando o sinal gráfico da reticência. Já, no poema seguinte, “Menina Glória”, em seus quatro duplos contextos expressivos somente ver-se-ia um ponto final e uma conclusiva reticência. E, em mais este poema “Silêncios e atalhos”, em suas duas últimas estrofes é que eram impostas duas vírgulas internas, predominando o marcante olhar da criatividade.
Com a leitura dos demais poemas dessa “Teoria dos afetos”, ver-se-ia crescida a modernidade da poetisa Neide Azevedo. Sem nenhuma esnobação artística, com a editoração deste atual acervo, sua jornada acadêmica se mostrará plenificada. Historicamente, este será um grande marco da glorificação intelectual.


(Jornal Diário do Nordeste - 25/4/2010)

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