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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

CONVERSANDO COM NATÉRCIA CAMPOS - Maria Amélia Barros Leal



Você, amiga, nos transmitiu singulares emoções nos mistérios daquela Casa, plena de tramas e sutilezas, revelando no romance a sua inteligência iluminada. No caminho das águas, mergulhei com paixão, flutuando sob uma sensação de aventura, vivendo os segredos inspirados pelo Conde italiano Ermanno de Stradelli em você, a filha do contista Moreira Campos, que fisicamente parecia frágil, mas, na realidade, possuía o poder de captar o íntimo dos sentimentos humanos.
Se você, no fim da viagem, ficou "à mercê de dois mundos, o imaginário e o real, procurando equilibrar a vida e os sonhos", é porque herdou de seu pai o poder mágico das concepções literárias, e de seu avô Julio Alcides, não só um binóculo de alcance, mas uma visão aguda e penetrante da selva Amazônica.
Embevecida pela descrição das paisagens, acompanho os seus olhos deslumbrados, fixos no CRUZEIRO DO SUL, na lua madrinha, no Japu, pássaro de bico vermelho que do sol trouxe o fogo; no Uirapuru, ave canora a que CY, a mãe de todos, pede que não pare de cantar; no Aturiá, comunicação estreita entre rios que recebe dos viajantes uma peça de roupa para abrandar a cólera dos espíritos e, descendo as águas, o Matupã, uma touceira desenraizada das ribanceiras do rio, pequena ilha flutuante, pela qual viajam plantas, pássaros, galhos, flores e garranchos. E, quando um pequeno vapor – o navio gaiola – passa com as redes armadas, você confessa que a imaginação voou intensa e, então, eu relembro o Professor Moreira Campos, profundamente sutil em pressentir e descobrir emoções contidas.
Com sensibilidade, você nos apresenta os Matis, que são os curandeiros, mestres na aplicação do curare e a cerimônia do Marake, deveras impressionante, porque os meninos que penetrarão no mundo dos adultos, sentem, em silêncio, as ferroadas das tocandeiras, as formigas de fogo.
Juruparu, o deus e demônio das florestas, exclui as mulheres do ritual, não permitindo que ouçam o som da trombeta da paixiúba. E eu me interrogo: por que a proibição? Seria medo de que a sedução feminina pudesse arrefecer o ânimo dos adolescentes?
Profundo mistério, insondável premonição, envolvida na exaltação do espírito...
A chegada a Parintins em 3l de dezembro de 2000, numa atmosfera de beleza indescritível, e os expressivos versos de seu amigo e poeta Dr.Wellington Alves deram-me a certeza, de que a viagem fantástica foi real e, quando "a esperança de um feliz ano novo tornou-se a sua companhia, a referência aos amigos que são preciosos e imprescindíveis como o ar, a água, o sol e os sonhos" me emocionaram tão profundamente que me imaginei naquele navio, usufruindo as nuances e os segredos, sentindo o vigor da natureza, decifrando lendas como você o fez, filha de um homem predestinado e de uma mãe muito amada, encantando-se com a pujança da natureza, vendo de perto a sumameira, ouvindo os gritos longos do Curupira e "achando divino não haver por perto alguém para silenciá-lo com um pilão".
E os botos? Os golfinhos sedutores? O delfim, a taboca Arapari, o Mapinguari, que no folclore amazônico é um gigante semelhante ao homem, porém coberto de pêlos?
Os gritos da ave agoureira, Urutau, a mãe da lua que chora quando ela surge, o tincuã, o pássaro alma-penada, o Matintapereira e o Japim que arremeda os pássaros?
No Rio Negro, o cacto da lua "cuja flor só abre as pétalas uma vez, em noite de lua cheia, desprendendo um perfume de essência rara e quando o dia nasce, se fecha".
Em toda descrição do universo silvestre, você impregna nas nossas mentes uma mensagem sensível de DEUS na natureza, prodigiosa em lendas e em beleza.
Há um ano, em 3 de Junho de 2.004, você deixou com serenidade o aconchego da família, o grande amor maternal, a literatura, as viagens, os seus livros e fotos, a Academia de Letras e seus mais caros amigos.
Deixou D.Zezé numa mortal saudade, pois, conjugando a falta do José com a da filha amada e companheira, pensou triste, chorou o passado de carinho e o amor sofrido e não teve forças para sobreviver.
Sentindo-se sozinho, o coração, pelos grilhões da amargura infinda, rompeu a pulsação da vida.
Para nós, você continua nas "Iluminuras", nas histórias daquela casa cheia de amores, de frustrações e de desencontros, nos contos publicados, no relato da viagem a Portugal e Espanha, no discurso poético e perfeito da posse na Academia Cearense de Letras e, finalmente, no "Caminho das águas'', milionário do verde império da Amazônia e dos sentimentos dos amigos que partilharam as emoções da aventura de garra e poesia.
Sentindo a sua presença, e inspirada na luz da FÉ, eu diviso o pai, a filha e a mãe, juntos na Eternidade, testemunhando o pensamento do grande Mário Quintana: "O amor é quando a alma muda de casa".

(Policromias - 5º volume)

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